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Embarcação naufraga no litoral do RN e 10 pessoas são resgatadas

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A bruxa navegou solta pelo litoral do Nordeste durante o mês de junho causando uma série de acidentes e obrigando o Salvamar Nordeste, que mantém alto índice de excelência em suas operações, a  trabalhar com eficiência e atenção redobradas. Ontem, domingo, 30/06, o Navio-patrulha Macau, e mais três embarcações, foram acionados para atender o pedido de socorro emitido pela embarcação Transmar II, que naufragou a 5 milhas da costa de Natal. Dez tripulantes que faziam parte da tripulação, entre eles dois militares e um pesquisador, foram retirados da água pelo barco Netuno S, e levados para o Porto de Natal. Segundo a assessoria de impressa da Marinha do Brasil, todos foram resgatados em bom estado de saúde. Fonte: G1/RN    

Marinha do Brasil resgata nove tripulantes de naufrágio

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O Navio-patrulha Guaíba, sediado na Base Naval de Natal, resgatou na madrugada desta sexta-feira, 14, nove tripulantes da embarcação Navegantes, que naufragou a 80 milhas da costa paraibana. O Navegantes saiu do Porto do Recife, com dez tripulantes a bordo, fazendo o transporte de mercadorias para o arquipélago de Fernando de Noronha, quando foi surpreendido pelo mau tempo,  que castiga o litoral do Nordeste há mais de 48 horas, e emborcou. Um tripulante está desaparecido e a Marinha do Brasil enviou o Navio-patrulha Macau para vasculhar a área. Segundo o comandante do Navegantes, o tripulante desaparecido foi o último a pular do barco e quando o fez, a balsa salva-vidas, em que eles estavam, já estava distante e eles não conseguiram alcançá-lo. Fonte G1/RN  

Naufrágio no litoral paulista

barco-itanhaemAs previsões do tempo para o final de semana, 14, 15 e 16 de setembro, na região Sudeste, era de chuvas fortes e mar de ressaca, com ondas de mais de 2,5 metros de altura e essas informações, salvo engano, foram divulgadas nos noticiários, nas redes de navegantes, nos clubes e marinas da região, como sempre faz a Marinha do Brasil em seus Aviso aos Navegantes. No domingo, 16, uma embarcação de pesca, com 15 tripulantes a bordo, virou e naufragou ao tentar entrar na barra do Rio Itanhaém, litoral paulista. Uma pessoa morreu e os demais foram socorridos por surfista e banhistas. Segundo relatos, a embarcação ao entrar na zona de arrebentação foi atingida por uma onda e emborcou. O acidente foi fatalidade? Não, foi um caso típico, como tantos outros, de negligência com a segurança da navegação e com a vida.

Aviso aos navegantes

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O mar pelo litoral do Nordeste brasileiro está para peixe, mas para barco, somente para aqueles muito bem preparados para condições severas e comandados por timoneiros cabras da peste, porque além das ondas altas, em torno de 2,5 a 3,5 metros de altura, os ventos vindos do quadrante Sul não estão de brincadeira, soprando rajadas a mais de 25 nós. Será que é efeito do furacão Irma? Os especialistas dizem que uma coisa não tem a ver com a outra, porém, fui relatar as palavras dos homens do tempo para minha Mãe e ela disse assim: – Sei! Ontem, 12/09, em Pernambuco, um barco que faria sua primeira viagem levando mantimentos entre Recife e a ilha de Fernando de Noronha, naufragou a poucas milhas da boca da barra, depois de sofrer os efeitos do mar, e felizmente os seis tripulantes conseguiram nadar por cinco horas e chegaram ilesos a praia. A Capitania dos Portos informou que apesar dos avisos de mar grosso a embarcação seguiu viagem, o que não quer dizer nada, pois a decisão de seguir viagem ou não, deve ser tomada pelo comandante da embarcação, após observar os procedimentos de segurança e navegabilidade. O alerta da Marinha continua valendo até  dia 16 de setembro. A imagem que abre a postagem é da praia de Areia Preta, em Natal/RN.   

Tragédias de um reino do faz de conta

naufragio-paraQuer dizer que um barco navega todos os dias transportando pessoas pelos rios amazônicos, sem as devidas licenças oficiais para fazer esse tipo de transporte. É notificado em 5 de junho de 2017 e a empresa proprietária nem dá o cabimento de comparecer ao órgão regulador estadual que controla esse serviço público. Diante dos inspetores da Marinha do Brasil o barco passa sem problemas, pois tem seu registro atualizado, mas não para o transporte a que serve. Numa noite de agosto, mês do desgosto, o mesmo barco naufraga com 70 passageiros a bordo e 10 perdem a vida. A Polícia abriu um inquérito, a Marinha abriu outro e em menos de uma semana estará tudo esquecido e assim a vida nos rios da Amazônia seguirá normalmente, até que uma nova tragédia aconteça. Isso é descaso, azar ou crime?  

