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Fortaleza é linda sim, e vale a visita

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A foto acima é do mar do Ceará, lindo por natureza, o mesmo mar em que dia desses o mundo náutico brasileiro se ouriçou com um vídeo onde o autor denunciava um assalto a um veleiro, seguindo de roubo, acontecido na ancoragem em frente ao Iate Clube de Fortaleza, numa área onde todos esperam ser bem policiada, porque fica em frente a Capitania dos Portos e Polícia Federal, mas que nunca foi e, a depender da disposição das autoridades, dificilmente será. Aquela ancoragem há muito é insegura e desde que entrei no mundo do mar, em 1998, já escutava as mais escabrosas histórias ali ocorridas. Dizem que se um veleiro ancorar pela manhã e assaltado a tarde, se ancorar a tarde é assaltado a noite e assim sucessivamente. É realmente um problema sem solução e agora, diante de toda essa bandalheira que assola o país, a coisa, que já era sem controle, perdeu definitivamente as estribeiras. Os costumeiros assaltos na ancoragem de Fortaleza/CE é uma pena, mas não deve ser motivo para o navegante abortar a ida até lá, porque a cidade dispõe do Marina Park Hotel, que apesar de ser um hotel cinco estrelas, a marina deixa muito a desejar, mas é segura e tem o gerente, Armando, imbatível na recepção e se desdobra para o visitante se sentir em casa. A insegurança gerada na ancoragem pública do Ceará é uma pena, pois a capital alencarina é de uma beleza sem igual e o cearense é um povo acolhedor e de invejável calor humano.

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Imponderável

7 Julho (40)Farol de Santo Alberto, conhecido no mundo náutico como Farol de Caiçara, porém, está localizado no município de São Bento do Norte. Os municípios de Caiçara do Norte e São Bento, de tão próximos, parecem dividir praticamente o mesmo espaço territorial e o Farol é protagonista de uma velha e animada peleja entre os moradores dos dois rincões. Nessa postagem não vou entrar na teima do farol, que já foi tema de postagens anteriores, queria apenas dar um Norte a esta escrita. A Marinha do Brasil, através da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte, emitiu comunicado a comunidade náutica do RN, principalmente as colônias de pescadores, solicitando que informem quais faróis ou auxílios náuticos ainda mantém sua viabilidade, pois existe uma proposta para cancelamento de alguns auxílios luminosos na região Nordeste. Ora, na minha  singela visão de aprendiz nas coisas da navegação, os auxílios cegos ou luminosos, principalmente os faróis, jamais podem ser considerados inviáveis, a não ser quando não mais exista o motivo de sua atenção, como a retirada do obstáculo ao qual ele indica. Se o objetivo da proposta for redução de custo, aí é que não se justifica mesmo, pois estamos lidando com aspectos de segurança a vida humana e quanto a isso não existe justificativa que se sobreponha a razão. Falando sobre o assunto com os pescadores da Colônia de Pesca de Enxu Queimado – Z-32, todos foram unanimes em afirmar que os faróis de Caiçara, Touros, Galinhos e todos os outros que fazem referência a região, são de extrema importância para eles, pois é pelos lampejos que eles se orientam em noites de escuro e tormenta. Acho eu que a Marinha do Brasil tem assuntos mais importantes, no atual momento em que vivemos, para direcionar seus estudos, como por exemplo, o combate a violência e pirataria que já se faz presente nos mares brasileiros.

Veja a lista dos faróis e auxílios luminosos, do RN, que fazem parte da proposta:

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Tripulação resgatada do veleiro Toumai já chegou ao Uruguai

O velejador baiano Haroldo Quadros, cabra bom da peste, enviou mensagem dando notícias dos tripulantes, dois adultos e duas crianças, do veleiro Toumai, encontrado a deriva a 500 milhas da costa do Rio Grande do Norte. O veleiro foi rebocado por um barco atuneiro até o porto do município salineiro de Areia Branca/RN. O navio Noni, que resgatou a família, já chegou ao Uruguai. O texto está em espanhol.

