Arquivo do mês: maio 2010

A EPOPÉIA DO CAPITÃO MACÁRIO – 1ª PARTE

A EPOPÉIA DO CAPITÃO MACÁRIO é um texto do amigo e velejador Erico Amorim das Virgens. Ele conta a história de um homem que enfrentou dois oceanos num pequeno barco de madeira, construído no fundo de quintal. Essa história o leitor vai acompanhar em dois capítulos e qualquer semelhança é apenas mera coincidência.

Nelson Mattos Filho

Velejador

A EPOPÉIA DO CAPITÃO MACÁRIO – 1ª PARTE 

Erico Amorim das Virgens

Velejador

 

 

                                   Duas são as rotas de navegação para se fazer o trajeto de Natal até Israel, onde fica a cidade sagrada de Jerusalém.  Uma rota leva você a cruzar o oceano Atlântico pelo norte, atravessar o estreito de Gibraltar e cruzar todo mar Mediterrâneo.  A segunda rota é atravessar o Atlântico na parte sul, descendo até as latitudes frias, abaixo do trópico de Capricórnio, seguir o caminho de Vasco da Gama, cruzando o famoso Cabo das Tormentas, atravessar o canal de Moçambique, subir o oceano Índico, aproximar-se do famoso chifre da África, onde estão os perigosos piratas da Somália, enfrentar o mar Vermelho, de dificílima navegação, cruzar o canal de Suez e enfim chegar ao litoral de Israel.

                                    A rota pelo mar vermelho foi feita pelo navegador brasileiro Aleixo Belov que em seus relatos falou, entre outras coisas, no calor sufocante, na poeira levantada pelo vento do deserto, das perturbações magnéticas, cartas náuticas desconformes e em 25 de abril de 1987 escreveu: “juro para mim mesmo que se escapar jamais voltarei aqui num veleiro”.

                                    Essa foi a idéia que martelou por muitos anos a cabeça do comandante Macário: atingir Israel pelo mar, partindo de Natal. Isso mesmo, Natal no nordeste do Brasil.

                                    Como para barcos de madeira existem homens de ferro, o comandante Macário não hesitou diante de tamanho desafio e passou noites e dias sonhando com seu ambicioso projeto.

                                    Sua aposentadoria na FAB se delineava no horizonte do tempo e já muitas providências eram tomadas. Curso de engenharia, cursos de navegação, leituras que pudessem trazer algum subsídio ao seu projeto ou mesmo fossem assuntos correlatos, tudo ia se incorporando ao cabedal de conhecimentos.

                                    Como Vasco Moscoso do Aragão, personagem de Jorge Amado, nosso comandante também foi se munindo de toda técnica de navegação e foi rapidamente dominando todos os conhecimentos necessários ao grande feito. Terminados todos os cursos, apresentou-se na Capitania dos Portos onde brilhantemente foi aprovado em todas as provas: Arrais Amador, Mestre e Capitão Amador. Agora sim, ir a Israel já não seria mais uma aventura de louco, aliás, não seria nenhuma aventura. Um bom sextante, Almanaque náutico, réguas de paralelas, cartas náuticas e tudo mais iam sendo minuciosamente catalogados e separados.

                                    Os anos foram se passando, mas faltava ainda o principal, o barco. Seria um barco bem pensado e bem construído. Agora começava pra valer sua empreitada. Era a realização do sonho que se aproximava e fazia bater forte o coração.

                                    À medida que o barco tomava forma, as leituras de relatos de pequenos barcos que tinham feito grandes travessias se sucediam: John Riding, barco de 3,70 m,atravessou o Atlântico Norte em 1964/65; Tânia Aebi, volta ao mundo em um 26 pés,1986; Serge Testa, volta ao mundo em um barco de 3,60 m. Este último passou em Natal em  1985.

                                    O barco nasceu, tomou forma e foi levado para o pátio do Iate Clube de Natal.

                                    Alguns insinuavam que era de concreto, outros diziam que as chapas de aço estavam mal dobradas, mas a maioria concordava ser mesmo de madeira aquele estranho barco, inclusive o mastro e a caixa de cabine eram de madeira.

