Arquivo do mês: abril 2015

Amigos, ironia desta vida

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O amigo, velejador, poeta, escritor, boêmio e inveterado amante dos oceanos, Érico Amorim, certo dia enviou o texto maravilhoso que você lerá abaixo e este navegou perdido pelos arquivos secretos desse meu computador metido a pregar peças. Futucando aqui e ali resgatei a crônica e agora divido com você leitor, com o consentimento do autor. A título de esclarecimento: IDEC, mencionado, é o Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Rio Grande do Norte, do qual o autor esteve presidente.

Amigos, ironia desta vida.

Pequena crônica de Érico Amorim

O amigo Sydnei, de São Paulo, às vezes, talvez brincando, dizia: é isso aí, já estou no outono da vida. Talvez se referindo à maturidade de seus 70 anos. Hoje, almoçando sozinho, fazendo jus aos meus dotes culinários e tomando meu vinho, entra a Alcione: “amigo, ironia desta vida, você me ouve mais que os amigos lá do Brás”. Aí eu não resisti e comecei matutar cá com meus botões. Fui passando minha vida a limpo, resumindo essas duas ideias: poucos amigos e a dificuldade de comunicação entre as pessoas. Será que estou no outono da vida, já com poucos amigos e ninguém me escuta mais?

Quanto a não escutar ou outros, nisso eu sou Doutor. Passei a vida toda interrompendo o fim das frases alheias. Se eu fazia um sacrifício enorme para sintetizar minhas ideias, por que seria obrigado a ouvir tantas repetições? Aqueles discursos sem fim sempre me pareceram um atestado de burrice e por mais que me contivesse não resistia ouvi-los até o fim.

O tempo, porém é senhor de todas as verdades. E descobri que ouvindo mais e falando menos a gente fica com mais tempo para refletir naquilo que ouvimos e se falamos pouco provavelmente erramos menos. Churchill disse: deixe os outros errarem também. Esse aprendizado, no entanto, não foi muito fácil, mas fiz um grande avanço e hoje já consigo ouvir as maiores asneiras sem interromper o interlocutor. O raciocínio é simples: pra que interromper semelhante besteira? E se for um raciocínio que não consegui acompanhar de tão profundo, terei tempo para refletir.

E os amigos? Há, esses a gente só consegue reconhecê-los depois dos fatos passados. Talvez por ter tido a criação que tive e um pai espiritualmente avançado, não imaginava, por exemplo, que todos aqueles que se ofereciam para jantar na sexta-feira estavam interessados tão somente em jantar com o Presidente do IDEC (hoje Idema) e não com Érico Amorim .

Como a vida dá voltas, quando voltei a assumir cargos importantes depois de ter deixado o IDEC passei a ver que alguns davam sinais de bajulação e nada de amizade sincera, ou mesmo amizade nua e crua. Aí, porém eu já havia aprendido a lição.

Outros falsos amigos que frequentaram minha casa, ou mesmo filho de amigos meus ou também colegas que na Faculdade eram pessoas simples se transformaram ao assumir cargos públicos passando a mostrar seus verdadeiros sentimentos.

Parece que Sydnei tem uma certa razão: somente no outono da vida, quando se consegue distinguir bem o joio do trigo a gente ouve mais e distingue facilmente os verdadeiros amigos. Mesmo aqueles que por mais ausente que estejam são amigos de verdade.

Instigando o leitor

MINHA MÁQUINA (158)

Em um bate papo com o amigo Antônio Carpes, um dos mais assíduos comentaristas desse blog, ele falou que esse ano ninguém tiraria dele o título de maior comentarista. Pois num é que o potiucho vem liderando a lista em 2015! Todo final de ano o WordPress envia os números que fazem o blog e entre eles está contido os cinco primeiros leitores com mais participações. E por incrível que pareça o Antônio nunca foi o número um. Depois dessa conversa resolvi instigar o leitor e para isso, darei aos três primeiros colocados um presente do Avoante no final do ano. E é bom cuidar, pois o Tonho está com todo gás!

Tem 500 asteroides nos ameaçando e nem damos por conta

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Nesses dias de chuva e preguiça, ficamos a bordo assistindo a vida passar pela telinha do computador e pescando assuntos curiosos. Vejam esse:  Se já não bastassem os amuos da natureza sobre a Terra, que nos castigam como fazem os gigantes contra os pigmeus nos contos infantis,  os cientista ainda vêm encher nossa cabeça com o perigo que representa as “pedrinhas” extraterrestres que navegam doidivanas pelo espaço. E não isso é coisa da natureza? Pois é, sempre ela a nos fazer tomar ciência! Os homens do saber anunciam que 500 asteroides ameaçam esbarrar com a Terra em pelo menos daqui a 100 anos. Porém, os caras tentam aliviar nossa angustia dizendo que as pedras voam sim e ameaçam, mas a probabilidade de uma delas dar um leve toque em nosso planeta é de 1 em 1 milhão. Ufa! Os estudiosos alertam para o fato e muitos deles projetam ações mirabolantemente engenhosas para combater a ameaça, como se a vida verdadeira não passasse de um colorido vídeo game. Um tal de Richard Tremayne-Smith, copresidente da Conferência de Defesa Planetária, brinca dizendo que é mais fácil chamar o ator Bruce Willis para resolver a bronca. Se é assim, para que a Conferência? Sabe de uma coisa: A gente brinca, mas a coisa é mais séria do que parece ser. Os dinossauros que o digam. Os bichamos levaram um peteleco de uma pedrada no meio do quengo e se foram para sempre. Quer saber mais? Acesse o G1.

