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E daí?

VELEIRO GALÁPAGOS

No final do mês de abril as redes sociais de velejadores ficaram alarmadas com a notícia que um veleiro, de bandeira brasileira, que navegava na rota Caribe/Brasil, rota carregada de provações, havia perdido o mastro e passava dificuldades em sua pretensão de alcançar um porto seguro no litoral Norte do Brasil.

Enquanto a notícia se espalhava por entre os amantes do iatismo e da vela de oceano, e muitas vezes em postagens que extrapolavam a irresponsabilidade e descambavam para os famigerados fakes, um grupo de abnegados se comunicava e criava uma rede de salvação para o casal que estava a milhas de distância da esperança.

Entre costuras, cortes, recortes e alinhavos, a rede foi tomando forma e o que era para se tornar apenas mais um caso de torcida e deixa ver, tornou-se uma poderosa ferramenta de resgate que vai ficar para sempre registrado nos anais da vela brasileira, e tudo criado no coração de pessoas que sabem o valor de uma mão estendida.

Com o apoio da Marinha do Brasil, que ficou de prontidão e acompanhou todos detalhes para o bom resultado da operação, os integrantes do grupo de abnegados perderam noites, gastaram neurônios, fizeram e refizeram planos inúmeras vezes, coloraram créditos na paciência, passaram por cima da razão e se lançaram ao mar como anjos da guarda, confiantes do sucesso.

O casal do veleiro Galápagos, voltava ao Brasil fugindo das agruras da pandemia do Sars-Cov2, pois sabem que o lugar mais seguro para se estar quando explode uma guerra é em casa, junto dos familiares e próximo de quem amamos. Mesmo que este lugar esteja em guerra declarada com ele mesmo. Pois bem, o Galápagos se viu dentro de uma guerra particular, foi encontrado pelos “anjos da guarda” a mais de 300 milhas da costa maranhense, com o casal em boas condições de saúde e depois de reabastecido, voltou a navegar a plenos pulmões, diretamente para São Luiz do Maranhão, e em flotilha com o barco dos “anjos”.

Alguns dias no Maranhão bastaram para aliviar as tensões, agradecer a todos que, diretamente ou indiretamente, participaram do resgate, porém, como quem é do mar não escolhe a onda boa para zarpar, soltaram as amarras e se foram em busca das montanhas verdejantes do Sudeste, para aplacar a saudade e extravasar o choro no carinho do ombro da família. Porém, existia uma fortaleza no caminho e foi para lá que eles aproaram em busca dos cheiros da índia Iracema, da lindeza das velas do Mucuripe e do frescor dos alísios que assanham alvas dunas.

“O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis…”, assim escreveu José de Alencar, escritor que deu vida e alma a magia segredada por entre as redes do Ceará. Naquele momento, a frase parecia ter sido escrita para o casal do Galápagos e foi sob as águas do mar alencarino que foi jogada a âncora para mais um dia de descanso depois daqueles dias tempestuosos, mas os “anjos” não mais estavam lá. Eu sempre disse que as cidades olhadas do mar eram mais bonitas, porque irradiavam uma áurea de paz, mesmo sabendo que nas entranhas escorria um oceano de fel e enxofre.

Barco ancorado, mais uma olhada para a bela paisagem ao redor, um suspiro para aliviar o cansaço, mais um beijo para comemorar a vida e é chegada a hora de relaxar com um banho reparador e esquecer um pouco daqueles dias de incertezas em alto mar. – Perdeu, perdeu, bora, bora, bora, rápido… .

“…quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis…”. Não, aquelas palavras ameaçadoras não era fruto de um pesadelo, era real. Não era som de mais uma tempestade, eram gritos do terror, o terror em forma de monstros, frutos de uma sociedade apodrecida no chorume dos discursos fáceis sucedidos de aplausos repugnantes. Eram as mesmas palavras que já invadiram inúmeras embarcações naquela mesma ancoragem. Era mais uma repetição de um crime que todos ali já sabem o roteiro de cor e salteado. Foram tanto que dizem existir um quadro nas repartições policiais com as mesmas respostas de sempre: “não podemos fazer nada…; não é de nossa alçada…; o senhor reconheceu algum deles?…; essas coisas acontecem em todo lugar…; vamos investigar…….”.

