Arquivo do mês: janeiro 2017

“…A terra que é o meu viver…”

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Estas imagens retiradas do tempo contam um pedacinho da história de Natal, capital do Rio Grande do Norte, minha querida terra do Sol. Claro que não alcancei nada do que está mostrado nas imagens, mas me reconheço na beleza desse pequeno acervo e me encho de saudade de uma cidade outrora feliz. Os retratos foram enviados pelo meu irmão, Iranilson, que recebeu de um amigo, aos quais agradeço. Um dia o compositor Pedro Mendes cantou assim “… Essa é uma terra de um deus mar/De um deus mar que vive para o sol…”

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Nota

03 - março (88)Caros leitores, depois de muito relutar resolvi retirar do ar a página Barcos a Venda. A criação da página foi atendendo ao pedido de amigos que queriam aqui um espaço para anunciar suas embarcações e com isso, se a acontecesse a venda, algum percentual de valor seria dirigido ao blog a título de manutenção. Alguns bons negócios foram feitos, porém, em sua grande maioria, fomos deixado de lado e nem um obrigado nos foi dispensado, mesmo depois de ter tido o trabalho de mostrar a embarcação, ter efetuado vários contatos telefônicos ou via email com os possíveis compradores. Em outras situações, o proprietário esquecia de atualizar o valor ou simplesmente quando aparecia algum interessado, ele dizia que o valor não era mais aquele. E ainda existiam os espertalhões que viam o anuncio, copiavam as informações e saiam oferecendo aos seus contatos. Manter um blog não é fácil e quando o editor se propõe a atualizá-lo quase diariamente, como é o caso do Diário do Avoante, mesmo em locais em que o sinal da internet ainda é coisa rara, apenas com o ideal de dar uma informação que fuja da rotina dos graves problemas que enfrentamos no dia a dia, as dificuldades se agigantam, mas nos mantemos firmes. Ver o desinteresse daqueles que se beneficiam do acesso dos leitores, como se estivéssemos apenas fazendo uma obrigação, me deixa triste e até constrangido. Peço perdão aos leitores pela exclusão da página Barcos a Venda, mas infelizmente é assim e desculpem o desabafo.

Belov, o navegador irrequieto

DCIM\102GOPROO navegador Aleixo Belov é um cara, como se diz na Bahia, retado, basta dar uma olhada em seu currículo de empresário ou ler os livros de suas quatro voltas ao mundo em um veleiro, três delas em solitário, e uma navegada até a Antártida, para ver que estamos diante de um ser irrequieto e com a cabeça funcionando a mil por hora. Belov é uma figura! Certa vez cruzei com ele no píer do Aratu Iate Clube e depois em bate papo apressado e direto, pois com ele tem que ser assim, perguntei quando sairia a quinta volta ao mundo. Ele me puxou pelo braço, para bem próximo, e respondeu: – Por que quer saber da minha próxima? Faça a sua! Disse isso e me abraçou com um sorriso largo. Aleixo Belov, um ucraniano mais brasileiro impossível, escreve sua história nas águas dos oceanos do mundo com as tintas do sucesso, porém, o faz de um modo tão peculiar, especial e recatado que o mundo náutico somente toma conhecimento de seus projetos quando ele já está com a cara no vento ou quando está no rumo de volta. Pois bem, o navegar irrequieto, em pleno gozo dos seus 74 anos, está nesse momento nas águas do Pacífico, a bordo do veleiro Fraternidade, com o rumo traçado para o Alasca, onde pretende passar uns dias de frio e retornar ao Brasil todo faceiro para acrescentar mais uma volta ao mundo em sua biografia, pois o caminho de ida e volta é longo que só vendo. A viagem teve início em 03 de dezembro de 2016 e a pretensão é chegar ao Alasca em julho ou agosto deste ano. 

Os Corais da Amazônia

Corais-Amazonia-696x391Pesquisadores da equipe do Greenpeace a bordo de um pequeno submarino, com o apoio do navio Esperanza, apresentaram ao mundo as primeiras imagens dos Corais da Amazônia, um rico e diverso ecossistema, localizados a 50 milhas da costa brasileira, em frente a foz do Rio Amazonas e a 220 metros de profundidade. A pesquisa do grupo ambiental é confrontar os dados colhidos com os estudos existentes para exploração de petróleo na área próxima aos corais, o que acarretaria uma ameaça a um ecossistema ainda totalmente desconhecido. “Teremos novas oportunidades de ver com mais detalhes o que as águas brasileiras vitaminadas pelo Rio Amazonas nos escondem”, dizem os coordenadores da pesquisa. Em 2011 quando fiz parte da tripulação do catamarã Itusca, entre Natal/RN e Trinidad e Tobago, fiquei encantado enquanto navegávamos ao largo da foz do Amazonas, na distância de pouco mais de 200 milhas da costa, com a coloração da água que anunciava o fenomenal raio de ação do grande rio brasileiro e a quantidade enorme de cardumes que por ali nadavam. Vamos aguardar os estudos do Greenpeace e esperemos que não venha carregado com floreios alarmistas. Fonte: Brasil Mergulho    

