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Vem aí mais um gigante dos mares

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Este gigante de 141 metros está sendo construído na Turquia e em breve, se tudo der certo, pois quando se trata de veleiro, sempre aparece uns prumode pruvia para embaralha o desejo, estará cruzando os mares do mundo, ou simplesmente fazendo idas e vindas pelo Mediterrâneo até o proprietário enjoar. Com incríveis 462 e danou-se de comprimento, quatro mastros, área vélica de 5 mil metros quadrados, dois converses – um para o proprietário e outro para os convidados e tripulantes, que é para cada um se colocar em seu devido lugar –, e construído em iroko, que dizem ser uma madeira super resistente e para o povo do Candomblé, é a árvore pela qual os Orixás dessem a Terra. Só por essas informações se percebe que o Dream Symphony, nome do veleiro, tem alma de valente. Basta esperar para ver se os panos que ele tem nas mangas vai servir para navegar bem.  Fonte: Revista Náutica

Votos renovados com o mar- I

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Não estou mais no Avoante e nem morando a bordo, que foi um dos maiores aprendizados que tive na vida e aconselho a todo mundo passar por essa experiência, mas não saí do mar e nem o mar saiu de mim, porque temos uma relação de amor incondicional, um imã poderoso, que nos faz ligados mesmo quando estamos a milhas e milhas de distância um do outro. O mar é o bálsamo que acalma minha alma irrequieta, mantém vivo meus sonhos e me abre encantadores horizontes. O mar é vida. O mar tem alma. O mar não é dos valentes, mas sim dos sonhadores e dos que tem no coração a leveza de ser e a perseverança de seguir um pouquinho mais à frente. Mar, ser encantador e guardião das verdades! Mar, me permita amá-lo para o sempre!

Estava eu sob a sombra da humilde, refrescante e instigante varandinha de minha cabaninha de praia, quando escuto o toque do celular e não sei porque me veio a lembrança dos seres encantadores dos oceanos. Do outro da linha o comandante Flávio Alcides me convidava para uma velejada pelas águas do Senhor do Bonfim e sem nem piscar o olho e nem pensar, respondi sim. – Quando? – Começo de dezembro. – Estarei lá! Isso não é convite que se faça a um amante do mar, porque por mais que forças estranhas lutem contra, mais a vontade cresce e os contornos vão sendo moldados para acolher a razão. Lucia sempre diz que para velejar é preciso prioridade e tudo mais deve ser descartado, ou simplesmente adiado sumariamente. – É assim? – Claro que é!

O convite não foi apenas para mim, mas também para alguns amigos em comum, que deixaram a prioridade de lado e se apegaram com os descartes e as desculpas. Resultado: Sobrou espaço no confortável catamarã Tranquilidade, um BV 43 construído no estaleiro Bate Vento, lá nas terras maranhenses do Boi Bumba. A tripulação foi formada apenas com o comandante Flávio, a imediata Gerana, Lucia e esse navegante e praieiro escrevinhador. Velas ao vento e vamos lá!

A viagem teve início em Enxu Queimado, um povoado praia – ou seria uma praia povoado? –, localizado no litoral norte potiguar, onde me divirto olhando de minha rede na varanda a natureza que muda a cada milésimo de segundo. – E como muda! A estrada era longa até Salvador do Senhor do Bonfim, mas como prefiro o mar e as estradas para me locomover, acelerei meu Fiat bala e fomos em frente com a alegria estampada no rosto. – Qual estrada seguir? Tudo já estava na minha mente, pois fiz o trajeto de carro entre Natal/Salvador inúmeras vezes, porém, partindo de Enxu Queimado seria a primeira, e tomara, de muitas.