Capital baiana em alerta máximo por causa das chuvas

20150427_093103br1 A capital baiana está literalmente debaixo de chuva desde a madrugada desta Segunda-Feira, 27/04, e novamente o caos toma conta das ruas. Alagamentos em vários pontos com carros abandonados, deslizamentos de barrancos, casas destruídas e as equipes de socorro já anunciam mortes, feridos e pessoas soterradas. Além desse cenário trágico, ainda chegam notícias de manifestações populares em alguns bairros e avenidas. Segundo as forças de segurança, muitas dessas manifestações são causadas por marginais que se aproveitam do caos para praticar arrastões e assaltos. Informações de ouvintes nas rádios dão conta que espertalhões montaram barricadas nas avenidas com o intuito de dar informações de como sair do alagamento. A coisa está feia e o governo estadual e municipal aconselha que as pessoas fiquem em casa.

mapservOs sites meteorológicos anunciam que as chuvas devem prosseguir durante todo o dia e se estenderão ao longo da semana.

27/04/2015:No leste da BA: muitas nuvens e chuva. No nordeste da região: variação de nuvens. No litoral sul da BA, e em SE: possibilidade de chuva. Nas demais áreas da região e litoral norte: variação de nuvens e pancadas de chuva localizadas. Temperatura estável. Temperatura máxima: 35°C no PI. Temperatura mínima: 19°C no interior da BA.
Tendência:No leste da BA: muitas nuvens e chuva. No nordeste da região: variação de nuvens. Nas demais áreas da região e litoral norte: variação de nuvens e pancadas de chuva localizadas. Temperatura estável.
CPTEC/INPE.

A força da natureza

1430067055278terremoto_nepal-v5 O terremoto de 7,8 graus que atingiu o Nepal, a Índia e países vizinhos, além de uma grande tragédia para as populações afetadas é também um grande baque para a humanidade. Além de ceifar vidas, espalhar feridos e desabrigados, a soberana natureza botou abaixo monumentos de incontestável valor cultural, religioso e histórico. O Nepal com seu enigmático Monte Everest é destino desejado por grande parte dos aventureiros do mundo e no momento da catástrofe, equipes de todo o mundo faziam expedições nas alturas geladas. Equipes de socorro lutam contra o tempo para dar um pouco de alento a população e se fala em mais de 2 mil mortos. Na semana passada duas cidades do interior de Santa Catarina/BR foram atingidas por tufões que deixaram marcas profundas e destruição. Desde que o mundo foi criado a natureza dá demonstração de quem realmente manda no pedaço, porém, a nossa santa ignorância insiste em virar as costas para essa certeza e continuamos metendo os pés pelas mãos sobre o planeta. Donos do mundo! Isso é o que achamos que somos. O terremoto no Nepal não é o primeiro e nem será o último em meio aquela paisagem fantástica. Ali a natureza está em casa e tudo o que ela viver a fazer, o homem é apenas vítima indefesa, assustada e sem respostas. E ainda tem quem se considere herói!

Resquícios de um grito

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Texto publicado na coluna Diário do Avoante, no Jornal Tribuna do Norte.

No mês de fevereiro abri uma página desse Diário para soltar um grito solitário e cheio de revolta com toda essa violência que nos apavora e que todo dia apresenta roteiros cada vez mais monstruosos. O meu grito ficou lá – como previ – largado ao vento e seu eco esquecido para sempre. Bem feito. Para que danado um velejador se mete a sair por ai dando grito a torto e a direito? Era melhor que engolisse a raiva em silêncio.

Pois bem, o tempo passou, fevereiro ficou para trás com sua folia de momo, a Terra deu alguns rodopios pelo espaço vazio e a sacana da violência se arma a cada dia de mais coragem e avança a passos largos sobre nossa cabeça, nossa dignidade, nossa alma, nossa fraqueza. Não temos mais nem forças para indignações, pois isso não mais nos pertence. Não temos esse direito.

A besta fera está caminhando à vontade pelo nosso país e recebendo adeptos a cada segundo. Não existe força capaz de frear sua sanha avassaladora. Estamos de mãos atadas esperando a bordoada final e triste daquele que tente se meter a brabo. Não tem perdão. O perdão é concedido apenas aos soldados da besta fera. Os anjinhos. Os meninos bons. Os não fez nada. Os incompreendidos. Os inocentes. Os injustiçados. Os excluídos. Os guris. Os Boys. Adjetivos não faltam para apelidar os soldadinhos das trevas.

