Arquivo do mês: março 2017

Aviso aos navegantes – Alerta de ressaca

8 Agosto (16)

A Marinha do Brasil emitiu aviso de ressaca entre os dias 31 de março e 2 de abril, com ondas de mais 2,5 metros, entre Touros/RN e Ilha de Santana/MA. A recomendação é que embarcações de pequeno porte evitem navegar nesse período e os comandantes das demais, verifiquem o material salvatagem, motores, bombas de esgoto, rádios e demais itens de segurança.  

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Tapioca é muito é boa, isso sim

11 Novembro (279)Um artigo em um jornal do Rio Grande do Norte, assinado pelo engenheiro José Narcelio Marques de Sousa, com o título Tapioca pode matar, criou um verdadeiro reboliço nas redes sociais e até o site G1, da poderosa vênus platinada, entrou na parada para defender a maravilhosa iguaria nordestina, com um desmentido do pesquisador de mandioca Joselito Motta, da Embrapa. Ora pois! Narcelio, além de engenheiro, é escritor e comedor de tapioca de largo costado. No artigo da discórdia ele apenas comentava a visita de um amigo a Portugal e esse havia chegado das terras de Dom João cheio de medos, pois assistiu um programa na TV, onde um médico de lá alertava para o consumo da nova mania das ruas de Lisboa, dizendo que tem todo tipo de milacria venenosa na matéria prima. Diz o texto do engenheiro potiguar, que além-mar, a iguaria da goma de mandioca está fazendo um sucesso fora do comum e a todo momento tem um “expert” no assunto dando pitacos ao vivo. Pois bem, o escritor/engenheiro foi fuxicar do amigo e quase criou a guerra da tapioca. Agora me diga aí: Quem já comeu tapioca misturada com coco ralado na hora e acompanhado de umas postas de peixe frito ou lagosta frita na manteiga? Seu menino, é bom demais!!! Seu Narcelio, Seu Narcelio, não brinque com alimentos servidos em banquetes de deuses. 

Aviso aos navegantes

pepirb-rescueUm comunicado da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro, datado de 21 de março de 2017, é mais um retrato do velho jeitinho brasileiro de fazer valer as coisas. No Fax 022/20.2, endereçado a Comunidade Marítima, a autoridade naval alerta que grande parte dos sinais emitidos  por EPIRBRadiobaliza Indicadora de Posição de Emergência por Satélite, causam transtornos ao Centro de Controle, porque os equipamentos não estão devidamente registrados, o que dificulta o regaste. O EPIRB quando registrado no órgão competente, ao emitir um sinal de socorro, indica, além da posição, dados da embarcação, do proprietário e outras informações para boa condução da missão. – Aí, quando a Fiscalização Naval mete a caneta a choradeira é grande. Se liga comandante!

Agradecimento

01 - Janeiro (188)

Não sou baiano, mas vivi nas águas da Bahia um sonho de vida, de aprendizados, de observações e me encantei por aquele mar tão cheio de segredos, mistérios e fé. A Baía de Todos os Santos é um mundo ainda a ser descoberto, um mundo de histórias onde a historia do Brasil é contada em prosa, verso, samba de roda e no graminho dos saveiros e seus mestre de sabedoria infinita. Um mundo dentro de um mundo em constante ebulição, mas incrivelmente ensopado de ternura. Quem vai ao mar da Bahia tem sim que seguir o aviso para sorrir, porque ali a vida é incrivelmente mais bela e feliz.

raimundoSexta-Feira, 23/03, não tive a oportunidade de assistir o Globo Repórter que falaria sobre a Baía de Todos os Santos, que naveguei e conheci como poucos, porém, me apressei em procurar na internet, já no sábado, 25, o vídeo do programa e me achei nas palavras, imagens e personagens tão bem, e carinhosamente, mostrado pelo excepcional repórter José Raimundo, um baiano  da gema que estava super a vontade na matéria e que faz pose na imagem ao lado de Dona Cadu, famosa ceramista de Maragogipinho. Tenho sim que agradecer ao Zé Raimundo, toda a equipe que o acompanhou e a Rede Globo, por nos presentear com uma reportagem tão arretada, que me trouxe boas recordações e saudades. O triste foi ver que o abandono dos patrimônios materiais e imateriais continua a caminhar a passos largos, coisa que sempre denunciei aqui.              

Veleiro francês desaparecido no Atlântico

IMG-20170326-WA0002IMG-20170326-WA0004IMG-20170326-WA0003Notícias nas rádios de ajuda e informações aos navegantes na costa brasileira, dão  conta de um veleiro francês desaparecido no Atlântico. O veleiro Katua, com três tripulantes, saiu das Ilhas Canárias em 17 de janeiro de 2017, em rumo declarado para Cabo Verde e até o momento não chegou a nenhum porto. 

