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Votos renovados com o mar – III

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Na página anterior desse relato estávamos com o catamarã Tranquilidade ancorado em frente a Praia de Mutá, uma gostosa baía no canal interno da Ilha de Itaparica, e prontos para degustar umas garrafas de Muvuca, Saruaba, Tribufu e Retada, produtos da cervejaria ED3, de nomes bem abaianados e que levam prazer aos amantes de uma boa loura gelada. Tive o prazer de experimentar algumas garrafas das ditas cervejas logo no início da produção, no veleiro Guma, do casal Davi e Vera Hermida, e essa prova deixou um gosto de quero mais, porém, o tempo passou, mas a vontade não. Quando o comandante Flávio nos convidou para o passeio no Tranquilidade, no início de dezembro de 2016, disse que eu incluísse no roteiro a visita a cervejaria de Mutá, o que fiz mais do que depressa. E lá estávamos nós, desembarcando para a visita.

P_20161208_182654A ED3 teve início com o sonho de três casais, entre eles Almir e Simone, que queriam produzir cerveja para desfrute da família, que não é pequena, e do time dos amigos, que é maior ainda, porém, o que era sonho de bons bebedores, virou um excelente negócio, pois a cerveja logo no primeiro gole deixava no ar o sabor do sucesso. Hoje o maquinário cresceu, o galpão aumentou, mas o que continua o mesmo é o sabor das cervas e a acolhida maravilhosa com que os proprietários recebem os visitantes, com direito a roda de samba, bons papos e tudo mais. O difícil é querer deixar o galpão e voltar para o barco, mas depois que deixamos vazias algumas dezenas de garrafas, foi o que fizemos e ainda trazendo na garupa algumas caixas para festejar num futuro próximo. A direção da cervejaria está em vias de fato para colocar a praia de Mutá no roteiro turístico náutico da Bahia e com certeza os visitantes saíram encantados e bem animados.

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Após uma noite das mais tranquilas, acordamos cedo, levantamos âncora e prosseguimos em nosso roteiro pela Baía de Todos os Santos. Voltamos a Itaparica para reabastecer os tanques com água e rumamos para a praia de Loreto, outro fundeadouro inigualável, por trás da Ilha do Frade, e onde a vida a bordo é mais gostosa. Loreto estava coalhada de veleiros de amigos, que tomara não vejam essa minha declaração, pois ficarei com um débito impagável por não tê-los visitado, contudo, antes de receber a primeira cobrança, peço perdão pela falta grave e prometo não cometer outra, pois todos eles moram em nossos corações.

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O comandante Flávio e Gerana ficaram fascinados por Loreto e no dia seguinte, quando seguimos viagem, disseram que voltariam o mais breve possível, porque nunca imaginaram que ali existisse um lugar tão lindo e com uma natureza tão exuberante. Na verdade quando tracei o roteiro queria mesmo visitar lugares que sempre me acolheram bem, porque era o meu reencontro, depois de cinco meses afastado, com um mar que amo de paixão.

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De Loreto rumamos para a Praia da Viração, vizinho a Ponta de Nossa Senhora, do lado sul da Ilha do Frade. A Viração é de uma lindeza sem igual e para muitos é o Caribe na Bahia, com águas cristalinas, onde se avista a âncora no fundo do mar, e uma faixa de areias brancas emoldurada por uma mata em estado praticamente nativo. Viração é uma APA e como todas, tem regras que regulam sua visitação, porém, ainda se pode ver alguns deslizes da nossa falta de educação ambiental. A praia recentemente recebeu alguns créditos a mais de fama, por ter sido destino de constantes banhos de mar da presidente Dilma, em suas férias na capital baiana. A praia é linda sim, mas pouco frequentada pelos velejadores.

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Da Praia da Viração aproamos o Rio Paraguaçu e fomos jogar âncora em frente ao povoado de São Francisco do Paraguaçu e seu Convento enigmático. Era hora do pôr do sol e abrimos um vinho para comemorar o dia que se ia e festeja a noite que tomava espaço. Entre um gole e outro com o líquido de Baco, fiquei matutando nas várias visitas que fiz aquele rio histórico e nas páginas do Diário que preenchi denunciando o descaso existente em tão belo cenário. Tudo continua na mesma, ou pior, mais maltratado ainda. Durante nossa velejada vespertina não encontramos nenhum veleiro, apesar de sido em período de um longo feriadão. Se o Paraguaçu fosse em um país europeu, americano do norte ou mesmo em alguns países orientais, garanto que seria tratado com toda importância e zelo que merece. Infelizmente tratamos nossas riquezas naturais da mesma forma como tratamos todo o restante de nossas causas, sem o mínimo de interesse em ver os bons resultados. Temos leis para tudo e para todo gosto, mas nenhuma serve além de sua escrita. São feitas apenas com o intuito de acalmar ânimos e nada mais, pois em suas entranhas, propositalmente, faltam princípios.

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O Convento de São Francisco do Paraguaçu, assim como a grande maioria dos monumentos as margens do Rio Paraguaçu, está sob os domínios da lei do patrimônio histórico, acho que seria melhor que não estivesse.

E a noite cobriu o rio!

