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Drake, uma paixão

DRAKE

O Drake é sem dúvida o horizonte oceânico mais sonhado e desejado por todos aqueles que tem partículas de águas salgadas escorrendo nas veias. Sou fascinando para navegar naquelas águas tempestuosas, enigmáticas e que marca para sempre a vida de um homem o mar. Ainda não tive a felicidade, ou infelicidade, sei lá, de navegar pelos mistérios do Drake, mas como navegador sei que diante das coisas do reino do mar, a espera é a senhora da razão. Quem sabe um dia! Enquanto o dia não chega, vou pescando aqui e ali tudo que consigo para alimentar essa paixão. A imagem do artigo, escrito por Luciana Garbin e publicado em março de 2019, no jornal Estado de São Paulo, foi enviado pelo meu irmão Iranilson.  

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Memórias do mar

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Sophie Bely, que nesse retrato de recordação posa ao lado do amigo Fabio Tossi, era uma navegadora como poucas, mas tão poucas que se juntassem todas a bordo de um veleiro de 20 pés, acho que sobraria espaço e seria um veleiro sem a figura central de um comandante, porque todas, ou melhor, a seletíssima tripulação não necessitaria de comando. Na última quarta-feira, 06/03, Sophie, a mitológica esposa do navegador Oleg Bely, falecido em maio de 2016, caiu e desapareceu no mar, junto com o comandante Arnout, do veleiro polar Paradise, após o barco ser atingido de lado por uma onda, enquanto atravessavam o oceano austral de volta ao continente sul americano. Mas esse acidente quem vai relatar é o João Lara Mesquita, no link que copiei e colei logo abaixo. A história que quero contar é que conheci a Sophie e o Oleg, durante uma passagem tumultuada e quase trágica do veleiro Kotic II, do casal, no Iate Clube do Natal, se não me engano, no final dos anos 90. O Kotic II estava em rumo cravado para os EUA e ao passar ao largo da capital potiguar, Oleg desejou dar um abraço no amigo e também navegador Zeca Martino, e assim fez. Ao adentrar o Rio Potengi, com a tripulação ansiosa para rever os amigos e reconhecer o local de ancoragem, todos se posicionaram no convéns e nem perceberam um princípio de incêndio que acontecia no sistema elétrico de acionamento da bolina retrátil. Enquanto o Kotic II desfilava em frente ao clube, o marinheiro Galego, que Deus o tenha, que estava fazendo manutenção no alto do mastro de um veleiro no píer, notou a fumaça que saia de dentro do Kotic e entre gestos e gritos chamou atenção da tripulação que já não podia fazer muita coisa, a não ser salvar o que pudessem. A tragédia só não se confirmou, porque a marinharia do Clube acionou o Corpo de Bombeiros, que tinha uma base em um terminal da Petrobras, nas proximidades, e quando o caminhão dos Bombeiros chegou, entrou direto em uma das balsas que na época faziam a travessia o Potengi, e numa manobra ágil e arriscada o comandante da balsa conseguiu atracar ao lado do Kotic II e debelar o fogo. Grande parte do interior do veleiro foi consumido pelo fogo e a gata de estimação do casal não resistiu. Foi uma comoção, porém, Oleg e Sophie não se deram por vencidos e já no dia seguinte iniciaram os trabalhos de reconstrução, que durou uns três meses, e receberam total apoio do Iate Clube, onde deixaram bons amigos e boas lembranças.  

Mar Sem Fim: Sophie Bely, a morte trágica de uma navegadora

Monstro marinho

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Certa vez perguntei a Pedrinho de Neném Correia, pescador/mergulhador arretado da praia de Enxu Queimado/RN, se ele já tinha visto muitas criaturas esquisitas no fundo do mar e ele respondeu assim: Veio, no fundo do mar tem bicho de toda forma, toda beleza, toda feiura e tem umas criaturas que dá até arrepio! Danado é quem duvida! Vi no site da Revista Galileu, que pesquisadores que fazem estudos nas águas geladas e profundas do mar da Antártida Oriental, com auxílio de uma câmera de vídeo capaz de suportar as intempéries das zonas abissais dos oceanos, ficaram impressionados e festejaram ao conseguir filmar uma  “galinha sem cabeça”, cientificamente conhecida como  Enypniastes eximia,  rara espécie de pepino-do-mar. Segundo os pesquisador, é a primeira vez que o “monstro marinho” é avistado no Hemisfério Sul. O primeiro registro se deu no Golfo do México. Os pepinos-do-mar são criaturas que vivem em águas profundas e se alimentam dos detritos orgânicos que se depositam no fundo do mar. Pense num bicho feio da mulesta dos cachorros!

