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Novos rumos a Marina da Glória

marina_tacEnvolto numa eterna polêmica, a Marina da Gloria, no Rio de Janeiro, tudo indica, parece que vai tomar um rumo animador, mesmo que a tempestade continue a rondar seus limites. A BR Marinas, administradora do espaço, e o Ministério Público Federal, sentaram na mesa e fecharam um ajustamento de conduta que estabelece regras para o livre acesso do público ao local durante o horário comercial, mas que não afete a operação da marina. Nos termos de ajustamento foi incluído um projeto social voltado para a prática de vela por crianças e adolescentes da rede pública de ensino. Claro que a peleja entre os contra e favor não vai acabar diante dessa decisão, mas no meu entender, a coisa vai navegar em meio a ventos mais brandos. Aliás, nunca entendi o motivo, por mais que sejam justificados pelos seus conselhos de sócios, das marinas e iates clubes serem fechados ao público. Quantos possíveis navegadores abandonam o sonho náutico ao esbarrarem com um portão fechado? Eu mesmo já fui barrado em um certo iate clube brasileiro por não está munido de um convite, apesar de ter me identificado e justificado, sem sucesso, minha ida até lá. Torço para que o acordo da Marina da Glória saia do papel. Fonte: Revista Náutica 

A vida a bordo como tema de novela

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Barcos a vela sempre fizeram parte dos roteiros e cenários de filmes, seriados e novelas mundo afora, despertando sonhos, desejos e paixões. Nos últimos anos a vida a bordo de um veleiro de oceano já foi tema de novelas e seriados brasileiros e em breve mais um personagem, dessa vez ator Reynaldo Gianecchini, trocará a vida urbana para encarnar um herdeiro ricaço que prefere a vida sobre o mar a ter que assumir a administração da fortuna na próxima novela das 9 horas, Lei do Amor, da Rede Globo. A aparição de personagens velejadores nas telas costuma ser desdenhada pelos velejadores reais, que fazem críticas veladas quanto a possíveis erros dos roteiristas, mas esquecendo eles, os críticos, que mesmo com erros, imperceptíveis aos olhos do grande público, um personagem velejador é uma excelente forma de divulgação para a náutica e principalmente o mundo da vela. Todo setor que é agraciado com um personagem vestindo a camisa de sua causa, festeja a oportunidade e muitos aproveitam para mostrar as dificuldades que enfrentam no dia a dia, mas na vela infelizmente não é assim. Por que será?  

Velejar – Um grupo porreta!

3 Março (420)

Em um bate papo via oceanos internéticos o velejador Leo, veleiro Leoa, deu a ideia ao comandante nota dez Chaguinhas, do não menos famoso veleiro Intuição, para se criar um grupo no WhatsApp para agilizar a troca de mensagens entre velejadores, mas que passasse ao largo dos assuntos que não tivesse o mar e barcos a vela como personagens principais. Claro que diante de um mundo em incessante transformação fica difícil manter um rumo satisfatório e as vezes temos que ajustar o timão em alguns graus para que a Nau volte a velejar em ventos e mares confortáveis. Mas digo que são ajustes tão raros que a tripulação as vezes nem percebe. – Mas não é assim que fazemos no comando de um barco? O grupo Velejar, criado pelo Chaguinhas e que seguiu a rota traçada pelo Leo, hoje é um sucesso e já contabiliza mais de 110 participantes do Brasil inteiro, que se esmeram em discutir – com alto nível de conhecimento e detalhes – assunto como: Elétrica, eletrônica, motores, regulagem de vela, gastronomia a bordo, rotas, ancoragens, dicas de fundeio, informática, restaurantes e pousados nas ancoragens, prestadores de serviço, clubes e marinas, telefones e nomes das pessoas que nos ajudam nas barras brasileiras, causos e histórias da vela. Eu sempre digo aos amigos, quando comento sobre o grupo, que se quisermos saber qualquer assunto que envolva manutenção ou dicas, basta postar sobre o tema e num piscar de olhos recebemos verdadeiros tratados técnicos e práticos, e com detalhes que faz qualquer engenheiro ficar de boca aberta. O Velejar é um grupo náutico arretado de bom e com um perfil alegre, amigo, incrivelmente solidário e que cresce a cada dia na esteira de uma velejada prezeirosa. Parabéns ao comodoro Chaguinhas e ao Leo, como também a todos que fazem do Velejar o melhor grupo náutico do Brasil e, segundo o comodoro, do mundo. 

Retratos da vida – 2015

O tempo vai passando na mansidão que nem percebemos e, de repente, bons momentos ficam registrados apenas nas imagens que vamos colhendo aqui, ali e quando olhamos para trás, se passou um ano. 

Do muro das lamentações

1 janeiro (76)

Em todos esses anos morando a bordo do Avoante, onze anos, tenho acompanhado os traumas e incertezas dos companheiros do mar quanto ao quesito manutenção da embarcação. Este é um tema que requer atenção e que leva o navegante a enfrentar terríveis dilemas existenciais. A coisa é tão complicada que cada vez que tentamos conversar sobre o assunto em uma gostosa roda de bate papo, sob a sombra de um palhoção de clube náutico, o máximo que conseguimos é uma interminável série de interrogações e discursões acaloradas. Já nos grupos de mídia social, o moído vira um legítimo samba do crioulo doido e no final sobram mais dúvidas do que certezas. No afã de demonstrar conhecimentos, o interlocutor virtual se transforma numa monumental enciclopédia tipo Delta Larousse e saí detalhando ensinamentos a torto e a direito.