El granelero participante Amver rescató a 4 personas de un velero en problemas a unas 500 millas de la costa de Brasil el domingo 22 de enero de 2017. Se trata de una familia francesa integrada por dos adultos y dos menores.
La tripulación del Noni escuchó una emisión de radio mayday y notificó al personal de rescate en Brasil y al  centro de Amver. Según el informe desde el Noni, un velero reportaba una falla y el buque  se estaba inundando. La tripulación del Noni estaba a sólo dos millas de distancia y cambió de rumbo para prestar asistencia al velero discapacitado.
Dos horas después de recibir la llamada de socorro, la tripulación de la nave con bandera de Marshall Island estaba a salvo junto al velero y alzaba a los cuatro supervivientes a bordo del buque. Los integrantes del velero llegaron a estar dos días sin motor a la deriva en el Océano Atlántico.
Los supervivientes no estaban lesionados y habían estado en un viaje desde Dakar, Senegal a Brasil cuando reportaron un fallo de motor y agua entrando en el barco. Los supervivientes llegan ayer 31 de enero al puerto de Nueva Palmira.
La llegada de los cuatro náufragos a Nueva Palmira se da porque era el primer puerto que tenía previsto arribar el buque. Hoy tocaban tierra, fuentes consultadas informaron a Carmelo Portal que los mismos tienen pasaporte y van a ingresar al país como pasajeros. Desde ayer intentamos comunicarnos con la Embajada de Francia en Montevideo, pero nadie devolvió la llamada

Cartas de Enxu 09

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Enxu Queimado/RN, 04 de março de 2017

Sabe meu amigo Maracatu, dia desses o comandante Érico, um lobo do mar arrochado que só vendo, me escreveu em resposta a Carta 06 e lembrou uma frase de um grande amigo dele ao qual reclamava pelo seu silêncio: “O meu silêncio não é importante pois por mais que dure não abalará nossa amizade”. A frase foi proferida em meados dos anos 60 e o autor, pelos contorcionismos que a vida dá, hoje em dia é sogro de uma das minhas lindas sobrinhas. Linda sim, pois lá em casa só tem gente bonita. Num é não Dr. Wilson Cleto? Pois bem meu amigo paraioca, faz tempo que não nos falamos, mas a amizade é a mesma, viu?

Rapaz, você sabe que aquela nossa ida ao circo aqui em Enxu, na companhia de Mara, Orion e Neca, para assistir a incrível mulher que vira cachorro, ainda dá ibope na mesa da cervejada? Pedrinho ainda lembra, depois de sei lá quanto tempo, da sua cara de espanto quando a dançarina Érica surgiu no picadeiro com um cachorrinho embaixo do braço e, sob o rufar dos tambores, fez a plateia silenciosa vir abaixo em gargalhadas. Bons tempos!

Mudando de assunto, pois assunto não falta, tenho acompanhado pelo Facebook suas pedaladas pelas serras cariocas e as vezes me sinto cansado só em olhar o retrato da ladeira que você diz que subiu. Rapaz, o que me encasqueta é que nas imagens você só aparece com uma latinha numa mão e segurando a magrela com a outra. Tu pega carona ou sobe pegando morcego em algum caminhão? Homi, conta essa história direito! Sim, me dê notícias daquelas deliciosas pancetas servidas pelo mestre Breves? Rapaz, aquilo é bom demais! E com cerveja gelada! Vixi!!! Nunca mais esqueci. Aliás, já fez um ano e uns tantinhos e o sabor daquele “Jesus te chama” não me sai da boca. Um dia eu volto, não prometo, mas volto!

Catu, como foi o Carnaval pelas bandas do canal do Bracuhy? Por aqui foi um show arretado de tranquilo e sem nenhum azedume dessa violência toda que varre esse país destituído de dignidade. Rapaz, na segunda-feira de Carnaval, organizamos um bloco, convidamos meio mundo de gente, ensaiamos os passos, aguamos a cabeça com umas “marditas” e na hora do frevo arrochar o nó: Cadê a orquestra? Mas homi, não é que a banda atravessou a partitura e escafedeu-se! Resultado: Já que estávamos esperando mesmo e lá vinha o bloco As Putas de Segunda, olhamos uns para os outros, brindamos e fomos atrás marcando o passo. Pense numa brincadeira boa!