                                    Mais alguns dias no pátio para execução de pequenos detalhes em seu interior, colocação de mastro na posição, sem mesmo esquecer a moedinha que dizem ser colocada sob o mastro para proteger das grandes tempestades e eis que chega o esperado dia e um marco em toda a história da construção. O Barco iria para a água!

OPERAÇÃO CHUTE NO TRAZEIRO

Navegando no site da Revista Náutica me deparei com um caso que é um alerta para todos aqueles que tem o mar como paixão e que é mais um dos muitos exemplos de auto-confiança. Como o assunto é de grande interesse, resolvi usar todos os meus conhecimentos dos tempos de escola e fazer uma cola resumida, e com minhas palavras,  da matéria do site da Revista Náutica. É o caso de um velejador australiano, 65, que tentou levar um barco para reforma e ficou a deriva durante quatro dias.

O velejador Bill Valient, 65 anos, comprou um veleiro de 20 pés, que precisava de algumas reformas, e tentou leva-lo para o Lago Macquire, 20 milhas ao sul de Port Stephens onde o barco se encontrava. Bill que tinha 18 anos de experiência na Marinha Britânica, achou que toda essa bagagem lhe daria razão para se fazer ao mar em um barco sem nenhum equipamento de segurança. A bordo não havia rádio, GPS, Epirb, fogos de salvatagem e muito menos iluminação, mas mesmo assim o marinheiro veterano Bill resolveu encarar o mar, sem também avisar a Guarda Costeira que estava de partida,  já que seria apenas uma viagenzinha de nada e ainda para reformar o barquinho dos sonhos.

Mas, a coisa não foi bem como ele planejava quando saiu na boca da barra e o motor de 6 hp do Dixie Cup resolveu não mais seguir viagem navegando. A partir dai a coisa foi ficando com cara de tragédia e o veleirinho foi arrastado pelos ventos e correntes para o alto mar. Foram quatro dias a deriva e também a prova de que o veterano Bill não tinha tanto conhecimento do mar assim, pois ele usou uma vela para escrever um pedido de socorro mostrando para o mundo que o barco tinha vela e que ele não sabia para que mais aqueles panos serviam, além de servir para escrever. Por sorte Bill tinha a bordo um celular que foi usado para se comunicar com o enteado antes que a bateria acabasse. A Guarda Costeira australiana montou uma grande operação de resgate e depois de quatro dias de procura, Bill foi localizado por um navio mercante a 25 milhas ao sul de Newcastle.

O pior de tudo não esta sendo as críticas que pipocam de todos os lados, nem ver a ira incontida por parte dos contribuintes australianos para que ele pague pelos prejuízos causados aos cofres públicos com a operação de seu regate, muito menos ter que enfrentar a policia que deseja abrir um grande inquérito para provar o seu despreparo, colocando não somente sua vida em risco,como também a vida das equipes de socorro. O pior mesmo foi ter que enfrentar sua mulher, que depois de dizer que estava aliviada com o resgate do marido, declarou que ele agora vai merecer um grande chute no traseiro.  Quero ver se Bill é mesmo valente agora!   

HISTÓRIAS DE VELEJADOR

VIDA A BORDO 58 – 21/01/2008

HISTÓRIAS DE VELEJADOR

                                   Fazer uma medida das condições de vento, estando no mar, é uma das grandes dificuldades do velejador e também fonte de muitas histórias. O Almirante Inglês Francis Beaufort, publicou em 1806 a Escala Beaufort, que em 1874, passou a ser adotada como padrão pelo Comitê Meteorológico Internacional.

                                   A meteorologia náutica mundial utiliza a Escala Beaufort, para fazer suas medições, quando não se tem a bordo um anemômetro. Através dos rádios VHF e SSB, também se consegue uma boa informação dos ventos e na internet podemos encontrar vários sites que divulgam, com extrema segurança, a previsão do tempo e a força dos ventos.

