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Os rumos escusos do iatismo

21271237_792053424300806_2368944388347526868_nO velejador brasileiro Lars Grael, um dos expoentes do iatismo mundial, põe o dedo numa ferida que há muito merece atenção. A declaração de Lars, clamando os velejadores a reflexão, vem a público depois que um velejador perdeu 4 dedos da mão em um acidente com um Nacra 17’, veleiro de competição que faz sucesso nas raias mundo afora. Quero aqui deixar minha solidariedade ao Lars e parabenizá-lo pela coragem de abordar o tema. 

A ISAF atual World Sailing tomou um rumo diverso na Vela. Acabaram com os barcos de quilha nas Olimpíadas e no Pan. Alegação? Custo? Eliminar os velejadores Master? Eliminar os pesados? Se o Finn sair, e deve sair. Quem tem mais de 85 kg não vai mais pra olimpíada. Mais de 50% dos velejadores no mundo navegam em barcos de quilha! Não são mais representados pela WS… A Vela de Oceano nunca teve tão forte internacionalmente. Classes de moda bombando como o J70′ (como foi antes com o J24′ e o Melges24′). Classes tradicionais fortes e pujantes como o Star; Dragon; Etchells e até mesmo as classes métricas. Os atletas pesados tem vez em todas modalidades de lutas olímpicas e até mesmo no Atletismo (3 arremessos). Os velejadores Master continuam mais ativos que nunca, com o fenômeno do envelhecimento da população mundial. Estão em peso nas classes de quilha; Finn e Laser por exemplo. A WS não é mais dominada por velejadores, classes e países. É dominada por juízes e fornecedores de barcos. Nos eventos oficiais da WS, a proporção de barcos é praticamente igual a de botes. Isto é caro e excludente. Um time de 49er com bote, custa muito mais caro que uma campanha de Star sem bote. Fora que o 49er dura 1 ano e o mercado de segunda mão é péssimo. O star dura muito e se vende bem. A Vela é o ÚNICO esporte olímpico, aonde o equipamento individual é fornecido por um fornecedor em regime de exclusividade (monopólio). Estes fornecedores comercializam os equipamentos pelo preço que bem entendem. O lucro é generoso e sobra dinheiro para ganhar votos nas assembleias. Nada muito diferente do que conhecemos no Brasil. A Vela tornou-se a modalidade esportiva mais ecologicamente incorreta de todas reconhecidas pelo COI. O gasto de combustível do Mundial da ISAF (técnicos; juízes; segurança; árbitros), é compatível a quase toda uma temporada da F-1 (sem contar os treinos). Torben foi eleito Vice-presidente da WS. Sei que ele concorda com pelo menos, parte dos meus (nossos?) argumentos. Sabemos que ele é minoria, mas é muito respeitado…Torcer que venham repensar a Vela após um acidente que exigirá a reflexão de todos. O que dizer das classes que entraram recentemente nas Olimpíadas e antes mesmo de serem testadas, foram excluídas? Cito o Yngling e o tragicômico Elliot. Como o Nacra 17′ virou olímpico antes até mesmo de um protótipo ser testado? Já sabiam que era “melhor ” que um Tornado, apenas vendo um simples prospecto? E o recall de mastros, problemas estruturais, quebras, problemas de fornecimento dos Nacra pra campanha da Rio2016? O que dizer dos velejadores de ponta que declararam terem adquirido 3 barcos; 1 dúzia de mastros e quase 20 jogos de Vela num único ciclo olímpico? Que tal saber que todos estes Nacras produzidos não servem para a versão 2017/2020?Que um Nacra usado vale menos que um Dingue?: Que o novo Nacra com foil foi uma adaptação tosca do antigo e que não tiveram tempo para testar? Os testes (e já convocaram recall de componentes) está sendo feito agora com o dinheiro e risco dos velejadores olímpicos. Ou a WS corrige seu rumo, ou a Vela real seguirá seu rumo próprio como a classe Star já faz. Surgirá o momento para os velejadores profissionais criarem sua associação e darem as costas à sua Federação International. É o que Tênis foi capaz de fazer ao criar a ATP e elevar seu esporte para um dos mais bem sucedidos! Alguém se lembra que existe a ITF?

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Imponderável

7 Julho (40)Farol de Santo Alberto, conhecido no mundo náutico como Farol de Caiçara, porém, está localizado no município de São Bento do Norte. Os municípios de Caiçara do Norte e São Bento, de tão próximos, parecem dividir praticamente o mesmo espaço territorial e o Farol é protagonista de uma velha e animada peleja entre os moradores dos dois rincões. Nessa postagem não vou entrar na teima do farol, que já foi tema de postagens anteriores, queria apenas dar um Norte a esta escrita. A Marinha do Brasil, através da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte, emitiu comunicado a comunidade náutica do RN, principalmente as colônias de pescadores, solicitando que informem quais faróis ou auxílios náuticos ainda mantém sua viabilidade, pois existe uma proposta para cancelamento de alguns auxílios luminosos na região Nordeste. Ora, na minha  singela visão de aprendiz nas coisas da navegação, os auxílios cegos ou luminosos, principalmente os faróis, jamais podem ser considerados inviáveis, a não ser quando não mais exista o motivo de sua atenção, como a retirada do obstáculo ao qual ele indica. Se o objetivo da proposta for redução de custo, aí é que não se justifica mesmo, pois estamos lidando com aspectos de segurança a vida humana e quanto a isso não existe justificativa que se sobreponha a razão. Falando sobre o assunto com os pescadores da Colônia de Pesca de Enxu Queimado – Z-32, todos foram unanimes em afirmar que os faróis de Caiçara, Touros, Galinhos e todos os outros que fazem referência a região, são de extrema importância para eles, pois é pelos lampejos que eles se orientam em noites de escuro e tormenta. Acho eu que a Marinha do Brasil tem assuntos mais importantes, no atual momento em que vivemos, para direcionar seus estudos, como por exemplo, o combate a violência e pirataria que já se faz presente nos mares brasileiros.

