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Minha primeira noite em mar aberto

IMG-20180222-WA0070A palavra hoje está com o velejador Anselmo Pereira, comandante em chefe do veleiro Solaris, contando um pouquinho – e deixando em mim uma imensa saudade – do que foi sua primeira navegada em mar aberto, nas águas abençoadas pelo Senhor do Bonfim, a bordo do veleiro Pappi. Vamos embarcar nessa aventura!

Nosso amigo, comandante Jorjão, veterano velejador, nos convidou a participar da regata Salvador/Ilhéus. Não nos sobrou muito tempo para os preparos, devido a semana muito corrida que tivemos, resolvendo alguns dos problemas no barco, mas aceitamos de imediato.

Sexta feira, 2 de fevereiro de 2018, a ansiedade transborda, para mim, uma experiência única, além de uma excelente aula prática. São quase sete horas da manhã, dia ensolarado a cara do verão da Bahia. Saímos de casa bem cedo, demos uma passada no mercadinho da ilha, para complementar umas coisas de cozinha. Chegamos ao Aratu Iate clube, antes das sete horas, o comandante Ferreira, já estava a bordo do seu veleiro PAPPI, um Delta 36. Eu e Sandra éramos seus convidados e sua tripulação.

Como de costume, fizemos as verificações dos equipamentos de navegação, maré, vento, cartas, condições meteorológicas e mantimentos. Nossa travessia era estimada em um dia, e uma noite até o destino. No retorno não tínhamos data preestabelecida, passaríamos alguns dias em Camamu, em Canavieirinhas, Morro de São Paulo, e arredores, os locais mais cobiçados da costa sul da Bahia.

Velas içadas, 07h20min saímos do Aratu com destino ao porto da barra. O mar estava calmo como uma lagoa, os barcos ainda dormiam imóveis agarrados as suas poitas e vagas, o silencio só era quebrado pelo barulho no nosso motor, e um bando de garças que passavam sobre os veleiros grasnando. As águas verdes esmeralda e cristalinas, o vento era apenas uma leve brisa fresca. Após atravessarmos o canal de Cotegipe deixando para trás, os gigantes navios atracados aos terminais, seguimos com a proa na barra. O grande espelho de água refletia a imagem dos morros dos subúrbios a nosso bombordo. Após cerca de três horas de navegação, chegamos ao ponto de partida, em frente ao Iate Clube da Bahia, próximo do farol da Barra, ali seria dada a largada. Após a chegada de todos, e informações necessárias, exatamente às 11h20minh foi dada a largada. Todos se apressaram em alinhar a proa, de acordo a sua rota e estratégia.

Coração a mil, avançamos em direção ao mar aberto, aos poucos, as águas mudam de volume e cor, mais intensas e intimidadoras. O vento aumentou a intensidade, tal qual a euforia da tripulação. Depois de muitos ajustes e reajustes nas velas, nos concentramos na rota. À medida que às horas passavam e nos afastávamos da costa, ficávamos mais rápidos. O moral da tripulação estava alto e animado com a aventura.

A cada instante que olhávamos para a cidade, era como se estivéssemos nos apegando ao último pedacinho de terra, sabíamos que em breve desapareceria completamente. Após umas cinco horas navegadas, olhei nostalgicamente para trás na esperança de ver algo entre as ondas, porém o que vi foi apenas um pontinho que aparecia e desaparecia no horizonte líquido. Agora em nossa volta, as águas do oceano, eram de um azul impressionante. Daí em diante começamos a relaxar e passamos a desfrutar da maravilhosa e suntuosa paisagem marítima. Os nossos concorrentes espalharam-se como patos na lagoa, cada um seguia para uma posição tentando ficar a frente. Para mim, participar já era bom, ganhar seria o máximo, mas, apesar do desejo, tinha consciência do degrau que aquela experiência me proporcionaria. O tempo passa como um filme em câmera lenta, o mar ficou maior, suas ondas se transformaram em gigantes azuis. Diante da majestosa força, me dei conta da nossa pequenez. O oceano é fascinante, mas, provoca certo frio na barriga. O valente PAPPI demonstra que é realmente um valoroso marinheiro, sua proa cortava as ondas como uma navalha, deixando para trás, uma trilha de espumas brancas sobre o profundo azul. Naquele momento, a confiança se torna um laço estreito entre o barco e sua tripulação. Antes do anoitecer, já no finalzinho da tarde, fomos premiados, uma família de golfinhos nos acompanhou durante um bom tempo, vieram nos dar as boas vindas. Tão rápido como apareceram, desapareceram na imensidão, e assim a noite abraçou o PAPPI, e sua audaz tripulação.