Titanic, uma história sem final

1200px-RMS_Titanic_3O colosso, o maioral, o festejado, o desejado, o fenomenal, o cinematográfico, aquele que nem Deus afundaria, o fundo do mar, a tragédia, o silêncio, a escuridão total, a história, o mito, a lenda. São muitas a palavras que podemos definir o Titanic, mas duvido que depois de tantos anos do acidente que marcou o mundo, alguém possa afirmar com todos os pingos nos is, o que realmente aconteceu naquela fatídica noite gelada no mar do norte. Remontar a história dessa lenda que repousa a mais de 3 mil metros de profundida passou a ser o objetivo e o desejo de várias gerações de estudiosos e será para o sempre, pois é assim com os grande enigmas mitológicos. Pois bem, agora os cientistas afirmam que o que ainda resta do centenário transatlântico de casco negro está preste a se dissolver pela ação de uma bactéria, já batizada de Halomonas titanicae, em homenagem ao navio. Dizem que essa bactéria consegue sobreviver em condições onde praticamente não existe nenhum outro tipo de vida, como é o caso da profundidade oceânica em que se encontra o naufrágio, com forte pressão e completamente escura. Será que nem o mar quer ficar com o Titanic? Essa será mais uma página a ser acrescentada a uma lenda histórica que nunca terá um fim. Fonte: G1 ciência e saúde        

Cadê você homem do mar?

toinho-doido-4_thumbA segunda-feira amanheceu com uma notícia apreensiva e que demonstra mais uma vez a grandeza e as incertezas que rondam o homem do mar. O SALVAMAR NORDESTE está a procura dos tripulantes e uma lancha que saiu do Iate Clube do Natal na última quinta-feira, 05/01, com dois tripulantes a bordo, o comandante Max e o seu mais fiel escudeiro no mar, o pescador Toinho Doido. Torço que mais uma vez Iemanjá dê a mão a esses homens e os traga de volta ao convívio dos seus. Em 2012, Toinho e Max já tiveram frente a frente com a Janaína, escutaram seu canto encantado e retornaram para contar o conto, o que fez aumentar ainda mais minha estima e respeito pelo grande Toinho Doido, e que, na época, escrevi o texto abaixo e que foi publicado aqui e no Jornal Tribuna do Norte, na coluna Diário do Avoante. Grandes Toinho e Max, espero revê-los para mais uma vez escutar os relatos de mais uma peleja.

O HOMEM DO MAR

Não sei se é o mar que muda as pessoas ou se são as pessoas que mudam quando vão para o mar.

A bordo já vi homens rudes e com a experiência de mil marinheiros, com a cabeça baixa e o ego ferido, a espera de uma simples palavra de incentivo ou uma mão estendida. Logo em seguida, já em terra e com a moral restabelecida, saírem contando gloriosas histórias de heroísmo. Pessoas assim nada mudam e dificilmente um dia mudaram.

O homem do mar é humilde, reconhece suas deficiências e sabe estender a mão a quem precisa. Para ele nada é mais importante do que a alegria de ajudar o próximo, principalmente àqueles que vêm do mar.

Toinho, que a gente aprendeu a chamar de Toinho doido, mas que na verdade não tem nada de doido, é um desses homens do mar que tem a humildade acima de tudo e que tem a vida náutica tão cheia de casos que fica até difícil saber qual a melhor para contar.

Uma boa de Toinho doido, apesar de ter sido um grande susto, foi quando ele, numa Sexta-Feira Santa, saiu para pescar com um amigo, num barquinho de borracha e fora da barra, e o barco afundou.

No dia da pescaria ele falou para a Mãe que iria pescar e ela alertou: “Logo hoje, Sexta-Feira Santa?” Ele não deu ouvido e foi para o clube. O barco realmente não era apropriado para a tal pescaria e ainda tinha um agravante que eles tentaram resolver com uma gambiarra. O bicho estava descolando!

Resolvido o “pequeno” problema eles colocaram os apetrechos a bordo e se mandaram para o mar. Ao chegar ao ponto programado notaram que o barco estava afundando. – E agora? Só deu tempo de juntar as varas, os coletes, uma caixa de isopor e cair na água. E lá foram tentar a sorte da vida diante da imensidão do mar e com a noite já se aproximando.

A cidade do Natal foi ficando para trás e as luzes da praia de Santa Rita e Genipabu começaram a aparecer. A correnteza forçou a deriva deles para o banco de pedras da costa, o que seria o fim, e num respingo de sorte, o mar os levou de volta. Nesse momento o amigo de Toinho falou: “Acho que vamos morrer!” Ele respondeu: “Também acho!”

Peixes, que segundo Toinho eram tubarões, roçavam suas pernas. O frio, a fome e a sede apertavam o cerco, e em terra, os amigos do clube estavam em pavorosa, já que o barco tinha sido encontrado boiando submerso e sem nenhum sinal dos ocupantes.

Na longa noite escura, novas luzes foram avistadas, e pela experiência do nosso amigo, eram da praia de Barra do Rio. Novamente o mar empurrava para a praia e novamente as pedras surgiram como uma grande ameaça a vida. Sem forças e sem esperanças eles relaxaram e deixaram o mar decidir. Depois de onze horas de sufoco eles conseguiram chegar à praia totalmente desidratados.

A partir daí começou a resenha que a cada dia ele foi acrescentando mais contos e pontos, mas nunca com aquele ar de quem sabe tudo, ou de quem escapou pelo simples motivo que ele é o cara. Toinho chegou em terra com a mesma humildade de sempre e reconhecendo que o mar é grande e merece respeito.

Seu relato vem envolvido no manto da inocência dos homens de bem e que reconhece a vida como um presente de Deus. Afrontar o mar numa Sexta-Feira da Paixão para ele foi um erro que nunca mais pretende repetir. No seu relato não encontramos nenhum sinal de heroísmo e muito menos de egos envaidecidos. Encontramos sim, sensatez e a certeza de estar diante de um homem do mar, conhecedor dos seus mistérios, mas também um eterno aprendiz. Gosto muito de conversar com esse homem franzino e forjado nas águas salgadas do oceano, apenas para ter a certeza de que não sei quase nada do mar.

Uma vez estávamos conversando e ele perguntou se eu achava que um certo senhor era um homem do mar. Eu perguntei o porque daquela pergunta e ele disse: “Homem do mar não age como ele, pois o verdadeiro homem do mar é humilde”.

A partir daquele dia sempre que converso com alguém que se diz do mar, me lembro das palavras de Toinho Doido e vejo o quanto ele tem razão.

Nelson Mattos Filho/Velejador – Set/2012