Reprogramei a rota na cachola e partimos em direção a cidade de João Câmara, onde outrora morei e tive um comércio de padaria, aliás, sem falsa modéstia, uma das melhores da cidade. De lá seguimos pelas estradas e cidades do sertão e agreste: Bento Fernandes, Riachuelo, São Paulo do Potengi, Senador Elói de Souza, Tangará, onde tem um pastel maravilhoso, São José de Campestre, Passa e Fica, todas no Rio Grande do Norte. Na Paraíba passamos por Belém, Bananeiras, lugar mais do que lindo, Solânea e desaguamos na famosa Campina Grande, do melhor forró do mundo. Paramos na entrada da cidade de Barra Santana/PB para se esbaldar numa pamonha de lascar meio mundo de boa, no restaurante Leitosa. De bucho cheio a viagem seguiu por Toritama/PE, cidade famosa por suas fabricas de roupas de marca, porém, incrivelmente desarrumada e mal cuidada, Caruaru, capital pernambucana do forró e da moda, e seguimos em frente até alcançar a bela e faceira sereia Maceió/AL, onde paramos na casa do casal Daniel e Ângela Cheloni, proprietários do restaurante Del Popollo, o melhor da capital das terras dos menestréis.

Após uma noite bem dormida e bem alimentada, com as delícias do Del Popollo, tiramos uma reta para a capital baiana, que fica pouco mais de 600 quilômetros de Maceió. – Você acha que a viagem foi longa e cansativa? – Pois digo que cansativa foi um pouco, mas foi arretada de boa e adoro cruzar as estradas que cortam o interior brasileiro. Me sinto mais eu, mas vivo e um tiquinho mais conhecedor das causas que nos atinge no dia a dia. Como bem disse o mestre-sala das letras Aldir Blanc: “…o Brasil não conhece o Brasil…”. – Atesto e dou fé! Temos um país maravilhoso, acolhedor, rico, fascinante, empobrecido pelos desmandos, alegre, festeiro, livre, dotado de uma geografia ímpar e habitado por um povo fantástico. – Duvida? – Saia do bem bom do sofá e vá ver!

Ufa! Depois das estradas da vida desembarcamos na marina Angra dos Veleiros, onde nos esperava o catamarã Tranquilidade e seu belo casal de comandantes, revimos e abraçamos os amigos que ali estavam, embarcamos e abrimos uma cerveja para comemorar a abertura de mais uma página da nossa história no mar da Bahia, que de tanto eu falar bem, de tanto me deleitar em sua maciez, de tanto respeito que tenho por seu Senhor maior, guardião que a tudo protege do alto da Colina Sagrada, de tanto pedir a benção ao poderoso séquito de Orixás que por lá navega, recebo de coração e um eterno agradecimento tudo aquilo que eles me reservam.

“…Glória a ti nessa altura sagrada/És o eterno farol, és o guia/És, senhor, sentinela avançada/És a guarda imortal da Bahia…”

Nelson Mattos Filho/Velejador

Nota

Acabo de receber a informação que o catamarã alagoano Dom Diego, que estava desaparecido no mar entre a Bahia e Rio de Janeiro, com dois tripulantes a bordo, um deles, meu caro amigo Roberto Buenos Ayres, um velejador arretado que … Continuar lendo

Para anotar na agenda

A Volvo Ocean Race, a mais famosa das regatas de volta ao mundo e considerada a Formula 1 do iatismo mundial, já marcou a data de 18 de outubro de 2o17, na cidade de Alicante, Espanha, para a largada da edição 2017/2018. São 45 mil milhas pelos oceanos do mundo, oito meses de competição e mais uma vez a cidade catarinense de Itajaí será uma das 11 cidades sede. A regata acontece desde 1973 e na história dos seus pódios figura o brasileiro Torben Grael, campeão na edição 2008/2009 comandando o veleiro da equipe sueca Ericsson 4. Na edição de 2006, Torben também se fez presente comandando o barco brasileiro Brasil 1, mas devido a uma série de problemas, inclusive quebra do mastro no Oceano Índico, ficou apenas na quinta colocação. 