                                   Mas, se a tecnologia falhar e não tivermos condições de acesso à comunicação via rádio, resta a Escala Beaufort com suas informações sempre precisas.

 

ESCALA BEAUFORT 

Força 0                        Calmaria          0 a 3 nós         Mar espelhado

Força 1                         Bafagem          1 a 3 nós         Algumas ondas

Força 2                         Aragem           4 a 6 nós         Pequenas ondulações

Força 3                        Vento Fraco    7 a 10 nós       Ondulações e alguns carneirinhos

Força 4                        Vento

                                        Moderado         11 a 16  nós     Pequenas ondas, carneirinhos generalizados

Força 5                        Vento fresco     17 a 21 nós     Ondas moderadas, muitos carneirinhos e Borrifos de água

Força 6                        Vento muito

                                        Fresco                  22 a 27 nós     Grandes ondas, cristas espumosas brancas e Borrifos freqüentes

Força 7                       Vento Forte        28 a 33 nós     Vagalhões pequenos com muita espuma

Força 8                        Vento muito

                                        Forte                      34 a 40 nós     Vagalhões moderados com muita espuma

Força 9                         Duro                       41 a 47 nós     Grandes ondas, visibilidade reduzida

Força 10                       Muito duro          48 a 55 nós     Grandes ondas, visibilidade afetada

Força 11                        Tempestade        53 a 63 nós     Enormes ondas, visibilidade afetada

Força 12                        Furacão                64 nós a cima  Ondas excepcionais e sem visibilidade         

                                    O povo do mar não é muito diferente do povo da terra. Dizer que caçador é um tipo criativo é nunca ter conversado com pescador, velejador, marinheiro e outras espécies náuticas.

                                    Uma aragem pode se transformar em vento muito fresco em questão de duas palavras. Basta que o ouvinte esteja muito interessado na conversa ou que o teor alcoólico esteja na força 1.

                                    Já escutei velejador enfrentando ondas de 20 metros e barcos surfarem ondas de 15 sem a menor cerimônia. Os caras não piscam nem o olho e ainda arranjam um amigo para confirmar.

                                    Tenho amigos que enfrentaram grandes furações e saíram ilesos e ainda assobiando. Outros, o barco navegou tão rápido que não deu tempo de fazer os nós para marcar. Vento de 40 nós é batata para a grande maioria. Todos tem boas lembranças, incríveis experiências e muita estória.         

                                      Como é gostoso ouvir e contar histórias debaixo da sombra do palhoção do clube, regado com cerveja gelada ou uma boa cachacinha.

                                    Tenho as minhas histórias, mas elas não passam de Força 5 e muita chuva, mesmo assim consigo uma boa platéia.

                                    Situações de heroísmos são muito freqüentes para quem tem o mar como paixão, mas a sabedoria de saber reconhecer e respeitar a força dos elementos da natureza e o que faz os verdadeiros vitoriosos. Não existe luta contra o mar, existe sim, se fazer parte do mar e obedecer a seus humores e grandeza.

                                    Histórias de heroísmos e valentia no mar ou foi pura sorte ou a leitura da Escala Beaufort não tinha tanta força assim.

                                    Sempre que vou ao mar, peço aos deuses da natureza um ventinho no máximo força 5, até agora fui muito bem atendido.

                                    Que assim seja!

Nelson Mattos Filho

Velejador

 

 

REFENO 2010 E O COSTA LESTE

Com apenas 21 vagas para fechar as 150 inscrições a XXII REFENO já pode ser considerada o maior evento náutico da América do Sul. Esta semana foi fechado os entendimentos entre o Cabanga Iate Clube, promotor da regata, e a ABVC, promotor do Cruzeiro Costa Leste, para recepção dos veleiros que fazem parte do Costa Leste e que devem chegar ao Recife dia 18 de Setembro, abrindo a semana pré-regata. Quem ainda pretende participar da XXII REFENO deve se apressar e aproveitar o valor do segundo lote de inscrição que vai até dia 16 de Junho.  