As tripulações eram compostas por três membros. No PAPPI, comandante Ferreira, eu e Sandra. No NABOA, comandante Jorjão, Kathia e Bené. As tripulantes femininas, além de nos ajudarem bastante em outras tarefas, nos proporcionaram saborear deliciosos pratos. Por exemplo, não sabemos como Sandra consegue fazer café, mesmo com veleiro em movimento ou adernado, certamente elas são marinizadas.

À noite a paisagem ficou surreal, céu e mar se confundem, dando a impressão que flutuávamos sobre as estrelas. Já navegávamos a cerca de dez horas. Na escuridão, tudo que enxergávamos eram as luzes de navegação dos outros barcos. O frio apertou, coloquei meu blusão, e assumi o comando dando um merecido descanso ao capitão Ferreira, muito embora, ele não arredasse o pé do cockpit nem por um segundo. Um verdadeiro Comandante! Por volta das 4 horas da madrugada, o mar se agitou um pouco, passamos pela retaguarda de uma pancada de chuva, mas foi muito rápido e o PAPI seguiu estável e incólume. Cerca das 04h30minh da matina, o dia se manifestava através da tênue luz solar. Nesse momento o vento simplesmente evadiu-se. O barco parou, são mil emoções. Tentamos diversas manobras possíveis, mas não conseguimos avançar… Será que o vento ficou chateado com alguma coisa? Literalmente ficamos à deriva. Já navegávamos por mais de dezessete horas, e os sinais da juventude acumulada já se manifestavam. A situação ficou bastante desagradável, e de certa forma um pouco arriscada. A agitação e os balanços desencontrados das ondas jogavam violentamente a retranca do mastro de um lado para outro.

Após cessarem todas as tentativas, chegamos ao nosso limite e precisávamos de uma saída, e a única alternativa naquele momento, seria ligar o motor, ou ficar, não se sabe por quanto tempo naquela situação. Em consenso com a tripulação, o comandante tomou a decisão: Ligar o motor e seguir em frente. Após uma hora navegando o cretino vento retornou, mas, já havíamos decidido. Com o motor ligado, cruzamos a comissão de regatas, e consequentemente fomos desclassificados como previsto, porém, com nossa honra intacta.

Ancorados e relaxados, mais tarde fomos recebidos pelos membros do Iate Clube de Ilhéus, onde saborearam uma bela feijoada, ao sabor de umas geladas, assistimos a entrega dos troféus aos vencedores. Entre eles, em primeiro lugar na sua categoria, como não poderia deixar de ser, o NABOA. Ao final das comemorações, o capitão Ferreira foi chamado pelos organizadores e lhe foi conferido o troféu honestidade. Ficamos felizes e cheirando as nuvens.

Após uma rápida visita a cidade, retornamos ao aconchego do PAPPI, e dormimos como anjos. Mas, nem tudo são flores… O dia ainda não havia amanhecido, acordamos sob uma tremenda borrasca, os sacolejos das agitadas águas do porto, quase me jogaram no assoalho. Firme e forte, o nosso otimista comandante Ferreira e seu guerreiro PAPPI, saímos em direção ao mar aberto, seguindo o NABOA. O comandante Ferreira, além de ser ponderado, tem uma característica que lhe é peculiar… Otimismo, isso mesmo, pra ele uma borrasca é uma garoa, uma ventania é uma brisa, ou seja, não tem tempo ruim. O comandante Jorjão possui outra característica também peculiar… Habilidade e conhecimento. Navegando em mar aberto, ou em rasos e estreitos canais, seu Delta 36, se torna uma extensão do seu corpo, é impressionante. Assim ambos provaram que, quem é do mar não enjoa. Assim, partimos para mais aventuras.

Anselmo Pereira 

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Recorde na regata Transat Jacques Vabre 2017

imagesVapt-vupt, foi assim a velejada dessa ferinha, que aparece na imagem, entre Le Havre, região francesa da Alta Normandia, e a baianíssima Salvador, terra abençoada pelo Senhor do Bonfim. O trimarã de 100 pés, comandando pelos franceses Thomas Coville e Jean-Luc Nelias, cruzou o Atlântico como uma bala e gastou 7 dias, beirando o oitavo, e atracou, nesta segunda-feira, 13/11, cheio de vontade de se lambuzar de dendê no píer do Terminal Náutico da Bahia, e foi o primeiro participante da regata Transat Jacques Vabre 2017 a cruzar a linha de chegada e com isso ostenta orgulhoso a faixa de Fita Azul no alto do mastro. Fita Azul, no iatismo, é o primeiro barco a cruzar a linha de chegada, independente do tamanho, classe ou vontade dos concorrentes. O trimarã da Sodebo foi seguido de perto por outro trimarã voador, mas este, entre um contrapé e outro, cruzou a linha duas horas depois. As duas feras conseguiram baixar o recorde da prova em três dias. Danou-se! Agora as duas tripulações ligeiras, vão se aboletar diante de um tabuleiro de acarajé para esperar pacientemente pelos concorrentes que cortam água por aí, entre eles o barco brasileiro Mussulo 40, que compete na Class 40. O Mussulo 40, comandado pelos competentes Leonardo Chicourel, baiano arretado, e José Guilherme Caldas, teve alguns problemas e aparece, por enquanto, na 13ª posição, em sua classe. A Transat Jacques Vabre é uma das mais tradicionais provas do iatismo mundial e nessa edição retorna a Bahia, onde aportou em tempos idos. Fonte: Coluna do Murilo 

