Arquivo da categoria: Coisas do Mar

Olá!!!

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Tem pessoas que entram na vida da gente apenas com um simples olá e se tornam amigos para toda uma vida. Foi assim com o casal Marta Machado e Fernando Luiz, quando certa vez estávamos com o Avoante ancorando no Iate Clube do Natal e cruzamos com o casal saindo do curso de Arrais Amador, que acontecia no auditório do clube. Fernando todo de branco, acusando sua condição de médico, e Marta, também médica, mas observando tudo e querendo saber todos os segredos daquela que seria a nova extensão de sua casa e foi mesmo, pois o casal, durante o bom período em que foram sócios do ICN foram ativos agregadores e animadores de todos os movimentos náuticos e sociais que aconteciam naquele recantinho gostoso nas margens do histórico e belo Rio Potengi. Depois daquele “olá” cultivamos e regamos uma amizade estreita e assim fomos navegando pela vida, aproveitando os alísios, aprendendo com os amuos do mar que banha as terras de Poti, trançando rotas nos mares da Bahia e atravessando boa parte do Atlântico em uma epopeia, que jamais nos sairá da lembrança, até a Ilha de Fernando de Noronha, numa velejada que aconteceu de tudo um pouco e que durou maravilhosas 84 horas.  Aprendemos muito com Marta e Fernando, inclusive como entrar de cabeça e sem noção no negócio de charter em veleiro, porque fomos intimados por eles a montar um charter de sete dias pela Baía de Camamu, passando pelo Morro de São Paulo e terminando nas águas abençoadas da Baía de Todos os Santos. O pacote tinha três exigências básicas: 7 latas de cerveja por dia; 7 garrafas de vinho chileno e algumas caixas de chocolate para Marta. A cerveja era para Fernando, mas como fiquei cabreiro e conhecendo o bebedor como conhecia, comprei quase o triplo e terminamos o charter na reserva da reserva. O vinho deu, mas ficou faltando. Quanto aos chocolates, juro que não lembro, mas a cozinha funcionou a todo vapor, onde Lucia montou um cardápio de fazer inveja a qualquer chef mais famoso e garanto que qualquer um deles perdia feio. E assim foram as nossas navegadas e os encontros ao longo dos anos que se seguiram, tudo muito farto, tudo na mais perfeita harmonia e tudo festejado com muita alegria e boas risadas. Eles dizem que fomos os grandes incentivadores do projeto que rabiscavam a passos moderados de um dia largar tudo para viver a vida a bordo de um veleiro e até me sentia culpado sobre isso, pois sabendo do sucesso profissional e familiar que eles tinham, por muitas vezes desejei que o projeto não largasse as amarras. Porém, os duendes que chafurdam e botam pilha no lado desajuizado do juízo da gente, falavam assim: – Muito bonito pra sua cara de anjo, largasse tudo, jogasse tudo para o alto e nem esperou que caísse alguma coisa na cabeça, embarcou em um veleiro e se danou no meio do mar e agora quer que o sonho dos outros encalhe no vazio da alma? Fizemos uma reunião de diabinhos e decidimos que se você continuar com essa chorumela tu vai ver o que é bom pra tosse, viu! Pois assim foi, Fernando e Marta largaram o indecifrável da vida urbana, se mandaram para os “estaites”, sem medo de errar ou dos erros que por acaso surgirem na proa, compraram um veleiro de oceano e para comemorar a comprar, sentaram no cockpit, diante do mar do Tio Sam,  e fizeram o primeiro brinde da nova vida em nossa companhia. – Se estávamos lá? – Estávamos e não estávamos! – Aliás, não estávamos, mas estávamos! – Peraí, calma que explico! Eles sentaram no cockpit, abriram uma champanhe e enviaram a foto com a frase: “Primeiro brinde junto com vocês!!! Que nos inspiraram e ajudaram muito!!” 

Tim tim, queridos amigos, desejamos que Netuno e todo seu séquito de encantados abençoe suas navegadas e sempre os guiem por águas tranquilas.

