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Uma noite ao luar

P_20171201_082619Ontem, 30 de novembro, foi dia de celebrar as águas passadas sob o casco das embarcações, águas, e bons tempos, que marcaram a história do Iate Clube do Natal. Foi uma noite prateada com os encantos de uma bela Lua crescente que iluminou as varandas debruçadas sobre as águas do velho Potengi amado e cantado em verso, prosa e poesia. Noite de bons papos, afagos, abraços calorosos e renovação de amizades. Noite viva e memorável. Noite do comandante Érico Amorim das Virgens,  professor, poeta, escritor, navegador e dono de uma verve sem igual. Noite de Um Mar de Memórias, novo livro do Érico, que enfunou as velas das lembranças e trás a flor d’água sonhos adormecidos. Para quem não teve o prazer e a alegria de vivenciar essa noite, última de mais um novembro que entrou para história, Um Mar de Memórias está a venda na secretária do Iate Clube do Natal, ou com o autor.  

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Um mar de memórias

IMG-20171128-WA0032O velejador/escritor, Érico Amorim das Virgens, lança dia 30 de novembro,  a partir da 19 horas, no Iate Clube do Natal, Um Mar de Memórias, uma obra imperdível para todo aquele que tem o mar como paixão, em que o autor resgata fatos, fotos e causos que marcaram a história do iatismo no Rio Grande do Norte. Vamos lá! 

Imagens que trazem saudades

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Estas imagens foram retiradas do tempo pelo velejador, fotografo e geólogo potiguar Joaquim Amorim, que possui um maravilhoso arquivo fotográfico contando um pouco da história das regatas REFENO, Regata Recife/Fernando de Noronha, e FENAT, Regata Fernando de Noronha/Natal, como também momentos que marcaram época no Iate Clube do Natal.

 

Cadê você homem do mar?

toinho-doido-4_thumbA segunda-feira amanheceu com uma notícia apreensiva e que demonstra mais uma vez a grandeza e as incertezas que rondam o homem do mar. O SALVAMAR NORDESTE está a procura dos tripulantes e uma lancha que saiu do Iate Clube do Natal na última quinta-feira, 05/01, com dois tripulantes a bordo, o comandante Max e o seu mais fiel escudeiro no mar, o pescador Toinho Doido. Torço que mais uma vez Iemanjá dê a mão a esses homens e os traga de volta ao convívio dos seus. Em 2012, Toinho e Max já tiveram frente a frente com a Janaína, escutaram seu canto encantado e retornaram para contar o conto, o que fez aumentar ainda mais minha estima e respeito pelo grande Toinho Doido, e que, na época, escrevi o texto abaixo e que foi publicado aqui e no Jornal Tribuna do Norte, na coluna Diário do Avoante. Grandes Toinho e Max, espero revê-los para mais uma vez escutar os relatos de mais uma peleja.

O HOMEM DO MAR

Não sei se é o mar que muda as pessoas ou se são as pessoas que mudam quando vão para o mar.

A bordo já vi homens rudes e com a experiência de mil marinheiros, com a cabeça baixa e o ego ferido, a espera de uma simples palavra de incentivo ou uma mão estendida. Logo em seguida, já em terra e com a moral restabelecida, saírem contando gloriosas histórias de heroísmo. Pessoas assim nada mudam e dificilmente um dia mudaram.

O homem do mar é humilde, reconhece suas deficiências e sabe estender a mão a quem precisa. Para ele nada é mais importante do que a alegria de ajudar o próximo, principalmente àqueles que vêm do mar.

Toinho, que a gente aprendeu a chamar de Toinho doido, mas que na verdade não tem nada de doido, é um desses homens do mar que tem a humildade acima de tudo e que tem a vida náutica tão cheia de casos que fica até difícil saber qual a melhor para contar.

Uma boa de Toinho doido, apesar de ter sido um grande susto, foi quando ele, numa Sexta-Feira Santa, saiu para pescar com um amigo, num barquinho de borracha e fora da barra, e o barco afundou.

No dia da pescaria ele falou para a Mãe que iria pescar e ela alertou: “Logo hoje, Sexta-Feira Santa?” Ele não deu ouvido e foi para o clube. O barco realmente não era apropriado para a tal pescaria e ainda tinha um agravante que eles tentaram resolver com uma gambiarra. O bicho estava descolando!

Resolvido o “pequeno” problema eles colocaram os apetrechos a bordo e se mandaram para o mar. Ao chegar ao ponto programado notaram que o barco estava afundando. – E agora? Só deu tempo de juntar as varas, os coletes, uma caixa de isopor e cair na água. E lá foram tentar a sorte da vida diante da imensidão do mar e com a noite já se aproximando.

