Arquivo do mês: outubro 2017

Pense num moído

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Tem coisas que nos lembram outras e foi assim que ao ler uma matéria sobre um rasante de um Airbus A330, da empresa aérea Air Berlin, sobre a pista do aeroporto de Düsseldorf, acontecido recentemente, dei uma gargalhada.

Os pilotos do A330 fizeram uma manobra arriscada para comemorar a despedida do voo, porque a empresa, que é a segunda maior empresa de aviação da Alemanha, está passando por dificuldades financeira e está se retirando da rota Miami – Alemanha. Segundo as autoridades, os pilotos colocaram em risco os 200 passageiros em manobras que não se enquadram nos procedimentos de segurança de voo e segundo foi divulgado na impressa alemã, o avião da Air Berlin voou baixo ao longo da pista de pouso, subiu e se inclinou bruscamente para a esquerda em direção a torre de controle e só depois das piruetas, pousou normalmente.

No mínimo alguns passageiros desembarcaram com as calças meladas e xingando a mãe do comandante. Os engraçadinhos agora vão sentar na frente das autoridades para tentar contar uma historinha que soe bem aos ouvidos dos homens da lei.

Pois bem, daí lembrei da viagem de uns amigos para o velho continente, onde foi toda a família. No retorno a Salvador o avião entrou em um vácuo que despencou no vazio, causando quebra de copos, machucões em passageiros e quedas nos comissários de bordo. Foi um Deus nos acuda, porém, tudo voltou a normalidade, ou melhor, quase normalidade, até a chegada à capital baiana.

No desembarque, alguns passageiros ainda com cara de assustados, outros sorrindo amarelo e outros atropelando as palavras para contar todo o ocorrido para parentes e amigos que esperavam ansiosos, pois ficou um zum zum zum no saguão do aeroporto e como cada conto é aumentado em um ponto, a coisa estava descambando para um desenlace de consequências inimagináveis.

Em meio aos passageiros vem a mãe do meu amigo e quando avista o neto foi logo contado sua versão dos fatos. Como ela é bastante religiosa, disse do susto que passaram e finalizou agradecendo a Nossa Senhora por tê-los livrado do mal Amém. Em seguida vem meu amigo, abraça o filho, com os olhos marejados, e conta tudo, tim tim, por tim tim e ainda faz os trejeitos do aperreio e finaliza agradecendo aos céus a benção de estarem relatando aquela perigosa situação.

Nisso, vem o irmão do meu amigo, com dois carrinhos carregados de malas, bolsas e sacolas, e ao avistar o sobrinho, que nessas alturas do campeonato estava com os olhos mais arregalados do que coruja e com algumas lágrimas escorrendo nas bochechas. O tio abre os braços, solta quatros sacolas, que não couberam no carrinho de bagagem, e grita ainda de dentro do salão de desembarque: Meu sobrinho, quase que nós tudinho toma no centro do c. . Ei, o salão do aeroporto quase vem abaixo de tanta risadagem.

Será que aconteceu o mesmo com algum passageiro alemão? Acho que não, pois eles são muito formais para tanto. Mas que um bocado correu para o sanitário, isso eu não tenho dúvidas.

Nelson Mattos Filho

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Eita mundo velho sem eira nem beira

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Segunda-feira, 16/10, a capital da Somália, Mogadíscio, foi atingida pela cruel covardia de um ataque terrorista pelas mãos daqueles que dizem lutar pela bandeira religiosa. Aliás, desde que o homem é homem, e viu nos deuses a força para fazer valer suas conquistas mais esquisitas, o planeta Terra virou um inferno. A Somália vive quase eternamente no caos, com secas extremas, lutas intermináveis entre etnias, governos corruptos, pirataria, terrorismo e mais um zilhão de mazelas que aos olhos do mundo não representa nada, a não ser quando a desgraça é tanta que não dá para passar despercebido, como esse ataque que matou mais de 300 pessoas. Ah, tinha esquecido: Ultimamente o que rende mais notícias sobre o país do Chifre da África e quando um navio, ou um veleiro, é atacado por piratas e estes pedem uns tostões para liberar os tripulantes e as marinhas de guerra dos gigantes do mundo, desfilam com suas belonaves, diante de botes que mais parecem saídos de filmes de ficção. No enredo  da triste ópera somaliana, esqueceram de escrever o final. Enquanto isso, na ONU a discussão gira em torno de briga de comadres, fuxicos ideológicos e sexo do anjos.    