Veja a lista dos faróis e auxílios luminosos, do RN, que fazem parte da proposta:

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Ensinamentos

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“O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê…”

Platão

E os ventos sopram saudades

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Talvez muita coisa esteja esquecida. Talvez muitas lembranças estejam desbotadas. Talvez em um futuro próximo nada exista, a não ser, o vazio de uma história que será contada em minúsculos fragmentos praticamente indecifráveis, em que a glória ficará exposta diante de um olhar de indiferença. Talvez, no futuro, as façanhas dos velhos heróis não represente mais nada e a beleza de suas aventuras sejam para sempre perdidas na imensidão dos oceanos. Talvez, no futuro, não exista mais nem a palavra saudade. A imagem que ilustra essa postagem representa toda a maravilhosa grandeza e glória que foi a vela de oceano nas águas do nordeste brasileiro, em que Maceió, a bela capital alagoana, era o celeiro onde anualmente se reuniam os maiores nomes do iatismo do Nordeste. Olhando para o sorriso de Seu Antônio Marques, ladeado pelo fiel amigo Couceiro, que hoje festejam a amizade lá no Céu, com bons goles de whisky, miro a imagem e me pergunto: – Qual desculpa daremos a eles por ter deixado esse legado navegar tão fora do rumo?      

1ª Travessia do Recôncavo

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O velejador Haroldo Quadros, manda fotos e notícias diretamente das águas históricas do Rio Paraguaçu, contando como foi a I Travessia do Recôncavo, uma velejada festiva organizada pela Trimar Eventos Náuticos, com apoio do Aratu Iate Clube e que aconteceu neste sábado, 18/03, véspera de São José.

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Mais de 50 barcos atravessaram a Baía de Todos os Santos e adentraram o velho e apaixonante Paraguaçu, até o povoado de São Francisco do Paraguaçu, famoso pela bela construção do Convento Santo Antônio, tão cruelmente esquecido por quem de direito prometeu cuidar bem. Na chegada, a flotilha foi recebida pela banda Estaka Zero que botou fogo na galera. A noite será servido jantar de confraternização, nas dependências do Convento, e em seguida a premiação com muita música, pois baiano não deixa essas coisas passar em branco. Valeu comandante Haroldo, por mais essa.

É assim!

03 - março (441)

“Navegar é uma atividade que não convém aos impostores. Em muitas profissões, podemos iludir os outros e blefar com toda a impunidade. Em um barco, sabe-se ou não. Azar daqueles que querem se enganar. O oceano não tem piedade.” Eric Tabarly, em Memórias do Mar

Copiado do Facebook do velejador Ricardo Amatucci

Tripulação resgatada do veleiro Toumai já chegou ao Uruguai

O velejador baiano Haroldo Quadros, cabra bom da peste, enviou mensagem dando notícias dos tripulantes, dois adultos e duas crianças, do veleiro Toumai, encontrado a deriva a 500 milhas da costa do Rio Grande do Norte. O veleiro foi rebocado por um barco atuneiro até o porto do município salineiro de Areia Branca/RN. O navio Noni, que resgatou a família, já chegou ao Uruguai. O texto está em espanhol.

El granelero participante Amver rescató a 4 personas de un velero en problemas a unas 500 millas de la costa de Brasil el domingo 22 de enero de 2017. Se trata de una familia francesa integrada por dos adultos y dos menores.
La tripulación del Noni escuchó una emisión de radio mayday y notificó al personal de rescate en Brasil y al  centro de Amver. Según el informe desde el Noni, un velero reportaba una falla y el buque  se estaba inundando. La tripulación del Noni estaba a sólo dos millas de distancia y cambió de rumbo para prestar asistencia al velero discapacitado.
Dos horas después de recibir la llamada de socorro, la tripulación de la nave con bandera de Marshall Island estaba a salvo junto al velero y alzaba a los cuatro supervivientes a bordo del buque. Los integrantes del velero llegaron a estar dos días sin motor a la deriva en el Océano Atlántico.
Los supervivientes no estaban lesionados y habían estado en un viaje desde Dakar, Senegal a Brasil cuando reportaron un fallo de motor y agua entrando en el barco. Los supervivientes llegan ayer 31 de enero al puerto de Nueva Palmira.
La llegada de los cuatro náufragos a Nueva Palmira se da porque era el primer puerto que tenía previsto arribar el buque. Hoy tocaban tierra, fuentes consultadas informaron a Carmelo Portal que los mismos tienen pasaporte y van a ingresar al país como pasajeros. Desde ayer intentamos comunicarnos con la Embajada de Francia en Montevideo, pero nadie devolvió la llamada