A cidade do Natal foi ficando para trás e as luzes da praia de Santa Rita e Genipabu começaram a aparecer. A correnteza forçou a deriva deles para o banco de pedras da costa, o que seria o fim, e num respingo de sorte, o mar os levou de volta. Nesse momento o amigo de Toinho falou: “Acho que vamos morrer!” Ele respondeu: “Também acho!”

Peixes, que segundo Toinho eram tubarões, roçavam suas pernas. O frio, a fome e a sede apertavam o cerco, e em terra, os amigos do clube estavam em pavorosa, já que o barco tinha sido encontrado boiando submerso e sem nenhum sinal dos ocupantes.

Na longa noite escura, novas luzes foram avistadas, e pela experiência do nosso amigo, eram da praia de Barra do Rio. Novamente o mar empurrava para a praia e novamente as pedras surgiram como uma grande ameaça a vida. Sem forças e sem esperanças eles relaxaram e deixaram o mar decidir. Depois de onze horas de sufoco eles conseguiram chegar à praia totalmente desidratados.

A partir daí começou a resenha que a cada dia ele foi acrescentando mais contos e pontos, mas nunca com aquele ar de quem sabe tudo, ou de quem escapou pelo simples motivo que ele é o cara. Toinho chegou em terra com a mesma humildade de sempre e reconhecendo que o mar é grande e merece respeito.

Seu relato vem envolvido no manto da inocência dos homens de bem e que reconhece a vida como um presente de Deus. Afrontar o mar numa Sexta-Feira da Paixão para ele foi um erro que nunca mais pretende repetir. No seu relato não encontramos nenhum sinal de heroísmo e muito menos de egos envaidecidos. Encontramos sim, sensatez e a certeza de estar diante de um homem do mar, conhecedor dos seus mistérios, mas também um eterno aprendiz. Gosto muito de conversar com esse homem franzino e forjado nas águas salgadas do oceano, apenas para ter a certeza de que não sei quase nada do mar.

Uma vez estávamos conversando e ele perguntou se eu achava que um certo senhor era um homem do mar. Eu perguntei o porque daquela pergunta e ele disse: “Homem do mar não age como ele, pois o verdadeiro homem do mar é humilde”.

A partir daquele dia sempre que converso com alguém que se diz do mar, me lembro das palavras de Toinho Doido e vejo o quanto ele tem razão.

Nelson Mattos Filho/Velejador – Set/2012

O catamarã de velocidade – I

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Em abril de 2016 embarcamos no catamarã Tranquilidade, a convite do amigo e comandante Flávio Alcides, para uma velejada entre Natal, a cidade dos Reis Magos, e Salvador, terra abençoada pelo glorioso Senhor do Bonfim. Seria uma navegada de retorno para o Tranquilidade, porque desde 2014 ele estava atracado em Natal, vindo da regata Recife/Fernando de Noronha, entristecido e cabisbaixo.

Acho que por eu e Lucia termos sido os primeiros tripulantes desse catamarã arretado de bom, pois embarcamos nele quando ainda estava sendo preparado para vir de São Luis do Maranhão, onde se localiza o estaleiro Bate Vento, e ter vindo em sua viagem inaugural até Natal e finalmente Salvador, o comandante Flávio fez o convite irrecusável e ainda anunciou que todo o planejamento da viagem seria de minha inteira responsabilidade. Com responsabilidade não se brinca comandante! A ordem foi dada assim: – Nelson, veja a data que for boa para vocês, trace a rota, veja os lugares que poderemos entrar para conhecer e venha.

Dia dezesseis de abril, após o almoço, soltamos as amarras que prendiam o Tranquilidade ao píer do Iate Clube do Natal, tendo a bordo, além do comandante, os amigos Geraldo Dantas e Myltson Assunção, e aproamos o oceano Atlântico no rumo da primeira parada, que seria na Barrinha dos Marcos, município de Igarassu/PE, separada da ilha de Itamaracá pelo canal de Santa Cruz. Região em que a história da colonização brasileira aflora em cada recantinho.

Quem já navegou no pedaço de mar entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba no sentido norte sul, sabe que nem sempre a vida e doce como parece. Quem acompanha as páginas desse Diário sabe que esse trecho de mar já foi motivo de muitas lamúrias de minha parte, mas quem vai ao mar não tem tantas escolhas a fazer, a não ser respeitar os ditames da natureza. Para quem nunca navegou ou não leu minhas pelejas nesse mar de incertezas, vai ficar sabendo agora.

