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O desaparecimento da aventureira foi mais um crime banal. Mais um!

 

caiaque02A polícia da Amazônia anuncia que o caso da canoísta britânica Emma Kelty, 43 anos, desaparecida no rio Amazonas, foi mais um dos crimes “banais” que acontecem a cada segundo nas ruas das cidades brasileiras, do qual já sabemos o enredo e o desfecho: O choro de uma família e amigos; Promessas sem nenhuma pressa; A mão passada pela cabeça da “criança” desfavorecida que cometeu o crime; Ponto final e vira a página para o próximo. É assim e nada de reclamar ao bispo, viu? A aventureira britânica foi morta por causa de um celular e uma câmera GoPro e seu corpo foi jogado no rio Solimões. – Uma GoPro? – Sim, pois em nossas ruas num tem gente que morre por nada e ninguém faz nada? –Uma GoPro é uma GoPro e o “menor infrator” queria, por que queria, matou e pronto!  – E teve ajuda? – A polícia diz que teve, mais quem matou foi o “menor” e acabou-se o que era doce. Pois é gente, Emma Kelty morreu por nada, apenas por se “atrever” a remar solitária pelos recantos de um Brasil sem dono, sem lei e sem vergonha. Se fosse caminhando em nossas ruas, talvez tivesse o mesmo destino desumano, mas não, foi em plena selva amazônica, um mundo que o mundo só lembra que existe quando algum ecologista grita que derrubaram uma árvore qualquer. Na selva brasileira matam aventureiros, matam índios, matam grileiros, matam sem terra, matam fazendeiros, matam jornalistas, matam juízes, matam militares, matam tudo e todos, mas o que dá notícia mesmo é a derrubada de uma árvore ou algum plano mal arrumado de demarcação. Emma foi mais uma e não será a última! – Dizer o que?  – Fique em paz aventureira, pois, envergonhado, não tenho mais nada a dizer!  Fonte: BBC Brasil     

Aventureira desaparece no rio Amazonas

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Um caiaque, que a polícia acredita pertencer  a britânica Emma Tamsin Kelty, aventureira que estava descendo o Rio Amazonas desde a nascente no Peru, sem nenhuma assistência ou acompanhamento, foi encontrado no último sábado, 16, sobre um banco de areia entre as cidades de Codajás e Coari, no Amazonas. As autoridades trabalham com a hipótese de que a aventureira foi mais uma vítima dos traficantes de drogas que agem na região. A Marinha recebeu na noite da quarta-feira, 13/09, um comunicado que o localizador de emergência da britânica havia sido acionado e iniciou as buscas. Em uma das últimas postagem no Twitter, Emma brinca e diz: “Em Coari ou perto (a 100 quilômetros acima do rio) meu barco será roubado e eu serei assassinada. Legal”. Em outra postagem, um dia antes de sumir, a britânica diz ter visto várias embarcações com mais de 30 homens armados. Não, os rios do Amazonas não são territórios sem leis, o país que é do faz de conta.      

Os Corais da Amazônia

Corais-Amazonia-696x391Pesquisadores da equipe do Greenpeace a bordo de um pequeno submarino, com o apoio do navio Esperanza, apresentaram ao mundo as primeiras imagens dos Corais da Amazônia, um rico e diverso ecossistema, localizados a 50 milhas da costa brasileira, em frente a foz do Rio Amazonas e a 220 metros de profundidade. A pesquisa do grupo ambiental é confrontar os dados colhidos com os estudos existentes para exploração de petróleo na área próxima aos corais, o que acarretaria uma ameaça a um ecossistema ainda totalmente desconhecido. “Teremos novas oportunidades de ver com mais detalhes o que as águas brasileiras vitaminadas pelo Rio Amazonas nos escondem”, dizem os coordenadores da pesquisa. Em 2011 quando fiz parte da tripulação do catamarã Itusca, entre Natal/RN e Trinidad e Tobago, fiquei encantado enquanto navegávamos ao largo da foz do Amazonas, na distância de pouco mais de 200 milhas da costa, com a coloração da água que anunciava o fenomenal raio de ação do grande rio brasileiro e a quantidade enorme de cardumes que por ali nadavam. Vamos aguardar os estudos do Greenpeace e esperemos que não venha carregado com floreios alarmistas. Fonte: Brasil Mergulho    

Sabe de uma coisa?

6 Junho (274)

Na página desse Diário que teve o título, O Grande Mar V, falei da situação de abandono que se encontram os rios brasileiros, que só em lembrar me deixa estarrecido. Escrevi o texto, que segue essa introdução, enquanto o Avoante navegava devagarinho as águas do Rio Paraguaçu e meus olhos procuravam vestígios de algum píer público. Não me queiram mal, porque foram palavras saídas do fundo do coração e que muitos podem até achar que são levianas.

