Arquivo do mês: fevereiro 2010

NORONHA EM FÚRIA

Na semana passada foram divulgadas, pela Internet, fotos de um forte swell que atingiu a Ilha de Fernando de Noronha. A Ilha pernambucana sempre sofre com as fortes ondas, que fazem a alegria dos surfistas e trazem muitas preocupações para os proprietários de embarcação.  Repassei as fotos ao amigo e velejador Orion, veleiro Bicho Papão, que fez um relato de um swell que ele enfrentou na Ilha em 1999, participando de uma edição da REFENO. Pedi permissão ao Orion para divulgar no Blog o seu relato, o que me foi autorizado. Muito obrigado meu amigo e fique certo que nossos leitores irão gostar muito.

Oi Nelson.
Tudo bem com vocês? Tenho lido seus artigos frequentemente. Muito bons. Gostaria de saber quando foram tiradas estas fotos. É coisa recente? No dia 02.10.1999, pouco depois da largada da Regata Noronha-Natal, 5MN da ilha, quebrou o leme do meu barco. Voltei para Noronha rebocado e ancorei a uns 150m dos molhes. Tirei o que sobrou do eixo e da madre, mais o projeto do leme, e mandei para o Bryan,  em Cabedelo-Jacaré, para ele fazer um novo. Fiquei esperando em Noronha durante 30 dias. No dia 25.10.1999, entrou um Swell destes e tive que soltar uns 100m de cabo de âncora para poder me afastar dos molhes o máximo possível da arrebentação. Também passava por cima dos molhes e tirou quase toda a areia da prainha do porto. A água passava por cima do asfalto, perto da lojinha Apnéia, e caia do outro lado, fóra do porto. A água batia nos rochedos do forte e espirrava espuma quase lá em cima (foto anexa). Todos os barcos saíram do porto. Foram três dias de grande tensão a bordo. Eu tinha deixado uma bomba injetora na ilha para soldar a base, próximo ao furo do parafuso de fixação, e estava sem motor também. Sem leme e sem motor. Foi um sufoco… Um navio de madeira que fazia o transporte de mercadorias de Natal para Noronha – que depois viria a naufragar em uma de suas viagens – estava com o meu leme que o Érico das Virgens havia pego em Cabedelo e despachado para mim. O barco ficou ancorado perto de nós e tinha mais uns 30cm de borda livre para que a água não invadisse o convés e levasse o meu leme para o fundo. Era só o que faltava, mas não era não. No dia 27.10.1999, depois de passar o Swell, no meio da noite disparou o alarme de profundidade, que eu havia configurado para Min 10m e Max 20m, e levantei para tirar a água do joelho e dar uma olhada. Notei que os barcos a minha volta tinham sumido… “Onde está o barco da Atlantis que estava ao meu lado? E o barco do Carlinhos? Onde está o porto? Onde está a ilha?”… Foi um susto da porra. Pense numa sensação ruim… hehehe. Eu já estava muito longe de Noronha, rumo NW, a deriva.  A profundidade aumentando rapidamente. Emendei quase todos os cabos que tinha a bordo e lancei a minha âncora reserva. Finalmente consegui parar o barco com 119m de profundidade. Pelo rádio consegui reboque de um barco de pesca ancorado lá perto do porto. Eram 4:30hrs da madrugada quando voltei a fundear nas próximidades do porto. No dia 28.10.1999 consegui recuperar a âncora de 15kg, 30m de corrente calibrada e uns 20m de cabo de âncora de 20mm. Ele tinha arrebentado roçando no fundo de rocha vulcânica depois que o Swell tinha passado. No dia 29.10.1999 o Carlinhos me rebocou para dentro do porto e me ajudou a colocar o leme no lugar. Chegamos em Natal no dia 02.11.1999 e convidamos o Érico das Virgens e outros amigos do clube para comer conosco um saboroso churrasco em volta da piscina. Alguns maus momentos entre tantos bons e boas lembranças.    
Grande abraço.
Órion

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ENTRE O MAR E A SERRA

                                   Moramos a bordo de um veleiro, mas isso não quer dizer que a gente passe a vida inteira no mar, comendo peixe, se bronzeando, tomando banho de praia, velejando e enjoando mais do que tenha direito. A vida a bordo apenas nos da mais liberdade de decisão do que se estivéssemos presos aos encantos e chamados da vida urbana e suas arapucas.

