Arquivo do mês: novembro 2013

A Ponte do Funil

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O leitor e velejador Luiz Fernando Beltrão, sentiu falta de fotos da Ponte do Funil, que mencionei no post anterior, o que foi realmente um descuido de minha parte, por isso ai estão algumas. Mas, na minha opinião, o que deixa a passagem por baixo da ponte um pouco mais preocupante e uma linha de alta tensão que cruza o rio bem próximo a estrutura da ponte e que podemos visualizar na primeira imagem. Segundo comentários que escuto na Bahia, a Ponte tem altura de mais de 19 metros no vão central, mas temos que levar em conta, a altura da maré, a altura do convés e os equipamentos instalados sobre o mastro.  A Ponte do Funil faz a ligação da ilha de Itaparica com o continente e deságua na BR 101. 

Catu. Mais uma delícia baiana

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Muito bem, vamos voltar a falar de velejadas, ancoragens gostosas, comidas e de tudo que a vela de cruzeiro pode nos proporcionar. Nos últimos posteres falei muito sobre o livro Diário do Avoante, o lançamento em Natal/RN e naveguei nas águas suaves que molham de alegria a alma de um escritor, como também daqueles metidos a escritor, que é o meu caso. O assunto hoje é sobre um lugarzinho fascinante lá pras bandas de Cacha Prego, no final, ou começo, sei lá, da Ilha de Itaparica. Esse lugar é Catu, uma prainha sossegada e, dependendo do vento, um ancoragem perfeita para uns dias de ócio a bordo de um veleiro. Chegar em Catu é fácil, o difícil é querer levantar âncora e ir embora. A navegada até lá é pelo canal interno de Itaparica, partindo da marina, num trajeto gostoso e emoldurado por uma paisagem espetacular, em que cada metro das margens é um convite para uma parada e um banho de mar em uma água morna e apetitosa. O canal é profundo, largo e sem sustos, onde o velejador pode, e deve, aproveitar a força da maré de enchente ou de vazante para navegar. Mais tem um detalhe: A partir da Ponte do Funil, que cruza o canal, a correnteza se inverte. A Ponte, para a navegação de barco a vela, faz o papel de uma peneira, pois barcos com mastreação acima de 16 metros ficam impedidos de passar e assim essa parte do canal, que vai até Cacha Prego, fica mais seletiva. Para os velejadores mais afoitos, existe a opção de adentrar a Barra Falsa, vindo do mar, porém, devesse fazer somente com bom conhecimento da região ou com ajuda de um prático local, já que a Barra é sobre um imenso banco de areia que se move a cada estação do ano. Catu é uma pequena vila ribeirinha que ainda tira boa parte de seu sustento das águas e fica olhando de frente para a foz do Rio Jaguaripe. Durante o dia, é uma alegria sentar embaixo de uma arvore, que se esparrama sobre as águas, para um bate papo com nativos, uma turma animada que tem na ponta da língua um monte de causos engraçados. Durante a noite, um silêncio tranquilizador cerca a ancoragem e um vento fresquinho espanta o calor do dia deixando a cabine do veleiro super arejada. Esse é o momento de abrir um bom vinho e brindar a delícia de uma ancoragem mais do que perfeita. O mar da Bahia é simplesmente fantástico! 

O livro e os agradecimentos

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Poderia começar mais uma página desse Diário falando das coisas que acontecem no cotidiano dessa vida sobre o mar que tanto me encanta, mas sei que seria uma navegação em um rumo não desejado. Poderia falar de amor, de paixões, de poesia, de gastronomia, de natureza, de lugares, de navegação, de velejadas, de gente ou simplesmente de sonhos, pois adoro falar de sonhos.

Mas não, hoje tenho que falar em agradecimentos, pois foi assim que aprendi com meus pais: Que somente alcançamos a grandeza da vida, quando usamos, em todos os momentos, a humildade de um agradecimento. E hoje tenho sim muito a agradecer, a todos vocês leitores que acompanham pacientemente os escritos dominicais desse Diário, e muitas vezes vibrando, se emocionando, sorrindo, se encantando, sonhando ou mesmo curtindo o sabor de uma deliciosa velejada em um mar de letras.