Ei pedaleiro, você está vendo como estou comportado e ainda não lhe chamei por aquele apelido que Lucia te batizou? Se preocupe não que treinei os dedos para não passar nem triscando pelas teclas que juntam as letras do apelido. Onde danado já se viu apelidar um amigo com aquele nome esquisito? Só Lucia mesmo! E você ainda lembra onde se deu o batizado? Se você soubesse que iria ser assim não tinha chamado para comer aquele acarajé no Pelourinho, né não? Também, você pegou pesado com a cearense. Bem feito! Mas quem tem culpa no cartório é a Cláudia Bohn, que deu com a língua nos dentes, e a Mara, que em vez de desmentir, acendeu um cigarro e sorriu. E você bem sabe como Lucia é. Sobrou pra tu, maracatu!

Meu amigo, dia desses li uma postagem da Guta do Fausto – ou será Fausto de Guta? –, em que ela estava toda jururu com o rumo a tomar depois que retornaram da volta ao mundo e lembrei da sua entrevista com o Marçal Ceccon, velejador indo e voltando, onde ele falou dos detalhes entristecidos para desembarcar de vez do Rapunzel e do rumo que a vida tomou no sítio em que ele e a Eneida foram morar. Confesso que li aquela entrevista centenas de vezes, até ouvi os duendes de bordo cochicharem baixinho pelos cantos que eu estava próximo de desembarcar. Fiz até uma crônica sobre a entrevista e qualquer dia lhe mostrarei. Mas o que eu quero dizer é que, o Marçal, para desanuviar o pensamento do Rapunzel, se meteu a reformar um velho jipe e isso o estava ajudando a traçar novos rumos e descobrir novos e felizes horizontes.

Meu amigo Hélio Viana, hoje faz oito meses que deixei o Avoante para trás e juro que todos os dias acordo como se ainda estivesse a bordo e até sonho com a caminha de proa aconchegante e as vezes sufocante demais, mas sigo em frente de cabeça erguida e sempre de olho nos ventos e horizontes, que a cada dia se transformam. Não tenho um jipe a reformar, mas uma cabaninha de praia alegre e bonita que estava precisando de um trato. No quintal plantei umas plantinhas que águo diariamente, o que para mim é o momento de pensar na vida e criar o mote dos meus escritos. Sabe o que eu digo a Guta? Que ela não se avexe!

Catu, dê um beijão na Mara. Hoje por aqui o Céu está nublado, a Lua quarto crescente e o vento é Leste/Sueste

Nelson Mattos Filho

Um jornal arretado de bom

capinha-29A 29ª edição do Jornal Almanáutica já está nas ruas e sendo distribuídos nos principais polos náuticos do Brasil, como também via online. O Almanáutica é uma iniciativa do velejador e jornalista Ricardo Amatucci e tem como Missão: Informar, instruir e valorizar atividades relacionadas à vela, seus protagonistas e colaboradores. Se o seu clube náutico ainda não recebe o Jornal, entre em contato com a redação por email ou através do WhatsApp/Voz (011) 9-99578214.

De Salvador a Mangue Seco com o Pinauna

O velejador baiano Sergio Netto, Pinauna, que já nos presentou com excelentes relatos de suas viagens pelos mares do mundo, envia mais um diário de bordo e dessa vez da velejada que fez até a tietana Mangue Seco, onde a Bahia e Sergipe dividem meio a meio o Rio Real.

A RESTINGA MANGUE-SECO – PRAIA DO SACO – ABAIS

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A restinga é este cordão litorâneo na imagem acima,que se estende da costa norte da Bahia para a costa sul de Sergipe, interrompido pela saída dos rios Real e Piauí. O complexo litorâneo inclui a barreira da restinga, as dunas e a laguna interna com o mangue. A laguna é o corpo d”água alongado paralelo à restinga por dentro, e a migração das dunas pelo vento de fora recobre o mangue lamacento, dai o nome Mangue Sêco. Como as águas dos rios tem que sair, elas interrompem a restinga com um canal de maré que tem profundidade suficiente para que se acesse a laguna com um veleiro.

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O mangue na laguna O farol sobre a duna que recobre o mangue

Dito assim é simples, mas o efeito das ondas que atingem a costa modificam continuamente o acesso, transportando a areia ao longo da passagem, criando e removendo barras arenosas, de forma que quem pretenda entrar na laguna deve ir lá por terra, e sair a barra com uma canoa local (bianas com espelho de popa) para verificar onde está o canal de acesso antes de investir com um barco de quilha.