                                   Fazemos o possível e o impossível para não voltar a se encantar novamente com os sons e cores das cidades. Não é tarefa das mais fáceis, até porque os reclames são insistentes e as ofertas são infindáveis. Tudo é voltado para a eterna prisão do modismo e das causas relâmpagos. Nada mais é eterno, inclusive os sentimentos, nada mais é concreto e tudo não passa de um dia para deixar de ser novidade e cair na vala comum do esquecimento. O mundo globalizado esta cada vez mais volátil e perigoso. Tudo hoje parece ser insignificante, até as nossas Leis. Diante de tanta informação sobrando, quem diria!

                                   Não estou pregando uma vida de eremita, nem um barco é lugar para se estar sozinho, que me desculpem os velejadores solitários, tanto é que não passamos à vida inteira no mar. O melhor de nossas velejadas são as chegadas em algum pequeno porto ou localidades ribeirinhas. Fazer novos amigos, conhecer novas culturas, saborear novas comidas, se encantar com a paisagem e viver a vida. Isso tudo faz parte do enredo de um cruzeiro a vela.

                                   Prego sim a vida que sei que existe além do horizonte. Nosso rumo esta traçado em busca da simplicidade que ficou perdida em alguma parte do mundo. Nosso objetivo é a sinceridade ainda presente nas pessoas, mas escondidas pela falsa razão. Nossa bussola indica um norte verdadeiro que apenas aqueles de bom coração sabem onde fica. O mundo seria diferente se tivessem mais velejadores singrando os mares. Quem anda pelo mundo guiado pelos ventos e pelos mares, sabe ouvir, esperar, respeitar, obedecer, reconhecer, amar e o mais importante, sabe que a solidariedade e a ética dignificam o homem.

                                   Com o Avoante ancorado na segurança do Iate Clube do Natal e passando por algumas manutenções de rotina, essa parte nunca acaba, nossas cabeças viajantes nunca param de maquinar. Os lugares a serem visitados se multiplicam a nossa volta e fazer uma escolha não é tarefa das mais fáceis.

                                   Fazer o caminho do litoral de carro, às vezes não é a melhor escolha. Lucia tem mania de dizer que uma praia vista do mar é outra coisa, e acho até que isso esta ficando enraizado em nossa mente, porque é assim mesmo que vemos.

                                   Queríamos mesmo era velejar, sair cortando o mar com a quilha do nosso Avoante, soltar e caçar velas, sentir o mar bater no rosto, escutar o assobio do vento nos estais, esquadrinhar o mar até onde a vista alcança, escutar o namoro das ondas com o casco, dormir naquele balanço desconexo e acordar quando sentir que o balanço mudou. Queríamos saborear o gosto de sal escorrendo em nosso rosto e se deliciar quando a noite cobrir o dia e as estrelas formarem aquele belo manto de luzes brilhantes.

                                   O Avoante parece sentir que esse dia se aproxima, as coisas a bordo começam a se organizar, apesar de uma presente e a ativa síndrome do jaquismo. Já que estamos aqui, porque não fazer uma pintura interna. Já que estamos aqui, porque não trocar o sanitário, já que estamos aqui… . Mas, ele sabe esperar e sabe que toda essa espera é para o seu bem e para a boa recuperação da tripulação. Afinal, barco tem alma e além de tudo ele sabe ouvir.

                                   Sobre a mesa de navegação as Cartas Náuticas deram lugar a mapas e roteiros de viagens. De uma coisa estávamos certos, não queríamos cidade grande e não iríamos ao litoral. Tínhamos cede de paz e tranquilidade coisa que no litoral, nesse período, não existia, ainda mais indo de carro. Precisávamos de história, cultura, calor humano e ver um mundo diferente dos grandes centros. Queríamos o simples, o pé no chão e o olhar sincero das pessoas. Não queríamos ir longe, apenas o bastante para ainda poder sentir a pulsação firme do coração do nosso barquinho.