E AINDA FALAM DO BRASIL

Navegando no site www.popa.com.br ví um post que chama a atenção pela displicência que comandantes de embarcações são tratados no Canadá, um país de primeiro mundo. Com um saldo negativo de mais de duzentas mortes por ano relacionadas apenas as embarcações de recreio, que tem mais de 6 milhões de proprietários, fizeram com que o Governo, somente agora, resolvesse tomar uma atitude. Os 6 milhões de usuários de embarcação de recreio, passarão por um exame com 36 questões com necessidade de acertar 75% da prova. A multa para quem não tiver a carteira de habilitação será de $250 para o piloto e também para o proprietário da embarcação. Serão aplicadas multas para falta de equipamentos de segurança e salvatagem. Hoje em dia qualquer pessoa pode comandar uma embarcação no Canadá e com qualquer idade. Viva o Brasil!

UM MAR MUITO AGITADO

                                                                       Natal é uma cidade praieira, com um litoral fantástico, varrida por ventos alísios e localizada na esquina do continente sul americano. Aqui o vento faz, literalmente, a curva. Sua localização, de tão privilegiada, já foi palco de grandes arsenais de guerra. E segundo grandes estrategistas militares e historiadores, por aqui passou a bomba que mudou a humanidade. Se passou eu não sei, mas essa história de bombas, guerras e bases estrangeiras, parece que até hoje mexe com o imaginário e atiça a desconfiança dos nossos governantes.

                                   Estamos a quatro anos de um grande evento esportivo e até agora ninguém tem a certeza se ele vai chegar por aqui. Tem gente que anda tão desnorteada com o ano de 2014 que parece que ele já vai ser na próxima segunda-feira. Fala-se na Copa do Mundo de 2014 num modo tão íntimo que estamos à beira da Copa de 2010 e parece que nossos futebolistas e torcedores nem se deram conta. A onda é demolir, demolir e demolir. Já tem até autoridade clamando o povo para uma tal marcha da demolição. No mínimo vai todo mundo armado de martelos e picaretas, sem trocadilho, acompanhado por uma banda de forró e com um cantor incitando a multidão: Cadê o gritinho da Galera?

                                   Mas, como não sou tão fanático por futebol assim, a ponto de fechar os olhos para a beleza poética de um Estádio que já foi considerado um dos mais belos do Brasil. E que agora, para suprir algumas necessidades financeiras de grandes espertalhões, vai ser demolido sem apelação, apenas para que Natal receba dois jogos de uma Copa do Mundo. Vou ficando do lado dos querem construir uma boa infra-estrutura social ao invés de demolir o que está pronto.

                                   Em outras oportunidades já falei sobre Natal ser um grande destino turístico náutico. Já não somos considerados um porto de chegada, estamos relegados a porto de passagem, aonde veleiros de outras partes do mundo e do Brasil, vem aqui apenas em último caso. Simplesmente não temos a menor infra-estrutura náutica. Perdemos espaço para a vizinha Paraíba e sua pequena praia do Jacaré, com várias marinas construídas e outras em vias de ficarem prontas.

                                   Pelo que eu entendo de Copa do Mundo, olhando pela visão náutica, o mar é uma grande via de acesso de torcedores e visitantes interessados no evento. Ter um bom local para fundeio e acolhida desse povo que usa o mar como estrada é o básico. E olhe que não são poucos barcos. Estamos falando em centenas de veleiros e iates, sem falar nos navios de passageiros que terão o Brasil pela proa.

                                    A Paraíba de mulher macho sim senhor, já vislumbra o poder de uma Copa do Mundo no Estado vizinho é investe pesado no turismo náutico. Aqui, ficamos no oba-oba e numa briga feroz para derrubar tudo. Um simples píer flutuante para acolher umas poucas embarcações vira motivo de ira santa de descontentes e pitaqueiros de plantão.

                                   No Rio Grande do Norte, rico em praias e com um litoral de mais de 400 quilômetros de extensão, aprovar um píer ou uma marina é uma das coisas mais complicadas do mundo. Uns não sabem por que estão proibindo e outros não sabem por que foram proibidos.

