Arquivo do mês: outubro 2010

Pôr-do-Sol em Natal

O velejador Alfred, comandante do veleiro Tuareg, clicou essas belas imagens do Pôr-do-Sol sobre Natal quando fazia a aproximação na boca da barra.  

 

Mais inspiração para o fim de semana

Para iniciar o fim de semana sonhando com o mar

Esse vídeo já deve ter rodado o mundo muitas vezes e muito mais rápido do que esse gigante trimaran, mas nunca é demais ver mais uma vez. Esse é para deleite da galera dos multicascos.  

Todo dia é dia de arte

Mais uma maravilha da criação iluminada do artista plástico e velejador Flavio Freitas, retratando um pescador na praia de Ponta Negra.  A tela ainda esta no atelier do artista.

Cruzeiro Costa Nordeste – Regulamento

 

 

 

O site do Cruzeiro Costa NordesteCCN 2011, já esta com o regulamento atualizado onde consta todas as informações e valores sobre esse cruzeiro que vai revolucionar a forma de velejar pelo nordeste brasileiro. Navegue pelo site, leia o regulamento e venha fazer parte dessa história.

Mar de insensibilidade

Artigo publicado na coluna Diário do Avoante, jornal Tribuna do Norte, em abril de 2009, mas que tem tudo haver com os dias de hoje. 

Moramos a bordo de um veleiro há quatro anos e meio, mas isso não quer dizer que vivemos uma vida somente de passeios, sem stress, sem compromissos e sem preocupações. Sempre que falamos para as pessoas que moramos em um barco, vem sempre a mesma frase com ar de surpresa: “Isso é que é vida boa…”

Essa foi uma opção de vida corajosa e cheia de incertezas, mas as vantagens que observamos depois do período de adaptação, foi determinante na manutenção desse estilo meio esquisito de levar a vida.

Porém não deixamos de ter problemas, de sentir saudade das coisas que deixamos em terra, de desejar a presença da família e dos amigos, de ter stress, de absorver os problemas que mexem com a vida de todo mundo. Não vivemos alienados nem com os olhos e coração fechados para as coisas que afligem as pessoas.

Temos acesso à internet, televisão, rádio, jornais, revistas e a tudo que traga informação. Portanto, levamos uma vida como qualquer pessoa, apenas em um ambiente diferente e com uma “casa” fora dos padrões normais.

Nas nossas velejadas, fazemos questão de interagir com todos que cruzam nosso caminho. Nas pequenas localidades, nas grandes e pequenas cidades, em marinas e iates clubes, tudo é motivo para absorver conhecimento e ver como vivem as pessoas e em que situação elas se encontram.

Toda minha vida foi voltada para o setor industrial e comercial. Nasci e me criei no ambiente empresarial, isso fez com que a busca de informação, a comunicação e o contato com as pessoas fossem uma constante matéria obrigatória. Continuo fazendo uso de tudo que aprendi e adquirindo novos conhecimentos. Nunca perdi o interesse nos setores que atuei e sempre busco informações ou visito lojas e empresas, assim tenha oportunidade.

Nessa busca constante por informações e observações, me voltei para uma área critica e que afeta principalmente aqueles que mais precisam: saúde pública.

Podem achar que o assunto não tem nada haver com vida a bordo nem velejadas, mas quando chegamos a uma pequena localidade e vemos as pessoas necessitando de assistência, de medicamentos, cirurgias ou apenas pedindo a presença de um médico que lhe dêem um pequeno conselho, isso passa a ser assunto de qualquer pessoa.

Quem vive sob as asas de planos de saúde ou tem dinheiro suficiente para comprar a saúde, pelo menos a curto-prazo, não tem idéia de como a vida e dura para as pessoas que precisam de atendimento na rede pública. Ver o problema apenas pelas telas de TVs, páginas de jornal, reclames de sindicatos ou palanque político é muito cômodo e simples.

Fazemos parte daqueles que vivem na sobra de um plano de saúde, mas ver o sofrimento dos que precisam com urgência de um socorro ou de um simples atendimento, dói e faz a gente se sentir incapacitado e responsável.

A rede publica, nas grandes cidades, é bem equipada com o que existe de mais moderno em equipamentos hospitalares, mas fazer com que toda essa estrutura chegue com presteza e funcionando ao paciente é o grande problema. Quando o caso é muito urgente, pode esperar por no mínimo 15 dias, isso se tiver algum conhecido dentro da repartição.

Nas pequenas cidades e municípios, a coisa fica a cargo da vontade do prefeito em mandar a ambulância a capital. Quando na verdade cada cidade ou município tinha por obrigação de ter um hospital funcionando, bem equipado e com um excelente quadro médico. Será que isso é utopia de velejador? Não! Isso é falta de ética, falta de boa intenção pública, falta de administração, falta de vergonha na cara de quem deveria governar, de quem deveria cobrar e de quem deveria fiscalizar. Lei para isso eu sei que existe, afinal vivemos no País das Leis.

As pessoas ficam revoltadas quando aparecem casos de toneladas de remédios vencidos e que nunca foram distribuídos. Ficam indignadas quando as TVs mostram doentes nos corredores ou jogados no chão dos hospitais. Mas se calam quando autoridades aparecem com a cara mais lavada e dão desculpas esfarrapadas dizendo que tudo será apurado. Apurar o que? Tudo já esta ali transparente e mais claro do que as urnas em que eles foram eleitos.

Não precisamos assistir TV ou ler jornal para ver o que se passa na saúde publica, basta andar, de preferência a pé ou de ônibus, por hospitais e postos de saúde. Abandonar por um dia a carteira do plano de saúde e ir tentar um atendimento ou um exame mais complexo, mas se for urgente mesmo, chame a SAMU.

Nelson Mattos Filho

Velejador

1º Cruzeiro Costa Nordeste

 

Nove barcos já estão inscritos, não deixe o seu de fora dessa. CCN 2011 – um mar de alegria.