                                   O mapa indicava para o oeste e com isso o litoral ficaria para trás. As grandes cidades ficariam para trás. Uma bonita serra se destacava em meio aos relevos e traçados. É para lá que nós vamos! Serra da Borborema, cidade de Bananeiras.

 

Nelson Mattos Filho

Velejador

ACIDENTE COM NAVIO DE CRUZEIRO

Na semana passada um navio de passageiro suspendeu de Fortaleza/CE deixando no caís 100 passageiro e 2 tripulantes. O comandante do navio justificou a saída as pressas devido aos fortes ventos que sopravam no momento, que poderiam pôr em risco a embarcação e o restante dos seus passageiros. A medida foi debatida, criticada e foi motivo de muitas piadas. Hoje navegando no site Globo.com, soube que um navio de passageiros que estava ancorado em um balneário no Mar Vermelho foi jogado contra o caís e com o impacto, três tripulantes, sendo um brasileiro, morreram devido os ferimentos. Mais quatro pessoas ficaram feridas, três turistas e um tripulante. O navio levava 1.473 passageiros e 147 tripulantes. O brasileiro trabalhava como cabeleireiro a bordo do navio. O choque se deu pela força dos ventos e o mau tempo que jogou o navio sobre o caís do porto, mesmo estando atracado. Ordem de comandante de embarcação não se discute, se cumpre.

UMA BOA VELEJADA

                                  O mar estava brilhante e quieto. O vento soprava do quadrante Leste com rajadas suaves. A noite estrelada com um céu sem nuvens e a lua crescente dava seu toque de elegância. Navegávamos em meio a varias plataformas de petróleo com suas imponentes chaminés e suas estruturas em ferro e aço. Visões fantásticas e preocupantes de uma cidade no meio do oceano, mas as luzes e a alegria de encontrar vida em meio aquela escuridão e silencio do mar, levava-nos a uma incrível sensação de euforia e de fazer parte de um mundo em paz.

                                   No céu uma aeronave fazia vôo de inspeção em torno daqueles edifícios plantados no mar. Não estávamos sozinhos naquele marzão. A bordo tudo caminhava na mais perfeita harmonia e paz. No toca CD, Bob Marley cantava embalando o Avoante naquela lenta navegada, de 4 nós de velocidade, 8 kilometros por hora. Não tínhamos pressa, apenas objetivo de chegar, isso poderia ser a qualquer dia e a qualquer hora.

                                   A aeronave continuava a fazer sua ronda, quebrando a intervalos espaçosos o silêncio da noite. Navegávamos próximo da meia noite, Pedrinho sentenciava, “este vento acaba já…”. Meia noite em ponto, a última plataforma ficaria para traz, a aeronave sobrevoou o Avoante e se afastou em direção à costa de Sergipe, levando com ela o que restava do vento. As velas começaram a bater, o barco diminuiu a velocidade e passou a ser levado apenas pela correnteza do mar, que nos afastava da cidade de aço em direção a noite escura do oceano.

                                    Manoel, que vinha em seu turno de comando, comentou: “aquele helicóptero roubou nosso vento…”. Pedrinho que estava descansando e fazendo algumas paródias para as músicas de Bob Marley, perguntou: “Nelson o vento acabou, é agora?”. Respondi de dentro da cabine: “vamos dormir que um dia ele volta!”. Demos uma grande gargalhada, abrimos um vinho e brindamos aquela noite maravilhosa. Boiamos levados pela correnteza e dormimos com o balanço e o sussurro das ondas passando sob o casco. Às 4 horas da manhã entrou um ventinho e o Avoante retomou seu curso. Fomos acordados com o disparo do carretel, no anzol estava um belo atum que serviu de alimento para nosso café da manhã.

                                   Como são gratificantes estes pequenos momentos vividos no mar. O barco é nosso mundo em que depositamos todas as nossas esperanças de vida. Às vezes estamos sozinhos naquele mundo que nunca para de se movimentar, alternando humores de acordo com os ventos e as correntes. As aparições de luzes no horizonte são confortos e ao mesmo tempo preocupações, até sabermos do que se tratam, nossa atenção passa a ser redobrada.

