Arquivo do mês: maio 2018

De olho no tempo

mapservObservando a imagem do mapa do Brasil, bem bonitinha e, como se diz no popular, de cabeça para cima, nos faz até esquece que estamos em um país virado de ponta cabeça e bem longe de sair do buraco em que se meteu. – Mas antes que você comece a apontar o dedão para um e outro, aponte primeiro para você, viu! – Sim, e o que danado você quer dizer com isso? – Homi, nada não, quero apenas falar da previsão do tempo. A indicação para o final de semana é de céu enuveado  com pancadas de chuvas fortes e isoladas em alguns recantos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para quem pretende ir ao mar, acho bom dar uma revisada nos manuais de segurança da boa navegação, pois lá fora a coisa não está para muita brincadeira. – E o que dizem os meninos do CPTEC/INPE? 

Condição de chuva na faixa norte e leste do país

Neste sábado (26/05), ocorrerão pancadas de chuva, localmente fortes, em parte do centro-norte do AM e PA, em RR e no AP, no norte do MA, do PI e do CE. No litoral da BA e no ES o dia será de chuvas periódicas com condição para acumulados significativos. Nas demais áreas do litoral leste do Nordeste o dia será com chuvas isoladas e de fraca intensidade. Haverá bastante nebulosidade e chuva de forma isolada entre o litoral do PR e de SP.

Obs: Texto referente ao dia 26/05/2018-08h50

Anúncios

A história esquecida em meio ao cal

06 junho (72)06 junho (74)

Sou bairrista sim, e adoro bater pernas pelos recantos desse Brasil mais belo impossível, porém, em muitas dessas caminhadas fico frente a frente com os desmandos e desmazelos de um país terrivelmente carregado de normas e leis, em que algumas, de tão esdruxulas ou escrachadamente burocratizadas, não conseguem sair do papel. E vou logo alertando aos que em tudo despejam ideologias de cartilhas baratas: – Antes de mirar no momento presente,  olhe de banda e reflita o que se deu no passado longínquo e recente, viu! – Sim, e o que isso tem a ver com a capelinha e a placa “profanada” do retrato aí em cima? – Digo! A igrejinha, que infelizmente não consegui saber qual santo homenageia, está fincada numa minúscula comunidade na beira da estrada, BA 880, que liga o famoso município de Santo Amaro da Purificação/BA, terra de Dona Canô, ao distrito de São Tiago do Iguape, uma joia encravada nas margens do Rio Paraguaçu e pertencente ao município de Cachoeira/BA. Pois bem, a capelinha, pelo que consegui tatear por entre a tinta maledicente que encobre a placa, foi construída no início do século passado, reerguida em 1918, após um incêndio, e reconstruída em 1920 por um tal Bel. José Augusto… (não consigo identificar o sobrenome). Fotografei a capelinha em junho de 2016 e juro pelo santo homenageado, que nem sei se a construção ainda está de pé, neste 2018, pois naquele tempo a estrutura pedia encarecidamente que aparecesse outro Bel. José Augusto, para lhe proporcionar uma sobre vida. – E o IPHAN, aquele órgão “tão bem intencionado” com as coisas do patrimônio cultural, material e artístico das terras de Pindorama? – E os movimentos culturais? – E as políticas públicas? – O que? – IPHAN, movimentos, políticas públicas? – Homi, tenha fé em Jesus! E assim, com placas borradas com mão de cal, vai sendo rabiscada a história desse povo varonil. Um dia a gente toma jeito!  

Coisas que passam longe das redes

mais-modernos-os-satelites-vao-substituir-outros-dois-lancados-em-2002-1527028351181_615x300 Gastamos água a vontade e sem medida? – Claro que sim, pois somos “homens sábios” e nada pode nos frear! Quando assistimos aqueles filmes com roteiros de guerras pela posse de uma simples pocinha de água barrenta, onde guerreiros andam montados em assustadoras latas velhas e armados até os dentes com facas, bazucas e mais alguma coisa que tiver ao alcance da mão, somos levados a achar que tudo não passa da mais pura ficção. – Será que algum dia a humanidade chegará a tal estado de calamidade? – Duvida? – Duvido não! Desde 2002 a água no planeta, principalmente as geleiras da Groenlândia e da Antártica, são monitoradas por satélites da missão GRACE, lançados em conjunto pelos EUA e Alemanha, e muito do que se sabe hoje sobre os mananciais, sabemos graças a eles. Na última terça-feira, 22/05, os bisbilhoteiros espaciais foram substituídos por versões mais modernosas, denominada missão GRACE-FO, que além das geleiras polares, ajustarão suas lentes para cascaviar oceanos, subterrâneos, lagos, rios e, se brincar, até cacimbão cavado em quintal de casa, com o objetivo declarado de medir e gerenciar as gotas sagradas que entregaremos as gerações futuras. Os “satélites da água” foram lançados pelo foguete reutilizável Falcon 9, que como bom cargueiro, levou também cinco satélites da rede de comunicação Iridium.    

