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Pindorama, uma revista cheia de baianidade

PindoramaA 9ª edição da Revista Pindorama, publicação bem baiana e temperada com o mais delicioso azeite de dendê, já está circulando pelas ladeiras, vilas e bocas da Bahia, com as Raízes do Brasil como manchete de capa. A Pindorama é uma pintura de revista e a cada edição surpreende os leitores com diversificadas e excelentes matérias. – E sabe quem você encontra por lá, como perna de pau em um time de craques da escrita? – Sabe não? Pois é nós mesmo, com a coluna Diário do Avoante. Entre no site, ou pegue sua edição, gratuitamente em algum ponto de Salvador, e se assunte. Através do link http://www.youblisher.com/p/1533710-Revista-Pindorama-Ed-9 você lê a revista inteirinha.

Instigando o leitor – O resultado

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No mês de abril, na postagem Instigando o leitor, lancei um desafio para ver quem seriam os três maiores comentaristas do blog em 2015 e o Antônio Carpes, um gaúcho/potiguar arretado de bom e que fala que nem o homem da cobra, ganhou disparado. Prometi premiar os três primeiros com os produtos produzidos por Lucia a bordo do nosso Avoante e quem sabe pode ser até uma porção dos deliciosos acarajés que ela faz como ninguém, mas aí eles teriam que embarcar com a gente pelos encantos do mar da velha e boa Bahia de santos e orixás. Vamos ver!

Quem foram?

O seu artigo mais comentado em 2015 foi Resquícios de um grito

Os 5 comentadores mais ativos:

 

Visões e saudades diante das sombras

8 Agosto (163)

Texto publicado em 13/09/2015 na coluna dominical Diário do Avoante, no jornal Tribuna do Norte.

O que restou da luminosidade tremulava preguiçosamente em meio às sombras refletidas no silêncio das águas. Eram reflexos disformes de aparência fantasmagórica, mas que formavam um cenário tão belo e tranquilizador que desejei estar ali para sempre. Ao redor de mim zoava um silêncio assustador, uma áurea de paz entrecortada aqui e acolá por ecos embrutecidos de uma cidade que fervia em tentações, mas meus ouvidos escutavam apenas o silêncio.

Imagens de veleiros enuviadas pelas sombras da noite, que começava a cobrir o mundo, bailavam sobre as águas e entre os mastros das embarcações, alegres revoadas de pássaros tomavam o rumo dos ninhos. Era o final de mais um dia e eu estava ali, sozinho e mudo de espanto, presenciado o astro rei se retirar para o merecido descanso. O manto da noite se estendeu e fui despertado do meu transe crepuscular pela luz prateada de uma Lua contadora de histórias e lendas. Como é bela a natureza!

Aquele é o cenário de um mundo que poucos sabem existir e muitas vezes não me acho merecedor de estar vivendo tudo aquilo. Porém, é diante de paisagens assim que minha mente navega em infinitas reflexões e fico em estado de comunhão com os mistérios e segredos do universo.

É diante das sombras do lusco-fusco que me encontro com o meu eu e revivo com alegria os melhores e piores momentos da minha vida. Os melhores momentos me acariciam a alma e os piores me dão a certeza do bom aprendizado. Diante da luz que dança por trás das sombras, me vem à lembrança daqueles aos quais quero bem e desejo que eles estivessem ali ao meu lado.

As primeiras lembranças recaem sobre meus gurus, eternos professores e exemplo de vida que carrego estampado no coração: Nelson Mattos e Iracema – meus pais; Emídio Mattos e Cecília – tios mais amados. Meu Pai e meu Tio – assim mesmo com letra maiúscula – são habitantes do mundo lá de cima e todos os dias sinto o calor de suas presenças a orientar e proteger meus passos. Minha Mãe e minha Tia até hoje são conselheiras e fontes intermináveis de afagos.

Foi sentado solitário na proa do Avoante, observando aquela tarde de luz e sombras, em que o Sol se apresentou com uma roupagem mais linda impossível, que pedi vida longa, conforto, saúde e paz para Ceminha – minha Mãe – e Tia Cecília, que essa semana fazem aniversário.