                                   As plataformas são paradoxos para a paz e o silêncio no mar. O trabalho ali não para, seus motores ligados sem tréguas, o trabalho é perigoso e stressante, mas seu jeitão pesado e parado no meio do nada deixa a impressão de calma e de uma fugaz alegria ao navegador. Sem contar que sempre que precisamos de ajuda, podemos contar com o apoio de seu pessoal e dos equipamentos que lhe dão suporte.

                                   Uma noite no mar a bordo de um barco de cruzeiro, com todo o conforto de uma pequena casa, não existe sensação melhor. Nesse mundo cão em que vivemos hoje, com a criminalidade imperando em todas as frentes, estar no mar, apesar de todos os seus perigos e mistérios é uma experiência fantástica.

                                   As cidades olhadas do mar, com suas luzes piscando desordenadas num festival de cores e sinais, transmitem incertezas e curiosidades fantasiosas. São muito bonitas, elegantes, mas escondem suas mazelas naquele quadro iluminado e brilhante.

                                   Quantos velejadores gostariam de continuar suas viagens sem destino e sem rumo, viajando ao sabor dos ventos e das correntes. Quantos entram em parafuso somente em pensar que um dia terão de retornar ao mundo urbano. As grandes cidades ficam muitas vezes fora dos roteiros desses velejadores do mundo.  Passam muito distantes, apenas sentindo sua força e a luminosidade que adentra muitas milhas pelo mar.

                                   Velejar entre plataformas de petróleo, não é seguro nem recomendado, muito menos permitido a aproximação. Elas nunca fizeram parte de minhas rotas, sempre passo bem longe. A curiosidade sempre me atiçou a conhecê-las de perto, nem que fosse navegando nas proximidades. Foi assim que velejando próximo à costa de Aracajú, com todas as condições favoráveis de mar e vento, matei minha curiosidade e tive uma das minhas grandes velejadas.

                                   Quanto às cidades, elas ainda me atraem e continuo a traçar meus rumos em suas direções. Não sei até quando!

 

Nelson Mattos Filho

velejador 

MOVIMENTO DOS SEM BARCOS-MSB

Myltson, Antônio e GeraldoNo Brasil existe movimento para tudo, até para tocador de gaita sem instrumento. Agora um grupo de velejadores de Natal/RN, de tanto cruzar no pátio do clube com veleiros abandonados e doidinhos para cair na água, resolveram fundar o MSB – Movimento dos sem Barcos. Os lideres do movimento rebelde/radical são os sem barcos Antônio (gaúcho) e Myltson(pompom), dois apaixonados por vela que basta alguém pensar em velejar que eles já estão a bordo aguardando. Parece que o movimento começou com força total, já que em menos de uma semana já apareceram novos sem barcos na parada. O grupo já estuda a confecção de bonés e camisetas vermelhas para intimidar comandantes. Eles prometem invadir os barcos, fazer toda manutenção necessária, atualizar documentação, encher as geladeiras com cervejas geladas, providenciar os churrascos de lançamento na água e ainda ajudar a puxar cabos e subir velas. Eu mandei um aviso ao palhoção central dos lideres que o Avoante precisa de raspador de craca, colocador de sanitário, consertador de retranca e pintor externo e interno, pelo o que eu soube, os caras acharam graça, porém até agora não pareceu ninguém. Na foto acima os lideres do movimento passam todas as informações ao comandante Geraldo que já esta barbudo de saber das intenções da dupla rebelde.