Nos grupos sociais o tema manutenção é tão complexo e animado que até quem nunca teve um barco, nunca navegou e nem sabe para que lado se localiza a popa ou a proa de uma embarcação, discursa de cor e salteado manuais técnicos e práticos. Alguns ainda se arvoram em garantir que assina embaixo da afirmação, porque sabe que funciona, pois ele soube por um amigo da prima do vizinho, que tal teoria funcionou no barco de um colega distante do namorado da tia torta de um sobrinho da cunhada de um conhecido da época de ginásio. Bem pertinho!

Sou declaradamente cético quando escuto ou leio sobre manutenções infalíveis e que todos deveriam seguir. Se um barco nunca é igual a outro, navega em condições diferentes, estão baseados em climas totalmente adversos e recebem dos proprietários atenções distintas, como pode uma mesma receita servir para doentes tão diferentes.

Claro que orientações são sempre bem vindas e não devemos descartá-las, por mais que achemos que sejam bobagens, porém, muita dor de cabeça e prejuízo pode ser evitado se seguirmos a lógica dos fatos e observamos o que causou o problema. Muitos nem se dão ao trabalho de pensar na solução e prefere pagar valores absurdos aos prestadores de serviço maledicentes e sem nenhuma ética profissional.

Fico abismado quando as soluções indicadas descambam para o mundo da carestia, como se tudo para ser bom e funcional precisasse ser acrescido de valor monetário elevado. Como se o mar e suas intempéries soubessem avaliar as coisas pelo tamanho da conta bancária do navegante.

Um barco para dar o prazer que o navegante necessita, requer simplicidade nos detalhes e nenhuma dose extra de extravagância, principalmente na parte elétrica e eletrônica, que são os maiores causadores dos problemas a bordo. Dotar uma embarcação com os últimos lançamentos do mundo das bruxarias náuticas nunca trouxe alegria e nem satisfação ao navegante, a não ser a satisfação de empostar a voz para anunciar e mostrar aos amigos os brinquedinhos disponíveis. Quando sou eu o apresentado as incríveis parafernálias eletrônicas que equipam alguns barcos, dou os parabéns e digo que tudo aquilo é arretado. E fico a me perguntar: – Será que tudo isso terá uso realmente? E se der uma pane elétrica, será que o barco navega?

Uma das grandes fontes de defeitos, e que ninguém afirma que seja verdade, é a geladeira. Certa feita um amigo chegou até mim para anunciar que havia a comprado uma geladeira para o veleiro e que a partir da instalação a vida dele no mar seria outra, pois teria mais conforto, água gelada, cerveja fiofó de foca e mais uma série de coisas maravilhosas. Fiquei a matutar na alegria do meu amigo e imaginando que eu bem que poderia ter a mesma alegria e empolgação se comprasse um refrigerador para o Avoante. Eita ia ser o céu! Perguntei quanto havia custado o equipamento e ele respondeu que foi coisa de pouco mais de mil reais. Beleza! Segui meu caminho tentando entabular umas contas para adquirir uma geladeira e ele seguiu o dele, feliz e sonhando com sua nova vida de conforto no mar.

Meses depois encontrei novamente o amigo e perguntei como estava a geladeira. Ele fez cara de muxoxo e respondeu: Rapaz, ainda não funcionou a contento, porque é preciso refazer a vedação da caixa, necessito comprar mais uma placa solar, duas baterias, se brincar um gerador eólico e continuo levando uma caixa de isopor com minhas cervejinhas. Já estou achando que não foi boa ideia, pois tenho navegado tão pouco ultimamente. Além de que, a turma da manutenção é um pé no saco. Apenas assenti e mudei de assunto.

Sempre que vejo barcos super equipados me vem na lembrança às palavras do velejador Fábio Constantino, em uma palestra no Iate Clube do Natal: – Quer se deleitar com a vida a bordo de um veleiro? Mantenha isso estupidamente simples!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Quais as cores do futuro?

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O que será que estamos aprontando para o nosso futuro? Essa é uma pergunta que vem sendo feita desde que o mundo é mundo e dificilmente alguém terá uma resposta. Essa semana postei uma foto nos grupos das redes sociais do fundeadouro da Ilha de Itaparica e, entre tantos comentários que festejavam a beleza do lugar e da vida, alguns poucos se apegaram em quesitos como insegurança e violência para justificar que jamais ancoraria novamente ali e alertando para que ninguém o faça. Pois bem, Itaparica continua linda, maravilhosa e com um fundeadouro de lavar a alma. Nesse feriadão de 12 de outubro inúmeros veleiros coloriram de alegria e bons fluidos a antiga ilha dos Tupinambás. Que tal pararmos de olhar o mundo pelas lentes dos noticiários pintados de sangue e negativismo? Nunca conseguiremos saber como será o futuro, mas com certeza se ficarmos trancados em casa, discutindo as agruras das cidades através dos teclados e no bem bom de uma poltrona confortável, passaremos para frente um mundo cada vez mais desumano e sem sentido. Vamos sair gente, vamos pintar o mundo com as cores do bem e mostrar que somos melhores, mais felizes e mais fortes.   

Aratu Iate Clube – 54 anos

7 Julho (375)7 Julho (457)

O aniversariante da semana é o Aratu Iate Clube, que dia 05 de outubro completa 54 anos de existência. O Aratu, como é carinhosamente chamado pelo povo do mar, é dos mais tradicionais clubes náuticos da Bahia, possui um fundeadouro maravilhosamente abrigado e é dotado de uma excelente estrutura de apoio ao navegante. No Aratu tudo é pensado para facilitar a vida do navegante, não somente dos sócios, mas também dos visitantes, que sempre são recebidos de braços abertos. Desejamos vida longa e bons ventos ao Aratu Iate Clube, que sempre recebeu o Avoante com muito carinho. No sábado, 03/10, aconteceu a Regata de Aniversário e em seguida a festa de confraternização com um grande churrasco e música ao vivo.