Arquivo do mês: junho 2017

Sonhos

A canoa de Francisco Diniz

“Sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente.”

Chico Xavier

Sinais

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No rastro das nossas pegadas

Cartas de Enxu 19

1 Janeiro (110)

Enxu Queimado/RN, 22 de junho de 2017

Sabe meu amigo Monteiro, fico aqui nessa minha palhocinha entorpecido pela beleza dos coqueirais e com o vai e vem das jangadas e me pego a pensar nas civilizações desse planetinha azul, que a cada dia caminham mais trôpegas. Rapaz, o que danado estão querendo fazer com esse mundo? Os donos do mundo estão virados num traque, mais parece coisa feita de tinhoso. Ei, Monteiro, ainda bem que na sua Barrinha dos Marcos e nessa Enxu mais bela, os passos são outros, né não?

Powpow, hoje decidi que vou virar a página das notícias desalentadoras, mas já sei que será difícil escolher uma página que me dê guarida, pois estão quase todas dominadas de papagaiadas. Até os domínios do gringo sabido que só a peste, Mark Zuckerberg, degringolaram de vez e todo participante se acha o rei da cocada preta em tudo que é assunto. Gosto de uma charge, assinada por Leandro Franco, sobre uma entrevista para agência de emprego: “- Profissão? – Falador de merda no Facebook”. Pense numa profissão concorrida!

Meu amigo, como vão as noites sobre a Barrinha? Tem visto muitas estrelas? E as vaquinhas leiteiras? Ei, diga aí se o bastardo Duarte Coelho adentrasse hoje o Canal de Santa Cruz, para tentar a sorte novamente, como fez em 1535? Monteiro, acho que o portuga do Porto daria meia volta mais ligeiro do que depressa e nem bala pegava. Naquele tempo os índios eram bestas e trocavam terras, e outras coisas, por qualquer apito. Vai se meter a besta com os caciques de hoje! Os caras dão nó em pingo d’água e ainda querem um troquinho para esconder as pontas.

Monteiro, você sabia que tem umas histórias que contam que foi nas terras que cercam Enxu Queimado que esse Brasil foi descoberto? Pois é! O historiador Lenine Pinto bate o prego, vira a ponta e aposta todas as fichas que as Caravelas dos descobridores aportaram ao largo da Praia do Marco/RN e foi lá que uns marujos, que quiseram fazer maruagem com as indiazinhas, desembarcaram e foram literalmente comidos pela tribo inteira. Diz o historiador que o reboliço foi grande, sobrou sopapo para tudo quanto é lado e no final o comandante da flotilha, André Gonçalves, e o cosmógrafo Américo Vespúcio, chantaram um marco cravado com a Ordem de Cristo, as armas do rei de Portugal e cinco escudetes em aspas. Esse furdunço aconteceu em 1501 e a data de 07 de agosto foi escolhida para ser comemorado o aniversário de fundação do Rio Grande do Norte. Lucia, ao corrigir essa carta – pois ela lê tudo, inclusive olha aquelas imagens educativas que postam em nosso grupo “secreto” de WhatsApp -, vai dizer que já falei sobre isso várias vezes, mas o que me custa repetir, né não?

O que restou do antigo Marco, que passou a ser conhecido como Marco de Touros, hoje ornamenta um dos velhos salões do abandonado sem causa Forte dos Reis Magos, um ringue em que agora se digladiam egos e pavonices dos “homens de bem”. Sob as areias da Praia do Marco, restou uma réplica malcuidada e fragmentos de um conto mal contado.

Elder, mudando de assunto, hoje vi uma matéria falando que o Sol pode ser uma estrela gêmea do mal. Você já viu uma coisa dessa? Meu amigo, esses cientistas estão cada dia mais amalucados para mostrar serviço. Dizem que uma tal de Nêmesis, deusa grega da vingança, é a irmã gêmea do Astro-rei e que ela anda perdida pelo cosmo em um lugar desconhecido. Os cientistas acreditam que é por causa das maldades de Nêmesis que recebemos tantos bombardeios de asteroides, inclusive o que varreu da face da Terra os dinossauros. Ora, se não fosse ela com certeza seria nós a acabar com os lagartos gigantes. Vou esperar o que vai dizer o meu amigo José Dias do Nascimento Junior, pois o cabra é bom nos assuntos estelares.

Li também que existe uma centena de planetas igualzinho ao nosso e que uns 10 poderiam ter a mesma condição de vida oferecida pela Terra. Taí uma coisa que eu queria ver! Homem, você já pensou dez planetas com as mesmas manias, os mesmos cacoetes, as mesmas marmotas. Tem para onde escapar não, meu irmão, estamos ferrados! É melhor ficar por aqui mesmo, pois já estamos acostumados, a cerveja é gelada, a cachaça é boa e as amizades são arretadas.

