Arquivo da tag: meteorologia

A previsão e a lavagem de São Pedro

20150514_152529

Se alguém quiser saber o quanto chove em alguma cidade litorânea do Brasil, basta comprar um barco! Há mais de um mês que São Pedro abriu as torneiras sobre o Recôncavo Baiano e nem parece que tenha intenção de fechar tão cedo. Ele deve ter entrado na onda das tradicionais lavagens, pois o que tem chovido nas terras do Senhor do Bonfim não é brincadeira. Desde do final de março que a chuva assumiu o posto de assunto mais comentado nas rodas de bate papo e quase sempre com narrações trágicas. Mais de 20 pessoas perderam a vida em deslizamentos de encostas e o número de desabrigados sobe a cada dia. É muita água concentrada em cima de Salvador! No começo dessa semana que começou ensolarada, segunda 11, os noticiários anunciaram que mais chuva estava por vir e que o final de semana seria de pauleira. A quinta-feira, 14, amanheceu com um pouco de sol e eu até me animei a ir até o Farol da Barra para visitar o Museu Náutico da Bahia que há tempos queria conhecer – sobre isso comentarei em outra postagem. Sai da marina Angra dos Veleiros no começo da tarde lembrando dos avisos meteorológicos, porém, apesar de um céu de cores estranhas embarquei no carro e fui ao museu. Pensei: – Acho que não chove hoje. Ao botar os pés no calçadão da Barra a cena que visualizei foi a que está registrada na foto ai em cima. Lucia perguntou: – Aquilo ali vem ou vai? Respondi: – Vem e vamos adiantar o passo se não vai nos pegar antes de chegar no abrigo. Chegamos e o aguaceiro despencou com rajadas de vento que chegava fácil aos 50 nós. Não tive como não dar graças a Deus por ter deixado o Avoante muito bem atracado no píer da marina lá na Ribeira. Era a chuva que havia sido anunciada e que chegou com um dia de atraso. Mas quem falou que previsão tem que ser exata? Pois bem, a chuva chegou desde ontem, 14, os ventos continuam azucrinado com rajadas de mais de 40 nós e a vida de quem mora a bordo, que é o nosso caso, fica mais a bordo ainda.

mapserv Pois bem, os satélites do Cptec/Inpe, continuam lá do espaço anunciado chuva no recôncavo e em boa parte do Brasil para os próximos dias. São os efeitos do fenômeno climático El Niño que anda fazendo estripulias por ai.

DJF_elMais uma vez recorri aos gráficos e imagens do site Cptec/Inpe para ilustrar a postagem e tentar mostrar esse individuo que mexe com o clima de meio mundo. Dizem que foram os pescadores da costa oeste da América do Sul que deram conta do El Niño. Em suas observações, e pescador é mesmo um povo observador e conversador, notaram no mar temperaturas mais altas do que as normais durante o final do ano – por isso a denominação de O Menino, em referencia ao Menino Jesus – e que isso alterava a produção do pescado. O site do Cptec diz assim: El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico Tropical, e que pode afetar o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, e afetando assim, os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias. Em novembro de 2014 falei sobre isso na postagem El Niño preguiçoso e hoje estou presenciando o que foi dito aqui.

mapserv (1)Bem, hoje é sexta-feira, 15, muita gente rindo a toa, fazendo planos para o final de semana e eu aqui, escrevendo esse texto enquanto a chuva tamborila o convés do Avoante e sem nem sinal que vai dar uma trégua. O mapa está ai na imagem do satélite mostrando o que está acontecendo com o tempo no planeta e a previsão para o nosso Brasil é essa:

Chuva deverá se intensificar no Recôncavo Baiano
Nesta sexta-feira (15/05) o dia será com períodos de chuva na região do Recôncavo Baiano, com chance de chuva intensa em alguns pontos. Muitas nuvens e pancadas de chuva do norte do AP ao norte do MA e do oeste do AM, ao AC, RO e noroeste e centro de MT.
Obs: Texto referente ao dia 15/05/2015-13h19

A Tempestade – Parte 19

6 Junho  (240)

– E a Tempestade que nunca acaba? Pois é amigos, há nove meses publiquei aqui a 18ª parte de A tempestade, escrita pelo velejador Michael Gruchalski, e de lá para cá venho recendo cobranças dos leitores que embarcaram no relato e estão ao deus dará em meio a um mar tempestuoso em frente a bela cidade de Aracaju/SE sem saber que rumo tomar. Depois de nove meses, eu já havia perdido as esperanças, o cronista resolveu pingar mais uma dose para aplacar a nossa angústia. Agora vamos rogar aos céus para que o autor consiga achar o caminho do Porto e atracar o veleiro em segurança. Achar o fio da meada dessa peleja é fácil: Basta ir em PESQUISAR NO BLOG e inserir o título A Tempestade. Está tudinho lá.  

A TEMPESTADE

PARTE 19. A BARRA DE ARACAJU II

Por: Michael Gruchalski

Não sei quanto tempo havia passado quando abri um olho, depois o outro. A cabine balançava ritmicamente, ouvi o motor trabalhando. Com certeza, estava num veleiro. Levei mais quatro segundos para entender como, onde e por que.