Votos renovados com o mar – III

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Na página anterior desse relato estávamos com o catamarã Tranquilidade ancorado em frente a Praia de Mutá, uma gostosa baía no canal interno da Ilha de Itaparica, e prontos para degustar umas garrafas de Muvuca, Saruaba, Tribufu e Retada, produtos da cervejaria ED3, de nomes bem abaianados e que levam prazer aos amantes de uma boa loura gelada. Tive o prazer de experimentar algumas garrafas das ditas cervejas logo no início da produção, no veleiro Guma, do casal Davi e Vera Hermida, e essa prova deixou um gosto de quero mais, porém, o tempo passou, mas a vontade não. Quando o comandante Flávio nos convidou para o passeio no Tranquilidade, no início de dezembro de 2016, disse que eu incluísse no roteiro a visita a cervejaria de Mutá, o que fiz mais do que depressa. E lá estávamos nós, desembarcando para a visita.

P_20161208_182654A ED3 teve início com o sonho de três casais, entre eles Almir e Simone, que queriam produzir cerveja para desfrute da família, que não é pequena, e do time dos amigos, que é maior ainda, porém, o que era sonho de bons bebedores, virou um excelente negócio, pois a cerveja logo no primeiro gole deixava no ar o sabor do sucesso. Hoje o maquinário cresceu, o galpão aumentou, mas o que continua o mesmo é o sabor das cervas e a acolhida maravilhosa com que os proprietários recebem os visitantes, com direito a roda de samba, bons papos e tudo mais. O difícil é querer deixar o galpão e voltar para o barco, mas depois que deixamos vazias algumas dezenas de garrafas, foi o que fizemos e ainda trazendo na garupa algumas caixas para festejar num futuro próximo. A direção da cervejaria está em vias de fato para colocar a praia de Mutá no roteiro turístico náutico da Bahia e com certeza os visitantes saíram encantados e bem animados.

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Após uma noite das mais tranquilas, acordamos cedo, levantamos âncora e prosseguimos em nosso roteiro pela Baía de Todos os Santos. Voltamos a Itaparica para reabastecer os tanques com água e rumamos para a praia de Loreto, outro fundeadouro inigualável, por trás da Ilha do Frade, e onde a vida a bordo é mais gostosa. Loreto estava coalhada de veleiros de amigos, que tomara não vejam essa minha declaração, pois ficarei com um débito impagável por não tê-los visitado, contudo, antes de receber a primeira cobrança, peço perdão pela falta grave e prometo não cometer outra, pois todos eles moram em nossos corações.

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O comandante Flávio e Gerana ficaram fascinados por Loreto e no dia seguinte, quando seguimos viagem, disseram que voltariam o mais breve possível, porque nunca imaginaram que ali existisse um lugar tão lindo e com uma natureza tão exuberante. Na verdade quando tracei o roteiro queria mesmo visitar lugares que sempre me acolheram bem, porque era o meu reencontro, depois de cinco meses afastado, com um mar que amo de paixão.

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De Loreto rumamos para a Praia da Viração, vizinho a Ponta de Nossa Senhora, do lado sul da Ilha do Frade. A Viração é de uma lindeza sem igual e para muitos é o Caribe na Bahia, com águas cristalinas, onde se avista a âncora no fundo do mar, e uma faixa de areias brancas emoldurada por uma mata em estado praticamente nativo. Viração é uma APA e como todas, tem regras que regulam sua visitação, porém, ainda se pode ver alguns deslizes da nossa falta de educação ambiental. A praia recentemente recebeu alguns créditos a mais de fama, por ter sido destino de constantes banhos de mar da presidente Dilma, em suas férias na capital baiana. A praia é linda sim, mas pouco frequentada pelos velejadores.

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Da Praia da Viração aproamos o Rio Paraguaçu e fomos jogar âncora em frente ao povoado de São Francisco do Paraguaçu e seu Convento enigmático. Era hora do pôr do sol e abrimos um vinho para comemorar o dia que se ia e festeja a noite que tomava espaço. Entre um gole e outro com o líquido de Baco, fiquei matutando nas várias visitas que fiz aquele rio histórico e nas páginas do Diário que preenchi denunciando o descaso existente em tão belo cenário. Tudo continua na mesma, ou pior, mais maltratado ainda. Durante nossa velejada vespertina não encontramos nenhum veleiro, apesar de sido em período de um longo feriadão. Se o Paraguaçu fosse em um país europeu, americano do norte ou mesmo em alguns países orientais, garanto que seria tratado com toda importância e zelo que merece. Infelizmente tratamos nossas riquezas naturais da mesma forma como tratamos todo o restante de nossas causas, sem o mínimo de interesse em ver os bons resultados. Temos leis para tudo e para todo gosto, mas nenhuma serve além de sua escrita. São feitas apenas com o intuito de acalmar ânimos e nada mais, pois em suas entranhas, propositalmente, faltam princípios.

