Arquivo do mês: junho 2015

E por falar em chuva:

previsão do tempo Veja como vai ficar o tempo hoje no Brasil na previsão do Cptec/Inpe

Previsão de chuva para o litoral do Nordeste e em parte do Norte e do Sul do país.
Nesta terça-feira (30/06) ainda persistirão chuvas desde o Recôncavo Baiano ao litoral do RN. No litoral norte da Região Nordeste e no norte e noroeste da Região Norte, ocorrerão pancadas de chuva bem localizadas que poderão vir acompanhadas de descargas elétricas. No Sul do Brasil, há previsão de tempo nublado com pancadas de chuvas e descargas elétricas na maior parte do RS, no centro-oeste e sul de SC e no sul e oeste do PR. Nas demais áreas de SC e do PR, a chuva forte chegará a partir da tarde.
Obs: Texto referente ao dia 29/06/2015-17h12

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Entre uma chuva e outra

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Nesse período junino queríamos ter navegado por algumas cidades que margeiam o Recôncavo Baiano, não seria uma viagem para balançar o esqueleto nos muitos forrós espalhados por ai, mas sim para rever lugares que nos encantou em um passado recente, para saber se o encanto ainda prevalece. Apos ancorar em Itaparica e festejar uma noite de São João chuvosa, aproamos o Avoante para a cidade de Salinas da Margarida para uma breve parada antes de subir o histórico Rio Paraguaçu. Pois é, a breve parada se estendeu além da conta, os santos forrozeiros já recolheram as sanfonas e hoje, 30/06, ainda estamos ancorados em frente a bela cidade de Salinas. Mas juro que não foi por vontade própria e sim por força das chuvas que castigaram o Recôncavo. Não foram chuvas torrenciais que duravam o dia todo, mas pancadas insistentes, que deixavam o céu muito nublado e que despejavam água a qualquer momento, trazendo um friozinho gostoso durante a noite. Esse é justamente o quadro meteorológico que o velejador de cruzeiro adora, porque dá aquela velha vontade de ficar um pouquinho a mais da conta. Dá uma preguiça!

almoço no Ondine - salinas jun 2015 (2)almoço no Ondine - salinas jun 2015 (3)

E já que estávamos na companhia dos amigos dos veleiros Ondine e Tô Indo, Gomes e Lia, Gerson e Lili, tirávamos os dias chuvosos para nos reunirmos cada dia em um veleiro diferente em seções gastronômicas de engorda magro, como mostra as imagens a bordo do Ondine. Os amigos já retornaram a Salvador e nos continuamos aqui olhando para o tempo parcialmente nublado e de vez em quando batendo perna pelas ruas largas e limpas da cidade de Salinas da Margarida. 

Meu Pôr do Sol no Diário do Avoante

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Hoje iniciaremos a postagens das fotos que participaram do concurso Meu Pôr do Sol no Diário do Avoante. Mais uma vez agradecemos a todos que aceitaram o desafio e dizer que para nós foi uma alegria receber todos os dias belas imagens. A foto que abre essa postagem foi enviada pelo velejador Edson Marins, capturada a bordo do catamarã Shekinah. A segunda, enviada pela leitora Brenda Campos.

Estaleiro Bate Vento se associa a Internacional Marítima

bate ventoNotícias vindas de São Luiz do Maranhão, dão conta que o Estaleiro Bate Vento, fabricante dos catamarãs BV,s, está se associando a Internacional Marítima, que atua na área de rebocadores portuários e transporte de passageiros em vários estados brasileiros, para formarem um grande estaleiro na capital maranhense. Segundo entrevista concedida pelo diretor da Bate Vento, Sérgio Marques, ao jornal O Estado do Maranhão, o novo estaleiro atuará na construção de barcos de serviço e transporte e também em reparos e manutenções de grandes embarcações. A produção de barcos de recreio, que é o forte da Bate Vento, será feita apenas em pequena escala. Desejamos sucesso a nova empresa, mas esperamos que a produção dos bravos e bons BV,s continue de vento em popa.

O desmonte de um paraíso

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Tem situações que se desmantelam por si só, outras seguem o sentido da nossa falta de ação, mas na grande maioria das vezes, o populismo barato dos governantes leva a sociedade a uma involuntária degradação moral, que nos transforma em reféns do caos.