Coisas do mar

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Porém, o que mais se ouve é: “O que estou fazendo aqui”

Ouro nas estrelas

Neutron_star_illustratedOs dicionários ensinam que ciência é o conhecimento atento e aprofundado de algo, através de observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos… É assim que se faz ciência, mas antes de tudo tem que existir os investimentos estruturais, educacionais, financeiros e isso são coisas que não podem parar, porque se não for assim, a ciência se torna apenas uma cópia mal feita e atrasada. O Brasil recentemente avançou anos luz em direção a boa ciência e nossos cientistas alcançaram patamares que existiam apenas em sonhos, porém, a sofreguidão de políticas acomunadas com os crimes de corrupção, ativa, passiva e terrivelmente toleradas, estão fazendo o avanço se transformar em um vácuo sem inércia.  – Culpar a quem? – A nós mesmos, os tolerantes! Dia, 16/10, o mundo dos estudos foi sacudido pela colisão de duas estrelas de nêutrons, segundo os estudiosos, inclusive brasileiros que participam das pesquisas, foi uma das mais espetaculares e violentas ações do universo. A peleja se deu a uma distância que nem de longe me abestalho a calcular, e começou há mais  de 10 bilhões de anos, na galáxia NGC 4993, quando duas estrelas com 10 vezes o volume do Sol, deram uma barruada e como consequência sobraram para a posteridade duas estrelas de nêutrons, que agora também se choraram e criaram, entre outras transformações galácticas, uma mina estelar de ouro e platina, consequência da formação de elementos químicos liberados na explosão. Daqui a alguns milhões de anos luz, quem sabe, choverá ouro sobre a cabeça dos personagens do futuro. De uma coisa eu sei, é bem melhor do que o banho de lama fedida que estamos tomando diariamente. Fontes: UOL, G1, Jovem Nerd

Cartas de Enxu 20

9 Setembro (9)

Enxu Queimado/RN, 16 de outubro de 2017

Sergipano, hoje dei por fé que há muito parei de escrever as cartas contando das coisas daqui e fazendo moído das coisas desse mundão de Nosso Senhor. Mas não foi por querer, pois querer eu queria, mas digo que esse negócio de WhatsApp e Facebook ainda vai destruir esse planetinha mal amado. Rapaz, a gente fica tão vidrado nos fuxicos da telinha que esquece da vida. E por falar em Nosso Senhor, você viu que o Rio Grande do Norte superlotou os altares e andores com 30 novos santos mártires de Cunhaú e Uruaçu? É santo seu menino, é santo! É tanto que o governador papa jerimum, com o sorriso de orelha a orelha, temperou o gogó e sob as bênçãos do Papa Francisco afirmou que o RN agora era exportador de santos. Meu amigo, o homem estava tão eufórico que vi a hora ele anunciar que era obra do seu programa de governo. Mas se não foi, um dia vai ser, porque político não deixa uma oportunidade assim passar em branco.

Os mártires de Cunhaú foram assassinados, em 16 de junho de 1645 por soldados holandeses e índios tapuias, enquanto assistiam a missa dominical na Capela do Engenho Cunhaú. Os mártires de Uruaçu foram perseguidos e presos pelo mesmo grupo e mortos em 3 de outubro do mesmo ano, nas margens do rio Uruaçu. Cronistas da época contam que o massacre se deu por motivo religioso, porque os invasores holandeses eram de religião Calvinista e traziam em sua tropa um pastor protestante para converter os invadidos. Porém, há quem diga que tudo se deu por briga pela posse da terra, pois holandeses e portugueses, naqueles tempos, sempre trocaram farpas e sopapos pelo bem bom dessa terrinha chamada Brasil.

Sergipano, saindo dos redutos da fé, as coisas por aqui vão indo do jeito que dá. Este ano a pesca da lagosta está sendo mais fraca do que caldo de batata e o peixe também tem nadado meio desconfiado com as redes. Deve ser a tal da crise que estendeu seus tentáculos pelo mar. Será? Os ventos também não estão ajudando e tem soprado com intensidades bem acima da média de anos anteriores. Quem acha bom é a turma dos geradores eólicos, que aqui tem que nem peste. Olhando de longe é um paliteiro só! O mar, com essa ventania desenfreada, se arrepia todo e assim fica difícil para o pescador correr atrás do sustento. Não é que não tenha peixe e nem lagosta, tem, mas tem pouco. Tudo isso, alinhado com a seca que se apresenta a cada dia com uma cara mais feia do que a outra, tem trazido um ar de incerteza com o futuro próximo.

