Arquivo do mês: junho 2012

Volvo Ocean Race anúncia mudanças para próxima edição

VolvoOceanRace_vor120628_farr_0003_jpg_sml

A Volvo Ocean Race 2011/2011 ainda não terminou e a organização já anunciou mudanças significativas para a edição 2014/2015. A principal mudança será na diminuição do tamanho dos barcos. Os atuais VO 70 serão substituídos por barcos menores e mais seguros com 65 pés. A ideia de trocar os VO 70 pelos VO 65 é visando baratear o projeto e incentivar novas equipes a entrarem na disputa. Os novos barcos terão um único projetista e serão construídos por um consórcio de estaleiros. 

Anúncios

Mais um amigo virtual que se tornou real

IMG_0306

Quando anunciei aqui que iríamos a São Luiz do Maranhão para fazer parte da tripulação do veleiro Tranquilidade em sua primeira travessia até Natal/RN, o leitor José Epifânio fez um comentário se oferecendo para nos guiar pela barra que adentra a praia de Camocim, na costa cearense. O convite era assim: Já que estávamos passando por ali mesmo, porque não entrar? Infelizmente o convite não pôde ser aceito, mas o cearense arretado não entregou os pontos e manteve a vontade de nos conhecer pessoalmente. Quando soube, através do SPOT, que estávamos atracados ao píer do Marina Park Hotel pegou o carro e foi até lá. Foi uma surpresa boa e um excelente bate papo até o finzinho da tarde, pois, como todo bom cearense, Epifânio é mestre em cativar amigos. Conhecemos Epifânio também pela internet, através do blog do Maracatu, do amigo Hélio Viana, quando ele e a esposa Camila foram fazer um charter e tudo foi muito bem registrado na série de postagens intituladas, A marinização da Camila. E como bem escreveu Hélio: …foi mais um amigo virtual que se tornou real.  Convidamos o Epifânio para seguir com a gente até Natal, mas ele também infelizmente não pôde aceitar o convite. Tem nada não amigo, fica para outras vezes! E assim a gente vai colecionando amigos!

O Avoante e os poetas

Regata Batalha Naval do Riachuelo 170

Poeta é poeta e sempre vai viver a vida em torno de musas, sonhos e paixões. O poeta sempre vai olhar o mundo pela íris da beleza e pelo manto sagrado dos sentimentos, não interessa se esses sentimentos sejam tolos, abstratos ou verdadeiros como a alma humana. O poeta sempre consegue garimpar o perfume suave com a essência mais pura. Na cabeça de um poeta tudo são flores e as palavras passeiam de mãos dadas ao redor de um jardim tão florido e belo que as rosas se multiplicam a cada passada. O meu amigo, velejador e grande poeta Erico Amorim das Virgens, que brinda a vida ao lado de sua amada Renata na foto acima, não se conteve quando viu as homenagens que os leitores Elson Fernandes e Carlos Ferreira fizeram ao Avoante em forma de poesia, que postei aqui com os títulos Uma poesia para o Avoante e Coisas que emocionam, e nos presenteou com essas palavras que agradecemos de todo coração.

Avoante 1

Movimento? Quase sempre.

Aquele som diferente; desconhecido?

Talvez.

A paz como em qualquer lugar

para quem se acha em paz.

Vastidão de tempo e espaço

O tempo corre diferente entre as cavernas.

Os sonhos se concretizam

São aqueles pontinhos brancos no meio do mar.

 