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O Convento de São Francisco do Paraguaçu, assim como a grande maioria dos monumentos as margens do Rio Paraguaçu, está sob os domínios da lei do patrimônio histórico, acho que seria melhor que não estivesse.

E a noite cobriu o rio!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Notícias do fim do mundo

Novembro (269)

Um grupo de tenebrosos cientistas, travestidos de cavaleiros das trevas, se reuniram para anunciar que estavam antecipando em alguns minutos um tal Relógio do Juízo Final, por causa de algumas desgraças ambientais e principalmente pela eleição e posse do novo presidente das terras do Tio Sam, o galego mal falado Donald Trump. Aliás, o galego e o mais novo arquiteto de muros, que só perde em criatividade para uns arteiros que se arvoraram em construir um exemplar numa prisão potiguar. – Será que esse povo nunca leu livros de história? – Estou achando que não e se leu, não aprendeu nadica de nada. Pois bem, os homens do tal Relógio afirmam que agora o planetinha azul vai para o espaço de uma vez por todas, como se a palavra deles fosse palavra de rei. Ainda bem que o Relógio não tem mecanismo algum e é adiantado e atrasado pelas mãos trêmulas dos homens das ciências e duvido que eles acertem os ponteiros na justa hora da cinderela, pois se assim fizerem, terão que dar um ops e retroceder o tempo. – Fico imaginado o lugar que meu amigo Pedrinho me mandaria ir se fosse dar essa notícia a ele. Sim, já ia esquecendo: A imagem acima não tem nada de apocalíptica, é apenas um pôr do sol registrado nas estradas do Mato Grande, região norte-riograndense localizada entre o mar e o sertão.       

Viver não é preciso, navegar sem segurança também não é

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Na sequência da imagem acima, que aconteceu em abril de 2016, o barco de passageiros passa a toda velocidade e muito próximo do veleiro em que estávamos, ancorado em frente a Ponta do Curral, Baía de Tinharé/BA. Não foi uma situação de risco e nem ousamos fazer cara feia, porque isso é tão corriqueiro naquela região e a reclamação, na grande maioria das vezes, gera momentos de extrema má educação, quando não, uma velada ameaça de agressão. O melhor a fazer é abrir uma cerveja e curtir o sabor da paz. Estamos em plena estação onde o mar e o sol são os grandes senhores da razão e é justamente no verão onde ocorrem os maiores acidentes no mar, e não poderia ser para menos, porque muitos que se acham donos do mundo assumem o comando de embarcações que nem eles sabem o que estão comandando. E o pior de tudo é que até aqueles que se dizem profissionais da náutica muitas vezes assumem a vez de principiantes e o que mais se vê são acidentes e desrespeito as leis marítimas. – E a Marinha do Brasil? Bem, a Marinha em algumas situações age com rigor, porém, na grande maioria das vezes o infrator passa despercebido e sai pelas águas aprontando barbaridades. Quer saber? Basta ficarmos dez minutinhos em um point que tenha grande número de barcos circulando que veremos cenas de arrepiar. E não vá me dizer que as acenas acontecem apenas com um ou outro modelo de embarcação, porque acontecem com todas, pois má educação não escolhe modelo de barco. Recentemente li que um veleiro foi atropelado por uma escuna, acho que em Angra dos Reis, e que o feito ficou pelo não dito e o dito ficou pelo mal feito. Dizem que a autoridade naval cruzou os braços, o que me custa a acreditar, e o prejuízo ficou com o barco atropelado. – Será mesmo? – Se assim foi, degringolamos de vez! Nunca achei correto as ações tipo operação verão, porque temos quatro estações e em todas assistimos cenas que nenhum bom navegante gostaria de assistir. Se durante o ano inteiro acontecessem fiscalizações intensa e preventiva não estaríamos no mar passando os mesmos perigos que passamos nas estradas, que só tem fiscalização da lei seca e nada mais. A pirataria está aí tomando forma e gosto. Já está passando da hora da autoridade naval, ou outra que for de direito, assumir o timão da nau da insensatez, porque a frota de embarcações de esporte e recreio cresceu assustadoramente e não é com conversa bonita e operação localizada que se coloca ordem na casa. No mar o comando é imprescindível!