Caro leitor, não pense que essa página é mais um grito contra toda essa desvairada violência que se apossou do nosso país e que tão cedo não pretende abandonar o trono. Mas bem que poderia ser, porque estamos presos nas garras de uma terrível criatura de lama que transforma honra e ética em canalhice. Pobre de nós!

Sempre falei maravilhas do fundeadouro da Ilha de Itaparica, um dos lugares em que a natureza desenhou com extremo zelo e carinho, mas o que estou presenciando nesses tempos de festas juninas, em que o baiano festeja mais um daqueles feriadões extensivos de lavar a alma, é o desmonte oficial de um paraíso.

Sou um ferrenho defensor da Ilha, das águas mansas e das ancoragens acolhedoras que a cercam. As páginas desse Diário estão coalhadas de textos que enfatizam essa minha paixão e sempre me posicionei contrário a notícias atemorizantes, mas infelizmente os fatos se adiantam e ficam claros demais para serem encobertos e as autoridades somente se mexem quando se veem diante da força de uma denuncia.

Há muito a Ilha vem sofrendo um processo de degradação. Os 44 quilômetros de extensão de sua geografia, dividido em dois municípios, com apenas um acesso por terra, bem que poderia servir de barreira para inibir a marginalidade. Porém, a falta de controle e de vontade política faz com que a velha ilha dos Tupinambás vire de ponta cabeça.

A proximidade com a capital baiana, apesar de um imenso mar servindo de linha de fronteira, inclui Itaparica na imensa lista de cidades dormitórios e com essa população vem também uma galerinha barra pesada para atuar na calada da noite.

Outro agravante é o sempre presente anuncio midiático eleitoreiro da construção de uma ponte ligando as duas cidades, sonho dourado de grandes empreiteiras e dos batedores da carteira governamental. A promessa tem servido de deixa para uma invasão descontrolada por espertalhões imobiliários e grupos liderados por profissionais em movimentos populares de ocupação territorial.

Até a Fonte da Bica, orgulho itaparicano e que a cidade se abastece gratuitamente, parece sofrer com o cansaço de uma extração desordenada. O sabor da água mudou e tomará que ela ainda seja a velha e boa água com indicações medicinais. Quem garante?

A marginalidade que assusta os municípios e povoados da Ilha há tempos vem migrando timidamente para as águas. Já não podemos afirmar que são casos isolados, porque já seguem uma regularidade crescente. Os acontecimentos ocorridos no mês de março, em que três veleiros de bandeira estrangeira foram assaltados enquanto estavam ancorados em frente à marina, gerou uma debandada. Outros casos menores como, roubos de motores de popa, botes infláveis e outros equipamentos são relatados e trazem ainda mais desconfiança.

No São João de 2013 ancorei o Avoante em Itaparica ao lado de um número quase incontável de outros barcos. Este ano estamos praticamente solitários na ancoragem, pois dividimos o imenso espaço com apenas três veleiros de bandeira brasileira com tripulação a bordo. Uma semana atrás estivermos aqui e para nossa surpresa e espanto não havia nenhum veleiro ancorado com tripulação a bordo. É triste mais é assim!

Em conversa com os outros três velejadores, que nesse São João procuraram o fundeadouro da bela ilha baiana, vi a angústia e a aflição no rosto de cada um. O bate papo invariavelmente tem o medo como pano de fundo e no silêncio da noite, o marulhar dos peixes ou a mais leve agitação das águas gera momentos de atenção.

Todos se perguntam o que fazer, mas todos sabem muito bem a resposta. Não existe nada a ser feito, pois fazemos parte de um todo e o todo está pelo avesso. Estamos à mercê das ordens do mal e vamos seguindo em frente procurando escapar tanto na terra como no mar. Tenho minha certeza que estou muito mais seguro no mar, porém, não sei até quando. Não existe mais no Brasil um lugar imune à violência.

As águas brasileiras são desejadas por todos, mas nenhum órgão de segurança se habilita a assumir o policiamento. E a Marinha do Brasil? E a Polícia Federal? E Netuno? E Iemanjá? Pois é, na dúvida a gente se apega mesmo com os dois últimos.