Foi diante da revoada dos pássaros, em busca do ninho, que pedi a Deus que elas estejam ao meu lado por muitos e muitos anos. Foi diante das sombras que dançavam sobre as águas que pedi aos deuses do mar que me deem proteção para que elas nunca recebam notícias entristecidas.

Foi diante daquele Céu magnífico de pôr do sol que escutei o sussurro de duas vozes que jamais esqueci e nem esquecerei, que dizia assim: Fique em paz filho, seus desejos estão sendo atendidos. Olhei para os lados, agradeci e sorri. Ao longe soaram suaves acordes de um solo de trombone, marcado pela batida de um tantan.

Que vida é essa que me leva a sonhar acordado e me transforma em um louco escrevinhador de um mundo que muitos acham irreal? Que vida é essa que me faz navegar errante pelos mares em busca de viver um sonho colorido? Quantos oceanos terei que navegar para decifrar as entrelinhas existente entre o real e o sonho?

Desde que embarquei no Avoante, e decidi entregar ao mar todas as minhas certezas, o espaço existente entre o real e o irreal se tornou uma bolha de incríveis e inimagináveis transformações. Procuro retirar das espumas de sal e do vento pequeninas lasquinhas de conhecimentos que tragam subsídios para nortear minha proa.

Se isso é loucura, é loucura boa e falar sobre ela me deixa lúcido.

Não tenho o dom da palavra e muito menos da escrita, mas insisto em escrever, para que fique registrada em algum lugar do tempo minha experiência de vida a bordo de um veleirinho de oceano e essa sirva de mote para outros que desejarem um dia viverem a loucura.

As sombras balançantes do lusco-fusco de um pôr do sol me fizeram escutar sussurros de dois anjos da guarda de minha vida e me fizeram escrever com as tintas que restaram da luz essa, talvez indecifrável, homenagem às duas pilastras da minha formação. As lágrimas que escorrem em minha face nesse momento denunciam o amor e carinho que sinto por elas. Se isso é loucura, lucidez, real, irreal ou sonho, apenas eu, o mar é os elementos da natureza saberemos a verdade.

Parabéns minha Mãe, parabéns minha Tia.

Um grande beijo!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Está quase saindo do forno.

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Demorou um pouquinho além da conta, mas nunca podemos esquecer que “veleiro vai devagar”. Aguardem apenas mais um tiquinho.

Viva! Atingimos 250 mil acessos.

