Arquivo da categoria: Coisas do Mar

Acidente e recordações de uma Refeno

fitzgerald1navio2

A batida, ou barruada, entre um navio de guerra dos EUA e um cargueiro filipino, acidente acontecido no último sábado, 17/06, no mar do Japão, é no mínimo curioso. O acidente que resultou na morte de sete militares americanos, afogados nos compartimentos alagados do destróier, é um caso a se pensar e precisaria ser muito bem explicado, coisa que dificilmente será. Como pode uma embarcação que dizem ter poder de fogo para destruir uma cidade, equipada com o que existe de mais moderno em matéria de tralhas de navegação e segurança, bater com uma montanha de ferro carregada de container? Soberba? Ego nas alturas? Ou terá sido mesmo a famosa barbeiragem? Isso me fez lembrar um episódio hilário ocorrido durante uma Refeno, Regata Recife/Fernando de Noronha, em que uma frota americana, que seguia para uma das guerras do golfo, ficou em rumo de colisão com os veleiros da regata. O navio dos EUA, que comandava a frota, emitiu aviso pelo VHF para que os veleiros mantivessem afastados e não cruzassem o rumo. O velejador Guga, comandante do trimarã pernambucano Ave Rara, pegou o rádio e respondeu em cima da bucha: – Vocês que se afastem, pois estamos em nosso país e ponto final. Pronto, a flotilha da regata seguiu em frente e esse diálogo oceânico rendeu, e rende até hoje, boas rodadas de cerveja nas praias e bares da ilha maravilha.

Titanic, uma história sem final

1200px-RMS_Titanic_3O colosso, o maioral, o festejado, o desejado, o fenomenal, o cinematográfico, aquele que nem Deus afundaria, o fundo do mar, a tragédia, o silêncio, a escuridão total, a história, o mito, a lenda. São muitas a palavras que podemos definir o Titanic, mas duvido que depois de tantos anos do acidente que marcou o mundo, alguém possa afirmar com todos os pingos nos is, o que realmente aconteceu naquela fatídica noite gelada no mar do norte. Remontar a história dessa lenda que repousa a mais de 3 mil metros de profundida passou a ser o objetivo e o desejo de várias gerações de estudiosos e será para o sempre, pois é assim com os grande enigmas mitológicos. Pois bem, agora os cientistas afirmam que o que ainda resta do centenário transatlântico de casco negro está preste a se dissolver pela ação de uma bactéria, já batizada de Halomonas titanicae, em homenagem ao navio. Dizem que essa bactéria consegue sobreviver em condições onde praticamente não existe nenhum outro tipo de vida, como é o caso da profundidade oceânica em que se encontra o naufrágio, com forte pressão e completamente escura. Será que nem o mar quer ficar com o Titanic? Essa será mais uma página a ser acrescentada a uma lenda histórica que nunca terá um fim. Fonte: G1 ciência e saúde        

E o mar continua lindo

ad7e03f8-3707-4be5-9260-fad3e6288572A notícia que um veleiro foi abordado e saqueado nas proximidades da Fortaleza da Barra, Guarujá/SP, dia 03 de junho, sacudiu os grupos de mídias sociais Brasil afora e foi um prato cheio para aqueles que olham para o mar e só enxergam os reflexos dos traumas urbanos. Claro que essa violência sem controle que assola o país reflete em todos os lugares, mas digo sem medo de errar, que o mar continua o mesmo paraíso de outrora e os casos que acontecem com navegantes amadores são tão raros que nem constam nas estatísticas policiais. Dia desses perguntaram se eu ainda voltaria a morar em um veleiro e nem titubeei em responder que sim. O que ouve no Guarujá foi ação de malandros pé de chinelo, devido a inexplicável e irresponsável falta de fiscalização e ausência de um grupamento de patrulha costeira. Casos semelhantes acontecem em Angra dos Reis, Bahia, Natal, Cabedelo, Recife e até na baixa da égua, mas, sinceramente, é um caso hoje, outro tempos depois. Certa feita, na capital do Frevo, um amigo teve seu veleiro invadido no canal de acesso ao Cabanga Iate Clube e a pouco menos de 100 metros do clube, mas nem por isso deixou de velejar e curtir a vida ao sabor dos ventos. Caso muito semelhante ao acorrido com o paulista. Já vi velejador esbravejando nas redes sociais, depois da notícia de um assalto em uma embarcação nas águas do Senhor do Bonfim, e dizendo que Deus o livrasse de nunca passar nem próximo da Bahia e ele não aconselharia ninguém a ir. Por curiosidade bisbilhotei em seu facebook e notei que ele navega pouquíssimo, vive aterrorizado com tudo e jamais deixou para trás as águas da Baía da Guanabara/RJ. Com certeza ele nunca navegará no melhor mar do mundo, que é o mar da Bahia! Sou solidário com o velejador assaltado no Guarujá e até sinto a dor do seu susto, mas digo que levante as velas e siga no rumo da venta em busca de novos e felizes horizontes, pois é assim que fazem os grandes marinheiros. Fonte: G1         

