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De olho no tempo, nos tempos e nos livros

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Já que estamos todos dentro de casa mesmo, com saidinhas ligeiras, uma aqui, outra acolá e outras para não perder o costume da rua ou simplesmente para desenferrujar a engrenagem, nada melhor do que aproveitar o tempo de ócio forçado para passar a vista em velhos livros já lidos ou mesmo naqueles que foram comprados e nunca folheados. Para o povo do mar, especialmente os navegantes amadores, o alerta é que permaneçam no porto, aproveitando para algumas – que nunca faltam – manutenções de rotina, porque o tempo  e os tempos não estão propícios para quem deseja se avexar ao mar, em passeios de porto em porto. É duro aceitar, mas é a verdade! A previsão meteorológica para o final de semana é de muita chuva, ventos fortes e ondas de “faroeste” nas bandas do Sul e Sudeste. Do  Nordeste para riba as ondas prometem parcimônia sob alísios amaciados, porém, como ultimamente São Pedro não tem economizado água, a previsão é chuvas fortes, coriscos riscando o céu e Thor mandando ver na batida do martelo. – E no Centro-Oeste? – Tempestade e nuvens escuras, viu! Pois bem, eu já me apeguei com um exemplar das Actas Diurnas, maravilhoso livro de crônicas do grande mestre Luís da Câmara Cascudo, que fala de uma Natal que o tempo levou e levou para tão distante que se perdeu para sempre. Que venha a chuva!!!

Vai velejar? Se alerte nos novos tempos!

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História de um naufrágio no meio da pandemia

Dois argentinos encalharam em uma praia perto de Barranquilla, foram isolados, jogados por medo do Covid-19 e seu veleiro foi queimado…… CLIQUE AQUI e veja a história completa no site El País.

Batalha naval no mar do Caribe

5e858fd7bbc57E o mundo vai ficando cada dia mais louco e pelo andar da carruagem virulenta, a “peste chinesa” é bem mais do que uma gripe, pois ela já começou a comer, pelas beiradas, o juízo da gente. Diz a lenda, que ao ser questionado como seria a 3ª Guerra Mundial, o inventor da bomba atômica respondeu: “A terceira eu não sei, mas a quarta será de arco e flecha”. Um incidente acorrido no final de março, em águas caribenhas, demonstra a inquietação, o desespero e o despreparo que toma conta dos mandatários do mundo diante da incapacidade de combater o Novo Coronavírus, que por enquanto ganha com sobras todas as batalhas e só nos dá uma remota chance de não sermos abatidos, que é se esconder dentro de quatro paredes ou quiçá embaixo da cama. O site português JM-Madeira, denuncia que um navio de cruzeiro, de bandeira portuguesa, foi “objeto de um ato de agressão” por parte de um Navio-Patrulha venezuelano, a aproximadamente 13 milhas da Ilha de La Tortuga. Segundo o site português, o navio de cruzeiro Resolute, que se dirigia para Willemstad, Curaçau, com 32 tripulantes e sem nenhum passageiro, se colocou a deriva em águas internacionais, no través de La Tartuga,  enquanto fazia manutenção de rotina em um dos motores, quando foi abordado pelo NaPa da Venezuela e este deu ordem para que o Resolute se dirigisse para Porto Morena, na ilha Margarita, para averiguações. Como a ordem não foi atendida, pois segundo o capitão do cruzeiro, estava em águas internacionais, o NaPa disparou tiros de pistola e em seguida abalroou seguidamente o Resolute na proa, o que abriu um furo no Navio-Patrulha, que por estar fazendo água, desistiu da abordagem e retornou ao continente. O governo da Venezuela denunciou ato hostil por parte do cruzeiro português e informou que um de seus navios de patrulha havia afundado, naquele mesmo dia, depois de ter sido abalroado por um navio de cruzeiro de bandeira portuguesa. O governo português, que em tempos idos, no mar, era valente que só vendo, hasteou a bandeira da paz, desconversou diante de uma bandeja de pastéis de belém e saiu pela tangente alegando que era um navio privado, que iria apurar…. O bigodudo pabuloso da Venezuela, como sempre, colocou a faca nos dentes e saiu dando sopapos e gritando impropérios aos quatros ventos. – Sim, e o que danado isso te a ver com a 3ª Guerra, homem? – Sei, lá, mas num é por essas e outras que digo que o vírus chinês está comendo os miolos da gente! 

Reflexão

3 Março (70)

“Confie Sempre
Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo. Crê e trabalha. Esforça-te no bem e espera com paciência. Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá. De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo. Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite. Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte. Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.”
 
Chico Xavier

Boa noite!

3 Março (43)

“…e assim, um belo sorriso se abriu no manto negro do céu…., e que o amanhã se faça em serenidade…”

A verdade e a mentira

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Para ler enquanto o celular carrega, nesses tempos de Quaresma e quarentena

Sermão da Quinta Dominga da Quaresma
Padre António Vieira

 


 

Edição de base:
Sermões Escolhidos, São Paulo: Edameris, v.1 , 1965.