E por falar em eólico, juro que não me conformo com as coisas desse país sem controle, onde uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Os fiscais do meio ambiente rangem os dentes e partem para pegar no mocotó do desafortunado que se arvorar em pegar um bichinho qualquer do mato para servir de mistura no almoço dos bruguelos, mas se abrem em sorrisos permissivos quando da liberação para destruição das matas da caatinga, onde moram os tatus, os camaleões, os veados, as avoantes, em prol de construir parques eólicos. – E as dunas? – Se o caboclo se abestalhar e for tirar uma pá de areia do beiço de uma duna e for pego pelos homens, é papo para uns tantos dias de cadeia e uma multinha a ser paga até a quarta geração da família. Porém, as torres geradoras de energia eólica estão lá como se nada fosse com elas. E não é mesmo!

Sabe meu amigo, deitado em minha rede na varanda e vendo a danação de cata vento espalhado, fico pensando se essa seria mesmo a forma mais limpa para gerar energia. Olhando para as vastas extensões de terras ocupadas pelos parques, não acredito que essa conta seja tão limpa assim. Como diz o ditado: Só o tempo dirá!

Ei, sergipano, diga aí como vão as coisas na sua Terra Caída? Como vai o velho e bom Toma Burro? Rapaz, estou com saudades de comer aquelas sapecas deliciosas, acompanhado de uma branquinha. E as canoas? Estou saudoso de sentar na beira do píer e jogar conversa fora olhando as estrelas e escutando o marulhar das águas do rio. Do pôr do sol esplendoroso. Do incrível tapete de caranguejos chama-marés e dos massunins da ilha da Sogra. Estou saudoso sim, meu amigo, mas qualquer dia darei sossego aos punhas da minha rede e botarei o pé na estrada no rumo da Bahia, onde tenho aquele maravilhoso casal de filhos mais lindos do mundo.

Pois é meu bom amigo Gileno Borges, navegador dos sete mares e o sergipano mais baiano que conheço, a vida nessa minha cabaninha de praia está assim, com um olho no coqueiral e outro nas coisas do mundo. Largue sua preguiça de lado e venha aqui, homem de Deus. Você vai gostar e Cassinha gostará mais ainda.

Um cheiro nos dois e que os santos mártires nos abençoe.

Nelson Mattos Filho

E a pedra passou raspando!

colisacc83o-terra-asteroide-20150923-042Para quem não soube, porque ficou entretido na troca de farpas das trincheiras dos chafurdos ideológicos ou outros motivos mais apressados, ontem, 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira desse Brasil destrambelhado e mal amado, passou um asteroide tirando um fino intergaláctico em nosso quengo. Como nos dias de hoje tudo vira super produção, o passeio do pedregulho de pouco mais de 30 metros de diâmetro foi mostrado ao vivo nas telinhas, mas perdeu de capote para a briga de foice entre direitistas e esquerdistas, posições estas que mudam de lado num piscar de olhos e que tem lances hilários. – Mas o que tem a ver mesmo essa postagens mais atrasada do que salário de servidor da administração estadual do Rio Grande do Norte? – Peraí! – Não esculhambe não, pois foi só um atrasinho besta de um dia, viu!  O que me chamou atenção e revolvi comentar sobre a passagem do “2014 TC4”, apelido do “xexo”, foi uma frase do cientista Detlef Koschny, da Agência Espacial Europeia: “A passagem do asteroide não é preocupante, mas aproveitamos para treinar”. Pois segundo ele, a “humanidade não estaria preparada para se defender de um asteroide surpresa”. Aí eu me pergunto: Como danado se prepara para se defender de uma rebolo de pedra, do tamanho de um trem, que descamba do céu na velocidade de um risco de luz? O cientista das “oropa” deve está tirando onda. Será que ele nunca ouviu a frase do craque de futebol Didi, “Treino é treino e jogo é jogo”? 

É assim

03 - março (59)

“No mar, em um barco a vela, aprendemos que por mais que os ventos sejam contrários, sempre existe um modo para regular as velas e assim, o barco continua navegando. Basta sensibilidade para sentir o vento”

Nelson Mattos Filho