Mergulhadores resgatados na Flórida

Mar-Mergulhadores-Resgate-696x392Dia 24 de maio sete mergulhares, na Flórida/EUA, foram pegos por uma correnteza e arrastados para distante da embarcação que os dava apoio. Dois foram encontrados pela equipe do barco, porém, cinco deles ficaram a deriva e somente foram resgatados com ajuda de equipes de resgate, isso porque se utilizaram dos sinalizadores, conhecidos como salsichão de mergulho e foram facilmente avistados. Aí fico pensando numa conversa que tive com um amigo que gosta de se aventurar pelas maravilhas do fundo do mar. Na ocasião observávamos uma garrafa avermelhada se movimentando sobre o mar e perguntei se seria um mergulhador. Ele disse que sim, mas falou também que aquilo era uma besteira e que não tinha necessidade num lugar daquele  com pouquíssimo movimento de embarcação. Olhei para ele incrédulo diante daquela resposta e para não entrar em polêmica, preferi abrir mais uma cerveja e mudar de assunto. Fonte: Brasil Mergulho  

Aviso aos navegantes

anima_alturaEssa semana, de 22 a 28/05, os ventos andam soltos pelas esquinas do litoral brasileiro e os alísios que acariciam o litoral do Nordeste estão batendo fácil na marca dos 20 nós, cerca de 40 quilômetros por hora. Pela animação do gráfico do CPTEC/INPE, dá para ver que o mar está de gente grande e a orientação da Marinha do Brasil é que embarcações miúdas permaneçam no porto e as demais, revisem o material de salvatagem, os equipamentos de segurança e passem a vista nos motores, velas e bombas de esgoto. Veja o que diz o aviso:

MAR CONTINUARÁ AGITADO COM RISCO DE RESSACA ENTRE O LITORAL NORTE DA BA E AL

Entre hoje(23/05) e o início da quarta-feira(24/05), o mar ainda continuará agitado com risco de ressaca entre o litoral norte de RS e ES devido à chegada das ondas atingindo quase perpendicular à costa com alturas entre 2 e 3 metros. Por outro lado, a persistência dos ventos de sudeste mais intensos continuarão deixando o mar agitado no litoral norte da BA, SE e AL com ondas de sudeste entre 2 e 3 metros de altura entre a terça-feira(23/05) e quinta-feira(25/05). O risco de ressaca continuará na região.

E agora navegador?

18010027_1233738503414593_8732224621543937981_nEssa imagem periclitante que circula nas redes sociais, que muitos apostam ser verdadeira e outros afirmam que não passa de uma grosseira montagem, e para mim é mais um slide que bem poderia ser exibido em uma sala de aula de navegação. Diz a regra que barcos em rumo cruzado, o que é avistado por bombordo, lado esquerdo, deve dar preferência, ou seja, manobrar para passar por trás do outro, diminuir a marchar, puxar o “freio de mão”, ou simplesmente dar meia volta.  Na imagem mostrada, o navio teria que manobrar e o veleiro seguiria o rumo. Rapaz, discutir essa cena e a regra, sentado numa confortável poltrona e diante de uma telinha brilhante é bom demais. O difícil é estar no mar terrivelmente encrespado, mostrado na imagem, e com um brutamonte navegando em rumo batido e em velocidade de cruzeiro se aproximando. A regra do bom senso do navegante é bem clara para esses casos: Avistou um navio, não tire os olhos dele e manobre sem pestanejar, mesmo que você se ache o rei da cocada preta e todas as teorias, e dizeres das leis, estejam a seu favor.      

E os ventos sopram saudades

P_20170410_081158

Talvez muita coisa esteja esquecida. Talvez muitas lembranças estejam desbotadas. Talvez em um futuro próximo nada exista, a não ser, o vazio de uma história que será contada em minúsculos fragmentos praticamente indecifráveis, em que a glória ficará exposta diante de um olhar de indiferença. Talvez, no futuro, as façanhas dos velhos heróis não represente mais nada e a beleza de suas aventuras sejam para sempre perdidas na imensidão dos oceanos. Talvez, no futuro, não exista mais nem a palavra saudade. A imagem que ilustra essa postagem representa toda a maravilhosa grandeza e glória que foi a vela de oceano nas águas do nordeste brasileiro, em que Maceió, a bela capital alagoana, era o celeiro onde anualmente se reuniam os maiores nomes do iatismo do Nordeste. Olhando para o sorriso de Seu Antônio Marques, ladeado pelo fiel amigo Couceiro, que hoje festejam a amizade lá no Céu, com bons goles de whisky, miro a imagem e me pergunto: – Qual desculpa daremos a eles por ter deixado esse legado navegar tão fora do rumo?