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É assim!

03 - março (441)

“Navegar é uma atividade que não convém aos impostores. Em muitas profissões, podemos iludir os outros e blefar com toda a impunidade. Em um barco, sabe-se ou não. Azar daqueles que querem se enganar. O oceano não tem piedade.” Eric Tabarly, em Memórias do Mar

Copiado do Facebook do velejador Ricardo Amatucci

Navegação Astronômica é com o Mucuripe

8 Agosto (220)

Eu sou daqueles que levantam as mãos para o alto e agradecem as cabeças iluminadas que criaram o GPS – sistema de posicionamento global –, porque depender das visadas para obter as linhas de posição e emendar os bigodes nos cálculos não é e nunca será a minha praia. Claro que numa travessia oceânica saber se orientar pelos astros dá ao navegador uma segurança sem tamanho, mas o difícil é encontrar navegador que domine totalmente, e na prática, essa técnica quase ancestral. Tomara não ter pisado nos calos de ninguém! O Elson Mucuripe Fernandes, um cearense mais arrochado do que os cabras da peste do bando de Lampião, é um abnegado estudioso sobre Navegação Astronômica e adora divulgar, ensinar e repassar essa arte para os amantes dos mares. Mucuripe é tão letrado no assunto que nem no Lago Paranoá, onde navega, ele abre mão do sextante. Vez por outra o cearense se vê em apuros quando os cálculos de posição afirmam que ele está navegando sobre o gramado do Palácio do Planalto, cercado pelos Dragões da Independência. Mas num se avexe com meus comentários desairosos, pois sei que o Mucuripe vai é rir das minhas lorotas, e trace rumo no blog Velas do Mucuripe para aprender um tiquinho sobre o assunto. Só dou um conselho: Bote no rosto uns óculos bem escuro, tipo Waldikc Soriano, que é para não torrar as retinas na hora de olhar para o Sol.  

Medo de que?

12 Dezembro (468)

Navegando sobre as águas do imenso oceano virtual me deparo com as palavras ditas no afã de ânimos exaltados e que refletem o caos que toma conta das nossas mentes bombardeadas pelo terrorismo calamitoso midiático.

Mas quem sou eu para falar da mídia, sendo hoje um agente desse mundinho de egos inflados e interesses diversos. Não sou contra a mídia, apenas arregalo os olhos diante de manchetes que não refletem a essência do texto e quando tentam refletir, escorregam em meio ao lamaçal onde se misturam ideologias, poder, finanças e palhaçadas. A queda é inevitavelmente cômica, mas o estrago depende do humor da plateia. E tem plateia para todo gosto. Voltemos ao mar!

Há tempos escuto gritos alarmantes sobre pirataria nas águas brasileiras tendo como alvo a classe de velejadores e sinceramente olho para o horizonte e não consigo enxergar as bandeiras negras com a marca da caveira estampada. Claro que não sou irresponsável para dizer que o nosso mar é um paraíso onde não existam serpentes e nem maçãs, porém, depois de dez anos morando a bordo desse meu veleirinho cheinho de aconchego e navegando pelos mares do nordeste de Lampião, Gonzagão, Cascudo, Amado e mais uma penca de cabras bons, sinceramente não sei dizer de onde surgem tantos relatos de desassossego para o povo do mar.

Acho sim que o velejador brasileiro precisa se fazer ao mar e soltar as amarras que o prende aos aparelhos de TV e as páginas ensanguentadas dos jornais e revistas semanais. O Brasil do mar é outro e é incrivelmente desabitado dos percalços que afligem o mundo urbano. Os casos de violência e infortúnio são tão raros que nem nas estatísticas oficiais conseguem aparecer e se formos muito precisos, não conseguiremos preencher os dedos das mãos. É um caso de roubo de bote ou motor aqui, outro acolá, um assalto mais adiante e se não me falha a memoria, três mortes de velejadores em um espaço de quinze anos. O que será que tanto amedronta o povo do mar? As nossas ruas matam mais do que qualquer guerra mundo afora, tem índices de violência estratosféricos e nem por isso deixamos de caminhar e nem andar de carro.

