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Vai velejar? Se alerte nos novos tempos!

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História de um naufrágio no meio da pandemia

Dois argentinos encalharam em uma praia perto de Barranquilla, foram isolados, jogados por medo do Covid-19 e seu veleiro foi queimado…… CLIQUE AQUI e veja a história completa no site El País.

Zanzibah – Parte III

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Antes de prosseguir no relato da viagem é preciso corrigir o rumo para realinhar a data da saída do portinho do Jaraguá, para o dia 06/03, sexta-feira, e não 07/03, sábado, como está escrito na Parte II. Pronto, com o pecado corrigido, vamos seguir.

Com a Lua crescente iluminando o céu de uma sexta-feira atribulada a bordo, deixamos para trás as águas mansas do fundeadouro do Jaraguá, na bela Maceió, e aproamos as sombras escuras do horizonte ainda sob os efeitos de um aparente vento Leste até que cruzamos a fronteira invisível da prova dos nove e ao mudar o rumo para aproar a capital do frevo, demos de cara com a verdade que vinha nos acompanhando desde a Bahia, tchan tchan tchan tchan…., Nordeste na cara! – Fazer o que? – Seguir em frente sem reclamar da vida! Mas peraí, acho que ninguém aguenta mais esse papo furado de velejador de só falar de mar, vento, céu, nuvens, lua, sol, estrelas. – Que tal falar de divagações? – Pois é, né, vamos lá!

Com o veleirinho singrando a escuridão da noite e após Lucia servir o jantar, me posicionei no cockpit para o turno de comando e repassar cada momento daquela navegada, conferido os acertos e aprendendo com os erros, porque é assim que atravesso os turnos de vigia. – De vigia? – Sim, vigiando as sombras da noite e a movimentação luzes e embarcações que por ventura surjam no horizonte, porque em um barco bem equipado, bem cuidado, com a manutenção em dia, tudo funcionando perfeitamente, principalmente quando traçamos uma rota segura e a todo momento, mesmo sem precisar olhar para o GPS, sabemos exatamente onde queríamos estar, a navegada se torna um prazer sem igual, ainda mais quando o piloto automático não nega fogo.

Foi assim, que repassando o “filme” da viagem senti saudade da avezinha oceânica que em um fim de tarde, entre a Bahia e Sergipe, pousou sobre o bote de apoio e após examinar a cara dos tripulantes, felizes com sua presença, foi se chegando, chegando e quando percebi, estava agachadinha ao meu lado, enquanto eu tirava uma soneca. Ela passou a noite ali, observando tudo e sempre aproada ao vento. Quando os primeiros raios do dia iluminaram o mar, ela alçou voou e se foi para mais um dia de pescaria. Sempre gostei de ter pássaros pegando carona a bordo, trazem bons fluidos e trabalham como mensageiros da natureza.

Mais uma olhada no manto negro da noite e ri sozinho da resposta que dei ao amigo Antônio Carpes, quando perguntou sobre o Zanzibah: “…barco acima da média, mas com o velho pecado de todo Delta 32: O banheiro! Meu amigo, se o cara for ao banheiro fazer alguma coisa, faça o que programou, porque se resolver mudar, não tem como, pois não dá nem para mexer e nem pensar muito. Ou faz, ou não faz e se nesse meio tempo quiser fazer mesmo, tem que sair e entrar novamente no modo que for a necessidade. Segundo um amigo, o projetista que desenhou o banheiro do Delta 32 deve ter tirado as medidas por ele, que deve ter o maior bi… do mundo, porque o mortal comum não consegue fazer o número um nem com reza braba: Quando chega próximo ao sanitário, bate a testa na antepara e o “maquinário” não alcança para mirar a caçapa. Se tentar fazer sentado, pior, pois tem que dá um retrocesso, sair do banheiro, pois não consegue mudar de posição, e quando senta no trono, bate com a nuca na antepara. Pense num aperreio e se tiver muito apertado já viu, né, vai esquentar o mocotó!