A Carne de Sol do Maranhão

cotidiano  (10)IMG_0278IMG_0279IMG_0282

Se você é apreciador de Carne de Sol deve saber que ela é a cara da culinária potiguar e que tem no município de Caicó, situado no coração do sertão do Rio Grande do Norte, a fonte de seus sabores mais famosos. Mas o pedaço de pecado da gula que ilustra esse post, não saiu das pastagens quentes das terras caicoense e sim das margens dos manguezais maranhenses. Botamos a vista em cima dessa manta de boa mesa quando caminhávamos entre as bancas do Mercado Central de São Luiz e de cara já sabíamos que era mercadoria de primeira qualidade. Flávio Alcides nem pestanejou e nem regateou preço, foi logo chegando junto do simpático vendedor e dizendo: Corta esse pedaço que vamos levar. O vendedor, vendo que entendíamos da iguaria, ainda temperou o sabor da carne com muito conhecimento de causa e efeito. Dizendo que em nenhum lugar do mundo encontraríamos uma carne tão gostosa. Pois não é que ele tinha razão! A carne estava realmente dos deuses e fazia muito tempo que não comíamos uma carne de sol tão saborosa e macia. Lucia tirou uma receita da caixinha de surpresas e colocou o pedaço de carne no forno, para ser  acompahado com arroz de leite e farofa d’água. A tripulação do Tranquilidade  não se conteve nos elogios e levou quase duas horas para conseguir levantar da mesa, que ainda teve como sobremesa goiabada cascão com queijo de coalho assado. Caicó que me desculpe, mas a Carne de Sol do Maranhão tem lugar marcado no primeiro time da gastronomia nordestina. 

Forró arretado!

newsletter_sao_joao Com uma programação forrozeira para homenagear o centenário de Luiz Gonzaga, o Iate Clube do Natal promoverá dia 29/06 o tradicional São Pedro a Bordo. Vai ser forró até umas horas com muita quadrilha, animação, comidas típicas e arrastapé. Acho bom você levar dois pares de chinelo ou dois pares de conga, para não ter que dançar com a sola do calçado furado. Tudo está muito bem explicadinho no cartaz, mas para não ter dúvidas: A sanfona começa a tocar às 21 horas e a senha você consegue na secretaria do clube. Mais informações pelos fones: 3202 4402/3202 7676. 

Contando quase tudo e agradecendo

IMG_0307IMG_0316IMG_0321IMG_0325IMG_0327IMG_0335

Como prometido no post O TRANQUILIDADE JÁ ESTÁ EM CASA, aqui vai o diário de bordo da nossa navegada de Fortaleza/CE a Natal/RN