Elder Monteiro, powpow, o homem do Baca, estamos com saudades, meu amigo. Saudade dos momentos de pura descontração. Saudade das boas risadas ao ouvir os fuxicos travados entre você e Lucia. Saudade de jogar conversa fora e rir de nós mesmos. Venha aqui meu amigo, pois essa Enxu é boa que só a Barrinha. Deixo um beijão para Dulcinha, a sereia pernambucana que roubou seu coração.

Um cheiro!

Nelson Mattos Filho

Reflexões

 

04 - abril (77)

 

O SILÊNCIO

Onde quer que você esteja, seja a alma deste
lugar…

Discutir não alimenta.   

Reclamar não resolve.   

Revolta não auxilia.

Desespero não ilumina.

Tristeza não leva a nada.

Lágrima não substitui suor.

Irritação intoxica.

Deserção agrava.

Calúnia responde sempre com o pior.

Para todos os males, só existe um medicamento de eficiência comprovada.

Continuar na paz, compreendendo, ajudando, aguardando o concurso sábio do Tempo, na certeza de que o que não for bom para os outros não será bom para nós…

Pessoas feridas ferem pessoas.

Pessoas curadas curam pessoas.

Pessoas amadas amam pessoas.

Pessoas transformadas transformam pessoas.

Pessoas chatas chateiam pessoas.

Pessoas amarguradas amarguram pessoas.

Pessoas santificadas santificam pessoas.

Quem eu sou interfere diretamente naqueles que estão ao meu redor.

Acorde…

Se cubra de Gratidão, se encha de Amor e
recomece…

O que for benção para sua vida, Deus te entregará, e o que não for, ele te livrará!

Um dia bonito nem sempre é um dia de
sol…

Mas com certeza é um dia de Paz.

Chico Xavier

É assim

01 - Janeiro (11)

“A verdade é inconvertível, a malícia pode atacá-la, a ignorância pode zombar dela, mas no fim; lá está ela.”

Winston Churchill

De olho nas forças da natureza

mapservA meteorologia pela América do Sul e Caribe, como mostra a imagem do satélite, está instável  nesse último dia de Outono. Os caribenhos estão de orelha em pé com a chegada, nas próximas horas, de uma forte tempestade tropical, porém, as notícias esperançosas dos velejadores brasileiros, que navegam por lá, é que tudo ficará bem. anima_altura   No litoral do Brasil as ondas estão crescendo e devem alcançar, em alto mar, a marca dos 3 metros de altura, o que deve levar a Marinha emitir aviso de ressaca e mar grosso. No Sudeste a agitação está forte e pelo Nordeste moderada, situações que merecem atenção redobrada por parte do navegante.br1O gráfico da chuva mostra que o litoral e boa parte da região Norte terão chuvas no primeiro dia do Inverno, mas o sertão nordestino, que está clamando por uma chuvinha abençoada, a situação é crítica, pois as chuvas que tem caído não conseguem manter o chão molhado por mais de dois dias.

 

Acidente e recordações de uma Refeno

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A batida, ou barruada, entre um navio de guerra dos EUA e um cargueiro filipino, acidente acontecido no último sábado, 17/06, no mar do Japão, é no mínimo curioso. O acidente que resultou na morte de sete militares americanos, afogados nos compartimentos alagados do destróier, é um caso a se pensar e precisaria ser muito bem explicado, coisa que dificilmente será. Como pode uma embarcação que dizem ter poder de fogo para destruir uma cidade, equipada com o que existe de mais moderno em matéria de tralhas de navegação e segurança, bater com uma montanha de ferro carregada de container? Soberba? Ego nas alturas? Ou terá sido mesmo a famosa barbeiragem? Isso me fez lembrar um episódio hilário ocorrido durante uma Refeno, Regata Recife/Fernando de Noronha, em que uma frota americana, que seguia para uma das guerras do golfo, ficou em rumo de colisão com os veleiros da regata. O navio dos EUA, que comandava a frota, emitiu aviso pelo VHF para que os veleiros mantivessem afastados e não cruzassem o rumo. O velejador Guga, comandante do trimarã pernambucano Ave Rara, pegou o rádio e respondeu em cima da bucha: – Vocês que se afastem, pois estamos em nosso país e ponto final. Pronto, a flotilha da regata seguiu em frente e esse diálogo oceânico rendeu, e rende até hoje, boas rodadas de cerveja nas praias e bares da ilha maravilha.