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Quando fui instigado pelo amigo Afonso Melo a criar o blog do Avoante, esquivei-me o que pude. Não me sentia preparado e nem me achava com tempo suficiente disponível para me dedicar a um blog, coisa que realmente é muito trabalhoso. O objetivo proposto pelo Afonso era mais um canal para publicar os textos que assino todos os Domingos pelo Jornal Tribuna do Norte, na coluna Diário do Avoante. Numa tarde de bate papo nas varandas do Iate Clube do Natal, ele me pegou pelo braço e disse: “Hoje vamos criar o blog do Avoante”. E assim foi feito! O objetivo inicial se multiplicou e logo de cara vi que fazer a atualização apenas uma vez por semana e apenas com os meus textos do jornal, não corresponderia aos meus anseios e muito menos dos leitores. Sempre achei que um site, um blog ou seja lá o que for, tem que ter atualizações diárias para ser interessante, mas isso requer tempo, vontade, ética, ideias, notícias, pesquisa, tato apurado com o mundo das letras e principalmente acesso a internet 24 horas, coisa que até aquele momento eu não tinha a bordo do Avoante. No primeiro mês, Janeiro de 2010, fiz trinta e uma postagens, gerando uma média de 23 acessos diários. Pode ser que muitos achem isso um fiasco e que nem merece comemoração, mas saibam que para mim e Lucia isso foi uma grande vitória. No mês seguinte a média subiu 14 pontos e assim o Diário do Avoante foi sendo lapidado e tomando a forma que eu sempre imaginei. Certa vez, após noticiar uma mudança que iria acontecer no canal de acesso ao Porto de Natal e que por isso foi criado uma grande celeuma, coisa que nem de longe eu havia imaginado, mas os fatos e as decisões até hoje ainda me dão razão e crédito, um certo senhor, depois de ser informado da notícia, disparou na mesa em que eu estava sem nem olhar nos meus olhos: “Essa notícia não tem nenhum crédito e nenhuma repercussão. Deve ter sido publicado por algum bloguesinho de fofocas sem nenhum leitor e sem nenhum futuro”. Olhei para ele e respondi: “Fui eu que publiquei”. Ele sem pestanejar treplicou: “Pois é!”. Naquele dia confesso que quase não consegui dormir com o eco daquelas palavras, pois o Diário do Avoante não era um blog de fofocas e sim um blog verdadeiro de coisas verdadeiras e eu e Lucia sempre agimos com honestidade. Mas o dia amanheceu e a vida continuou bela como ela é. Hoje três anos e oito meses depois do primeiro post tenho a grande alegria de anunciar e festejar o número de 250 mil acessos, sem nenhuma fofoca, muita informação e a cada dia fazendo novos amigos. Se é muito ou se é pouco isso não faz a menor diferença, pois o que importa para mim e Lucia é saber que estamos levando a cada dia até vocês um pouco de nossa atenção, carinho e tentando mostrar que a vida tem outros modos de ser vivido. Muito obrigado é o mínimo que temos a dizer.   

Velejando longe dos círculos

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Nada melhor do que ultrapassar os horizontes que criamos em nossa mente. Fazemos parte hoje de uma geração que cultua o esplendor das novas tecnologias, mas o simples ato de esticar a perna para saltar um obstáculo já nos faz agir como os homens das cavernas, que sem entenderem o que se passava lá fora, ficavam olhando abismados o avanço, pé ante pé, daqueles que ousavam botar a cabeça fora da toca.

Caminhar em círculos ou fazer a mesma coisa durante anos é da natureza mais comum dos humanos. Como também seguir pelos mesmos caminhos da maioria. Aquela velha máxima que diz: “Se der certo para um tem que dar certo para todos”, é de uma bobagem tão descarada que ela é dita da forma mais banal possível. Somos mestres em discursar normas, teorias e ditados dos outros, pois é bem melhor assim do que ser obrigado a pensar e refletir sobre um assunto qualquer. Basta ver o que acontece com a política e nossos políticos. Uma descaração pura!

Brincamos de forjar perfis falsos para nós mesmos e aplaudimos de pé os domadores da auto ajuda. Acolhemos com uma indisfarçada falsidade os conselhos dos amigos e veneramos sem pestanejar os criadores de mitos, que nem eles mesmos acreditam. Aplaudimos a lógica barata do tenho dito e viramos as costas para a beleza da criatividade ilógica dos loucos. Ensurdecemos diante dos segredos sussurrantes e verdadeiros da natureza e teimamos em escutar as absurdas e medonhas razões dos velhos e novos profetas. Continuar lendo

Aguardem! Vem aí o Livro Diário do Avoante

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Diz o ditado que uma das grandes realizações do homem é quando escreve um livro, não que me ache menos realizado pelas coisas que já fiz, inclusive viver a vida a bordo de um veleiro de oceano, coisa que muitos sonham e infelizmente não conseguem. Tenho dito que todas as pessoas tinham que viver pelos menos uma fração mínima da vida a bordo de um veleiro, pois, com certeza, teríamos um mundo mais humano, ético e leal. Mas vamos lá, assinei o contrato com a Editora Caravelas, de José Correia, para a primeira edição do livro Diário do Avoante, uma coletânea entre os 100 primeiros artigos que escrevo semanalmente, aos Domingo, para o Jornal Tribuna do Norte. Em breve postarei aqui a data, hora e local do lançamento, mas para isso, damos inicio, desde já, a contagem regressiva. Aguardem!!!!