Salvem Itaparica ou devolvam para os Tupinambás!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Aviso aos navegantes e um alerta a DHN

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A Carta Náutica é a representação real do trecho de mar em que navegamos ou que pretendemos navegar. Nela está contida toda informação pertinente a navegação e são confeccionadas em escalas convenientes com a precisão que o navegador necessita. Com o advento do GPS e suas cartas digitais, a carta náutica de papel deixou de ser uma ferramenta de uso por uma grande parcela dos comandantes e muitos nem sabem como utilizá-las, porém, vale salientar que ela é item de segurança obrigatório a bordo. No Brasil as cartas náuticas são produzidas pela Diretória de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil – DHN, que sempre primou pela precisão nas informações e muito raramente nos deparamos com surpresas desagradáveis que comprometam a segurança da navegação. Mas tem um detalhe, as cartas náuticas de papel são produzidas especificamente para a navegação comercial e militar, por isso o navegante amador se recente de informações detalhadas em rotas que passam ao largo da navegação comercial e por isso mesmo o sucesso das cartas digitais, em especial a CCD Gold que para mim é a mais perfeita. Mas nem por isso deixo de traçar minhas rotas nas cartas de papel e estudar com afinco minhas velejadas. Notem que grifei: “muito raramente”.

Carta Náutica 1110 (4)A imagem que abre essa postagem é da Carta 1110, a carta mestre da Baía de Todos os Santos, e que recentemente fui tomado pela surpresa ao me ver perdido em um mar de interrogações ao marcar um waypoint na longitude 38º, entre os paralelos 39′ e 40’, devido um erro de impressão na medida de distância existente no exemplar que atualmente está sendo comercializado.

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Na carta adquirida recentemente por aluno do nosso Curso de Vela de Cruzeiro, onde ensinamos os fundamentos de uma carta e a traçar rotas para um melhor planejamento de viagens oceânicas, a medida de distância na longitude 38º, entre os paralelos 39′ e 40’ está acrescida de meia milha náutica no gráfico. As linhas das longitudes estão corretos, mas a impressão fora do padrão induz o navegante a um erro, que se não for percebido a tempo, pode provocar acidentes com sérias consequências. Na imagem acima assinalei o problema com um círculo na Carta adquirida recentemente e com atualizações que indicam 2012. A Carta assinalada com um retângulo é mais antiga e não existe o erro. Portanto fica o alerta aos navegantes e a indicação para que o erro seja o mais breve possível corrigido. 

Viva São João!

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Uma vez me perguntaram se velejador comemora o São João. Lógico que sim, principalmente quando estamos navegando em águas nordestinas, pois o São João é considerada a maior festa do nordeste brasileiro, animada com muito forró, mesas fartas de comidas típicas, meninos soltando fogos e fogueiras acesas em frente as casas. O São João é uma alegria que só vendo! E foi com essa alegria que saímos traçando rumos entre as cidades do Recôncavo Baiano para sentir a pulsação dessa festa colorida e iluminada. Começamos por Itaparica – que vem perdendo o encanto e em breve falarei sobre isso – onde ancoramos dois dias antes das comemorações juninas e não perdemos tempo para reunir os amigos que dividíamos a ancoragem. Um dia foi a bordo do Acauã, do casal Webber e Mirian, e no outro a recepção foi no Avoante, onde tivemos também a companhia de Fernando e Erika, veleiro Ati Ati, em noitadas que renderam bons papos e boas gargalhadas.

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Na véspera do São João recebemos o convite do casal Rocha e Keli, veleiro Aquários, que também tem casa na Ilha, para comemoramos ao redor de uma fogueira. Foi uma noitada de alegria saboreando muita canjica, bolos típicas, milhos cozido, milho assado na fogueira, forró e até churrasco no fogo de chão, feito pelo bom gaúcho Webber. Eita São João bom da peste!

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No dia 24 já estávamos novamente navegando e no rumo de Salinas da Margarida, para encontrar os amigos Cláudio e Anne, veleiro Anni, Gerson e Lili, veleiro Tô Indo, Gomes e Lia, veleiro Ondine e Wilson e Cassia, Vinicinho e a pequena marinheira Helena, de apenas 7 meses.

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Como a flotilha havia crescido, desembarcamos e fizemos a confraternização no restaurante A Gaúcha com uma deliciosa feijoada regada com cerveja gelada. E como São João sem chuva não vale, a noite caiu um toró de fazer inveja a muito sertanejo e até hoje, 26, a chuva está igual a marcação de quadrilha: Alavantú; Anarriê; Balancê; Olha a chuva; É mentira; É verdade. E assim vamos levando essa vidinha mais ou menos. Viva São João! Viva! E que venha o São Pedro!