Mas o que danado eu tenho haver com isso, se quem tem a prerrogativa de fazer alguma coisa prefere se fechar em copas? O meu grito eu já dei no Carnaval que passou e só me fez ficar rouco, nada mais. Como diz um amigo meu: Nelson, prefiro você falando de mar.

Meu amigo, eu também prefiro e fui para o mar para fugir de toda essa lama que emporcalha as ruas das nossas cidades. Embarquei com a esperança de lavar a alma navegando em busca da lendária Shangri-la da harmonia, da paz, da felicidade, da saúde e sei que encontrei. Mas infelizmente estou sendo impedido de ficar em um lugar tão mágico e oculto. Aos meus ouvidos chega o rosnado da fera através dos sinais desenhados nas nuvens internéticas e me recolho no vazio da tristeza.

Dói escutar o clamor dos verdadeiros injustiçados. Dói ouvir o choro de famílias dilaceradas. Dói ter a certeza absoluta que a justiça é mesmo cega, surda, muda e que a balança faz tempo que não é aferida. Dói escutar minha Mãe dizer: Meu filho, a bandidagem aqui por perto está uma coisa séria e não temos a quem recorrer. Pois é meu amigo, prefiro sim falar do mar e da poesia que ele representa. Mas minhas raízes e meus frutos estão em terra. Queria eu não precisar gritar.

No final de março a comunidade náutica da Bahia foi acordada com mais três casos de assaltos no mar da Ilha de Itaparica. Três barcos estrangeiros foram invadidos e felizmente tudo terminou em alguns objetos roubados. Outro assalto aconteceu em um barco ancorado em frente à sede da Capitania dos Portos da Bahia, em plena capital baiana, e demonstra a ineficiência daqueles que tem por lema proteger o navegante.

Discursos alarmados vindos do mar da Bahia foram ouvidos e nada mais se deu. Críticas e comentários bairristas navegaram nas mídias sócias vindos dos mares do sul, sudeste e até do nordeste, numa clara demonstração de desprezo, inveja e da contaminação da raiva existente entre nós brasileiros. Fui cobrado por alguns colegas por não noticiar os casos na época, mas preferi calar e esperar o maremoto acalmar. Sabia que ainda não era tudo e sei que muito ainda virá, porque a violência está imune ao combate e na verdade não queremos e nem temos forças para acabar com ela. Queremos reclamar e espernear, mas desde que seja apenas diante de um teclado de computador. O resto não é com a gente.

Abril 2015, feriadão de Tiradentes, três veleiros foram roubados na Ilha da Cotia, litoral de Paraty, e deles levaram os botes infláveis com motores de popa. Mais uma vez o mar como pano de fundo para a violência, só que dessa vez não era mais no mar da Bahia, do nordeste ou do norte tão desabonados por alguns navegantes do sul e sudeste há pouco mais de um mês. A violência – para não fugir do jargão policial – pegou geral. Recorrer a quem? Pedir ajuda a quem? Reclamar a quem?

Não existe mais lugar seguro nesse Brasil de todos em que todos têm direitos e poucos têm deveres. Vamos continuar caminhando olhando de lado e duvidando de todos, porque assim dizem que caminhamos para o desenvolvimento e em busca de uma grande justiça social. Não podemos reclamar da violência, porque dizem que o governo está combatendo e a gente é que não quer ver. Na verdade, não podemos nem ter a ousadia de reclamar, porque quem reclama é taxado de ser de direita e ser de direita é pecado mortal.

Sabe de uma coisa: Meu amigo tem toda razão!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Um pôr do sol

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Sou um apaixonado pelo pôr do sol e depois que vim morar a bordo do Avoante, raramente perco a oportunidade de poder observar e registrar um momento tão sublime da natureza. Tenho um imenso arquivo fotográfico do crepúsculo do sol visto do mar e não me canso de retratá-lo. Dia desses vi imagens maravilhosas do pôr do sol em Natal/RN, muitos com um espetacular arco-íris emoldurando o céu. A capital potiguar tem um dos mais belos entardecer do Brasil e até já serviu de tema para um belíssimo projeto intitulado Pôr do Sol do Potengi. Um espetáculo de música e poesia que durante três dias na semana encantava e emocionava uma plateia em extase nas varandas do Iate Clube do Natal. Infelizmente o projeto caiu no arquivo morto do já teve e hoje é apenas uma feliz lembrança em uma cidade que recebeu o carinhoso apelido de Noiva do Sol, saído da genialidaidade do grande mestre Luís da Câmara Cascudo. A imagem que abre esse post não é em Natal e sim do bairro da Ribeira, Salvador/BA. Um céu em chamas e um mar avermelhado que segundo a grande amiga Aurora Ventura, senhora por direito da Ilha de Campinho, Baía de Camamu, abrem as portas para a invernada. Que assim seja!