Não me mexi. De olhos estatelados, consciente da situação, pensei no motor. Nosso coração de ferro. Lembrei-me de um ensinamento de um velejador experiente que não perdia a oportunidade de dizer: “perca o mastro e as velas, perca a comida, os eletrônicos e as bombas, perca tudo, mas não perca o motor, eixo e hélice. O motor é a diferença entre chegar e chegar bem”.

Você nunca vai deixar de chegar a algum lugar enquanto estiver em cima de um casco bem feito porque o mar não o quer flutuando sobre ele a vida inteira. Sem motor, você terá muitos problemas para resolver, mas estará seguro do seu destino. Seu destino, não importa aonde, será algum ponto em terra firme, algum dia. Até lá, o maior problema vai ser o tempo, só isso. O tempo de atraso. Serão alguns dias se você tiver sorte, semanas ou meses, se tiver azar. Continuar lendo

Capital baiana em alerta máximo por causa das chuvas

20150427_093103br1 A capital baiana está literalmente debaixo de chuva desde a madrugada desta Segunda-Feira, 27/04, e novamente o caos toma conta das ruas. Alagamentos em vários pontos com carros abandonados, deslizamentos de barrancos, casas destruídas e as equipes de socorro já anunciam mortes, feridos e pessoas soterradas. Além desse cenário trágico, ainda chegam notícias de manifestações populares em alguns bairros e avenidas. Segundo as forças de segurança, muitas dessas manifestações são causadas por marginais que se aproveitam do caos para praticar arrastões e assaltos. Informações de ouvintes nas rádios dão conta que espertalhões montaram barricadas nas avenidas com o intuito de dar informações de como sair do alagamento. A coisa está feia e o governo estadual e municipal aconselha que as pessoas fiquem em casa.

mapservOs sites meteorológicos anunciam que as chuvas devem prosseguir durante todo o dia e se estenderão ao longo da semana.

27/04/2015:No leste da BA: muitas nuvens e chuva. No nordeste da região: variação de nuvens. No litoral sul da BA, e em SE: possibilidade de chuva. Nas demais áreas da região e litoral norte: variação de nuvens e pancadas de chuva localizadas. Temperatura estável. Temperatura máxima: 35°C no PI. Temperatura mínima: 19°C no interior da BA.
Tendência:No leste da BA: muitas nuvens e chuva. No nordeste da região: variação de nuvens. Nas demais áreas da região e litoral norte: variação de nuvens e pancadas de chuva localizadas. Temperatura estável.
CPTEC/INPE.

Salvador, uma cidade que pede atenção

20150409_130328

Salvador/BA desde ontem, 08/04, está literalmente debaixo de chuva. A pauleira começou na madrugada da Quarta-Feira, com um festival de raios, relâmpagos e trovões, e deixou muita gente de orelha em pé. A capital baiana sofre há uma semana com uma incrível falta de água, que afetou mais de 90 bairros, e que trouxe situações de pânico e desespero para a população. A causa foi o rompimento de uma adutora aliado a uma descabida falta de infraestrutura e planejamento governamental. Uma cidade grande como Salvador depender apenas de um cano de água… . Acho melhor parar por aqui e voltar a falar da chuva. Apenas para complementar a informação, é preciso dizer que, até a tarde dessa Quinta-Feira, 09/04, o abastecimento ainda não foi restabelecido por completo e até água mineral está em falta nas prateleiras.

IMG_0049IMG_0041IMG_0044A chuva castiga a cidade e em vários pontos podemos avistar desmoronamentos, quedas de barreiras, ruas alagadas, inundações de casas e no mar o passeio denunciante do lixo da má educação com o crivo da leniência das autoridades. Serviços básicos e aulas foram cancelados.  A travessia das lanchas de passageiros entre Salvador/Itaparica foi interrompida e apenas o sistema ferry boat funciona, mas com atenção redobrada. A cidade do Senhor do Bonfim está um caos!

IMG_0046

Da marina onde estamos, que também sofre com a falta de água nas torneiras e com a abundância de chuva, acompanhamos tudo com muita atenção, pois sabemos o quanto o excesso de chuva é prejudicial a capital fundada por Tomé de Sousa. Segundo os satélites do CPTEC/Inpe, muita chuva ainda está por vir. Vejamos o que diz a previsão meteorológica para todo o Brasil:

mapserv

Variação de nebulosidade com pancadas de chuva em grande parte do centro-norte do país.
Nesta quinta-feira (09/04) o dia será com chuva moderada e por vezes forte em parte do Recôncavo Baiano e faixa norte da região cacaueira da BA, inclusive com chance de descargas elétricas e vento com intensidade moderada, além de acumulados de chuva significativos. No oeste da BA, no MA, PI, TO, norte, centro e nordeste de GO, no DF, grande parte do MT, AC, RO, AM, PA e litoral do AP e em algumas áreas do CE haverá pancadas de chuva acompanhadas de descargas elétricas isoladas, principalmente entre o PI e o TO, GO, DF e MT. Uma massa de ar seco deixa o tempo com pouca nebulosidade do norte de SP ao RS. As temperaturas estarão baixas à tarde entre o Recôncavo Baiano, litoral sul e planalto sudoeste da BA.
Obs: Texto referente ao dia 09/04/2015-13h19

Vamos saber como fica o tempo?