– E daí? – Pois é, e daí! O mesmo e daí que soa igualmente a todas as respostas que temos quando as autoridades não assumem suas responsabilidades. E daí, da falta de vergonha na cara, da maledicência, da canalhice oficial e da nossa eterna capacidade de acoitar e abençoar a malandragem politiqueira.

E daí que os dias de angústia vividos no vazio do Oceano Atlântico pelo casal Leo e Bárbara, não foi nada diante da insensatez das autoridades cearenses em não coibir um crime que já perdeu a graça e que vai continuar acontecendo.

“As palavras são como os patifes desde o momento em que as promessas os desonraram. Elas tornaram-se de tal maneira impostoras que me repugna servir-me delas para provar que tenho razão.” William Shakespeare.

Leo e Bárbara, voltaram ao mar e sobre ele tentam se refazer dos abalos sofridos nas estruturas do coração. Hoje, 15/05, estão aportados em Natal e desejo que tudo ocorra bem por lá, porém, nas profundezas da alma, uma pequenina chama tenta dar novo ânimo ao sentido da vida.

Nelson Mattos Filho

Tripulação resgatada do veleiro Toumai já chegou ao Uruguai

O velejador baiano Haroldo Quadros, cabra bom da peste, enviou mensagem dando notícias dos tripulantes, dois adultos e duas crianças, do veleiro Toumai, encontrado a deriva a 500 milhas da costa do Rio Grande do Norte. O veleiro foi rebocado por um barco atuneiro até o porto do município salineiro de Areia Branca/RN. O navio Noni, que resgatou a família, já chegou ao Uruguai. O texto está em espanhol.

El granelero participante Amver rescató a 4 personas de un velero en problemas a unas 500 millas de la costa de Brasil el domingo 22 de enero de 2017. Se trata de una familia francesa integrada por dos adultos y dos menores.
La tripulación del Noni escuchó una emisión de radio mayday y notificó al personal de rescate en Brasil y al  centro de Amver. Según el informe desde el Noni, un velero reportaba una falla y el buque  se estaba inundando. La tripulación del Noni estaba a sólo dos millas de distancia y cambió de rumbo para prestar asistencia al velero discapacitado.
Dos horas después de recibir la llamada de socorro, la tripulación de la nave con bandera de Marshall Island estaba a salvo junto al velero y alzaba a los cuatro supervivientes a bordo del buque. Los integrantes del velero llegaron a estar dos días sin motor a la deriva en el Océano Atlántico.
Los supervivientes no estaban lesionados y habían estado en un viaje desde Dakar, Senegal a Brasil cuando reportaron un fallo de motor y agua entrando en el barco. Los supervivientes llegan ayer 31 de enero al puerto de Nueva Palmira.
La llegada de los cuatro náufragos a Nueva Palmira se da porque era el primer puerto que tenía previsto arribar el buque. Hoy tocaban tierra, fuentes consultadas informaron a Carmelo Portal que los mismos tienen pasaporte y van a ingresar al país como pasajeros. Desde ayer intentamos comunicarnos con la Embajada de Francia en Montevideo, pero nadie devolvió la llamada

“Pedia a Deus que me salvasse”. Diz velejador resgatado no mar de Santa Catarina

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Foi sim a descarga de um raio – como foi postado AQUI – que atingiu o mastro do veleiro Taipan a causa do seu desaparecimento durante nove dias nos mares do litoral Sul do Brasil, segundo contou o navegador argentino Carlos Marcelo Klain, que comandava o veleiro, em matéria no site DC.CLICRBS, porém, a coisa foi bem mais terrível. O raio destruiu toda a fiação elétrica e com isso o Taipan perdeu o auxílio do motor, mas restavam as velas e por isso o comandante decidiu aproar a costa do Rio Grande do Sul debaixo de muita chuva e contando com a sua experiência de veterano naqueles mares. A partir do dia 16 a chuva e o vento apertaram o nó e Klain se viu diante da fúria dos elementos em um mar de mais de 10 metros de altura. Diante da possibilidade de um desastre iminente, o comandante preparou uma bolsa de abandono e passou a dormir ao lado do bote inflável, mas em nenhum momento passou fome, pois o barco estava bem abastecido, e a todo momento pedia a Deus pela sua vida. Quando a tempestade aliviou, os ventos sul e sudeste empurraram o veleiro para a costa catarinense e perto do litoral foi localizado por um barco de pesca e este avisou ao Salvamar que havia encontrado um veleiro. Carlos Klein, que mora em Angra dos Reis, diz que assim que o barco ficar pronto ele voltará a comandá-lo para concluir a viagem. Parabenizamos o Klein pela sua coragem, valentia e respeito ao mar e desejamos melhores ventos e mares mais tranquilos nas próximas navegadas. Veja a entrevista completa no site DC.CLICRBS.