Saímos de Fortaleza às 12 horas da Quarta-Feira, 20/06, com tempo bom, mar melhor ainda e vento soprando lá pelos 17 nós, mas como sempre, vindo diretamente em encontro a proa do Tranquilidade. Mais uma vez os motores funcionando a todo vapor e a gente tendo que aguentar o ronco. Fazer o que? Três aviões da Força Aérea Brasileira surgiram voando baixinho no horizonte, dando um belo espetáculo. Os bichos voavam rente ao mar e quase na altura do nosso olho. O mar do Ceará estava enfeitado com uma bela roupagem azul e deixando para trás as rasas águas maranhense. Foi assim que navegamos o restinho do dia e entramos a noite já aproando as belas dunas de Canoa Quebrada, mas o vento festejou a noite soprando forte e mostrando que ali era o terreiro dele. 28, 29, 30 e mais alguns nós de lambuja. Com todo esse festeiro de arromba, o mar resolveu entrar na festa arrepiando as ondas. Bom demais! O dingue, que vinha preso na targa de popa, chiou com toda essa barulheira e resolveu tentar pular na água, mas fomos mais rápidos e prendemos o teimoso. Depois da trabalheira com o dingue revoltoso, o piloto automático entrou em greve e não teve mais quem o fizesse trabalhar. Novamente bom demais! Sobrou serviço para a tripulação, que se dividiu em turnos de 2 horas, mas sem muita rigidez de horário. O Tranquilidade fazia uma média de 5 nós de velocidade naquele mar encapetado e enfrentando o vento nos peitos. Ondas lavavam o convés e a madrugada foi chegando para acalmar toda a bagunça. O novo dia amanheceu e já navegávamos em águas potiguares e avaliamos que no dia seguinte estaríamos em Natal. O Sol foi esquentando e novamente o vento arrochou o nó e o mar veio junto, mas ai já estávamos no través do litoral da Costa Branca potiguar, e nunca vi um lugar demorar tanto a passar como foi a pesqueira cidade de Diogo Lopes. O mar por ali levantou ondas de mais de 2,5 metros e o Tranquilidade pulava feito um cabrito, de onda em onda, mas quando o Sol se foi fomos juntos, e logo estávamos no través da praia de Galinhos, quando entrei para dormir o sono dos justos. Acordei para o meu turno a meia noite, puxado pelo dedão do pé pelo comandante, quando estava no través da minha bela praia de Enxú-Queimado, lugar que tenho boas histórias para contar, e não soltei o timão durante o resto da madrugada até que as 4:30 horas da manhã, debaixo de um verdadeiro dilúvio, passei a bola para o comandante já próximo ao través do Farol do Calcanhar, onde o Brasil faz a curva. Quando acordei do meu breve sono de uma hora, registrei que muita chuva ainda estava por vir, pois as nuvens tomavam conta do mundo a nossa volta. Faltavam menos de 30 milhas para Natal e fomos avançando na mesma média de 5 nós de velocidade, com o nosso último banquete a bordo sendo preparado pela comandante Lucia. Coxinhas de Frango Crocante ao molho de cerveja, acompanhado por um delicioso Arroz Chop Suei e Salada. Dos Deuses! Próximo a praia de Muriú um tranco no motor de bombordo anunciou que havíamos cruzado com uma rede ou alguma coisa no mar. O mar está cada vez mais tomado por redes, mal educados e donos do mundo. Nessa hora não enxergávamos 10 metros a frente e muita chuva ainda estava por cair. Com apenas um motor e com uma pequena velinha de proa continuamos navegando em direção a barra de Natal. Às 14 horas o comandante Flávio Alcides assumiu o timão e depois de 19 minutos entramos felizes pelo Rio Potengi, com o Tranquilidade fazendo o reconhecimento do seu novo lar. No píer do Iate Clube do Natal um amigo para todas as horas estava lá, todo encharcado, para receber os cabos que prenderiam o Tranquilidade para seu merecido descanso depois de 50 horas, 19 minutos e 20 segundos de Fortaleza a Natal. Mais uma vez Helio Milito provou o grande carinho que tem por nós e por todos que chegam do mar. Ele que um dia esperou o Avoante, debaixo de outra chuva forte às 4 horas de uma fria madrugada, estava lá para nos dar um grande abraço de boas vindas. Obrigado meu amigo! É muito gostoso chegar ao nosso porto e receber o abraço dos amigos, mas o dia ainda me reservava fortes emoções. Mas sobre isso falou em outra oportunidade. Eu e Lucia agradecemos ao comandante Flávio Alcides e ao seu filho Bruno pelo convite e pelo prazer de tripular o Tranquilidade em sua primeira navegada pelos mares. Agradecemos também aos amigos Sérgio Marques, Moby e Erasmo que nos fizeram companhia de São Luiz/MA a Fortaleza/CE e dizer que para sempre estarão em nossos corações. E nunca poderíamos deixar de agradecer a todos vocês leitores que são a alma, a força e o principal objetivo que move o nosso blog pelas ondas do cotidiano da vida.  Continuarei contando coisas e fatos ocorridos nessa viagem fantástica e cheia de aprendizados, pois o mar nunca deixa de nos ensinar e marcar a nossa vida com coisas boas e belas. Muito Obrigado!

Com a proteção de São José de Ribamar

IMG_0098

Esse texto é o segundo sobre a navegada no Tranquilidade de São Luiz/MA a Natal/RN que escrevi para a Coluna Diário do Avoante, no Jornal Tribuna do Norte, e que é publicada todos os Domingos. O primeiro, O Tranquilidade e o Boi do Maranhão, postei aqui na semana passada. Espero que tenham uma boa leitura.

Envolvidos pela marcação forte dos pandeiros, matracas, tambores, zabumbas e das cores fortes do alegre Bumba meu Boi, soltamos as amarras que ligavam o veleiro Tranquilidade ao píer da Associação de Vela e Esportes Náuticos do Maranhão – AVEN. Na pequena varanda do clube, um grupo de amigos nos desejava bons ventos.

Vimos o quanto é difícil deixar as águas maranhenses de São José de Ribamar, um Santo de grande devoção entre o povo do Maranhão. Muitos usam Ribamar como segundo nome como mostra de fé e devoção. A história conta que um navio vindo de Lisboa naufragou na Baía de São José e os tripulantes, para se salvarem, invocaram a proteção de São José e prometeram erguer uma capela no povoado que avistavam do mar. De imediato o mar se acalmou e a tripulação foi salva. A promessa foi cumprida e uma imagem do Santo protetor foi colocada no local.

Continuar lendo