Pois bem, respondi tudo isso para Tonho, que é cabeleireiro, através de mensagem de áudio e o coitado inventou de escutar, a todo volume, enquanto cortava o cabelo de um cliente. Pense num moído dentro do salão, até ele conseguir baixar o volume, que nessas horas não tem quem consiga!

Foi com o olhar focado nos movimentos noturnos e o pensamento viajando pelo mundo que meu turno de “vigia” se passou e nem percebi quando adormeci. Ao acordar, Lucia estava vigilante, como sempre esteve. Aliás, quando navegando ela nunca dorme mais do que 15 minutos, mesmo que não esteja em seu turno de comando, e sempre que abre os olhos, passa a vista na imensidão do mar, aguça os sentidos para ouvir todos os sons do barco, manda – sempre manda – alguma ordem e volta para o berço para mais 15 minutos. Amo minha comandante!

Duas horas da madrugada e lá estou novamente alerta e agora em busca do brilho dos faróis, mas o clarão de Maceió ainda estava bem visível pela popa. – Vento? – Nem brisa, apenas o fascinante mormaço do mar!

Nelson Mattos Filho

Não dá para chamar o guarda

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O verdadeiro homem do mar jamais se apegaria com o RIPEAM – Regulamento Internacional para Evitar Abalroamento no Mar, para saber, principalmente diante da fúria dos elementos da natureza, sobre direito de passagem. Aliás, um bom comandante jamais estaria com seu veleiro na situação em que mostra a imagem.

Zanzibah – Parte II

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Enquanto o Zanzibah cruzava as águas da Baía de Todos os Santos, buscando a luminosidade avermelhada do Farol da Barra, eu aproveitava o conforto do piloto automático para ficar à espreita com os sentidos antenados em pressentir a movimentação das sombras da noite, porém, era como diz o ditado, um olho no peixe outro gato, pois não tem como navegar as águas encantadas da terra de todos os santos, emoldurada por uma rica biblioteca ao ar livre, da mais pura história de um povo varonil, e ficar indiferente. Navegar no mar da Bahia é show! Certa vez, na Ilha de Itaparica, em conversa com um velejador alemão, que já havia dado várias voltas ao mundo, ele apontou um veleiro que se dirigia para o canal interno da Ilha e disparou: “Quer saber? Não existe, no mundo, lugar melhor para velejar do que a Baía de Todos os Santos…”. Não sou bairrista, não sou baiano e nem conheço os mares do mundo, mas não duvido e boto fé nas palavras do alemão.

E foi nesse cenário de reciclagens e lembranças que cruzamos a Boca da Barra de Salvador, agradeci os lampejos do belo farol e posicionei a proa do Zanzibah para navegar entre o estreito canal entre o Banco de Santo Antônio e a praia da Barra, mas uma novidade me deixou encucado e até hoje fico a me perguntar: Onde danado foi parar a boia luminosa, lampejo amarelo, que outrora estava ali para orientar os navegantes quanto a ponta Norte do famoso banco de areia? Será que me confundi? Não, não pode ter sido! A boia não estava lá, porque passei próximo do ponto, diminui a velocidade, olhei em volta e nada da danada. Bom, deixa pra lá e vamos seguir viagem!

Desde que enveredei pelos caminhos do mar fiquei condicionado a acompanhar as previsões do tempo, na esperança de me antecipar aos amuos da natureza e ter com isso navegadas sem muitas surpresas. Mas confesso que nem sempre a coisa funciona como prometem os satélites, gráficos e os analistas, e é daí que temos de tirar da cartola a paciência e fazer uso dos ensinamentos aprendidos na lida náutica, entre eles, que previsão é apenas previsão. Ao observar os gráficos para os dias dessa navegada entre Salvador e Recife, vi que seria de vento Nordeste e, em certas horas do dia, suaves refrescos de Leste. Nada mal, pois bastaria motorar até a ponta de Itapuã e dali abrir as velas e curtir o momento. Ora, estávamos saindo a noite, período de tradicionais ventos brandos, ou nenhum, na Bahia, mas tudo bem, estenderíamos o uso do motor até o dia amanhecer e assim que entrasse a viração, velas ao vento.