O fim de semana será de festa em Angra dos Reis

Bracuhy-divulgação

O mar de Angra dos Reis estará em festa neste final de semana, 24 a 26/03, com a realização da 1ª Regata JL Marina Bracuhy e que deverá contar com mais de 70 barcos na linha de largada. A FARVO – Flotilha de Angra dos Reis de Veleiros de Oceano, anuncia que a prova faz parte do calendário de regatas de Angra. Fonte: Almanáutica

XXVIII REFENO. É amanha!

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É amanhã, sábado, 24/09, precisamente às 11 horas da manhã, a largada da XXVIII REFENO, Regata Recife/Fernando de Noronha, e quem quiser acompanhar ao vivo, basta se adiantar e marcar presença na Praça do Marco Zero, Centro do Recife, logo cedinho, porque as largadas da Refeno sempre viram festa e o povo comparece em grande número. Como foi dito aqui anteriormente, a previsão é de uma prova em mar de almirante e vento Leste/Sueste, em torno dos 15 nós de velocidade. O quadro acima, copiado do CPTEC/INPE, mostra como serão as condições da ancoragem na ilha maravilha, mar azul, vento gostoso e tomara que os golfinhos de Noronha marquem presença no Porto do Santo Antônio, passeando entre os barcos para conhecer a flotilha. Vale lembrar aos tripulantes mais afoitos, que é terminantemente proibido ficar na água quando aparecem golfinhos e aqueles que insistem, podem se meter em sérias complicações com os órgãos ambientais. 

O recorde da Refeno

O programa Bahia Náutica, exibido por uma emissora de televisão da Bahia e apresentado pelo jornalista e velejador Denis Peres, foi durante muitos anos uma referência para a náutica baiana, mas estendia seus tentáculos pelo mares do Brasil, até sair do ar por volta de 2009. Boas entrevistas e uma excelente e diversificada pauta de assuntos ligados ao mar, davam uma excelente audiência ao programa. Digo isso porque certa vez fomos entrevistados e não era raro sermos reconhecidos nas ruas de Salvador como o casal da entrevista. A edição da Refeno de 2007, Regata Recife/Fernando de Noronha, teve seu recorde cravado pelo catamarã baiano Adrenalina Pura, com 14h 34 min 54s, e média de velocidade, 20,4 nós, que perdura até hoje, 09/09/2016, e o programa Bahia Náutica registrou tudo. A próxima edição da Refeno larga dia 24 de setembro do Marco Zero, no Porto do Recife, e quem sabe não surja daí um novo recordista. Fonte do vídeo: Youtube

10º Regata dos Pescadores da praia de Enxu Queimado

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A praia de Enxu Queimado, litoral norte do Rio Grande do Norte, estará em festa no próximo final de semana, 13 e 14/08, com a 10º REGATA DE PESCADORES, uma promoção de Pedrinho de Nenê Correia. É uma prova bem disputada, animada, descontraída e todo esse clima se espalha nas areias da praia com shows de bandas da região. O momento mais esperado e divertido da premiação e a volta no burro – Eles enfeitam um burro com tiaras de flores e latas velhas, para fazer barulho, colocam em cima o comandante que se destaca entre os piores, normalmente é aquele que deu a virada mais espetaculosa, e tangem o burrico para um passeio entre os espectadores. Gozação é que não falta! Quem tiver em Natal, ou aproveitando as praias do RN, e estiver a procura de um bom programa para o final de semana, taí uma boa opção. Enxu Queimado é uma das mais belas praias do litoral potiguar e se destaca por manter viva a tradição da pesca artesanal que lhe confere uma das maiores produção de lagosta do Estado. Enxu se localiza a 145 quilômetros da capital e é distrito do município de Pedra Grande. A regata tem apoio da Marinha do Brasil, através da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte. 

Regata Aratu Maragojipe

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Está chegando o dia da festa maior do Iatismo na Bahia! 47ª REGATA ARATU-MARAGOJIPE. Se você deseja participar, acho bom se adiantar. Informações adicionais veja no site: www.aratumaragojipe.com.br