Eu e todo navegante somos culpados, porque ficamos calados e inertes diante do descaso. Fazemos parte, junto às populações envolvidas, dos que seriam beneficiados e não estamos nem ai, pois fazemos de conta que não temos nada com isso. Um píer em boas condições de uso representa melhorias, atrai turismo, investimentos e desenvolvimento. Sem o píer todos perdem. É difícil entender isso? Acho que não!

Navegantes, clubes náuticos e população precisam levantar essa bandeira e partir para a luta. Cobrar ações, apresentar denuncias, mostrar para as pessoas o que elas estão perdendo, o quanto às cidades e povoados estão perdendo.

Sempre falei que o Brasil vive de costa para suas águas. Temos um litoral quase sem fim e dotado de infinita beleza. Do mar, o brasileiro curte apenas as praias e, assim mesmo, em dia de Sol. Dos rios, nem isso, pois nem conseguimos mantê-los limpos e despoluídos.

Temos um dos maiores e mais desejados rio do mundo, o Amazonas, e não sabemos e nem podemos aproveitá-lo livremente para a navegação amadora. Não existe apoio para isso, não existe segurança, não existem roteiros e nem guias náuticos confiáveis. Muito menos o interesse de alguma alma boa para fazer isso acontecer. Hoje navegando no baiano Paraguaçu, fico com esse grito preso na garganta. Quanto desperdício! Quanto descaso com a coisa pública! Quanta falta de visão das autoridades!

A Bahia tem sua história intrinsecamente ligada ao mar e das águas surgiram grandes personagens de sua história, navegando em belos saveiros e canoas de tronco. Tudo isso está sendo jogado no lixo como se não fosse nada. Como se não representasse nada. Parece até que querem apagar a história de um povo. O que é isso gente?

Não se comete uma desfeita sem que se pague um preço por ela. A história é inclemente com os malfeitores e usurpadores dos bens públicos. Como é também com quem se cala, se ajoelha, se acovarda e aplaude o descaso alheio.

O Paraguaçu ainda está vivo, porém, entristecido e com um jeitão de um velho abandonado. Não se abandona um velho a própria sorte, porque isso é um crime irreparável. O que vamos dizer as gerações futuras? Será que vamos deixar apenas que os livros contém como era? Que velhas e desbotadas fotografias denunciem o que deixamos para trás? Culpar a quem se os culpados somos nós mesmos.

Aqueles que têm a felicidade de viajar pelo velho continente, pelos EUA ou algum país que valoriza rios e mares, retornam contando maravilhas do que viram por lá. A França com seus canais sendo navegados por confortáveis embarcações. A Espanha com suas belas marinas e portos modernosos. A Croácia com suas águas cristalinas e apetitosas. Os EUA com sua instigante intracoastal waterway. A Turquia, a Grécia, Portugal, Itália, o Mediterrâneo. Tudo lindo, tudo preservado e acenando para o turista. No Brasil temos tudo isso embaixo de nosso nariz e viramos o rosto, porque não queremos cobrar, não sabemos exigir, não queremos enxergar.

Ficamos boquiabertos diante das manchetes dos jornais, quando estes flagram o descaso, a poluição, a destruição dos rios, a corrupção desvairada e no segundo seguinte, esquecemos tudo, pois ficamos conformamos, achando que sempre foi assim e assim será para o sempre.

Nós navegadores desse Brasil imenso, perdemos tempo em debater os últimos lançamentos da indústria eletrônica. Desperdiçamos sonhos em busca de barcos maiores. Confabulamos em intermináveis, e sem futuro, bate papos sob os palhoções dos clubes. Digladiamo-nos para alcançar o poder dentro das associações náuticas e esquecemos o que realmente precisamos. Será que perdemos o norte, ou será que a navegação pura e simples não é a nossa praia?

É com tristeza que olho hoje para as águas do velho Paraguaçu e vejo nelas o reflexo de todos os rios brasileiros. Todos mal amados e esquecidos. Todos precisando de apenas um afago para sair da lama em que se encontram metidos.

Somos todos culpados! Infelizmente!

Nelson Mattos Filho/Velejador

De Natal a Trinidad – IV

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Assim como outras coisas na vida, uma primeira travessia oceânica a gente nunca esquece, ainda mais quando essa travessia é feita em condições bem favoráveis. Não posso dizer que o vento ajudou, pois ele insistiu em provar que nem sempre o que se diz é o que precisa ser. Mas, ele estava tão bem comportado e o mar numa astral tão elevado que não tínhamos o direito de reclamar de nada.

Até o poderoso Rio Amazonas não nos deixou esquecer a importância de suas águas para o ecossistema do Oceano Atlântico, mas não se incomodou com a nossa velejada. Por muitas e muitas milhas víamos espalhados no mar a sua presença e os cheiros da longínqua floresta verde de vida. O Brasil foi se tornando mais uma linha invisível que em breve ultrapassaríamos e essa linha, era representada apenas por um ponto numa telinha de cristal. Continuar lendo