Arquivo da tag: poesia

Quintanianas

9 Setembro (134)

O Auto Retrato

No retrato que me faço
– traço a traço –
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore…
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança…
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão…
e, desta lida, em que busco
– pouco a pouco –
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança…
Terminado por um louco!

Mario Quintana

Dos segredos do encantamento

6 Junho (35)

“…É preciso que se diga, contudo, que para se chegar ao desencanto há que se começar pelo encanto…”  Evelyne Maria de Barros Furtado, escritora potiguar

Lagoinha de poetas

5 Maio (96)

A LUA FOI AO CINEMA
A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.
Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!
Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.
A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
– Amanheça, por favor!

Paulo Leminski

Do reino dos poetas

9 Setembro (76)

“Não. Sonhar não é rezar no velório do passado. É rezar para que do ontem, não voltem seus fantasmas”  Francisco de Sales Felipe, poeta potiguar.

A poesia é livre

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Sinceramente não sei quem foi o feliz autor dessa imagem, mas faz um punhado de dias que ela habita meus arquivos e cada vez que a vejo, mais fico enfeitiçado pela magia e o carinho no olhar da bela senhora, porém, o que me deixa perdido em pensamentos é o dedinho entre os lábios.

Poetas do mundo

A canoa de Francisco Diniz

Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

“Navegar é preciso; viver não é preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase,

transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.

Só quero torná-la grande,

ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;

ainda que para isso tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue

o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir

para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa

Jangada

3 Março (63)

“…Quer sossegada na praia,
Quer nos abismos do mar,
Tu és, ó minha jangada,
A virgem do meu sonhar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?…”

Juvenal Galeno

O retrato, o poema e a poesia

2 Fevereiro (32)

“Perder um poema pode ser doloroso, angustiante, mas perder a poesia seria muito pior” Lívio Oliveira, escritor, no texto O poema perdido, publicado no jornal Tribuna do Norte

Sol de todo dia

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…Fim da tarde a terra cora/E a gente chora/Porque finda a tarde…” Canto do povo de um lugar, Caetano Veloso

Dona dos meus olhos é você…

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E Nando Reis canta assim: “…Pois meus olhos vidram ao te ver/São dois fãs, um par/Pus nos olhos vidros para poder/Melhor te enxergar/Luz dos olhos para anoitecer/É só você se afastar/Pinta os lábios para escrever/A sua boca em minha…”