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Uma ponte atravessada no caminho

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Juro que nunca entendi o motivo que levou o criador de nomes a batizar o meu Rio Grande do Norte com um nome tão pomposo. Se foi por causa do rio que nasce no município de Cerro Corá e segue serpenteando boa parte do Estado, por 176 quilômetros, até desaguar nas águas do Atlântico, imagino que não foi, pois apesar da beleza de suas pinturas e do romantismo de suas poesias, ele não é tão grande assim e desde que o Potengi entrou nessa história que vem sendo diminuído ano após ano. Se foi pela grandeza das suas terras, também não, porque o elefante não aprendeu a crescer. Se foi pela riqueza do solo, até que poderia ser, pois aqui, se plantando tudo dá, porém, tem alguns poréns para atrapalhar. Será que foi pelas jazidas minerais e os recursos naturais? Quem sabe! Mas se foi, já foi, pois como diz a piada: “Tá se acabando tudo! ”. E pela grandeza dos nossos governantes? Com certeza não foi e definitivamente não, pois pense numa turma apequenada! Mas já que batizaram assim, assim será e ponto final e vamos seguir com a prosa.

No dia da festa maior em homenagem a Nossa Senhora da Apresentação, padroeira de Natal, o jornal Tribuna do Norte publicou matéria, mais uma, sobre o empecilho criado pela Ponte de Todos Newton Navarro para melhor desenvolvimento do turismo potiguar. Mas não foi por falta de aviso, foi por falta de visão e pelo grande mal causado pelo endeusamento político que a tudo corrói e destrói. Segundo a matéria, que é uma verdade, a Ponte é uma barreira para que o RN receba a maioria dos navios de cruzeiro que fazem a festa e levam alegria a outros portos Brasil afora, porque a altura do vão central, em torno de 54 metros, e a falta criminosa das proteções nas pilastras de sustentação, impedem a entrada de navios maiores e mais modernos. Na Copa 2014, jogo dos desmandos e do nosso maior fracasso futebolístico, Natal deixou de receber dois ou três transatlânticos e no verão que se avizinha, apenas assistirá à passagem deles ao largo e apenas um ou outro aproará a Barra do Potengi.

O mais engraçado é que recentemente foram gastos uns bons milhares de dólares para a construção de um terminal de passageiros, que de tão jogado as moscas, baratas e ratos do porto, está sendo oferecido a qualquer troco para realização de eventos diversos. Há quem diga que está certo e até defenda o uso para outros fins. – E sabe de uma coisa? – Eles é que estão certo, pois se não serve para uma coisa, que sirva para outra antes que venha abaixo por falta do que fazer.

O secretário de turismo, falando pelo governo do Estado, governo este que já está com as gavetas desocupadas, se apressa em dizer que está batalhando para mudar o quadro. A Codern, Companhia Docas do Rio Grande do Norte, diz que não está medindo esforços e até anuncia que o porto tem batido recordes de embarques de container. A classe política, deputados e senadores, se faz de desentendida, porque para ela tudo são flores e palanque. O governo que vai assumir, prometendo transformar o RN em um mar de rosas, vermelhas, continua prometendo, porém, ainda não orientou suas fileiras a pastorar o horizonte.

– E o que eu quero com essa prosa? – Digo! Sou defensor do turismo náutico em todos os níveis e o Rio Grande do Norte tem potencial para navegar em mar de almirante nesse segmento. O turismo náutico está entre os que mais crescem no mundo e que trazem excelentes benefícios e recursos. O RN está aproado e é porto estratégico para os destinos mais procurados do mundo e basta dar uma folheada na história para ver essa verdade. Somos beneficiados pelos ventos, pelas correntes marinhas, por um litoral belíssimo, por praia maravilhosas e viramos as costas para a lógica e nos agarramos com falácias de burocratas cegos, mal-amados e por uma politicagem barata. Recentemente enfiamos na lama a ideia maravilhosa de uma marina, que traria a esperança de bons resultados. Projeto que não passou pelo ranço e a acidez de mentes ferinas e ideologicamente transloucadas. Batemos palmas na construção e festejamos loucamente a inauguração da Ponte de Todos como um marco de desenvolvimento, o que não é. A obra é linda, as fotos são lindas, os festejos de fim de ano ganharam novos ares, mas a Ponte está posta em local errado e seus construtores e gestores públicos não vislumbraram o futuro, olharam apenas para o próprio umbigo, acenaram para os afagos, cortaram a fita, condenaram a praia da Redinha a ficar embaixo da ponte e saíram de cena. O futuro a Deus pertence!