O que é SALVAMAR?

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Ouvimos muito falar no SALVAMAR quando das operações de resgate e salvamento no mar, onde a coragem e perícia dos homens e mulheres da Marinha do Brasil e Aeronáutica, envolvidos nas operações, tem elevados índices de sucesso. Mas o que vem a ser esse serviço que é um anjo da guarda para os navegantes? Fui ao site SALVAMAR BRASIL e pesquei a resposta para trazer até você: 

logo2Tendo em vista os compromissos do Brasil relacionados com as atividades de Busca e Salvamento (SAR) marítimo, consubstanciados nos dispositivos prescritos em convenções internacionais das quais o País é signatário, a Marinha do Brasil implantou, organizou e opera o Serviço de Busca e Salvamento Marítimo. Este serviço visa atender as emergências relativas à salvaguarda da vida humana no mar,  que  possam atingir os navegantes no mar e nas vias navegáveis interiores.

Essas Convenções são a Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (Convenção SOLAS),  a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM, Jamaica 1982) e a Convenção Internacional de Busca e Salvamento Marítimo (Hamburgo, 1979).

O Serviço de Busca e Salvamento Marítimo brasileiro está organizado dentro das regras balizadas nessas convenções e regulamentadas pela Organização Marítima Internacional (IMO), que incluem: o atendimento ao Sistema Marítimo Global de Socorro e Segurança (GMDSS); a divulgação de Informações de Segurança Marítima (MSI); o estabelecimento de uma Região de Busca e Salvamento (SRR); a existência de Centros de Coordenação SAR (MRCC/RCC), conforme necessário; meios adequados para atender as emergências SAR; e a organização de um Sistema de Informações de Navios. Conforme a necessidade, é efetuada coordenação com o Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico.

As atribuições inerentes ao Sistema de Informações de Navios para a área SAR brasileira são executadas pelo Comando do Controle Naval do Tráfego Marítimo (COMCONTRAM) através do Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo (SISTRAM). As informações a respeito da adesão dos navios ao SISTRAM podem ser encontradas no sítio “www.comcontram.mar.mil.br”, no menu “SISTRAM” em downloads. A principal finalidade do SISTRAM, à semelhança dos demais sistemas do mundo, é permitir, no caso de um incidente SAR, a rápida localização das embarcações mais próximas, em condições de prestar auxílio.

A Região de Busca e Salvamento (SRR) Marítimo sob a responsabilidade do Brasil compreende uma extensa área do Oceano Atlântico, que abrange toda a costa brasileira e se estende na direção leste até o meridiano de 10ºW, conforme a figura em anexo.

As atividades de supervisão do Serviço de Busca e Salvamento Marítimo são da competência do SALVAMAR BRASIL (MRCC BRAZIL), situado na cidade do Rio de Janeiro. Tendo em vista as dimensões da Região de Busca e Salvamento (SRR) Marítimo do Brasil, esta foi dividida em cinco (5) sub-regiões, sob responsabilidade dos Centros de Coordenação SAR regionais a seguir indicados:

– SALVAMAR NORTE , situado na cidade de Belém;
– SALVAMAR NORDESTE, na cidade de Natal;
– SALVAMAR LESTE, na cidade de Salvador;
– SALVAMAR SUESTE, na cidade do Rio de Janeiro; e
– SALVAMAR SUL, na cidade de Rio Grande.
As águas interiores do País, especificamente as vias navegáveis da Amazônia Ocidental e da bacia do Rio Paraguai, também possuem Centros de Coordenação SAR Fluvial, a saber:
– SALVAMAR NOROESTE, na cidade de Manaus, no rio Amazonas; e
– SALVAMAR OESTE, na cidade de Ladário, no rio Paraguai.