IMG_0104

Eh, oficialmente o verão ainda manda no pedaço e vai perambular por ai até o dia 19 de Março, mas a natureza já azeita suas engrenagens e por mais que a estação do Sol se esforce, o bronzeado já não é mais o mesmo. Como bem mostra essa imagem do fundeadouro da Ilha de Itaparica, são as águas de março fechando o verão… . Depois de seis dias de raios, relâmpagos, trovões e muita chuva, os deuses resolveram aliviar o batuque sobre o mar da Bahia. Acho eu que eles ainda bricavam o Carnaval. Olhando o céu avistamos os reflexos prateados dos coriscos que rasgam as nuvens, numa demonstração clara que a fera acordou e está pronta para sair da jaula. Confesso que não levo muita fé nas águas do inverno 2015 e pressinto que o outono que esquenta as turbinas virá mais animado. Mas como não sou nenhum vidente e por demais palpiteiro nos assuntos meteorológicos, vou me socorrer com os homens do Cptec/Inpe que dizem assim:

mapserv

Nesta terça-feira (24/02) ocorrerá pancadas de chuva forte entre o norte do RS e SC e no sul, centro e oeste do PR, com chance de acumulados de chuva significativos e pontuais, além de descargas elétricas, rajadas de vento e possibilidade de queda de granizo isolado. No Nordeste deve chover forte entre o leste e litoral da PB em algumas áreas da mata norte de PE, e no sul do RN, além do litoral de SE. Entre o oeste da BA e o MA e o PI e TO haverá pancadas de chuva localmente forte. Entre o GO e o AM, deve chover forte e isolado com trovoadas isoladas. No Sudeste haverá possibilidade de pancadas de chuva forte no nordeste de SP, sudoeste, sul e sudeste de MG e sul do ES. O dia será com pouca nebulosidade do sul ao oeste do RS, no oeste de SP e em MS. As temperaturas estarão elevadas no Sudeste.
Obs: Texto referente ao dia 23/02/2015-17h32

El Niño preguiçoso?

EL NINOOlhando para o tempo esquisito e chuvoso da última semana em Salvador/BA, e que ainda persiste nesse Domingo, 23/11, lembrei de uma postagem no blog Popa.com.br, em que fala da possibilidade tardia do fenômeno El Niño. O artigo é do Blog MetSul e é assinada pelo Professor Eugenio Hackbart e lá está escrito assim:

Esta será a sexta semana consecutiva em que o Pacífico Central Equatorial apresenta anomalia de temperatura da superfície do mar (TSM) igual ou superior a +0,5ºC, ou seja em patamar de El Niño. Para que se caracterize um episódio de El Niño, entretanto, as anomalias de TSM devem seguir em +0,5ºC ou mais por várias semanas seguidas até atingir, ao menos, três meses, logo a condição oficialmente ainda é de neutralidade (ausência dos fenômenos La Niña e El Niño) neste momento.

A persistência agora do Pacífico Equatorial quente já por um mês e meio e ainda a tendência de manutenção do quadro sugerem a possibilidade de que nas próximas semanas possa ser oficializado um episódio de El Niño. O boletim de ontem do NOAA, o órgão de previsão climática do governo dos Estados Unidos, indicou probabilidade perto de 60% de que o verão nosso se dê com a presença do El Niño. O fenômeno, em regra, traz mais chuva para o Rio Grande do Sul, mas não é garantia por si só de verão chuvoso. O verão de 2005, por exemplo, ocorreu com El Niño e teve estiagem forte. Os clientes da MetSul recebem uma análise completa e detalhada sobre a situação do Pacífico, a sua evolução e quais as prováveis consequências.

A força dos ventos

IMG_0046

O velejador baiano Haroldo Quadros, incansável pesquisador e navegador das paragens internéticas, enviou algumas curiosidades sobre a força dos ventos sobre o planeta Terra e que são registradas como recordes nas páginas digitais da enciclopédia livre Wikipédia. Vejamos:

Acredita-se que cada um destes recordes seja um valor oficialmente medido por instrumentos meteorológicos dentro dos padrões da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Recordes de velocidade do vento

  • Maior velocidade registrada: 484±32 km/h, numa rajada de 3 segundos; observada por um radar Doppler, durante a passagem de um tornado próximo à cidade de Oklahoma, EUA, em 3 de maio de 1999.
  • Maior velocidade registrada com um anemômetro: 407 km/h, numa rajada de 3 segundos em Barrow Island, Austrália Ocidental, 10 de abril de 1996, durante o ciclone tropical Olivia.
  • Maior velocidade registrada por um anemômetro, fora de um ciclone tropical ou tornado: 372 km/h, na média de um minuto; Monte Washington, Nova Hampshire, EUA, 12 de abril de 1934.
  • Maior média de velocidade no período de 1 dia: 174 km/h, Port Martin (Terra Adélia), Antártida, entre 21 e 22 de março 1951.