Arquivo do mês: dezembro 2015

Obrigado mar

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Obrigado mar, por nos proporcionar dias maravilhosos, por nos embalar com tanto carinho, por acalentar tão bem o nosso veleirinho, por tantas e boas velejadas, por nos ter trazido tantos e bons amigos e tantas e boas lembranças. Obrigado mar pelos momentos de aprendizado e por nos fazer reconhecer sua força e respeitar sua grandeza. Obrigado mar por nos permitir navegar sobre você e nos deixar passar sempre que precisamos. Obrigado mar e nos permita humildemente pedir para que continue nos recebendo nos próximos 365 dias. 

Um charter em família

20151227_165048Cada charter que fazemos tem um sabor especial, mas o último que fizemos em 2015, teve o tempero de alegre e feliz renovação para o mundo da vela, porque recebemos a bordo o casal Bruno e Patrícia, na companhia dos filhos Yash, 12, e Arthur, 3 anos, que adoraram tudo que viveram e desembarcaram prometendo voltar o mais breve possível. Bruno que é velejador em Natal e faz parte da flotilha Velanatal, sonha em um dia adquirir um veleiro de oceano, embarcar a família e sair por aí dando bordos pelos horizontes navegáveis dos sete mares. Segundo ele, a vinda ao Avoante foi um teste para a realização do objetivo e pelo que viram e viveram não existem mais dúvidas quanto ao que pretendem.

20151227_17494120151227_16502620151228_163939Foram quatros dias de velejadas pelas belezas da Ilha de Itaparica e os gostosos fundeadouros do Canal Interno de Itaparica, desfrutando toda uma vida de cruzeirista e convivendo com outros velejadores que dividiram com a gente a ancoragem, entre eles o casal Fernando e Erica, veleiro Ati Ati, e Sampaio, escuna Morena, que não se resguardaram em repassar todos os segredos da vida a bordo.

20151228_14332120151227_16534720151227_180955Mais uma vez Lucia mandou ver nas receitas e presenteou a família com um festival de sabores que foi de Conchiglione recheado com Chumbinho (Vôngole) ao molho de tomate; Moqueca de Robalo com Banana acompanhada de salada de Aratu e deliciosos cafés de fins de tarde diante de paisagens fascinantes.

 IMG_0208IMG_0213IMG_022420151225_163400As crianças adoraram a experiência e o casal desembarcou encantado e com o gostinho de quero mais.

IMG_0223Desejamos bons ventos ao Bruno, Patrícia, Yash e Arthur, e que o Senhor do Bonfim os abençoe.

Instigando o leitor – O resultado

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No mês de abril, na postagem Instigando o leitor, lancei um desafio para ver quem seriam os três maiores comentaristas do blog em 2015 e o Antônio Carpes, um gaúcho/potiguar arretado de bom e que fala que nem o homem da cobra, ganhou disparado. Prometi premiar os três primeiros com os produtos produzidos por Lucia a bordo do nosso Avoante e quem sabe pode ser até uma porção dos deliciosos acarajés que ela faz como ninguém, mas aí eles teriam que embarcar com a gente pelos encantos do mar da velha e boa Bahia de santos e orixás. Vamos ver!

Quem foram?

O seu artigo mais comentado em 2015 foi Resquícios de um grito

Os 5 comentadores mais ativos:

 

Os números do Diário do Avoante em 2015

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 140.000 vezes em 2015. Se fosse o Louvre, eram precisos 6 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Visões em uma noite de dezembro

7 Julho (186)

Nesses dias de luz, renovação e esperança que antecedem o Natal, fico aqui em meu cantinho no cockpit a refletir sobre o cotidiano desses tempos modernosos e me pego navegando em mares que me aguçam os sentidos.

Estamos ancorados ao lado de uma ilhota baiana e cobertos pelo manto negro da noite escura. Ao longe, luzes adormecidas acalentam o sono de uma pequena comunidade praieira e nada mais, a não ser o silêncio ensurdecedor que de vez em quando é quebrado pelo marulhar dos peixes saltando próximo ao casco do Avoante. Como é gostoso ouvir o silêncio e observar as sombras enfeitiçadas que dançam no imenso palco noturno.

O que faria Jesus nos dias de hoje? Será que nasceria em uma acanhada e tosca manjedoura ou sob os cuidados de uma excelente equipe de médicos famosos? Qual estrela anunciaria seu nascimento e quem seriam os três magos que caminhariam ao seu encontro? Existiria lista de presentes em alguma loja afamada? E os burrinhos, as ovelhas, os carneirinhos e os outros bichos que cercavam a acanhada manjedoura, será que fariam parte da nova cena? Qual crença ficaria com os direitos autorais de seu nascimento? Os sacerdotes usariam mantos puídos e empoeirados ou vestiriam belos e vistosos ternos ornamentados com gravatas coloridas. E o batismo? Seria em algum templo monumental e sagrado ou seria em algum riozinho qualquer que ganharia fama imediata, apesar da poluição infernal das águas que corroem os rios desse novo mundo tão bisonho.