Desta forma, quando em situação de perigo ou urgência, os navegantes em trânsito por essas áreas poderão solicitar auxílio através dos recursos de GMDSS disponíveis a bordo, ou então diretamente ao SALVAMAR BRASIL ou ainda, conforme a sua posição, aos seguintes Centros de Coordenação SAR (SALVAMAR regional).
A notificação de um incidente SAR a um Centro de Coordenação SAR poderá ter origem em várias fontes, como por exemplo, a retransmissão de um pedido de socorro por um navio ou por uma estação costeira de rádio. Sempre que possível essa notificação deve ser complementada com os seguintes dados:
– Identificação da embarcação (nome e indicativo de chamada);
– Posição;
– Natureza da emergência;
– Tipo da ajuda necessária;
– Hora da comunicação com a embarcação;
– Situação da tripulação;
– Última posição conhecida da embarcação; e
– Intenções do Comandante da embarcação.

COMANDO DE OPERAÇÕES NAVAIS
Salvamar Brasil (MRCC Brazil)
Praça Barão de Ladário, s/n°
Ed. Alte Tamandaré – 6º Andar
Rio de Janeiro – RJ – Brasil
Tels: +55 (21) 2104-6056
2104-6863 / 2253-8824
Fax: +55 (21) 2104-6038

Megaoperação da Marinha Portuguesa no mar dos Açores resgata 12 velejadores

Não existem palavras para definir os heróis. Quantas vezes abrimos a boca para denigrir e criticar o trabalho das equipes de salvamento? Quantas vezes? Olhando o vídeo do resgate no mar dos Açores, em que foram salvos 12 velejadores e uma criança perdeu a vida depois que havia sido resgatada, o melhor a fazer é calar e refletir. Veja a matéria completa desse resgate que emocionou o mundo náutico acessando o site Expresso.

O aventureiro resgatado já está em um porto seguro e pronto para outra

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O Navio Patrulha Macau, que recebeu a missão de resgatar o aventureiro Ebrahim Hemmatnia, 38 anos, atracou na manhã de hoje, 02/02, Dia de Iemanjá, na Base Naval de Natal. Ebrahim que é iraniano naturalizado holandês, disse que trabalha na Holanda como cartógrafo e no dia 23 de novembro de 2014 partiu de Dakar a bordo da embarcação que ele chama de BoatBike, no rumo de Fortaleza/CE. A viagem vinha tranquila até o momento em que um cardume de tubarões resolveu atacar a embarcação. Os tubarões danificaram o leme e uma escotilha e por isso não tinha como prosseguir navegando. Ele acionou o Epirb no dia 28 e dois dias depois, numa operação envolvendo a Marinha do Brasil, Aeronáutica e um barco de pesca que estava na região, o aventureiro foi resgatado sem apresentar nenhum problema de saúde. O barco é movido a pedal e quando em terra vira uma bicicleta. É equipado com dessalinizador e a alimentação e a mesma utilizada pelos astronautas. O aventureiro disse que a viagem não acabou e depois que o BoatBike for recuperado, irá pedalando até o Rio de Janeiro, por terra. De lá, seguirá para o Peru pelo oceano. Esse vai ter muita história para contar para os netos. Pense num cabra arroxado!

Balsa do veleiro Tunante II foi encontrada

Essa imagem é da balsa do veleiro Tunante II que foi encontrada pelo pesqueiro Kopesca I a 200 milhas da costa de Tramandaí/RS e estregue aos cuidados da Marinha do Brasil. O Tunante II, de bandeira argentina, desapareceu no mar do Atlântico Sul há dois meses com quatro tripulantes a bordo e as buscar já haviam sido suspensas pelas equipes de regate da marinha brasileira e argentina. Familiares e amigos dos tripulantes fizeram uma intensa campanha através das redes sociais e conseguiram pressionar as autoridades a retomarem as buscas. No interior da balsa foi encontrado apenas a carteira de identidade de um dos tripulantes, mas os familiares não perderam as esperanças de que o veleiro ainda esteja a deriva e com todos a bordo. O equipamento será periciado para se ter a certeza que foi utilizado pelos tripulantes. Veja mais no site: Popa.com.br   