O dia amanheceu, foi passando, passando e nada do Leste dar sinal de vida e o planejamento de chegar a Recife depois de 60 horas de navegada foi sendo refeito, outro dia chegou e nada do nordestão abandonar o posto. – E o mar? – Bem, o mar era de amante de almirante! – Como assim? – Rapaz, é aquele mar que mais parece um tapete persa de tão macio. Mar feito para fazer todos os desejos da amada. – E não poderia ser mar de esposa de almirante? – Pode ser, né, mas as vezes o cara quer descontar algumas pelejas caseiras e sendo assim, quanto pior, melhor!

Foi somente no terceiro dia de navegada, já no litoral de Alagoas, que o Leste resolveu retornar das férias de verão. Desligamos o motor e apaguei a luz encarnada que vinha acesa em minha cabeça, pois dificilmente conseguiríamos motorar até o Porto de Maceió com a quantidade de diesel que restava. – E não se veleja com vento Nordeste? – Claro que sim, mas com quatro ou cinco nós de vento, para empurrar um barco de cinco toneladas, ninguém merece, né!

Em Maceió, porto que adoro e onde temos grandes e bons amigos na Federação Alagoana de Vela e Motor – FAVM, nosso tripulante, Jorge Rezende, desembarcou e voltou para Natal de ônibus, na mesma noite em que chegamos, porque o tempo que ele havia reservado para a viagem havia se esgotado. Jorginho foi um excelente parceiro, um exímio pescador, excelente papo e fez os dias de vento nordeste ficar mais divertidos a bordo. Sem nosso tripulante, Lucia preparou o jantar e desmaiamos na cama nos embalos das águas mansas do porto do Jaraguá.

Pela manhã, com a ajuda providencial dos amigos Plínio Buenos Aires, Ângela Cheloni, Paulinho Cerqueira e Pinto de Luna, conseguimos que o barqueiro Jó viesse nos dá apoio para comprar diesel e depois seguir viagem. Manobra feita, barco abastecido, agradecemos ao Jó e ao tocar na chave para ligar o motor, nada. Resultado: Entrada de ar! Tentei os truques básicos e nada. Mais uma vez, pedi ajuda aos amigos para me indicarem um mecânico, acionei também a turma online do grupo Velejar, e no finalzinho da tarde chegou um marinheiro da força tarefa da FAVM para colocar ordem na máquina.

Dezoito horas, do dia 06/03, sexta-feira, tomamos o rumo da capital do frevo. – Vento? – Nordeste soprando a 4 nós!

Nelson Mattos Filho

Zanzibah – Parte I

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O Arquipélago de Zanzibar é um paraíso exótico da Tanzânia, costa leste africana, formado por duas ilhas, Zanzibar e Pemba, e é considerado ponto de fusão entre a África e a Arábia, recebendo forte influência muçulmana. Em swahili, língua banto mais falada na região, o Arquipélago é conhecido por Unguja, porém, os muçulmanos deram-lhe o nome de Zanj-Bar, que significa costa dos negros, e daí Zanzibar. O paraíso africano tem praias de azul turquesa, areias brancas e finas e um povo de sorriso largo. – Se eu conheço? – Conheço não, mas fui escavacar no maravilhoso mundo Google e encontrei na Wikipédia e no site Catraca Livre as informações que abrem o diário da navegada que fiz a bordo do veleiro Zanzibah, entre Salvador/BA e Recife/PE, no início de março de 2020.