Nelson Mattos Filho/Velejador

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Catu. Mais uma delícia baiana

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Muito bem, vamos voltar a falar de velejadas, ancoragens gostosas, comidas e de tudo que a vela de cruzeiro pode nos proporcionar. Nos últimos posteres falei muito sobre o livro Diário do Avoante, o lançamento em Natal/RN e naveguei nas águas suaves que molham de alegria a alma de um escritor, como também daqueles metidos a escritor, que é o meu caso. O assunto hoje é sobre um lugarzinho fascinante lá pras bandas de Cacha Prego, no final, ou começo, sei lá, da Ilha de Itaparica. Esse lugar é Catu, uma prainha sossegada e, dependendo do vento, um ancoragem perfeita para uns dias de ócio a bordo de um veleiro. Chegar em Catu é fácil, o difícil é querer levantar âncora e ir embora. A navegada até lá é pelo canal interno de Itaparica, partindo da marina, num trajeto gostoso e emoldurado por uma paisagem espetacular, em que cada metro das margens é um convite para uma parada e um banho de mar em uma água morna e apetitosa. O canal é profundo, largo e sem sustos, onde o velejador pode, e deve, aproveitar a força da maré de enchente ou de vazante para navegar. Mais tem um detalhe: A partir da Ponte do Funil, que cruza o canal, a correnteza se inverte. A Ponte, para a navegação de barco a vela, faz o papel de uma peneira, pois barcos com mastreação acima de 16 metros ficam impedidos de passar e assim essa parte do canal, que vai até Cacha Prego, fica mais seletiva. Para os velejadores mais afoitos, existe a opção de adentrar a Barra Falsa, vindo do mar, porém, devesse fazer somente com bom conhecimento da região ou com ajuda de um prático local, já que a Barra é sobre um imenso banco de areia que se move a cada estação do ano. Catu é uma pequena vila ribeirinha que ainda tira boa parte de seu sustento das águas e fica olhando de frente para a foz do Rio Jaguaripe. Durante o dia, é uma alegria sentar embaixo de uma arvore, que se esparrama sobre as águas, para um bate papo com nativos, uma turma animada que tem na ponta da língua um monte de causos engraçados. Durante a noite, um silêncio tranquilizador cerca a ancoragem e um vento fresquinho espanta o calor do dia deixando a cabine do veleiro super arejada. Esse é o momento de abrir um bom vinho e brindar a delícia de uma ancoragem mais do que perfeita. O mar da Bahia é simplesmente fantástico! 

Velejando no Canal de Itaparica

Imagens 034 Navegar pela Bahia é uma festa! Para onde aproamos o barco surge uma paisagem de sonhos, vento a favor, mar de fazer inveja e ancoragens belíssimas. Na semana passada navegamos pelo canal interno da Ilha de Itaparica, junto com dois veleiros: O argentino Aventurero e o alagoano Tike Take. Na primeira noite ancoramos na Fonte do Tororó, uma ancoragem excelente para uma noite tranquila, mas a fonte que é bom, só existe mesmo no nome. Dizem que uma empresa represa a água e por isso a fonte secou, mas mesmo assim o banho de mar é uma delícia. No dia seguinte rumamos para a Praia de Mutá, muito próximo de Tororó e outro fundeio perfeito.  Hoje Mutá é um ponto de encontro de velejadores baianos.   Uma das atrações de Mutá, além do banho de mar e da praia muito bonita, é o Restaurante Sabor de Mutá com uma culinária muito especial e comandado pelo casal velejador Almir e Simone. Mesmo se não gostar Imagens 036da comida você não vai sair falando, pois o Almir tem conversa para muitas horas de um bom bate-papo. Dessa vez não fomos ao Restaurante Sabor de Mutá, pois no dia seguinte, a nossa chegada, o Aventurero e o Tike Take resolveram levantar âncoras e retornar a Salvador. Nós ficamos sozinhos e aproveitamos para descer o canal até a Praia de Catu, outro fundeio sensacional, já próximo a Barra Falsa de Itaparica. Imagens 064Dois dias depois retornamos a Itaparica e no meio da navegada ficamos sabendo através do velejador Davi Hermida que no Sábado, 26/02, o Saveiro Vendaval estaria em Itaparica para um passeio, e no mesmo dia haveria a lavagem da Coroa do Limo, uma faixa de areia que descobre na maré baixa, em frente a Marina de Itaparica.Imagens 102 Em busca da festa aproamos o fundeio de Itaparica! Velejar em um Saveiro é o mesmo que velejar na história da Bahia. Já velejei no Vendaval em outras oportunidades, mas nunca matei a vontade. Sempre que ele esta disponível para velejar, e estou na Bahia, eu me convido. A lavagem da Coroa do Limo é uma festa organizada por velejadores do Aratu Iate Clube, bastante informal e animada. A turma se reúne na Coroa e contratam uma bandinha de sopro para animar a festa. Os que estão com os barcos ancorados ao largo, vão desembarcando e a festa acontece na maior alegria. Churrasco, feijoada em dingue, muita cerveja gelada e as marchinhas carnavalescas dão o tom a festa, que só termina quando o mar resolve tomar conta novamente da Coroa do Limo. Lavagem da Coroa  de Itaparica (37) Lavagem da Coroa  de Itaparica (17)Lavagem da Coroa  de Itaparica (18) Um detalhe chamou nossa atenção em toda essa folia: No final não existia nenhuma sujeira nas areias e nem na água. A festa foi grande e animada, mas a consciência ecológica da turma foi ainda maior. Valeu!