Dia desses li alguns comentários que instigavam armamentos a bordo e outros querendo dotar o veleiro como se fosse um navio de guerra. Aquilo me deixou incrédulo e quase sem palavras para debater o inacreditável. Sou a favor do desarmamento e jamais queria ver tripulações de veleiros armadas até os dentes navegando por aí. O mar do velejador não precisa dessa demonstração de brabeza e nem da fúria declarada. O mar precisa apenas de mentes livres, corações abertos para a paz e corpos prontos para uma nova vida. Essa frase não é minha e nem sei de quem seja, mas dela faço uso: No dia em que precisar trancar meu veleiro para poder dormir em alguma ancoragem qualquer, prefiro desembarcar.

Não estamos livres da violência e nem o mar é uma fronteira intransponível para a bandidagem, porém, prefiro pensar positivo a me deixar intimidar pelo lado negativo da mente. Vim para o mar em busca de novos desafios e visando horizontes infinitos e ao embarcar deixei em terra as razões que não me traziam felicidade e cortavam as asas dos meus sonhos.

Sempre que escuto relatos de veleiros perseguidos por supostos piratas em águas brasileiras bate uma incredulidade que me arvoram os sentidos e me remete aos tempos de criança, quando éramos verdadeiros super heróis. Nunca soube de nenhum que fosse abordado em navageção e saqueado pelos ditos piratas e por isso que muitas vezes acho que os relatos sofrem o incremento dos medos que a sociedade nos impõe. O que mais se escuta e se lê são casos de fugas e escapatórias de situações de risco, mas nunca escutei relatos de perseguições bem sucedidas por parte dos “piratas”.

Certa vez tripulávamos um catamarã para Trinidad e aguçamos os sentidos ao passar ao largo da costa norte do Brasil e mantivemos alerta por vários dias. Estávamos sob o efeito de uma impressionante força alarmista que em nenhum momento se concretizou e víamos risco em qualquer barco que navegava em nossa direção ou nas proximidades.

Em uma noite, na costa do Suriname, avistamos as luzes de duas embarcações vindas por nossa popa. Apagamos as luzes e mantivemos a guarda para o provável. Escutamos pelo VHF a comunicação entre eles e nos espantamos quando falaram a posição onde estávamos. Pronto, é hoje! Ligamos os dois motores, aceleramos ao máximo e a nossa velocidade chegou a nove nós o que representa muito pouco diante da velocidade e força dos pesqueiros oceânicos. Os barcos vieram por bombordo, a uma distância de uma milha, viraram o bordo para aproar nosso veleiro e passaram a pouco mais de 100 metros de nossa popa e tomaram o rumo do mar. Eram dois atuneiros puxando rede! Só nos restou rir da situação vexatória.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Um descobridor a bordo do Avoante

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Passei uns dias sem dar o ar da graça, mas foi por uma boa causa, pois estava mostrando ao português Pedro Cardoso os segredos que encantam aqueles que enveredam pelos mares da vela de cruzeiro. Pedro foi mais um aluno aplicado que desembarcou com a aposta firme no sonho de dar uns bordos por aí com a família. Ele que veleja de Windsurf tem a sensibilidade para sentir o vento e retirar o melhor rendimento da embarcação e como bom português, tem a água salgada escorrendo nas veias. Aprendi muito com o Pedro. – E a mesa do café da manhã da segunda imagem? Isso faz parte do aprendizado a bordo do Avoante que o aluno e agora grande amigo se deliciou para valer.   