Encalhe do alemão vai virando onda

IMG-20180521-WA0053O veleiro de bandeira alemã que encalhou em Sergipe, no último dia 16/05, ainda está sobre as areias da praia e pelas notícias que chegam, a coisa está complicada. Já puxaram, já empurraram, já deram safanão, já cavaram vala, já teimaram e nada do barco voltar para o mar. Dizem que o casco, depois de tanto reboliço, já começou a abrir em bandas e agora vão tentar fazer um remendinho para recomeçar o fuzuê. Se o alemão, dono do veleiro, em algum momento se avexou eu não sei. Só sei que, pela foto aí em cima, o bar do alemão já está de vento em popa. 

Olhe a previsão!

anima_alturaTeremos ainda 30 dias para curtir os tempos amuados do Outono, que neste 2018 grande parte do Nordeste festeja com sorrisos de orelha a orelha, pois é chuva que há muito não se via. A semana nas terras do Padim Ciço, começou chuvosa e tudo faz crer que continuará molhada, com um pouquinho aqui, outro acolá, pois assim dizem as previsões. Pras bandas do Sudeste até um chafurdento ciclone extra-tropical deu o ar da graça no fim de semana que se foi, deixando um salseiro sem tamanho pelos domínios de Netuno. As redes sociais dão conta que os ventos nas praias do Rio 40 graus sopraram a mais de mil, assustando o povo do lugar, e em São Paulo o frio castigou tanto que trouxe a cara triste da morte. No Centro-Oeste a temperatura deve subir um tiquinho e vai deixar a umidade relativa do ar abaixo dos 40%, o que deve forçar muita gente a espalhar panelas com água pelos cantos da casa, durante o sono da noite. O Norte tá bem chovido e o Sul, acostumado com a força dos ventos austrais, se prepara para o frio da invernada. O Inverno promete, mas o que está mesmo esperançoso é a safra de milho, feijão e as paneladas de canjica e pamonha, que vão animar o forró de Seu João e Seu Pedro. Alavantú! 

Sinais

IMG_0053

A natureza tem mistérios que não se explicam, e não venha de lá com as teorias das ciências e nem com os ditames das sagradas escrituras, porque nem um, nem outro chegam nem próximo dos segredos guardados a sete chaves. Agora, se você disser que o homem do campo e o pescador, povo danado de sabedor, tem a palavra certa, eu confirmo e dou fé. – Não entendeu? – Pois lá vai o moído!

Digo o que disse aí em riba, depois de ver a chuva cair, nessa quinta-feira, 17/05, nos terreiros de Enxu Queimado e ver nos noticiários que tem chuva molhando as areias do litoral e parte do Agreste potiguar. Aí Lucia perguntou: – Amor, você que viu a previsão ontem, essa chuva estava programada? – Se estava eu não sei, mas se estava, as lentes dos satélites dormiram no ponto. Após a pergunta de Lucia me avexei a curiar no site do CPTE/INPE, coisa que faço diariamente, e lá estava um amontoado de nuvens carregadas avançando sobre os domínios de Poti. – E ontem? – Bem, ontem, à noite, tinha umas formações sobre o oceano que banha o RN, mas com indicativos que continuariam passando ao largo. – E o vento? – O vento era e continua sudeste, que “teoricamente” empurraria as nuvens para os quadrantes do Norte. – Mais “minino”, quem danado sou eu para dar pitaco em coisa que não entendo? Mas foi assim e a chuva nesta quinta-feira está boa que só vendo. Só não sei se choverá onde precisa, pois dizem que pras bandas das florestas de caatinga do Seridó, a secura está de meter medo em bicho brabo.