Quando entrei de cabeça no mundo maravilhoso do mar, nunca imaginei que um dia pudesse estar passando para as pessoas a minha vivência náutica. Sempre achei difícil o mundo das letras e das palavras, pelo grande poder de infinitas traduções que existe na mente do ser humano.

Dizem que a palavra dita um dia será esquecida e que a palavra escrita é para o sempre, mas quase ninguém se refere à ressonância da compreensão. Já se foi o tempo em que o fio do bigode era a melhor e mais respeitada tinta de caneta. O que será que foi feito da ética? Nunca esqueci as palavras de ensinamentos ditas pelos meus pais. Será que sou anormal? Vamos voltar para o nosso rumo, na rota dos agradecimentos, pois foi para isso que abri a página.

Esse Diário do Avoante surgiu do nada, navegando nas ideias iluminadas de um diretor de redação. Segundo ele, os leitores haviam gostado de uma matéria publicada com a gente e ele gostaria de levar mais a frente esse encanto. Vacilei no primeiro momento, mas logo em seguida levantei ancora, subi as velas e parti. Hoje o Diário do Avoante comemora a realização de mais sonho, que nunca eu havia sonhado, e que posso creditar na pessoa do jornalista Carlos Peixoto, diretor de redação da Tribuna do Norte.

Essa semana comemoramos o lançamento do livro Diário do Avoante, sob o selo da editora Caravelas, numa grande noite de confraternização entre leitores, amigos, velejadores e familiares, que encheram os tapetes carregados de cultura da livraria Saraiva, do shopping Midway Mall. Falar em alegria acho que é pouco.

O livro é uma coletânea de cinquenta, entre as cem primeiras crônicas publicadas todos os Domingos na Tribuna do Norte, e que mostram o quanto a vida no mar transformou o nosso modo de ver o mundo, descortinando novos sonhos e diversificando em infinito os horizontes avistados.

Mas meu caro amigo Carlos Peixoto não está só nessa Nau, ao seu lado existe uma grande e valiosa tripulação, pois é assim que navega uma embarcação. O pecado de nominar todos é muito original e por isso não tenho como fugir dele e por isso tenho que navegar nesse mar.

Lógico que posso esquecer-me de agradecer a alguém, mas nunca de você leitor, que é o objetivo maior desse Diário e consequentemente do livro Diário do Avoante. Agradecer também aos colaboradores: Favorito Supermercados; Grupo Vila; Comercial do Trigo; Cristalina de Natal; Teetos Pré-moldados; Farmácias Santa Sara; Equinautic; a pousada gaúcha Esquina do Sol, que atravessou o Brasil para nos prestigiar e ao alagoano restaurante Del Popollo Cantina e Pizzaria.

No mesmo veleiro dos agradecimentos embarco o meu dileto amigo e velejador Luiz Bardou, membro do Ministério Público do Rio Grande do Sul, pelo incentivo em um momento de profunda indecisão. Minha Mãe Iracema Mattos e minha querida Tia Cecília, que, se derretendo de alegria, usaram a força do apoio familiar para realizar o pedacinho de sonho que faltava. E ao editor José Correia, que colocou tudo isso em uma máquina de multiplicar cultura e em seguida retirou do forno em formato de um livro.

Esqueci? Lógico que não, pois muitos outros estão grafados e eternizados nas páginas do livro Diário do Avoante, mas sem ela nada disso teria acontecido: Lucia, minha grande capitã e timoneira dos meus mais ousados e loucos sonhos. É ela que norteia minhas crônicas e com muita serenidade me faz ver que uma mesma palavra muitas vezes tanto pode curar como ferir.