Reboque do trimarã Sereia

Hoje a história vem com a assinatura do velejador Eugênio Lisboa, o potiguar mais alagoano do Brasil. Eugênio, que adora fazer grandes expedições a bordo do seu catamarã Anakena, um Bate Vento 36, no ano passado, depois de ter saído de Maceió para dar um bordo nos rochedos de São Pedro e São Paulo, ancorou em Fernando de Noronha para abraçar os participantes da Refeno 2013. No retorno a Maceió saiu do seu rumo para comandar o resgate do trimarã Sereia até Cabedelo/PB. 

O REBOQUE DO TRIMARÃ SEREIA

Eugênio Lisboa

No dia 10/10/2013 saímos pela manhã de Fernando de Noronha com destino Maceió.
O dia transcorreu normalmente até que por volta das 20h00min recebemos pelo rádio VHF um pedido de socorro do Trimarã Sereia de 39 pés. Ele estava na posição S 4º 48’03” e W 033º 10’ 07” e havia quebrado o seu mastro.
Imediatamente plotei a posição do Sereia no meu GPS e vi que ele estava a cerca de 3 milhas náuticas da minha posição.
Chamei o Sereia pelo rádio e o informei que o Anakena estaria indo em sua direção. Outros veleiros também responderam ao chamado do Sereia, os quais também rumaram em sua direção, entre eles o Trimarã 14 Bis e o Mic Mac.
Em cerca meia hora localizamos o Sereia. Fomos o primeiro veleiro a chegar até a sua posição. Iluminamos o nosso convés e vela mestra para que os outros veleiros pudessem nos ter como referência.
Antes mesmo de chegar a posição do Sereia, determinei a minha tripulação que preparasse o cabo de reboque. Para tanto utilizamos um cabo de alpinismo, chamado de tira queda, o qual é bastante elástico, esticando até 15 % do seu comprimento. Fizemos um Y a partir da popa do nosso veleiro, com a amarração de cada perna do Y em um dos cunhos de popa.
Dentre os veleiros que responderam ao chamado de socorro do Sereia, o nosso era o que tinha mais condições de reboque. Portanto, não havia outra saída e nem o que pensar. Afinal, chamar o Salvamar iria ser muito demorado, e a Marinha iria fazer a salvaguarda da vida humana no mar, ou seja, sua prioridade não seria salvar o Trimarã Sereia, somente a sua tripulação.
Ficamos alguns minutos em volta do Trimarã Sereia aguardando que a faina no mastro fosse finalizada.
Por volta das 21h00min jogamos o nosso cabo de reboque com uma garrafa pet amarrada na ponta e dentro da garrafa pet uma luz química acesa para que a tripulação do sereia tivesse a exata noção de onde nosso cabo estaria após o lançamento.
Quando iniciamos o reboque, estávamos a cerca de 130 milhas náuticas de Natal, um pouco mais de 80 milhas náuticas de Fernando de Noronha, e a cerca de 160 milhas náuticas de João Pessoa, por isso rumei em direção a Natal.
Após cerca de uma hora após o início do reboque, o Sereia nos contatou e ponderou se não seria melhor rumarmos para João Pessoa. Eu falei que não tinha certeza se meu diesel seria suficiente para que chegássemos naquele destino. O comandante do Sereia informou que havia diesel no Sereia e que poderíamos fazer o transbordo para o Anakena, caso fosse necessário. Diante de tal informação decidi alternar o nosso curso para João Pessoa. A essa altura, João Pessoa estava a 157 milhas náuticas.
Durante a noite eu fiquei no turno até as 00h00min, sendo seguido por Wagner, Fábio, e novamente por mim das 04h00min até as 06h00min.
O reboque se mostrou um pouco difícil. O Anakena estava cabeceando muito. A angulação do nosso rumo variava cerca de 20º para bombordo e 20º para boreste.
Estávamos só com a mestra no segundo rizo e resolvi abrir a buja. Essa manobra fez com que diminuísse o cabeceio e tivéssemos um rumo mais estável. Os motores também estavam ligados e tracionando, porém com rotação reduzida, em 1900 RPM, suficientes para dar um pouco mais de seguimento e manter o Anakena mais estável.
Durante a madrugada do dia 11/10/2013 os ventos se mantiveram fortes, com rajadas de até 25 nós e o mar bastante agitado. Esse período foi o mais complicado e trabalhoso, tendo uma velocidade média de reboque de 4,1 nós. Nosso COG era de 237º magnéticos. As 05h10min estávamos a cerca de 126 NM de João Pessoa e a cerca de 110,8 NM de Fernando de Noronha.