O mapa abaixo é a carta CCDGold de 2015, mostrando na linha branca beirando a costa da Praia do Saco o canal de acesso, que agora em 2016 mudou para o track em preto

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com os pontos brancos de forma que o canal agora passa onde era uma barra emersa no ano passado!

Tomadas estas providências, vela em cima e vamos lá. São 145 milhas a partir do Aratu Iate Clube, no verão sempre no contra-vento e contra-corrente.

Saímos às 15 horas de 25 de dezembro 2016, vento SE 13 nós, no início da vazante, Mila Rainha, Karine, Carlos Kakali e eu. Às 17 h, passamos o farol da Barra, vento E, dai que fomos orçando por cima do Banco Sto. Antonio até às 18:30 h, quando descemos da plataforma continental para o talude; às 19 h fizemos a primeira cambada que nos levou orçando no rumo 50V; o vento rondou um pouco para NE às 21 h e o anemômetro começou a dar sinais de cansaço, descontrolando o piloto automático que estava interfaceado em ‘vane’. Desliga instrumentos e torna a ligar, funcionou. À meia noite estávamos de novo sobre a plataforma continental em frente ao rio Jacuipe, onde a correnteza contra era mais forte, e demos um bordo para fora de 1,5h, no rumo 140V que nos levou às águas profundas, permitindo retornar ao rumo 20-30V até às 9 da manhã do

clip_image008clip_image010dia 26, quando o vento diminuiu de intensidade e rondou ligeiramente para SE, defronte à Praia do Forte. Já estávamos de novo sobre a plataforma, motorando por 3 horas na companhia de barcos de pesca, mas era dia claro e mantivemos o rumo até às 15 h, quando demos outro bordo para fora defronte ao rio Subauma, com vento NE força 4. Neste meio tempo Carlos Kakali embarcou um bonito de 1 kg. Às 17 h do dia 26 perdemos o fundo na sonda e demos o bordo de dentro que nos levou até a entrada de Mangue Seco, com o piloto interfaceado com o fluxgate (‘comp’) porque o anemômetro deixou de registrar a velocidade do vento. O vento cresceu e rondou para E, baixamos a mestra para o primeiro rizo e seguimos em bordo direto, chegando defronte à entrada da barra de Mangue Seco às 3 h da manhã, tudo escuro, lua nova, no turno de Carlos Kakali.

Quando acordei às 3:30 ele disse que estava indo para Aracaju para esperar o dia clarear.

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Enrolamos a genoa e ficamos por ali até que o sol saiu no horizonte. Como era lua quase nova, ela estava pertinho do sol e quando a lua sai no horizonte, em qualquer fase, a maré está sempre vazando, o que com vento E levanta mar na entrada da barra. Descemos a mestra e fomos motorando ver se dava para passar na arrebentação. Dava para ver áreas mais calmas e decidimos investir surfando nas ondas. Karine achava que ‘entraríamos com a ajuda de deus’, mas o bandido resolveu sacanear e no meio de uma surfada o motor de boreste tocou o alarme de temperatura. Sem dar bola pra vontade do carinha, entramos com o motor de bombordo e às 6:30 estávamos ancorados na praia do Saco, em Sergipe. A menor profundidade com 1,2m de maré foi de 3,5m. Ai Mila Rainha providenciou um lauto desjejum com champanhe. O problema do motor foi que folgou a correia da bomba d’água; apertei e funcionou. Removi o anemômetro no painel e apliquei abundante limpa-contato nas conexões, e quando reinstalado, funcionou. Mas Karine já tinha instalado birutas de lã nos estais para ver a direção do vento. Encontramos sobre o convés um parafuso de fixação do pino do batten-car no ponto de apoio da tala, que caiu durante a noite, mas fiz um ATE (armengue técnico emergencial, nomenclatura de Nogueirão) com um parafuso de 10cmx8mm da caixa de sucata.

Aproveitamos a maré vazia para passar debaixo da ponte na entrada de Terra Caída. Nem precisava, ainda sobraram uns 5m acima do tope do mastro para a base da ponte no vão mais alto. Me pareceu que a amplitude da maré aqui é semelhante à de Salvador, uma hora mais tarde. Ancoramos defronte à casa de Gileno e Cássia às 11:30 do dia 27, em 2,5m d’água, que logo começou a subir até 4,5m.