Sonhe, acredite e vá

Acho que todo brasileiro, mesmo aquele que nunca assistiu e nem gosta de futebol, lembrará com amargura das duas Copas do Mundo que aconteceram no Brasil. A de 1950 fomos pegos no contra pé pelos deuses do futebol e a nação brasileira chorou diante do triunfo da seleção uruguaia. Em 2014, euforia, alegria, esperança, histerismo, patriotismo, certeza e mais uma infinita lista de substantivos motivacionais deram lugar a uma impactante incredulidade que nos deixou paralisados diante de um time adversário que também não acreditava no que estava acontecendo. O que será que houve dentro das quatro linhas do estádio mineiro que fez calar uma nação, até então conhecida como dona do melhor futebol do mundo? Para mim, que entende de futebol tanto quanto um ermitão entende de carnaval, a resposta não estava naquele estádio e sim, nas maravilhosas águas do litoral de Santo André, no Sul da Bahia. Foi lá, nos redutos do nosso descobrimento, que a seleção alemã foi buscar os elementos para conquistar a Copa do Mundo e consequentemente nos fazer ver que, assim como no cotidiano da vida urbana, política e empresarial, precisamos de líderes inovadores, éticos, integrativos, eficientes, produtivos, comprometidos, adaptáveis e que gerem resultados vitoriosos para o bem comum. Não está nas areias da Praia de Santo André e muito menos nas confortáveis instalações do hotel de sonhos, que a colheu os alemães, a resposta para o acachapante 7 x 1. Talvez, quem sabe, a resposta esteja na forma como eles foram acolhidos pelos nativos e na impressionante interação afetuosa que se deu entre jogadores e a população daquele lindo pedaço de Brasil. Pode ser também que o segredo da vitória tenha passado pelos abraços, apertos de mãos e troca de presentes entre os gringos e os nativos das terras do descobrimento, mas ninguém prestou atenção quando uma Nau modernosa ancorou ao largo, como fizeram os descobridores, e emitiu sinais somente compreendidos pelos visitantes futebolísticos. Os jornais olharam para o veleiro majestoso na linha do horizonte e vislumbraram apenas como mais uma mania exótica dos gringos, não sabendo eles que ali estava sendo forjada a senha para meter a mão na taça. Pois bem, recentemente participei de um curso de Cultura da Liderança, no Sebrae/RN, e, na primeira aula do segundo módulo, foi passado o vídeo que ilustra essa postagem. No vídeo, que fui buscar no Youtube, está contido tudo o que a Seleção Alemã foi buscar a bordo de um veleiro e que serviu, não como meio de transporte para um passeio pelo mar da Bahia, mas como um valioso laboratório motivacional para transformar em eficiência a equipe que chegou sobrando na Copa do Mundo 2014. Se você não acredita, veja o filme.   

  

Praia de Caboto

03 - março (139)

Dia desses um amigo perguntou o que eu achava da navegada até a praia de Caboto, localizado logo após a Ilha de Maré, dizendo ele que desejava ir até lá em seu veleiro. Como foi uma pergunta feita em cima da bucha e já estávamos envolvidos pela segunda garrafa de cerveja gelada, meus neurônios bateram cabeça por míseros segundos, na tentativa de me abastecer de argumentos, e antes de pousar o copo americano sobre a mesa – pois cerveja boa é em copo americano –, eu já estava com a resposta na ponta da língua, mas me ative antes que ela saísse e ele interpretasse como besteira besta.

03 - março (144)

Caboto está entre os poucos destinos que ainda não fiz a bordo do Avoante e talvez fique sendo assim, porque não tenho nenhuma vontade de fazê-lo. No comecinho de março de 2016 fui até lá de carro, para ver o que eu estava perdendo, e sinceramente não achei que estava perdendo muita coisa. E olhe que é difícil eu fazer críticas aos destinos navegáveis da Baía de Todos os Santos e principalmente das cidades e povoados do Recôncavo. Para mim não existe nada melhor no mundo a ser navegado do que as águas da Bahia! Mas como eu não conheço o mundo, dou o dito como verdade.

03 - março (163)

Fui conhecer Caboto quando de minha pretensa excursão rodoviária até o Museu Araújo Pinho, que foi publicada aqui dia 10 de maio com todos os pormenores. – Museu? – Que museu? Caboto tinha tudo para ser uma gracinha de lugar, mas por ser distrito de um município rico emergente, devido a arrecadação delirante vinda no rastro da lama petrolífera, mais parece uma cidade jogada as traças. Conheço várias cidades e povoados brasileiros com essa triste sina, inclusive no meu Rio Grande do Norte. O dinheiro entra nos cofres municipais pelas tubulações, saem pelo esgoto e quem quiser que reclame ao bispo, pois o juiz já está abarrotado de quebra cabeças para resolver e a coisa é igual a cantiga da perua, de pior a pior.