Na Igreja Maior da Cidade de São Luís no Maranhão. Ano de 1654.

Si dixero quia non scio eum, ero similis vobis, mendax (1).

                                                                § I

A verdade e a mentira: a verdade do pregador e a mentira dos ouvintes. As três espécies de mentiras com que os escribas e fariseus hoje contradisseram, caluniaram e quiseram afrontar e desonrar o Filho de Deus.

Temos juntamente hoje no Evangelho duas coisas que nunca podem andar juntas: a verdade e a mentira. E por que não podem andar juntas, por isso as temos divididas; a verdade no pregador, a mentira nos ouvintes; o pregador muito verdadeiro, o auditório muito mentiroso. Uma e outra coisa disse Cristo aos escribas e fariseus, com quem falava. O pregador muito verdadeiro: Si veritatem dico vobis (2); o auditório muito mentiroso: Ero similis vobis, mendax (3).

De três modos – que há muitos modos de mentir – mentiram hoje estes maus ouvintes. Mentiram, porque não creram a verdade; mentiram, porque impugnaram a verdade; mentiram, porque afirmaram a mentira. Não crer a verdade é mentir com o pensamento; impugnar a verdade é mentir com a obra; afirmar a mentira é mentir com a palavra. Tudo isto lhe tinha profetizado a Cristo seu pai Davi, quando disse: In multitudine virtutis tuae mentientur tibi inimici tui (4). De muitos modos mostrareis eficazmente a verdade de vosso ser, mas vossos inimigos vos mentirão também por muitos modos; mentir-vos-ão não crendo; mentir-vos-ão impugnando; mentir-vos-ão mentindo, como hoje fizeram. Disse-lhes Cristo que era Filho de Deus verdadeiro, a quem eles chamavam Pai sem o conhecerem: disse-lhes que os que recebessem e observassem sua doutrina viveriam eternamente, e aqui mentiram não crendo a verdade: Si veritatem dico vobis, quare non creditis mihi ( 5)? Disse-lhes mais, que Abraão desejara ver o seu dia, isto é, o dia em que havia de descer do céu à terra, e nascer homem entre os homens, e que, finalmente, o vira com grande júbilo e alegria da sua alma, e aqui mentiram impugnando a verdade: Quinquaginta annos nondum habes, et Abraham vidisti (Jo 8, 57)? Tu não tens ainda cinqüenta anos, e viste Abraão? – E o bezerro que vós dissestes que vos livrara do Egito, quantos anos tinha? Não era nascido e gerado naquele mesmo dia? O ditame com que o tivestes por Deus era falso, mas a suposição com que entendestes que em Deus podia haver duas gerações, uma antes e outra depois, era verdadeira. Respondeu Cristo: Antequam Abraham fieret, ego sum (Jo 8, 58): Antes que Abraão fosse, eu já era. – Mas este era, declarou-o pela palavra Ego sum: eu sou para que entendessem que era aquele mesmo Deus, que quando se definiu a Moisés disse: Ego sum qui sum (Êx 3, 14): Eu sou o que sou porque no eterno não há passado, nem futuro: tudo é presente. Enfim, mentiram afirmando a mentira, porque disseram que Cristo era samaritano e endemoninhado: Samaritanus es, et daemonium habes (6). E para mentirem duas vezes em uma mentira, repetiram a mesma blasfêmia ratificando o que tinham dito e alegando-se a si mesmos: Nonne bene dicimus nos ( 7)? Mal é dizer mal, mas depois de o haverdes dito, dizerdes ainda que dizeis bem, é um mal maior sobre outro mal, porque é estar obstinado nele.

Estas são as mentiras com que os escribas e fariseus hoje contradisseram, caluniaram e quiseram afrontar e desonrar ao Filho de Deus, como o Senhor lhes disse: Ego honorifico Patrem meum, et vos inhonorastis me (8). Mas, posto que a Sabedoria eterna fosse caluniada e injuriada por semelhante gente, nem por isto ficou afrontado nem desonrado Cristo, porque tudo o que disseram dele e lhe fizeram foi por inveja, por ódio, por raiva, por vingança, e quando as causas são estas, as injúrias não injuriam, as afrontas desafrontam, as desonras honram. Não está muito honrado Cristo? Dizei-o vós. Ora eu, que pregarei neste dia, em que tanto se espera o assunto dos pregadores? Hei também de dizer-vos uma grande injúria, uma grande afronta e uma grande desonra da vossa terra. Contudo, ainda que as verdades causam ódio, espero que não haveis de ficar mal comigo, porque hei de afrontar todos para desafrontar a cada um. O discurso dirá como. Ave Maria. Continuar lendo

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Náufrago em tempos de vírus

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