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Notícias sobre a vaca

IMG_0191Em janeiro de 2010 publiquei a crônica A Pescaria da Vaca, uma história divertida acontecida no mar de Ilhéus/BA, que me foi relatada por amigos durante uma roda de bate papos, sob a sombra de uma mangueira, na Ilha de Campinho, um das joias da apaixonante baía de Camamu. Depois de dezenas de luas e muitas marés, recebo um comentário do leitor José Neto, dando conta que o pescador da vaca se chama Dr. Guilherme Adami, angiologista em Ilhéus onde mantém clínica, e que a famosa vaca reproduziu filhotes, inclusive, na época, a pescaria foi notícia na revista Veja. Click no link sublinhado e saiba como se deu o moído.  

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Pesca com segurança

Pescar-en-Kayak-Seguridad-en-el-mar-2-1Confesso que não sou muito fã de pescaria, mas sempre jogava uma isca artificial quando navegando por aí e de vez em quando um peixinho esfomeado se iludia com minha armadilha e tinha como destino a frigideira com dendê. Peixe fresco é outra história! Pois bem, para aqueles que acham que para empreender uma boa pescaria embarcada é preciso possuir, ou alugar, uma super lancha, podem tirar a crença da cabeça. O site Nauti Spots apresenta uma matéria dando dicas para a pesca em caiaque, embarcação há muito utilizada por inúmeros amantes da pesca mundo afora, com informações sobre segurança, forma de navegar, estabilidade e tudo mais para a brincadeira acontecer em brancas nuvens.  Gostei da matéria e divido com vocês através do link, A pesca de caiaque com segurança. 

O catamarã de velocidade – IV

20160423_171355Na literatura náutica existe uma infinidade de tratados sobre enjôo e os motivos que levam a ele. Em meio a rodadas de conversas entre navegadores o tema é tratado com desdém, risos, piadas e tem até quem declare, em alto e bom som, que o problema se deve a frescura ou simplesmente alteração do psicológico. As teorias são muitas e dificilmente se acha um navegador com coragem para admitir que enjoa. Alguns, para se livrar da pecha de fracote, conseguem admitir que logo no começo da vida náutica enjoavam, mas que isso é coisa do passado e ponto final. A conversinha é essa!

Nos meus vinte e poucos anos fui diagnosticado com uma forte e terrível labirintite que me deixou acamado por mais de uma semana. A danada foi tão poderosa que no dia que senti sua presença, às cinco horas da manhã, tentei levantar da cama e cai para trás sentindo o mundo rodar em minha volta. Eu disse sentindo, pois nem abrir os olhos eu pude. Apenas no terceiro dia consegui sair da cama e mesmo assim rastejando para ir ao banheiro e tomar um banho. Foi duro!

Depois de uma semana, o médico que estava me atendendo, em casa, jogou a tolha e indicou para que eu fosse à doutora Joaquina, afirmando que somente ela poderia me curar. Marcamos a consulta, fomos até o consultório da doutora e depois de dez dias os efeitos maléficos da labirintite estavam praticamente curados. Ufa! Como foi bom abrir os olhos e ver que tudo estava paradinho.

No dia em que a doutora me liberou, disse assim: – Nelson, você nunca vai poder passear de barco e nem suportará luzes fortes e incidentes em direção a sua vista, porque são coisas que podem desencadear novas crises. Respondi: – Doutora, sendo assim, uma parte está resolvida, pois nunca tive barco e nem pretendo ter. Quanto às luzes, vou me precaver. Isso aconteceu há mais de trinta anos e Lucia gosta de dizer que eu ainda não estava sob seu poder. Dizer o que? Nada né! Aí você pergunta: – E o que isso tem haver com essa história? Peraí que chego lá!