Tem novo tubarão no pedaço

untitledCerta vez, em conversa embaixo do sombreiro de uma cabaninha de palha a beira do mar, ouvi de um velho pescador que  o homem não conhecia nem a metade das espécies que habitam o fundo dos oceanos e que ele mesmo já tinha visto tanta criatura esquisita que nem dava conta de contar. Levei aquilo como mais uma estória de pescador, mas em todo caso, para não perder a pareia do bate papo, fiz cara de acreditador e assim, a conversa prosseguiu alinhada. Mas a verdade, verdadeira, é que a ciência não cansa de procurar e anunciar novas espécies marinhas e dessa vez a novidade vem das profundezas das águas territoriais brazucas, com a descoberta de uma nova espécie de tubarão, batizado cientificamente por Parmaturus angelae, mas, sinceramente, se me pedissem para batizar o bichano eu iria chamar de lambioia gilmalógino. Pense num bicho feio e asqueroso! Pois bem, dois exemplares do gilmalógino, ou melhor, Parmaturus, foram capturadas no mar do Rio de Janeiro e Santa Catarina, em profundidade de mais de 500 metros e, segundo o site da UNIVALI, tem as seguintes características: “…origem da primeira barbatana dorsal anterior à barbatana pélvica, presença de crista caudal superior e inferior bem desenvolvida, dentículos laterais em forma de lágrima e falta de cúspides laterais, dentículos uniformemente espaçados e contagens vertebrais. A referida espécie é a segunda espécie do gênero relatada no Oceano Atlântico e apenas a terceira espécie fora da região do Indo-Oeste do Pacífico”. Os cientistas apostam na captura de novos exemplares para aprofundar os estudos, mas em todo caso, fico com palavra do velho pescador: O fundo do mar é segredoso!

Dos arquivos do tempo

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A edição 2019 da REFENO, Regata Recife-Fernando do Noronha, uma das mais famosas provas do iatismo brasileiro, acontece dia 12 de outubro, e não tem como falar em REFENO sem lembrar de todos os personagens que ilustram essa imagem. Alguns estão lá no Alto e sempre serão atentos guardiões da flotilha, outros ainda estão por aí, caçando velas e pedindo água!

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Humor

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Parabéns, comandante Amyr

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O navegador Amyr Klink comemora hoje, 18/09, os 35 anos da realização da sua maior façanha, a travessia do Oceano Atlântico em um barco a remo. Não vou dizer 100% até porque esse é um percentual inexistente em qualquer universo onde existam pelo menos dois indivíduos, mas boa parte dos amantes do mundo náutico tiveram na aventura de Amyr, em 1984, excelente fonte de inspiração, se não para a realização de projetos, mas sim para dar asas a sonhos e paixões.  A imagem do Paraty se aproximando do mar da Bahia ainda está bem viva na memória de uma geração e o livro Cem dias entre céu e mar, continuará alimentando sonhos e traçando horizontes de gerações futuras. Comandante, Amyr, você merece o reconhecimento de todos que fazem o mundo náutico brasileiro. Parabéns e que venham novas comemorações!

Aviso aos navegantes

8 Agosto (141)

Éolo está mandando ver na força dos ventos sobre o litoral do Nordeste neste mês de setembro e não é preciso muito para se ter essa certeza, basta uma rede estirada em uma varandinha de praia e nada mais. É vento, seu menino, é tanto vento que a Marinha do Brasil tem renovado dia após dia o alerta aos navegantes para o litoral entre o Rio Grande do Norte e Maranhão. O alerta da Marinha fala em ventos de mais de 61 km/h, até a noite desta terça-feira, 17/09, e recomenda que pequenas embarcações permaneçam no porto e os comandantes das demais, abram o olho e coloquem as barbas de molho. Quem avisa, amigo é!

Dos deuses da natureza

03 - março (89)

Ensinamentos que aprendi no mar: Tenha pretensão, mas não seja pretensioso