Diante de tantas indagações me socorri da escuridão e do silêncio que me cercava para pedir perdão ao Menino Jesus das heresias dos meus pensamentos. Claro que as sombras da noite me enfeitiçaram e amalucaram minhas ideias. Quem sou eu para pensar tantas besteiras sem sentido e sem nenhum senso lógico? Tudo está escrito nos livros sagrados e apenas os sacerdotes conhecem os meandros por detrás das letras. Os sacerdotes anunciam a volta de Jesus e mantem segredo do dia e hora, porque assim lhes foi dito pelos anjos anunciadores. Dizem eles que trombetas soarão, trovões sacudirão a terra e o fogo de mil línguas cortará o Céu. Nada parecido com a tranquilidade e simplicidade de dois mil anos atrás, onde apenas uma estrela surgiu no firmamento anunciado o Messias.

Os tempos hoje são outros, segundo dizem os novos anunciadores, estamos no tempo da desgraça, da falta de vergonha, de pudor, de honra, de amor, de sentimentos. Vivemos sob o domínio dos gananciosos, dos pregadores do caos, dos sacerdotes afortunados, dos vendilhões, dos enganadores da alma, dos encantadores de espíritos, dos espertalhões da fé e dos julgadores do pecado alheio. Diante de tanta desfaçatez somente a fúria de mil canhões atômicos para um novo recomeço do mundo. Depois disso, trevas reinarão nos campos, as águas se agitarão, o ar ficará irrespirável e somente os puros de pecado sobreviverão. Será pretensão?

Eita que minha noite está longa e meus pensamentos cada vez mais pecaminosos. Um vinho! Isso mesmo, um vinho para por ordem em minhas ideias e me tirar da escuridão silenciosa. O vinho que representa o sangue de Cristo e sendo assim acalmará a minha alma. No céu uma estrela brilhante toma forma e reflete sua luz sobre a taça. Será a estrela de Belém? Será o anuncio do Menino Jesus? O pão! Sim, um pão para matar a minha fome. Mas, fome de que? Não tenho fome, o que tenho são pensamentos tendenciosos e maledicentes. Mas deixa ver, pois quem sabe eles clareiam.

Onde nasceria o Menino? Será que no meio da loucura da guerra que maltrata e corrói a Terra Santa? Será nos campos castigados pela loucura de etnias religiosas amalucadas que não se toleram? Ou será naquele povoado que avisto do cockpit do Avoante e que me parece coberto de paz. Mais um copo de vinho e sinto que meus pensamentos sobrevivem à força terrível da heresia. A estrela brilha sobre a cidade, porém, não vejo movimento sobre a terra adormecida. Nenhum mago, nenhum carneirinho, nenhum burrinho, nenhuma vaquinha e nem sinal de camelos. Mas estou longe e talvez por isso não esteja enxergando. Apenas aquela estrela que brilha sem cessar enquanto se encaminha para o poente.

Tento escutar o sussurro do vento, porém, o silêncio não deixa. Sinto nas entranhas o pulsar do oceano sob mim e fecho os olhos para me reencontrar. A estrela se foi, a noite reflete um brilho negro fascinante, o vento faz rodeios sobre minha cabeça e as águas parecem ressonar. Olho em volta e sinto que não estou só naquela noite de magia. Lucia dorme um sono profundo, mas tem alguém ali que eu não vejo. Alguém que quer me dizer que o Menino foi único, que se fez homem e morreu pregado na cruz diante de uma plateia ensandecida, incitada por um rei corrupto, malandro e demagogo. Tristezas assim se renovam e a humanidade não aprende.

O vinho acabou e fui tentar dormir o sono dos justos e sonhei com um menino caminhando pelos campos e conversando com as flores. Que noite!

Nelson Mattos Filho/Velejador

São Tomé do Paripe

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Hoje, 23/12, postei essa foto no Instagram como sendo a Praia de Inema, localizada na Baía de Todos os Santos, e fui corrigido por um leitor com toda razão. A praia da imagem e São Tomé de Paripe, localizada no bairro de Paripe. Do caís de São Tomé saem os barcos de transporte para quem deseja conhecer a Ilha de Maré, outra joia baiana. Recentemente a praia passou por uma repaginada que deixou a sua orla bem convidativa para um gostoso banho de mar ou simplesmente caminhar por suas areias. A praia de Inema fica do outro lado do muro, segundo dizem os moradores e banhistas. O muro em questão foi construído pela Marinha do Brasil para separar uma fatia de praia para uso de oficiais, convidados e até presidentes da República.

Confraternização do Angra dos Veleiros

IMG_0181IMG_0190Quando se mora a bordo de um veleiro e se navega por aí as amizades vão surgindo de todos os quadrantes e principalmente dos clubes náuticos ou marinas que vamos passando e marcando boas, alegres e festivas presenças. A conquista de amizades é uma das maravilhas que faz o encanto da vela de cruzeiro. É gostoso receber o carinho e atenção daqueles que fazem os clubes e mais gostoso é quando somos cobrados por nunca mais ter visitado ou usado as instalações de algum deles. E quando a cobrança chega com a frase:  – A alegria e a presença de vocês estão fazendo falta em nosso clube. Simplesmente não temos como resistir a um convite assim. O Angra dos Veleiros é um desses lugares em que somos acolhidos com atenção redobrada, com muito carinho e retribuímos fraternalmente. Ontem, 22/12, estávamos com o Avoante ancorado no Aratu Iate Clube, o outro clube que nos faz se sentir em casa, quando recebemos um telefonema de Ana, secretária executiva do Angra, nos convidando para participar da confraternização de fim de ano dos sócios e funcionários e sem pestanejar confirmamos presença, porque ali guardamos boa parte de nossa história náutica e nos consideramos parte daquela flotilha. Só temos a agradecer e dizer da alegria que sentimos em ter tantos e bons amigos.

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