O Tranquilidade navegava ao largo da costa sergipana e nem sinal de nada, porque passávamos a mais de 20 milhas da costa e, vendo apenas céu e mar, a ordem da tripulação era curtir o azul infinito, as nuvens, o vento no rosto e encher a boca de água com o cheiro delicioso que vinha da cozinha. Claro que não faltaram algumas cervejas gelada para esfriar a goela, mas eu não quero fazer inveja a ninguém.

Logo pela manhã eu havia colocado a linha na água na esperança de surpreender a tripulação com um peixinho, porém, tive que trocar várias vezes de isca artificial e juro que o problema não foi do pretenso pescador, mas sim das próprias iscas, porque todas acabavam enroscadas na linha. A última tentativa foi com um pequeno anzol revestido com uma lula rosa artificial, que até já havia esquecido que tinha lançado ao mar. Já no finalzinho da tarde a carretilha gritou e quando corri para pegar a vara, senti que tinha pegado um peixe um pouquinho maior do que eu estava acostumado.

A segunda providência foi pedir para folgarem as velas do Tranquilidade, para diminuir a velocidade, e iniciar a luta com o peixe. O bicho era pesado, o maior peixe que até então eu já havia pescado, e quando deu um salto vi que era um belo de um dourado. Eu e ele ficamos na peleja por quase trinta minutos e por várias vezes tive que soltar quase toda a linha do carretel, para depois recolher tudo novamente e com muita dificuldade. Quando o dourado cansou – eu também – foi à vez de embarcá-lo, com muita dificuldade e com a ajuda providencial do Myltson.

Quando estiramos o peixe sobre o convés vimos a real dimensão do resultado da pescaria. O dourado tinha mais de metro e pesava por volta de 15 quilos e me perguntei como consegui pescá-lo com um anzol tão pequeno. Ao tentar retirar o anzol notei que o segredo foi à gula do dourado. O bicho foi com tanta sede ao pote que o anzol entrou e enganchou em suas guelras.

Com a adrenalina a mil, devido ao esforço da puxada, e aliado a tentativa quase inglória de retirar o anzol sem me ferir, trabalhando abaixado e com a cabeça baixa, comecei a sentir os sinais do enjôo. Como sempre acontece e para não deixar que ele tome conta do meu eu, meti o dedo na goela, apressei o resultado e continuei tratando o peixe, pois queria provar a delícia do seu sabor o mais breve possível.

Bem, o peixe estava delicioso, eu enjôo sim e agradeço a doutora Joaquina um dia ter me curado de uma labirintite, que se fosse recorrente eu jamais poderia está relatando essa história ocorrida no mar. Aliás, ela disse que eu nunca iria navegar e esqueci-me desse detalhe.

O Tranquilidade segue o rumo e agora com um peixão a bordo.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Pesca do agulhão no Aratu Iate Clube

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A 1ª Pescaria do Agulhão, evento promovido pelo Aratu Iate Clube na última sexta-feira, 11/03, foi uma festa bonita de se ver. A brincadeira, que reuniu associados e colaboradores em meio a um gostoso clima de alegria e confraternização, teve início no comecinho da noite, quando a flotilha de pequenas lanchas, abarrotadas de pescadores, munidos de lanterna e puçá, invadiram o canal do Aratu para tentar a sorte durante um hora de pescaria e que resultou na captura de mais de 300 agulhões. O campeão foi a equipe Maguni que despejou na contagem mais de 70 unidades. Teve até quem pegasse agulhão espetado com um tridente, numa técnica bem parecida com as velhas histórias de pescador, porém, juro que vi os peixes espetados e o sorriso no rosto do pescador. Assim que terminou a contagem e a resenha da turma, teve início a degustação de vinhos português, Tartare, e antepasto de ricota fresca promovido pelo Chef e Sommelier Nuno Salvaterra. Foram servidos também agulhões empanados e fritos na hora pelo restaurante do clube. Foi uma festa bonita!