– Ei, peraí, Nelson – O que foi? – Você começou explicando o que danado é Zanzibar e agora vem falando em Zanzibah? – Sim e daí? – E daí o que? – Homem, deixe de coisa “coisada” só por causa de um “r” ou um “h”, pois digo que vamos navegar que é o melhor a gente faz, viu!

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E foi assim que dois dias antes do Carnaval me ligou o velejador João Maria de Lima, o grande Joca, para saber o que eu estava fazendo. Respondi que estava dando um treinamento especial no “figueredo” para enfrentar com bom rendimento o reinado de Momo. Logo em seguido ele passou a senha que faz brilhar os olhos de qualquer velejador apaixonado: “Que tal ir pegar um veleiro na Bahia e levá-lo a Recife? ”. – Quando? – Ontem! – Oxente, meu bichim, tais com brincadeira? – Estou não, Nelsão, é coisa de embarcar, levantar as velas e seguir rumo! – Só tenho condições após o Carnaval? – Pronto, fechado, marque o dia! – Na primeira segunda-feira após calarem os batuques! – Pois boa viagem, Nelson, vou falar com o Galego e tudo certo. – Que Galego? – Vicente Gallo, homem, porque é ele que está no comando da transação. – Ok, beleza!

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O Carnaval chegou, os blocos passaram diante da varandinha da nossa cabaninha de praia e entre uma gelada e outra eu aproveitava para acompanhar as previsões de tempo, colocando na cachola os dados e gráficos dos satélites e a partir deles, traçar minhas impressões e estratégias de navegada. Na tela o cenário não mudava: Vento Nordeste e mar cheio de amor para dar. Maravilha!

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Como sempre faço em minhas navegadas, convidei alguns amigos que gostam de mar para embarcar nessa onda, mas não senti firmeza nas respostas e assim a tripulação seria apenas eu e Lucia. Liguei para meu dentista, Jorge Rezende, pedindo para adiar uma consulta que estava marcada, expliquei o motivo, porém, ele disse que adiaria, mas eu teria que levá-lo. Bora nessa!

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Sábado, 29 de fevereiro, desembarcamos no aeroporto 2 de Julho e antes de chegar na marina Angra dos Veleiros, no bairro da Ribeira, em Salvador, passamos pela Igreja do Bonfim, para pedir benção ao Senhor da Colina Sagrada, depois paramos em uma banca de acarajé e após matar a vontade da iguaria baiana, fomos nos apresentar ao barco, um modelo Delta 32, muito bem cuidado e pronto para velejar. Umas cervejas depois, com o pretexto de comemorar o breve retorno ao mar, voltamos a bordo para dormir o sono dos justos, embalados pelo balanço suave das águas que banham a Península de Itapagipe.

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O domingo, 01/03, foi de verificar os detalhes do barco, fazer inventário dos equipamentos de bordo e segurança, ver documentação, checar a rota a ser seguida, abraçar meus filhos e genro, Nelsinho, Amanda e João, que moram em Salvador, comer pastel, que Nelsinho adora, e fechar a noite saboreando o delicioso sorvete da Ribeira, que Nelsinho também adora. Aliás, quando o assunto é comida, ele gosta de tudo.

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Segunda-feira, 02/03, barco pronto, abastecido e ficamos à espera da liberação do seguro total, que até então estava pendente e o Vicente pediu para aguardarmos um pouco. Pretendíamos soltar as amarras às 9 horas da manhã, aproveitando a maré de enchente que na baía de Itapagipe deve ser bem observada. Como a liberação não chegou, abortamos a saída, fechamos o barco, pegamos um “buzão” e fomos bater perna pelo centro da cidade. Salvador é uma festa de cores e sabores, emoldurada por paisagens belíssimas!

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À tardinha estávamos de volta ao clube e com a mensagem informando que poderíamos soltar as amarras. Às 18 horas, com o Sol começando a clarear o outro lado mundo, maré com duas horas de enchente, o Zanzibah cruzava a boia da Ribeira, ponto crítico, e aproava a boca da Barra.