A tripulação do Sereia era composta pelo seu comandante o velejador Peter Robert Von Buldring e pelos tripulantes Carlos Alberto Ramos Madeira, Ronaldo Barroca de Morais e Tadeu Arcoverde Barreto.
Desde o inicio do reboque o veleiro MicMac, Delta 41, cuja tripulação também era de João Pessoa, resolveu acompanhar o reboque do Sereia para prestar algum auxílio caso o Anakena tivesse algum problema.
Na manhã do dia 11/10/2013, eu e Wagner fomos para a proa do Anakena fazer a retirada manual de 60 litros de óleo diesel que estava no nosso tanque reserva. A retirada manual foi por mera precaução. Durante a nossa viagem já havíamos utilizado o referido tanque e tivemos problema com o motor de Boreste por possível entrada de ar. Por isso resolvi fazer a retirada manual com o auxílio da “pêra” do tanque do motor de popa. Após cerca de uma hora havíamos enchido 3 bombonas com 20 litros em cada. Tínhamos ainda uma 4ª bombona com 20 litros de óleo diesel. Abastecemos 40 litros no tanque de bombordo e 40 litros no tanque de boreste. O tanque de boreste ficou cheio, com cerca de 100 litros de diesel e o de bombordo com cerca de 80 litros de diesel. Dessa forma, não teríamos problemas de falta de combustível e não iríamos precisar do combustível que estava no Sereia.
Às 09h30min o cabo de reboque partiu. Enrolamos a buja e fomos novamente passar o cabo de reboque para o Sereia.
Às 13h40min o cabo de reboque ser partiu novamente. Mais uma vez enrolamos a buja e fomos auxiliá-los. Nessa altura o rádio VHF de mão que eles estavam usando deixou de funcionar, a bateria havia descarregado.
Aproveitando que iríamos passar novamente o cabo de reboque, peguei uma caixa estanque e coloquei dois rádios VHF de mão. Pedi a Wagner que amarrasse um cabo e o lançasse para o Sereia. Um dos tripulantes do Sereia pegou o cabo e puxou a caixa estanque. Avisamos que nela haviam dois rádios VHF e pedimos que eles melhorassem a amarração do cabo no Sereia, pois era na proa do Sereia que os cabos estavam se partindo. O Peter fez uma amarração em Y na proa do Sereia, reforçando os pontos de desgaste do cabo.
Perguntamos se a tripulação do Sereia gostaria de vir para o Anakena para um churrasco, mas eles informaram que estavam ser revezando no timão para manter o reboque o mais estável possível.
A noite do dia 11/10/2013 foi mais tranqüila. Os ventos se mantiveram abaixo de 20 nós e o mar abrandou.
Na manhã do dia 12/10/2013, Fábio fez omelete para o nosso café da manhã.
Às 08h15min havíamos percorrido 227,5 NM desde Fernando de Noronha, restando 7,5 NM até a primeira bóia da entrada do porto de Cabedelo. Nossa velocidade média havia subido um pouco, ficando em 4,8 nós. Nossa posição era S 6º 49.870’ e W 034º 45.403’. O nosso COG era 232º.
Por volta das 11h25min estávamos confortavelmente abrigados e com o Anakena no píer do Peter, que é o dono de uma marina no Jacaré. Até lá havíamos percorrido um total de 241,3 NM desde Fernando de Noronha.
Conhecemos as tripulações do Sereia e do Micmac e fomos convidados pelo Peter para almoçar feijoada em sua casa, que fica atrás da marina.
Resolvemos dormir em João Pessoa e seguir viagem no domingo pela manhã.
Fábio desembarcou em João Pessoa e foi de ônibus para Maceió, pois precisava trabalhar na segunda-feira.
Eu e Wagner acordamos cedo, por volta das 06h00min e fomos caminha pelo Jacaré a procura de uma lanchonete. Estava tudo fechado e voltamos para o Anakena.
Peter foi ao nosso encontro e abastecemos o Anakena com o diesel que ele retirou do Sereia. Foi o suficiente para encher os dois tanques (BB, BE) e uma bombona com 20 litros, sendo mais do que o suficiente para nossa viagem até Maceió.
Peter nos levou a uma padaria e lanchonete. Lá comemos um sanduíche X Tudo com suco de laranja e voltamos para o Centro Náutica para ultimar nossos preparativos para a saída.
Às 09h40min, do dia 13/10/2013, saímos do Centro Náutico do Peter.