Pescaria do Agulhão

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O Aratu Iate Clube promove na próxima sexta-feira, 11/03, o 1º Festival do Agulhão a partir das 18 horas. No retorno dos pescadores ao clube, além de agulhões fritos, terá degustação de vinhos. Monte sua equipe e venha participar. A pescaria será no canal do Aratu. Mais informações: gerenteaic@hotmail.com

Uma vidinha assim…

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Depois de uma velejada maravilhosa entre Salvador/BA e Morro de São Paulo, com vento leste, mar de contra-almirante, peixe na linha –  depois na frigideira – e pôr do sol, ancoramos na noite de ontem, 24/09, em frente a Gamboa do Morro. Não foi uma ancoragem das melhores, porque com a Lua cheia, o vento leste entrou forte e o fundeio foi bem balançado, mas não impediu que festejássemos a velejada com alguns goles de vinho sob o brilho prateada da Lua.

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O dia amanheceu e fomos despertados pela sinfonia de um quarteto de Bem-te-vis, que se equilibrava entre os estais e biruta do Avoante. A vida a bordo de um veleiro é assim mesmo: Cheia de encantos!

Contos do mar

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O texto abaixo é do velejador Danilo Fadul Muhana, comandante do veleiro baiano Farnangaio. É um conto, verídico, sobre um delegado/pescador, na Bahia dos anos 40, e que tem o mar como pano de fundo. Quero desde já parabenizar o amigo Danilo pelo texto e fico esperançoso de receber outros mais. A única sincronia da imagem acima com o texto é a bela canoa.

O VELÓRIO SEM DEFUNTO (Sauipe, 10 de Fevereiro de 1997).

Malaquias esperou 40 anos para se aposentar como delegado de Itapuã. No início de sua carreira, lá pela década de 40, Itapuã era uma pequena vila de pescadores, com pouquíssimos veranistas, e quase nada a fazer.

Fora soldado raso, cabo e por fim, delegado. Toda semana saia pelo menos duas vezes para pescar. Comprara uma pequena catraia na Ribeira quando serviu por lá numa Segunda-Feira Gorda.

Agora, com sua pequena aposentadoria, realizaria seu sonho de pescar todos os dias, ou pelo menos nos dias que Iemanjá e Nosso Senhor Bom Jesus dos Navegantes permitisse. Seus companheiros de pesca já tinham morrido ou abandonado à vida no mar e estavam vivendo de caseiros ou vendedores ambulantes.

A catraia, totalmente reformada, estava novamente pronta para ir ao mar. Naquela Terça-Feira, véspera da semana santa, todos estavam saindo para conseguir sua moqueca e quem sabe, alguma boa pescaria para ajudar na casa. Seus filhos, já todos casados, moravam em Salvador e apenas nos finais de semana apareciam para visitá-lo e comer aqueles deliciosos tira-gostos que somente D. Marcolina sabia preparar.

Procurou algum companheiro do dominó para fazer uma pescaria noturna e foi avisado que Tonho, filho do mestre Mané, estava de férias, recém-chegado de Sobradinho e louco para fazer uma pescaria.

Mandou chamar o jovem negro e se assustou com o tamanho daquele menino que saiu para ganhar a vida há pouco mais de cinco anos. Combinaram sair antes das 5 horas da tarde para escolherem bem o pesqueiro que passariam a noite.

Tarrafou algumas pititingas, comprou um punhado de camarões, verificou o aviamento e foi dormir. Pediu a D. Marcolina para só acordá-lo lá pelas 4 horas da tarde.

Tudo pronto e verificado foram ao mar. Era noite de lua, quase cheia, e o mar estava calmo. Ficaram pescando na “pedra da bóia” um pequeno pesqueiro a pouco mais de duas milhas ao norte do Farol de Itapuã. A pescaria estava boa, sem peixes grandes, mas com muitos jaguaraçás e jabús. A moqueca estava garantida. Eram quase 11horas da noite quando um estalo se ouviu no bico de proa. Seu Malaquias, confiante no seu barco, ainda perguntou ao Tonho se este tinha colocado alguma garrafa na proa. Foi em vão.

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