O livro Diário do Avoante enfim está ai, e em suas páginas estão um breve relato das muitas lições que aprendemos com o mar. E só temos a agradecer!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Lançamento do Diário do Avoante em Natal

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Não tenho como agradecer a todos aqueles que compareceram, como também aos que não puderam estar presente, mas que estavam com a gente no coração, ao evento de lançamento do livro Diário do Avoante, ocorrido dia 19/11 na livraria Saraiva do shopping Midway Mall em Natal/RN. De todas as frases de parabéns que recebi naquele dia, uma vai ficar gravada para sempre em minha memória: Nelson, estou maravilhado com todo isso, nunca imaginei que vocês fossem tão queridos e tivessem tantos amigos. Fiquei sem palavras para responder, pois um nó se formou na garganta e ao levantar a cabeça senti os olhos marejarem. Hoje posso responder, mas sem antes sentir que novamente as lágrimas teimam em escorrer pela face:  Graças a Deus essa é a nossa maior riqueza e nunca esquecemos de regar e agradecer.

Um diário sem rotinas

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Hoje, 19/11, é o lançamento do livro Diário do Avoante, na capital dos Reis Magos, Natal/RN. O evento acontecerá a partir das 18 horas na livraria Saraiva, do shopping Midway Mall. E hoje também a Tribuna do Norte postou uma bela matéria assinada pelo repórter Yuno Silva, com imagens do fotógrafo Emanuel Amaral, em que fala do lançamento do livro e de como a vida a bordo do Avoante mudou o rumo de nossas vidas. Veja a matéria completa clicando AQUI, mas espero você lá livraria Saraiva para que você navegue junto com a gente nas páginas do Diário do Avoante.

Finalmente chegou o grande dia!!!!

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Será nesta Terça-Feira, 19 de Novembro, às 18 horas, na livraria Saraiva do Shopping Midway Mall, em Natal/RN, o lançamento do livro Diário do Avoante. Convido todos aqueles que estiverem dando uns bordos na capital potiguar para comparecer ao evento, pois além do livro, teremos sim um grande encontro de confraternização.

Veja AQUI matéria que saiu no site G1

A Tempestade – Parte 12

primeira noite Nesse domingão de meados de um mês de Novembro, em que a natureza caminha vacilante entre o sim e o não e as previsões meteorológicas navegam tontas entre as antenas dos satélites, vamos dar continuidade A Tempestade do velejador Michael Gruchalski, que agora passa para o 12º estágio. A imagem meio que fantasmagórica que ilustra esse post, está na cara que não foi tirada a bordo do veleiro dos nossos amigos, pois nem para isso eles tinham discernimento, pois a ordem era se manter vivo e boiando no mar efervescente. Ela está aqui para nos levar ao centro de um dilema multifacetado: “O que somos nós diante da força descomunal da natureza?”

Montanha russa e perigos II

Percebi que o motor tinha desligado sozinho. Desligou por susto, mau funcionamento, marcha lenta ou afogamento? Não dava para saber. Precisávamos dele para dar andamento ao barco. Controlar o barco como o havíamos controlado no início da tempestade. Acelerar no engate, abrir a portinhola de duas abas da entrada do salão, meter a cabeça na escuridão e procurar, logo debaixo da soleira, ao lado da pia da cozinha, o painel elétrico. Nele, tatear pela ignição e dar partida na chave. Só isso!? Mas, como? Debaixo daquele escarcéu? Com tudo balançando, chuva, vento infernal e escuridão à volta?

Pensando nisso, atordoado e assustado, foi que eu vi a parte superior da porta de entrada do salão aberta e solta. Soltinha do batente lateral, balançando presa à dobradiça da banda inferior. Como é que tinha acontecido aquilo? Aquela onda. Foi aquela onda que tinha feito aquilo. Não acreditei, mas ali estava: a parte superior saltara do encaixe levando a parte inferior presa pelo fecho da dobradiça e saindo do trilho. Ao cair de volta, só a parte inferior retornou ao trilho, a outra ficou pendurada. Deixando uma abertura de quinze centímetros. Chuva torrencial entrava por aquele buraco. Continuar lendo