Para começo de conversa, por mais que a gente tente se acobertar com as danadas das previsões meteorológicas, mais incertezas vamos acumulando. Sempre disse que quem navega entre o RN e PB navega em qualquer mar do mundo, porque é um dos mares mais amuados e inconseqüentes. Tenho quase certeza que é nessa região que os exércitos de Netuno e Éolo fazem seus exercícios de guerra. Sempre que os satélites anunciarem vento bom desconfie e se acenarem com mar liso, pague para ver, pois dificilmente eles acertam.

Depois de apanhar por várias vezes nesse trecho, aprendi a seguir o conselho do amigo Érico Amorim das Virgens que diz assim: – Quem quiser sair de Natal, em direção ao sul, em boas condições, basta colocar um tênis e dar uma caminhada até o calçadão da praia do forte. Se a areia não estiver sendo empurrada pelo vento siga em frente, mas se ela estiver sendo soprada por cima das muretas do calçadão, volte para o clube, peça uma cerveja bem gelada e relaxe. Aprendi o conselho, mas esqueci de segui-lo nessa navegada e o resultado foi que paguei o pato. E bem pago!

Para começo de conversa o tempo não estava bom, porque havia chovido a noite toda e o dia amanheceu com nuvens escuras e mais chuva. O vento não era de assustar, mas soprava fácil na casa dos 20 nós. Porém, o mar estava com cara de poucos amigos e soltando impropérios para todos os lados. Deus é mais!

Conservadoramente abdicamos de abrir velas e seguimos navegando com a força dos dois motores, com a perspectiva de que as coisas melhorariam. Seguíamos bem é relativamente rápido, mas nada de melhoras e muito pelo contrário. À noite a coisa degringolou de vez e o mar virou uma piscina efervescente, sobrando castigo para a tripulação. Não avistávamos nenhum barco de pescar e nem navio surgiu no horizonte. Estávamos sozinhos naquele caldeirão de espumas brancas e águas borbulhantes, mas a tripulação se mantinha incrivelmente em alto e bom astral.

Pela manhã conferimos a navegação e concluímos que entraríamos em Cabedelo/PB para descansar e recarregar as baterias do corpo. Nada como um porto seguro e tranquilo para situações assim. E foi assim que acrescentamos mais uma parada em nossa programação e essa se mostrou calorosamente acolhedora.

Com o barco bem ancorado na marina do Peter, recebemos a visita do velejador Maurício Rosa, que estava em Cabedelo se apossando de seu novo veleiro, e Lucia serviu o primeiro almoço decente e festejado de nossa viagem: Paçoca com arroz de leite, acompanhada de feijão verde e batata doce. O almoço foi regado com uma deliciosa cachaça oferecida pelo Maurição.

– E as agruras do mar? – Que agruras?

Nelson Mattos Filho/Velejador

Em algum dia do ano 2011

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O tempo passa e deixa marcar, mas os bons momentos ficam registrados e de vez em quando são revividos através das lentes do passado. Os ventos do mar trazem bonanças e tempestades, mas são passageiros. 

O cesto é do ca…..

inauguração museu das naus (49)

A imagem que abre esse post é da réplica de uma Caravela da época dos grandes descobrimentos e que estava exposta no Museu das Naus, um projeto belíssimo do arquiteto João Mauricio Fernandes de Miranda, inaugurado, em 2012, com todas as pompas nas dependências do Iate Clube do Natal. Infelizmente o Museu das Naus, que falei sobre isso AQUI, entrou para o arquivo morto do já teve” e hoje é apenas uma vaga lembrança na cabeça dos saudosistas. Será que mandaram para o cesto? Bem, vamos em frente, porque não é sobre o Museu que eu quero falar e sim sobre um cesto que existia no alto dos mastros das Naus e Caravelas e que tem um nomezinho esquisito, mas que não é fácil saber onde se localiza a fronteira entre a lenda e a verdade.

imageDizem que o cesto, assinalado na imagem, era conhecida como casa do caralho, mas segundo as informações que andei pesquisando nos mares temperamentais da internet, não existe referência a esse termo e sim cesto da gávea. O cesto era o local na embarcação onde ficava o olheiro que identificaria terra, barcos, perigos isolados e com certeza não era lugar desejado por nenhum marinheiro. Talvez  chamar o lugar de caralho tenha vindo justamente daí, pois o cara estava dando nó cego a bordo e o comandante gritava: – Joaquim, vá a casa do caralho! E lá ia Joaquim cumprir seu castigo. Ainda bem que nos veleiros modernos não existe o tal cesto, pois se existisse iria faltar espaço.