O turismo náutico empancou diante da Ponte Newton Navarro, logo ele, que tanto amou e retratou Natal. Agora, parodiando as autoridades, vamos batalhar essa batalha perdida! A história conta que por mais de 300 anos, Natal virou as costas para o mar e somente pela visão de um dos seus prefeitos, no início do século XX, passou a apreciá-lo. Será que a construção da “ponte do futuro” deu início a uma viagem ao passado? Os fantasmas dos guerreiros do velho Forte dos Reis Magos observam tudo sobre as muradas, dão risadas e se perguntam: – Foi por esse povo esquisito que brigamos tanto?

Nelson Mattos Filho

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O iatismo potiguar de vento em popa

IMG-20180917-WA0028IMG-20180917-WA0030O Iate Clube do Natal (ICN) realizou entre os dias 7, 8 e 9 de setembro, o 41º Campeonato Nordeste da Classe Laser, sob o comando do Diretor de Vela, Ricardo Barbosa. O evento aconteceu na Lagoa do Bonfim, um dos mais belos recantos do Rio Grande do Norte, onde o clube tem uma sub-sede. Trinta e seis embarcações, representando os estados do RN, PB, PE, AL, SE, CE, RJ e DF, se alinharam na raia do Bonfim que tem um regime de ventos incrivelmente apropriado para a classe Laser. É gostoso ver o Iate Clube do Natal retomar o rumo dos grandes campeonatos de iatismo, rumo esse que glorificou a história do clube náutico potiguar. É preciso lembrar que o ICN foi fundado por abnegados snipista, velejadores da classe Snipe, que outrora fizeram das águas do Rio Potengi, palco de  badaladas regatas do circuito nacional.  

12ª Regata dos Pescadores de Enxu Queimado

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A praia de Enxu Queimado-Pedra Grande/RN está em festa neste final de semana, 11 e 12 de agosto 2018, com a 12ª Regata dos Pescadores, em homenagem aos pais. A Regata, – uma idealização de Pedrinho e Lucinha, um casal ímpar – depois do Ano Novo e Carnaval, é o maior evento do paraíso praia de Enxu. São dois dias de comemorações com torneio de futebol de praia, campeonato de sinuca, shows musicais, barraca de leilão e outras atrações. A prova no mar, uma competição imperdível, que tem apoio da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte e da Prefeitura Municipal de Pedra Grande, acontece na manhã do domingo, quando falta areia na praia para acomodar tantos torcedores e observadores. Se você, leitor, está pelas paragens maravilhosas do Rio Grande do Norte,  pegue a estrada e venha viver um final de semana sem igual.  Venha, que o povoado de Enxu Queimado lhe receberá de braços abertos!

Um Estado em letargia

portoareia_1O Rio Grande do Norte teria que se chamar “Rio Pequeno do Norte“, pois somente assim seus governantes e classe política ficariam felizes e de alma lavada. O Estado vive uma guerra eterna contra o desenvolvimento e o progresso, e não tem um filho do capeta que se proponha a levantar a bandeira da paz. O RN vive ao deus dará e assim vai indo, ou melhor, vai ficando. Terminal Salineiro de Areia Branca, conhecido como Porto-Ilha, inaugurado em março de 1974, localizado a 14 quilômetros da costa, nas coordenadas geográficas 5º 46’ 24” S / 35º 12’ 20” O, projetado para escoar o sal produzido no Estado, produção que tem como principal destino, além do mercado nacional, o mercado internacional. O RN é o maior produtor de sal do país, avalie se não fosse! Pois bem, o Porto-Ilha de Areia Branca, esse gigante exportador, é a mais nova vítima da “guerra” e nessa quinta-feira, 12, foi interditado pelo IBAMA por crime ambiental e má conservação da estrutura. Ora, se o RN trata com desleixo suas fontes de recursos o que dizer de outras? Reclamar que o IBAMA foi duro? Talvez! Mas a interdição não teria acontecido se não existisse o descaso, a malversação e a desfaçatez. A Companhia Docas do Rio Grande do Norte, CODERN, administradora do empreendimento, diz que vai apresentar um plano de ação para recuperar o Terminal. – Agora, cara pálida? Enquanto isso, o RN fica mais uma vez no prejuízo e sua classe política brinca de fazer promessas em cima de palanque.              