NAUFRÁGIO DO CONCÓRDIA

Os sobreviventes do veleiro canadense Concórdia que naufragou a 330 milha do litoral do Rio de Janeiro, já se encontram a salvo e 51 já se encontram em terra. Isso foi o que anunciou a Marinha do Brasil em entrevista coletiva do vice-almirante Gilberto Max Roffé, comandante do 1ª Distrito Naval. Ele ressaltou ainda que o encontro da equipe de salvamento com os náufragos se deu primeiramente com uma avião patrulha da FAB, que sobrevoava o local do acidente. Um foguete sinalizador foi acionado de uma das balsas salva vidas e assim pôde ser avistado pela tripulação da aeronave. Os navios que navegavam próximo a área foram acionados e começaram a recolher os sobreviventes. “Quando percebemos que o avião tinha visto a gente, começamos a chorar. A aeronave começou a sobrevoar em círculos no local onde estávamos. Não tem como descrever a sensação de alegria”, Essa foi a declaração de uma das sobreviventes. Segundo os primeiros sobreviventes que chegaram em terra, a causa foi um forte temporal que atingiu a área. Na hora do acidente estava tendo inicio uma aula de biologia, quando o veleiro adernou e virou de lado. Em menos de 15 segundos tudo já estava inundado e foi dada a ordem para abandono da embarcação e emitido o sinal de socorro via satélite. Mais uma vez a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira estão de parabéns, numa prova do grande profissionalismo e da competência de seus homens em salva-guardar vidas humanas. O veleiro Concórdia já esteve em Natal em 2008, numa das escalas de suas viagens.

DO MAR PARA O FRIO DA PARAÍBA

Essa o paraibano Hélio do MARACATU vai ficar saudoso, mas a verdade é que sua bela Paraíba tem recantos e encantos que mesmo aqueles que são chegados a certas exigências ficam maravilhados. Um desses belos recantos é a cidade de Bananeiras, situada numa região denominada Anel do Brejo e encravada num dos mais belos cartões postais do Brasil, a Serra da Borborema. Os amigos do sul e sudeste, ou mesmo aqueles acostumados as baixas marcas dos termômetros, que me desculpem, mas que na Paraíba faz frio, isso faz! Não é aquele friozinho congelante de zero grau, aquele que adormece a ponta do nariz, nem aquele que faz a gente andar feito astronauta cheinho de casaco, ou mesmo aquele que congela o brilho do olho, mas é aquele friozinho aconchegante de dois dígitos de mercúrio, as vezes chegando a mais de 20 graus, onde o nordestino, quente que só fogo de juremal, tira o agasalho do baú e fica naquele amassar de braços e esfregar de mãos que da gosto de ver. Nós do AVOANTE, fizemos pareia com Hélio Milito e Zoraide, donos de uma verdadeira flotilha, mas que eu vou dar o sobrenome de casal 2×1, seu mais recente catamarã de 30 pés. Se juntou a nós, o casal Mário e Cipriana Pinheiro, amigos do peito e apaixonados por Bananeiras. Abandonamos por uns dias o calor da brisa marinha de Natal e nos embrenhamos nas estradas que cortam sertões, serrados, vales e serras entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Fomos aproveitar os prazeres de uma aconchegante pousada numa estação de trem abandonada, sentir na pele que o nordeste brasileiro é mágico. Ver uma cidade especialmente acidentada, entupida de história, dona de um casario muito belo e que esta sendo novamente descoberta por brasileiros e estrangeiros que se encantam com o clima, a paisagem e a beleza fácil de suas entranhas. Durante a  fria noite,  não deixamos faltar o bom tinto estrangeirado metido a besta, nem as rodadas de queijos e frios, nem muito menos a bananeirense cachaça Rainha,  de sabor inigualável, com seus 52 graus de calor. Oh bicha Boa! A noite foi soprada por um ventinho gostoso e frio, mas na mesa ao lado um violão, um tantan, um afoxé, um ovinho e um pandeiro, esquentava com o tom da boa música a cidade que adormecia. O dia amanheceu com aquela preguiça natural das cidades serranas e fomos convidados pelo Murilo, dono da Pousada da Estação, para almoçar uma perua no restaurante de dona IRES, assim mesmo, Ires. A perua não tinha, mas a galinha, o arroz de rebôco, a buchada e a carne de sol que saíram das panelas de dona Ires estavam dos deuses. Bananeiras é assim, tudo de bom! Se você duvida, vá lá e prove que eu estou errado, mas não se esqueça de trazer para mim, de lembrança, uma garrafa de Rainha.