Cartas de Enxu 12

2 Fevereiro (165)

Enxu Queimado, 25 de março de 2017

Sabe meu caro Woden, não o conheço pessoalmente, mas admiro seu trabalho, sua resistência jornalística e leio assiduamente a Coluna do WM nas páginas do jornal papa jerimum Tribuna do Norte, sei que isso não me credencia a sua amizade, porém, me sinto seu amigo pela via do seu filho, Woden Junior, parceiro “derna” dos bons tempos de uma Natal apaixonante e que deixou saudades em quem a viveu. Como dizia o personagem Lilico, o “Homem do Bumbo”, do programa A praça é Nossa: “Tempo bom, não volta mais, saudade… de outros tempos iguais! ”. Depois dessa breve e simplória apresentação, sigo em frente no rastro da chuva que acompanho de minha cabaninha de praia.

O texto de sua coluna do dia 24 de março, depois de discorrer sobre os meandros e segredos do tempo, coisa que os meteorologistas andam mais perdidos do que cego em tiroteio, você fechou o firo com a frase “O Nordeste é mesmo uma Academia”. Pois digo que é mesmo e os estudiosos do clima precisam tirar um tiquinho a atenção dos satélites e computadores para dar um passeio pelas Academias das feiras livres e bancos de praça do interior, pois é ali que se passam as verdades verdadeiras e as esperanças tomam ciência do sim ou do não. E tem mais, esse negócio de “normal” e “abaixo da média” e palavreado de arrodeio.

Seu Woden, não sou do campo, gosto mesmo é das diabruras do mar, pois é nos verdes campos de Netuno e Iemanjá que a vida conta léguas para tirar a prova dos nove daqueles que dizem saber das coisas das navegações. Já vi muito valente acabrunhado diante de uns torinhos de mar, mas também já vi muitos grumetes de alma lavada, pois na lei dos oceanos o que vale mais é o reconhecimento do medo e a vontade do constante aprendizado. Porém, digo que no terreiro dessa cabaninha de praia, que vim ficar debaixo depois que desembarquei do Avoante, me arvorei a espalhar umas sementinhas pelo chão e não me canso de procurar nuvens de chuva nos quadrantes do céu. O feijão já tá bota, não bota. O milho, que plantei um dia desse, já apontou, o inhame está bonito que só vendo e as fruteiras estão faceiras e botando safra. Para quem até uns dias passados estava balançando num veleirinho no meio do mar, até que estou indo bem.

Fico vendo suas notícias de volume de chuva pelo Rio Grande do Norte afora e fico imaginando onde danado você consegue esses números tão milimétricos. Por aqui, nessa Enxu Queimado de uma pequena Pedra Grande, essas informações estão mais raras do que onça brava. E por falar em onça, de vez em quando algumas davam as caras por aqui, mas depois que os parques de energia dos ventos tomaram conta da caatinga, passando o trator em tudo que é pé de jurema, os bichanos se escafederam. Jornalista, se fosse só na mata nativa do sertão estava até bom, mas o trator passou raspando tudo que é duna e daqui uns dias vamos saber apenas que existiu umas tais areias andantes que engoliam cidades.

Mas voltando a frase que fechou sua coluna do dia 24 de março, comentei com Lucia, a dona do meu ser, e como ela pergunta tudo ao pé da letra, tratou logo de interrogar: – Academia de que? Respondi que era Academia de ensino e que seu artigo falava dos erros e acertos dos homens que estudam o tempo. Ela deu um gole no café e disparou: – Eles erram porque não se apegam nos ventos, se prestassem atenção no que dizem os ventos não errariam tanto. Eu ainda quis argumentar falando nos “meninos” dos Andes, mas fiquei quieto. Em nosso tempo de vida a bordo eu nunca acertei uma quando o assunto era se iria chover ou não. Quando eu dizia que vinha chuva, Lucia botava a cabeça fora da gaiuta, olhava para o poente e sentenciava: – Vem não! Aí eu dizia: – Mas amor, o vento está vindo de lá e vem trazendo muitas nuvens escuras. – Mas não vai e pode tratar de terminar o serviço que começou ontem, viu! Pronto, acabava o assunto e a chuva.

Meu caro jornalista Woden Madruga, não sei onde fica Queimada de Baixo, recantinho de terra que você tem tanto carinho e que acolhe uns rebanhos de bodes manhosos, mas um dia vou dar um passeio por lá. Agora, se quiser comer umas postas de bicuda gorda e uns galos do alto mimosos, apareça em Enxu Queimado que garanto que Dona Lucia prepara um pirão de fazer pareia com o da Comadre. Minha casa é fácil de achar, basta chegar e perguntar, porém, se ninguém souber é porque você não está em Enxu.

Eita que já ia esquecendo de assuntar que o tempo hoje, 25 de março, sábado de quaresma, foi de Sol forte e poucas nuvens, porém, o chão está bem chovido. Anote no seu caderninho da chuva, viu!

Nelson Mattos Filho

Ocaso

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“Lágrimas não são argumentos.”

Machado de Assis