O parque e o mangue

P_20170914_112902Um mutirão coordenado pela administração do Parque das Dunas, um dos mais belos cartões postais de Natal/RN, que nas caminhadas da infância e adolescência, conheci boa parte, pretende retirar todas as plantas exóticas existentes na maravilhosa área de Mata Atlântica, e que, segundo os botânicos, estão ameaçando a fauna e flora. Plantas como Espada de São Jorge, Comigo Ninguém Pode, Dracena e outras, devem ser arrancadas e se possível, transferidas para outros locais. Olhando essa notícia nas páginas online do site Portal no Ar, lembrei de uma situação parecida e que virou tabu entre os defensores e instituições que cuidam do meio ambiente. Tempos atrás a Prefeitura do Natal esteve em contato com um grupo empresarial que pretendia construir uma marina, no Rio Potengi, próximo a fortaleza dos Reis Magos, na boca da Barra da capital potiguar, o que gerou gritaria, esperneio, afetação, discursões acaloradas e que culminou com a Câmara Municipal, erroneamente, botando uma par de cal sobre o assunto e a cidade perdeu uma excelente oportunidade de receber um grande portal turístico. Não defendo que o projeto daquela época fosse o mais correto e nem digo que aquele grupo fosse o que tinha melhores intenções, mas a discursão seguiu por uma rota totalmente adversa aos interesses da sociedade, a começar pela insistência dos militantes das coisas da ecologia em dizer que a marina iria destruir parte do mangue e coisa e tal. Ora, naquela época surgiram, e submergiram inexplicavelmente, estudos que afirmavam que o mangue em questão é composto de uma vegetação invasora e sendo assim, interfere na fauna e flora. – Será mesmo? Deve ser por isso que se diz, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mas é assim!      

Escritos de um dia de praia

1 Janeiro (7)

Caminhando sobre as areias da praia do Marco, litoral Norte do RN, que muitos jogam fichas e sou até tentado a apostar, que foi lá que os patrícios do Rei acharam as terras de além-mar, reflito o quanto somos indiferentes aos desmandos dos nossos governantes, de outrora, de hoje e pelo visto, de centenas de anos mais para frente. Gostamos mesmo é de um ruidoso “mimimi”, mas na hora “do pega para capar”, é um tal de deixe quieto, de coisa e tal, que sei não, viu!

O Marco, que existe no local, é uma réplica malcuidada, lambuzada na cor amarelo envergonhado e indicada por uma placa há muito precisando ser substituída. O local onde está chantado a réplica é dentro de um velho cemitério e em frente a capelinha, pintada com o mesmo amarelo envergonhado. Ora, em outros tempos os cemitérios eram locais sagrados e respeitados, onde imperava um silêncio sagrado, reflexivo e ensurdecedor. Hoje os cemitérios viraram espaços onde se praticam todo tipo de profanação e o velho espaço sagrado do Marco não foge à regra desdita. Sabe onde foram colocados os fogos para a virada do ano? Em cima de uma tumba! Acredita não? Vá conferir, porque as pistolas ainda estão lá.

A praia é linda e a natureza ainda tenta se manter paradisíaca e selvagem, mas está cansando da luta desigual entre ela e nós, os “sábios”. Toda ação do homem naquele local, denota desleixo e abandono. Nada ali é lógico e nem prestigia um passado que dizem histórico. Quem um dia tentou dar um rumo ao local, e sou testemunha da batalha por ela enfrentada, teve que sair devido a força da insegurança pública. E olhe que pagamos caro pela segurança, porém, ela praticamente inexiste. – Será que não seria o caso de acionar os direitos de defesa do consumidor? Dona Tânia, sei que a senhora anda meio angustiada em ver tanta luta ser desdenhada por aqueles que tinham o dever de juntar fileiras ao seu lado, mas sei que a senhora ainda respira e alimenta os sonhos de ver “o Marco” figurar no olimpo das maravilhas.

Tenho carinho e paixão pela praia do Marco, porque aquele cantinho de litoral me traz boas e felizes recordações, porém, ultimamente, sempre que tenho oportunidade de ir até lá, volto com o coração entristecido, em ver um lugar tão importante para a história brasileira, tão jogado ao léu.