                                   O projeto da Marina de Natal, que se olhado por quem tem olhos no futuro traria mais benefício e melhorias para Natal do que um novo estádio de futebol, encalhou em meio à burocracia deslavada e sem nenhuma perspectiva de sair de lá. A marina abriria as portas de Natal para os grandes eventos náuticos que hoje movimentam bilhões de dólares ao redor do mundo. Sem falar que toda a estrutura seria montada com dinheiro de investidores privados, o que não é o caso do Estádio da Copa que vai torrar o Real que poderia ser destinados a saúde, segurança, educação e transparências das Leis.

                                   Na esteira da Marina de Natal viriam outras marinas, mais empregos e uma nova cara para o turismo do Rio Grande do Norte, como acontece com os nossos vizinhos paraibanos. 

                                   Que venha a Copa de 2014, mas em primeiro lugar o desenvolvimento de nosso Estado.

Nelson Mattos Filho

Velejador

HISTÓRIA DE PALHOÇÃO

A náutica é cheia de histórias que fazem a alegria dos velejadores nos palhoções e alpendres dos clubes espalhados pelo mundo. São as chamadas histórias de palhoção e é nesse alegre ambiente clubista onde acontecem as mais fantásticas velejadas, as mais terríveis tempestades, os mais fortes ventos, as mais altas ondas e onde ninguém nunca enjoou, quem enjoa é o outro. Mas a verdade é que no palhoção, banhado por litros e mais litros de cerveja gelada, as histórias são realmente muito engraçadas. Uma dessas histórias aconteceu no Iate Clube do Natal, anos atrás, e até hoje rende muita risada. 

Conta-se que um veleiro laser estava ancorado na prainha ao lado do clube e que ficava em frente a um terreno de uma unidade militar do Exército Brasileiro. Embaixo do palhoção, um velejador estava super entretido em tomar sua cervejinha quando apareceu um Soldado, armado até os dentes, e ordenou a retirada do barco daquele local. O velejador virou para o Soldado e disparou: – Não tiro. O Soldado vendo sua autoridade ser questionada, ajeitou o fuzil e ordenou novamente que o barco tinha que ser retirado imediatamente. O velejador, tomou mais um gole da cerveja e sem olhar mais para o Soldado falou: – Eu não tiro!

O Soldado fez uma cara de interrogação e se retirou do local para logo em seguida vir acompanhado do Cabo e mais outro Soldado. Apontou o velejador para mostrar ao Cabo quem era sujeito. O Cabo chegou perto do velejador e disse que ele tinha que retirar o barco. O velejador disse que já tinha falado que não tirava e ponto final. O Cabo deu meia volta e se retirou do local para voltar acompanhado do Sargento e mais dois soldados. O Sargento engrossou a voz e chegou arrebentando: – O  Senhor vai retirar o barco ou não vai? O velejador mais uma vez disse que não retirava de jeito nenhum. O Sargento disse que ia mostrar como ele retirava e foi embora.

Meia hora depois, lá vêm um jipe com um Tenente, o Sargento, o Cabo e mais dois Soldados. O Tenente se aproximou do velejador e falou: – Bom dia Senhor, o que esta havendo por aqui? O velejador respondeu: – Bom dia Tenente, mas para mim esta tudo bem. O Tenente então perguntou: – O Senhor desobedeceu a ordem do meu pessoal para retirar aquele barco da praia? O velejador falou que não tinha desobedecido nada, apenas que ele não tiraria o barco. O Tenente, muito educado perguntou: – Mas, porque? Aquela é uma área militar e o Senhor não pode parar aquele barco ali. O velejador deu mais um gole na cerveja e respondeu para o Tenente: – Tenente, eu não vou retirar aquele barco dali, porque ele não é meu. O Tenente fechou a cara, disse um muito obrigado e lançou um olhar travante para os homens sob seu comando e disparou: – PQP, vamos voltar para o Corpo da Guarda que eu tenho um acertozinho para fazer com vocês. O jipe saiu rasgando o chão e a partir daquele momento não apareceu mais nenhum Oficial.