Segurança e resgate no mar. Devemos sim lutar por essa causa.

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O veleiro Timshel está em segurança no Iate Clube do Espírito Santo, mas o debate sobre segurança e resgate para com o navegante amador não pode e não deve se limitar a seu feliz reboque pelo barco de pesca Verdão. O assunto requer discussão, debates e deveria ser tema de seminários e palestrar nas várias esferas náuticas. As três postagens sobre o Timshel mereceram comentários de vários leitores e discursos inflamados, em rodas de navegantes e encontros de velejadores, sobre o que deve e o que não deve ser obrigação da Marinha do Brasil. De minha parte não pretendo deixar esse tema cair no esquecimento por achar de vital importância. Sou do mar, vivo no mar, faço dele meu lar e me preocupa saber que muito pouco poderá ser feito por mim, meus tripulantes e meu barco que é a minha casa. Até onde vão as responsabilidade? Por isso reproduzo na integra um oportuno e preciso comentário do leitor Hélio Mattos, que apesar do sobrenome não tem nenhum parentesco comigo, respondendo ele a um comentário de uma leitora. 

Cara internauta Simone, creio estar a senhora enganada quanto ao aspecto de que não se pode usar bens públicos para salvaguardar bens privados. Em alguns casos não apenas se pode, como se deve.
Se não, vejamos os bombeiros, a polícia, as próprias prefeituras, na construção de diques, escoadouros, etc..
Com relação ao valoroso Sargento, parabéns por sua atitude responsável em que fez o que pôde, dentro de suas limitações organizacionais.
Mas, o que se discute aqui justamente é o alcance de tal limitações, discussão esta muito própria e devida pois, imagine a Sra sua casa começando a incendiar-se e os bombeiros, com o carro tanque cheio de água, se negando a apagar o incêndio inicial, já que todas as pessoas já se encontravam em segurança…Acho esta uma discussão justa sim, e fatos como este, envolvendo pessoas que têm um determinado poder de relacionamento, ajudam a levá-la adiante.
Mas uma vez, meus respeitos ao seu marido e espero, de minha parte e com sinceridade, que sejam revistos os conceitos de salvamento no mar, priorizando obviamente a vida humana, mas considerando as possibilidades como um todo, para que ele possa ter uma atitude mais pro-ativa. Penso que ele, como um homem do mar, gostaria disto. De poder ajudar muito mais do que já o fez dentro de suas limitações.
Hélio Mattos

Velejadora cai no mar e é resgatada 2 horas depois

A britânica Prue Nash estava a bordo de um veleiro vindo de uma regata na Irlanda quando foi lançada ao mar devido ao mal tempo com ventos de mais de 50 km/h. Ela foi localizada e resgatada pela Guarda Costeira 2 horas depois do acidente e levada para um hospital. Seu estado de saúde, apesar das 2 horas no mar frio da Cornualha, era bom e logo foi liberada pelos médicos. Ela disse que sobreviveu graças aos exercícios de bater as pernas e braços, apesar do cansaço e do frio. “Realmente, eu não achei que sairia dessa. Foi aterrador” disse a velejadora logo após o resgate. Apesar do acidente Nash disse que continuará velejando. Fonte: G1