Notícias do mar – III

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Dá notícias ao vivo diretamente do mar não é um privilégio, nem um luxo, nem lixo, nem um monte de adjetivos e alguns podem até achar que é amostramento. Será? Eu bem que gostaria de falar com quem desejasse a toda hora e minutos quando estou no mar dando uns bordos por aí e até poder atualizar o blog, mas nem sempre a banda toca no ritmo que a gente deseja e nossas operadoras de telefonia ainda não estão tão avançadas assim. Quem sabe um dia! Porém, aqui vai mais uma postagem de notícias enquanto navego na coordenada S 23 00.696 / W 042 25.499, sobre um mar de esposa de almirante, vento de proa e promessa de pauleira para as próximas 24 horas, mas se Deus assim permitir, quando começar a festança estaremos com o Compagna muito bem ancorado no Clube Naval Charitas. As imagens acima foram retiradas do tempo, no comecinho da manhã desse 04/11, no momento em que deixávamos para traz o Focinho do Cabo – ponto notável a navegação localizado em Cabo Frio/RJ, que é frio de verdade e para quem quiser tirar a prova, basta navegar por lá durante a madrugada. E por falar em cabo: O tão temível Cabo de São Tomé estava em paz com a natureza, com um humor maravilhoso e até sorriu diante da nossa passagem. Posso dizer que até agora tudo foi,  e está, muitíssimo bem a bordo e a nossa navegada está uma delícia. Que venha o Rio maravilha!

De olho nas bandeiras

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Muitas vezes avistamos algumas dessas bandeiras tremulando nos mastros das embarcações, ou pintadas nos costados, e ficamos maravilhados com o colorido que elas proporcionam, porém, muitos nem sabem que cada uma delas tem um significado e fazem parte do sistema de comunicação e sinalização náutica. Cada bandeira representa uma letra e quando várias delas estão juntas representam uma frase e é a base para o Código Internacional de Sinais (CIS), que compreende todo um conjunto de recursos visuais, sonoros, radioelétricos, eletrônicos.

imageimageO Código Internacional de Sinais é referendado pela ONU e tem a assinatura de todos os países membros. Ter o quadro com as 26 bandeiras alfabéticas quadrangulares, a bordo e à vista da tripulação, é uma obrigação de todo comandante. Mas vale um alerta: As bandeiras tem cores e formatos regulamentados pelo CSI e ter um quadro de bandeiras a bordo e fora dos padrões oficiais, representa, no mínimo, um risco a navegação.

 

O que eu uso

Enseada de Garapuá BaEnseada de Garapuá CCD GoldEnseada Garapuá BlueChart Carta oficialQuando me perguntam qual o melhor programa de carta náutica digital que conheço, não pisco nem o olho para responder: CCD Gold. Claro que muitos hão de discordar, porque cada um tem suas preferencias, razões e justificativas, mas para mim não existe nada mais perfeito para a navegação amadora, principalmente no litoral entre a Argentina e a cidade do Natal/RN. O Clube de Cartas Digitais – CCD Gold, fundado pelo argentino Rodolfo Larrondo, tem o propósito de corrigir a lacuna existente entre as cartas náuticas oficiais, que priorizam basicamente a navegação comercial, coletando informações – extremamente precisas – levantadas por inúmeros navegantes amadores. Para se aventurar em pequenas enseadas, barras, canais e rios o navegante amador, ao utilizar as cartas oficiais, navega praticamente as cegas devido aos detalhes do desenho da costa estarem mal representados. Veja nas imagens acima a enseada de Garapuá, litoral sul da Bahia: A primeira imagem é do Google Earth; A segunda é da Carta CCD Gold e a terceira é o mostrado em outro programa que utiliza a carta oficial.

Itacaré GoogleearthItacaré CCD GoldItacaré Carta oficial

Nessas imagens de Itacaré/BA, temos mais um flagrante do que acontece quando não estamos utilizando um programa de qualidade. A última imagem é de um GPS que utiliza a carta digital oficial. Claro que os novos modelos já trazem cartas bem atualizadas e quem navega em baías, rios e portos de interesse da navegação comercial não sente o problema com maior ênfase, mas basta se aproximar das margens para que se acender uma luz amarela na cuca. As informações da CCD Gold são atualizadas a cada ano, ou quando surgirem, que é uma raridade, possíveis erros. O Clube não tem fins lucrativos, mas os interessados em adquirir a carta paga uma taxa para cobrir custos de elaboração e atualização permanente. Na Bahia o representante oficial é o velejador Michael Gruchalski, (71) 99879797. Saiba mais acessando matéria, de 2008, no blog Popa.com.br e o link: CCDGPS.