Todo esse bolodório foi porque vi nuvens carregadinhas de chuva farta e, sabendo que nada havia sido “combinado” com os homens que anunciam as previsões, lembrei dos bate papos que tinha com Dona Aurora, sob as sombras das mangueiras debruçadas nas margens da Ilha de Campinho, Baía de Camamu/BA. Foi lá que em um belo dia, Aurora, com fala mansa e andar mais manso ainda, apontou para o brilho prateado do Sol, refletido sobre as águas, e anunciou que choveria no dia seguinte ou mais tardar no segundo dia, a partir dali. Pedi que indicasse outros sinais e ela disse que só mostraria no fim da tarde. Voltamos para sua casa, comemos uma moqueca dos deuses, cozinhada em fogo de lenha, preparada em panela de barro e terrivelmente apimentada. Proseamos e demos boas risadas com os babados do lugar e quando o Sol esfriou, caminhamos pela picada aberta por entre as árvores até as margens do rio. Quando o astro rei tomou rumo para desmaiar sobre o poente, com cores incrivelmente alaranjadas, Aurora falou: – Tá vendo Nelson, vai chover e muito, pois o Sol está muito puxado para o vermelho e aquele brilho que estava na água pela manhã já anunciava a chuva. Sorri por dentro e fiquei ali viajando em reflexões e pensamentos: – Dessa vez tiro a prova?

O Sol se foi, despedimos de Aurora e voltamos ao Avoante que descansava nas águas de um cenário paradisíaco. A Baía de Camamu é um paraíso! A noitinha, mirei o céu e fiquei maravilhado com o brilho intenso das estrelas. Era um brilho diferente e limpo. Parecia que as estrelas haviam sido polidas e mais vez me voltei em lembranças, dessa vez das palavras do velejador Bernard Moitessier, autor de uma bíblia para o povo do mar, intitulado “O Longo Caminho”. Moitessier, disse que aprendeu com os navegadores orientais, que quando as estrelas estavam muito brilhantes era sinal de temporal nos dias seguintes. Pronto, o firo estava fechado! – Choveu e choveu bonito por dois dias seguidos no paraíso!

Aí você pergunta: – Sim, e daí? – Pois bem, já que ajuntei um monte de história soltas e nem de longe disse o que queria dizer, vou arrematar para dar fim a prosa. Ontem, quarta-feira, 16/05, fui registrar em retratos a pescaria de arrastão das mulheres pescadoras de Enxu Queimado. Entre um foco e outro, observei que aquele sol de rachar moleira, refletindo na água os ensinamentos de Aurora e aquele céu azul com poucas nuvens, estavam trazendo recado. A pescaria das meninas ocupou minhas atenções e deixei para lá o recado da natureza. Na noite bem adiantada, fui para minha tradicional volta pelo quintal e notei que as estrelas de Moitessier estavam lá, brilhantes que só elas. – Vai chover, mas porque os satélites que estão lá em cima não dizem que sim? Choveu e com direito a relâmpagos e trovões, para ficar mais bonito!

Eh, Aurora, seus ensinamentos nunca esqueci e dificilmente esquecerei, como jamais esquecerei os dias maravilhosos que passei na Baía de Camamu, especialmente na sua Ilha de Campinho. Foi aí que escutei pela primeira vez a voz e vi o rosto da natureza. – Sabe de uma coisa, querida amiga? – Acho melhor não dizer o que ouvi, nem descrever os traços daquele rosto, pois vai que acreditam!

São 4 horas da tarde e o tempo anuncia mais chuva.

Os sinais, pare e observe os sinais!

Nelson Mattos Filho

Veleiro de bandeira alemã encalha no litoral de Sergipe

whatsapp-image-2018-05-16-at-16.09.34

O litoral sergipano vai deixando duras cicatrizes para a vela de cruzeiro neste 2018. Em março o velejador Elio Somaschi, 69, teve o destino de uma propalada volta ao mundo, em solitário, naufragado sobre os temíveis bancos de areia na Barra do Rio Sergipe. Hoje, 16/05, um veleiro de bandeira alemã encalhou sobre um banco de areia, na praia dos Artistas. O velejador alemão, que também navegava em solitário, informou aos inspetores da Capitania dos Portos que teve problemas nas velas e motor e, propositalmente, conseguiu conduzir o barco para o banco de areia, evitando que ele virasse. A esperança do velejador é retirar o barco no momento da maré de enchente. Desejo sorte!