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Eles tem um píer e dá para abastecer de água na maré cheia. Chegaram no dia 28 e nos receberam de maneira fidalga. Esta recepção foi o ponto alto da viagem. Gileno é conhecido em Terra Caída como ‘Catalão’, e Cássia é ‘A Mulher’. Vá lá que ela lhe conta a história. No dia 27 jantamos no Frutos do Mar em Terra Caída, e no dia 28 desembarcamos às 11:30 e ficamos com Gileno, Cássia, e a família dela, inclusive D. Lidôca, a mãe de 90 anos até a noite, quando fomos experimentar os famosos caldinhos do Lene’s Bar. Dia 29 acordamos com um canoeiro batendo no barco: veio trazer pencas de lindas bananas que o Catalão mandou. Carlos diagnosticou e consertou um vazamento no sistema de pressurização de água. Zerei o odômetro parcial que desde o AIC registrou 194 milhas, e às 9:30 zarpamos no final da vazante. Dentro da laguna até Mangue Seco tem muita rede de pesca que exige atenção. Ancoramos às 10:40 em 3,5m de água logo no final do píer de contenção pouco além da pousada Algas Marinhas, junto ao parque onde os buggies pegam os turistas para visitar as dunas. Dormimos ai de 29 para 30. Saímos no buggy azul de Manuel, que também é prático da entrada da barra

clip_image024As dunas migram em muito pouco tempo, e alguns coqueiros e até postes ficam  clip_image026soterrados até o gogó, A areia fina que escapa, junto com a erosão da barranca do rio vai se acumular na Ilha da Sogra, entre a laguna e a restinga. Esta praia da Ilha da Sogra, de areia quartzosa fina e compactada na superfície, com piscinas de água quente, foi a mais encantadora que já vi no mundo todo. Daí esperamos a maré estar à meia enchente e zarpamos após o descanso do almoço, às 14:30.

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O porão de bombordo estava cheio de água salgada, que Carlos diagnosticou como um vazamento possivelmente no retentor da bomba d’água do motor de bombordo. Drenamos e saímos a barra com vento e corrente de enchente na cara, mas sem arrebentar na rota de saída. Às 15h estávamos fora, vela em cima. Observamos um rasgão no segundo painel da mestra, que aguentou bem até o AIC, quando Mila colocou um tampão de reforço. Vento e corrente favoráveis, a volta foi tranquila. Antes de escurecer estávamos além da isóbata de 1000m, saindo mais até 2000m. Durante a noite dois navios passaram próximo, mas foram identificados no AIS , e ao chamá-los ambos confirmaram que nos viam no radar. Às 13h do dia 31 passamos o farol da Barra, e achamos que era esperar muito tempo para assistir a queima de fogos à meia noite. Os Kakali desembarcaram no AIC às 15h, e Mila e eu após limparmos o barco e um jantar de fim de ano a bordo, celebramos a virada do ano ‘comme Il faut’ à meia noite…de Paris.

Na viagem de ida, as 145 milhas programadas cresceram 25% devido aos quatro bordos de contra-vento e à correnteza, tornando-se 181 milhas em 37 h. A volta foi um presente de ano novo, completada em 24h da Ilha da Sogra ao Aratu Iate Clube. Recomendo!

Fiz um registro do track em .gdb com as profundidades do acesso e da laguna que enviei para Cláudio, do veleiro Anni, Gerson, veleiro Tô Indo e Michael da CCD-Gold, e que está disponível para quem se interessar em estudá-lo no MapSource.

O novo timoneiro da ABVC

DSC_0313DSC_0341DSC_0350Em noite de festa e confraternização a Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro – ABVC, diplomou sua nova diretoria para o biênio 2017-2018 tendo o paulista Paulo Fax como novo presidente, que terá como missão manter o barco no rumo e dar seguimento a dos mais desejados produtos, dessa entidade que fortaleceu a vela cruzeiro no Brasil, que é o Cruzeiro Costa Leste. Desejemos bons ventos e mares tranquilos ao novo timoneiro.