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Olhei para o alto da Colina Sagrada, pedi proteção ao Senhor do Bonfim e falei baixinho: Recife, aí vamos nós!

Nelson Mattos Filho

Será?

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Pois é, desde que enveredei pelos encantos e mistérios dos caminhos do mar, perdi a conta das vezes em que fui taxado de maluco. Hoje morando em uma cabaninha de praia, na pretensa segurança da terra firme, vivo a refletir sobre o que é ser normal. 

Adeus, velejador

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Na manhã deste domingo, 19/01, ao abrir o facebook, de cara vi uma postagem da amiga Rita Holanda, em um grupo de velejadores, perguntando se alguém poderia informar os números para contato do casal Vera e Davi Hermida, e daí acendeu uma luz amarela em minha cabeça e imediatamente me veio a imagem do velejador e jornalista Sérgio Macedo, que tive a alegria de conhecer em 2011 na ancoragem em frente a marina da Ilha de Itaparica/BA. Naquele tempo o casal Sérgio e Rita subiam a costa brasileira a bordo do veleiro Yanam e diante do mar de Itaparica semeamos e regamos uma boa amizade. Sérgio, turrão, polêmico, dono de uma personalidade forte, as vezes malcriada, mas sempre se colocava em primeiro lugar quando o assunto era bem servir um amigo, principalmente os que vinham do mar. Rita, um doce de pessoa, igualmente prestativa e selou com Lucia uma forte e sincera amizade logo nos primeiros segundos do nosso encontro, diante de alguns baldes de chumbinho, mariscados na Coroa do Limo. A partir daquele ano, o casal Yanam se separou, Sérgio continuou morando a bordo e Rita mudou o rumo da vida seguindo os caminhos urbanos.

Me perguntei: – O que será que a Rita deseja? A resposta estava em um grupo de velejadores, no WhatsApp, e não foi diferente da sensação que havia sentido ao perceber a luz amarela acesa lá no centro do meu cérebro, porque um comunicado da marina de Itaparica, informava que o velejador Sérgio Macedo havia falecido e imediatamente, como sempre acontece quando perdemos pessoas que queremos bem, os menininhos dos arquivos da alma, começaram a rodar os empoeirados rolos de filme dos bons e maus momentos vividos.

Sérgio Yanam foi um dos bons parceiros que tive no mar e sempre teve por mim e Lucia muito carinho e atenção. A última vez que o encontrei foi em 2016, quando coloquei um velho bote inflável do Avoante para ser vendido no brechó náutico da marina Píer Salvador, no bairro da Ribeira, em Salvador. Quando recebi uma mensagem da gerencia do brechó dizendo que tinha uma pessoa interessada, mas queria fazer uma oferta. Quando soube que era o Sérgio, pensei em desistir da venda para ceder-lhe o bote, mas ele insistiu em pagar e disse que se eu não aceitasse desistiria da compra. Aceitei o valor por ele proposto e fomos comemorar o fechamento do negócio com uma cerveja estupidamente gelada no bar do João, na marina Angra dos Veleiros. Ao se despedir, falou assim: Poxa, Nelson, sinto falta dos nossos bate-papos, pois gosto muito de vocês. Dá um beijo em Lucia! Nunca mais avistei o Sérgio, mas sempre me chegaram notícias suas e as últimas me deixavam tristes, porque davam conta que sua saúde merecia cuidados.

Sérgio, vivia só a bordo do Yanam e insistia em se manter morando no veleiro. Longe da família, dos amigos e mantendo distância de todos aqueles que não aceitavam seus ideais de mundo, mas era um cara de conversa fácil e inteligente. Seu grande inimigo era ele mesmo.

– Poxa, Sérgio, vou sentir falta dos nossos bate-papos, pois gostava muito de você, cara! Vá em paz, meu irmão do mar e que os deuses dos oceanos confortem sua alma que sempre clamou liberdade!

Nelson Mattos Filho

19/Janeiro/2020