O mundo perde um grande navegador

Oleg Belly - capitão gutemberg.blogspot

“O homem do mar deixa pegadas sobre os oceanos que jamais se apagarão”. Oleg Belly, lendário e mitológico velejador, desembarcou do veleiro Kotik para traçar rotas nos oceanos celestiais. Oleg faleceu sexta-feira, 20/05/2016, vítima de câncer. O velejador deixa um legado maravilhoso para a vela de cruzeiro, principalmente para quem pretenda navegar pelo oceano austral. A bordo do Kotik, um veleiro fantástico, ele foi inúmeras vezes a Antártida e era um especialista na travessia do estreito de Drake, um dos mares mais amuados do planeta. Conheci Oleg em Natal/RN no final dos anos 90, quando de minha iniciação no mundo náutico. Ele navegava ao largo da costa do Rio Grande do Norte em direção aos EUA, quando decidiu alterar o rumo e adentrar em Natal para rever e abraçar o velejador Zeca Martino, veleiro Borandá. Ao se aproximar do Iate Clube do Natal, ele, a esposa Sophia e um dos filhos estavam no convés e olhavam para o clube, quando o saudoso marinheiro Galego, que estava fazendo manutenção no alto do mastro de um veleiro no píer do clube, deu o alarme que o KotiK estava pegando fogo e a tripulação não havia notado. Foi um corre corre geral. Naquela época existia uma balsa que fazia a travessia dos automóveis entre a zona leste e norte da cidade do Natal e por sorte existia uma base do corpo de bombeiros em um terminal da Petrobras, nas proximidades do porto. O clube acionou os bombeiros e uma das balsas ficou a espera do caminhão para apagar o incêndio do Kotik, tudo numa rapidez espantosa. O interior do veleiro queimou quase que por inteiro e a única vítima foi o gato de estimação de bordo que morreu queimado. O fogo foi causado por um curto-circuito no motor elétrico que suspende a quilha do veleiro. O Kotic teve que permanecer em Natal por vários meses e Oleg refez pessoalmente todo o interior do barco. A imagem que ilustra essa portagem foi retirada do blog Capitão Gutemberg, onde o autor conta relato de uma viagem feita a bordo do Kotic para a Antártida.    

Noite de autógrafos de Aleixo Belov

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Foi um evento bonito o lançamento do livro O Veleiro Escola Fraternidade na Antártida, do navegador Aleixo Belov, na noite de Terça-Feira, 16/12, no Yatch Clube da Bahia. Ambientação bem decorada com fotos da viagem, vídeos e alguns equipamentos usados a bordo, aliado a uma iluminação que lembrava as geleiras, deram um tom especial ao evento. O navegador/escritor, distribuiu autógrafos em uma mesa com algumas peças de decoração do veleiro e tendo ao fundo quadros que fazem parte do acervo de bordo.

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Alguns velejadores se fizeram presente, mas senti falta de muito mais, e fiquei admirado com a grande quantidade de pessoas que prestigiaram o lançamento, pois Aleixo Belov tem uma história de importância para o mundo náutico brasileiro e merece a reverência. O livro é bem escrito, em formato de diário de bordo, contando detalhes do dia a dia da viagem, seus tripulantes, angústias, medos e a preocupação com o sucesso da viagem que esteve muito perto de ser adiada. Mais um livro que não pode faltar na biblioteca daqueles que amam o mar.   

VELEJADORA SOLITÁRIA FOI LOCALIZADA

A velejadora Abby Sunderland que estava desaparecida no oceano Austral foi localizada na manhã de ontem,11/06 pelo, avião que havia sido deslocado para tentar localizá-la. Aparentemente tudo vai bem a bordo do Wild Eyes e a velejadora de 16 anos, que tentava dar a volta ao mundo em busca do recorde de ser a pessoa de menor idade a realizar o feito, parece esta bem de saúde. O mastro esta quebrado, mas o barco ainda navega. Um pesqueiro francês que estava a mais de 1,5 mil milhas de distância conseguiu receber os sinais de socorro de Abby e já navega para tentar o resgate. As condições meteorológicas da região ainda são bastante desfavoráveis, mas com leve tendência a melhorar.

VELEJADORA ABBY SUNDERLAND AINDA DESAPARECIDA

Continua desaparecida no Oceano Austral a californiana Abby Sunderland de 16 anos. Abby que tentava ser a pessoa mais jovem a dar uma volta mundo em solitário, num veleiro, e sem escalas acionou o Epirb manual quando estava se comunicando com sua equipe em terra e a comunicação foi interrompida. O barco de Abby um Open 40 de última geração e super preparado para esse tipo de travessia, esta equipado com vários equipamentos de Epirb, mas até o momento nenhum deles foi acionado, dando a entender que o barco ainda flutua, pois o Epirb dispara quando atinge 15 metros de profundidade. O equipamento que foi acionado e detectado pela Guarda Costeira é do tipo manual e fica preso a roupa da velejadora ou dentro da balsa. Pode ser que ela esteja ferida, já que nos últimos dias o estado do mar e os ventos de mais de 60 nós, conseguiram virar o barco várias vezes. Na última quarta-feira Abby postou em seu blog a seguinte mensagem: “O vento está começando a atingir. Está até 20 nós e prevejo que antes da meia-noite possa chegar a entre 35 e 50 nós com picos de 60, então vou dormir antes que isto piore”.

Abby é irmã do velejador Zac Sunderland que em 2009 também completou uma volta ao mundo em veleiro quando tinha 17 anos e foi reconhecido como o mais jovem a tentar e conseguir a façanha.

EUA, França e Austrália montaram equipes para resgatar a velejadora e um avião Airbus foi deslocado para sobrevoar a área e tentar contato via rádio ou telefone via satélite