Pulula nas mídias sociais uma mensagem do jornalista Alexandre Garcia, dando como certo que o descobrimento do Brasil ocorreu no Rio Grande do Norte, e completa dizendo que nenhum governante potiguar tem ou teve interesse em bisbilhotar e revirar a história contada nos registros oficiais. Ele diz até que o ex-governador Garibaldi Alves teve medo de trocar pernadas com o baiano apoquentado, Antônio Carlos Magalhães, cabra que gostava de briga. E assim vai a história do descobrimento, com pontos, linhas e traços que jamais se encontram.

Dia desses soube que o Governo do RN e as prefeituras dos dois municípios, que dividem o pedaço em que foi chantado o Marco, resolveram pegar carona nas palavras do jornalista global e pretendem fazer uma grande festa no dia 22 de abril 2018, com direito a palanque, discursos inflamados, shows musicais e apresentação teatral. Uma verdadeira encenação politiqueira. Diz o ditado que o povo gosta de “pão e circo”. Então, assim será! Que tristeza para um Estado praticamente falido e para dois municípios que tentam se equilibrar numa corda bamba financeira. Precisa disso não, autoridades, o que precisa é ação concreta e objetiva. Oba-oba e falácia são totalmente descartáveis e feio, viu!

Como santo de casa não faz milagre, há anos Dona Tânia Maria da Fonseca Teixeira, uma das maiores entusiastas da volta do Marco de Posse, original, ao local onde foi chantado pelos portugueses, em 1501, gasta saliva, tempo e paciência batendo nessa tecla, mas infelizmente só recebeu promessas e apertos de mão. O historiador Lenine Pinto é outro que conta uma história bem diferente da que existe no terreiro da baiana Porto Seguro. Vários estudos coordenados pela UFRN seguiram rumo pelo tema. O historiador maior do RN, Luís da Câmara Cascudo excursionou pela praia. Meia dezena de jornalista potiguares editaram matérias e até este blog está recheado com postagens sobre essa história tão mal contada.

Não sou partidária para que se faça birra e se bata o pé, para que se mude o rumo do descobrimento, ou achamento, sei lá o que foi ocorreu, e nem apostos minhas fichas que tudo começou na praia potiguar, mas advogo que aprofundemos no tema para que erros sejam corrigidos.

Nesse assunto o que não cabe, e nunca caberá, é a desfaçatez do oba-oba.

Nelson Mattos Filho

hipocrisia ambiental

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Desde que enveredei pelos rumos da navegação não consigo olhar para essa paisagem sem vê-la emoldurando uma bela e movimentada marina, porém, a palavra “marina” é sinônimo do “coisa ruim” para a turma que cuida das regulamentações ambientais e dos pseudos dublês de ecologistas. – O que? – Marina? – Sai pra lá satanás!  É assim que agem os “defensores” das coisas da natureza, sem nem sequer dá uma passada de vista no projeto. Pois bem, essa paisagem é talvez um dos pontos turísticos mais fotografados do Rio Grande do Norte e um dos mais afamados portais do turismo potiguar, se bem que nos dias de hoje a fama anda meio cabisbaixa. A bela e mágica Ponta Negra, praia cantada em verso e prosa, hoje é apenas uma sombra desfigurada de um passado brilhante. Da antiga e tranquila praia de veraneio, das pescas de arrastão, das jangadas, das ciobas, dos caícos, das serenatas ao luar e da velha e boa vila dos pescadores, só sobraram as lembranças. Ambientalmente Ponta Negra é um caos!  E olhem que a praia é berço e parque de diversão de quase todos os movimentos ecológicos que atuam em Natal. No nariz dos “fiscais da natureza” – os mesmos que um dia gritaram, espernearam e fizeram birra, contra a construção de edifícios que impediriam a vista que eles tinham da praia – construíram um calçadão, mais agressor impossível. Fincaram hotéis e  restaurantes praticamente na areia. Esgotos escorrem a céu aberto e desaguam no mar. E para fincar a estaca no coração, despejaram toneladas de pedra sobre a faixa de areia para preservar o mais cruel agressor, o calçadão. Agora vejo nas folhas de notícias que o Idema – Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, vários órgãos e ONGs que “fiscalizam” o meio ambiente, se reuniram para discutir propostas – cada uma mais estapafúrdia do que a outra – que visem conter o avanço do mar e consequentemente preservar o calçadão invasor. Hipócritas! Netuno, mostre a eles sua força e exija respeito! – E quanto a marina? – Vixe, deixe quieto, pode não senhor!