03 - março (153)

Os guias náuticos que mapeiam a Baía de Todos os Santos dizem que a navegação até lá é feita em águas rasas, tranquilas e que merecem atenção redobrada, devido a existência de bancos de areia. Na ancoragem deve ser observada a variação da maré e o mais indicado é que seja permanência apenas diurna. Na maré baixa fica quase impossível o desembarque, porque a faixa de lama é extensa e é preciso pular diversos obstáculos de línguas negras.

03 - março (155)

Dizem que alguns barzinhos servem moquecas e mariscos deliciosos, porém, não pude comprovar, pois encontrei todos fechados. Uma igrejinha no centro da praça, que também serve de Centro Comunitário, reverenciado São Roque, é talvez a melhor referência turística. Porém, o que mais me chamou atenção foi a ruína de uma casa tomada pelo mato e que ninguém soube informar do que se tratava. Tentei entabular uma conversa com dois idosos moradores que encontrei na praça, mas eles de nada sabiam, a não ser que quando se entenderam por gente a ruína já existia. Pesquisando por aí soube que era uma região açucareira e que existiam vários engenhos. Será essa uma de suas ruínas?

03 - março (151)

Não esperei para ver, até porque desejava conhecer o museu, mas o pôr do sol deve ser bonito em Caboto e a maré cheia deve dar outro animo ao pequeno povoado. Talvez a proximidade com os monstruosos conglomerados industriais e os vários portos que cercam a região, contribua para o mal trato existente por lá.

03 - março (158)

E pode até ser que eu esteja sendo rígido demais em minhas críticas ao povoado que me recebeu durante uma hora de visita, mas o que eu vi foi isso e como diz o ditado: A primeira impressão é a que fica. Sabe o que tenho a dizer ao amigo que perguntou o que achava da navegada até lá: Que ele vá e depois me diga o que achou.

O catamarã de velocidade – V

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Sei que é difícil para muitas pessoas embarcar em um veleiro para uma viagem de mais de dez dias. Deixar a vida agitada das cidades, principalmente para quem está na lida diária do trabalho, enfrentar a inconstância do mar, o ritmo lento do navegar de um veleiro e o bucolismo de pequenos lugarejos ribeirinhos é quase uma prova de tortura, ainda mais nesses tempos de comunicações facilitadas pela bruxaria dos aparelhinhos de celular. Com o celular em mãos, e suas variantes comunicativas, ficamos a mercê das chantagens emocionais daqueles que ficaram em terra e basta um que de nada para bater a vontade de voltar ou simplesmente matar uma saudade.

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Quando fomos convidados para tripular o catamarã Tranquilidade em seu retorno as águas baianas sabíamos que seria uma viagem das mais gostosas, porque é sempre bom navegar na companhia de amigos, ainda mais sendo todos amigos do mar. Inicialmente planejamos uma navegada que favorecesse lugares distantes dos grandes centros e fizemos o possível para seguir a risca o planejamento. O roteiro foi sendo alterado à medida que demorávamos um pouco mais em uma parada e também de acordo com os ditames da natureza, mas procurando manter o foco em lugares paradisíacos.

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Quando da nossa ancoragem em Maceió/AL parte da tripulação decidiu que iríamos direto para Salvador/BA e chegando lá navegaríamos por dois dias na Baía de Todos os Santos. Quando eu e Lucia recebemos a notícia ficamos sem entender o motivo, mas ficamos com pena, pois havíamos feito um roteiro maravilhoso e sabíamos que o comandante Flávio gostaria de seguir o planejado.

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Entre Maceió e o Salvador, com o celular funcionado a todo vapor, praticamente a navegada de dois dias no mar da Baía de Todos os Santos estava fadada a ir por água a baixo, porque Geraldo e Myltson já haviam comprado por telefone a passagem de volta para o dia seguinte da nossa chegada. No través do Farol de Itapuã, Lucia serviu o almoço e disse que era uma afronta ao bom senso eles estarem encerrando uma navegada tão boa, ainda mais com dias de antecedência e sabendo eles que aquela viagem era um sonho do comandante. Continuar lendo