Arquivo do mês: setembro 2011

Mais um recantinho gostoso do litoral do RN

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Conhecer praias sempre foi um dos nossos programas favoritos. Foi assim que hoje conhecemos quase 95% do litoral do Rio Grande do Norte e a grande maioria do litoral entre Natal e Salvador/BA. Nunca colocamos nenhum empecilho para ir a alguma prainha mais afastada,  e quando sabíamos que era uma praia ainda em estado bruto, ai era que a nossa vontade era atiçada. E vale salientar que nunca tivemos carro 4×4 que é a sensação dos dias atuais. Sempre foi assim e durante um bom tempo não imaginávamos nem em ter um barco. Essa maravilha, que hoje é nossa casa, surgiu muito tempo depois. Foi indo de praia em praia e fazendo divertidas farofadas, e que até hoje não deixamos de fazer, que a uns 20 anos atrás chegamos num delicioso recanto do litoral potiguar e, naquele tempo, ainda virgem e bem selvagem. De civilização existia apenas uma bela casa de fazenda a beira mar e  que logo tratamos de fazer amizade com os proprietários que perdura até os dias de hoje.  O recanto é mais do que gostoso e fica localizado na gostosa praia de São Miguel do Gostoso e se chama Recanto do Tourinho. Não precisava do trocadilho, mas acho que ficou mais gostoso de ler. Recentemente estivemos no Recanto do Tourinho, que já não é tão virgem assim, e ficamos novamente encantados com o lugar. O casal de amigos, Joseph e Iara, continua com a bela fazenda, mas agora acrescentou mais um atrativo ao local: O Restaurante Tartuga, um point mais do que gostoso. A praia continua com todos os seus encantos preservados e com um banho de mar inesquecível. Não fique apenas se deliciando com as fotos e nem fique procurando desculpas para não ir conhecer o belo Recanto do Tourinho. Vá e veja como é Gostoso!  

Natal/Trinidad – Fotos de um mar de sonhos

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Amigos do mar e do bem

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Essa semana recebemos a visita dos amigos velejadores Fernando, Miriam e Katie Niedermeier. O casal e a filhota dessa vez não vieram a Natal de veleiro e sim nas asas de um avião. Eles ficaram hospedados na casa do casal potigucho Antônio e Rosângela, que nunca mediram esforços para celebrar uma boa amizade. O problema é descobrir como ativar o arquivo de falta de assunto de Antônio, pois quando a gente pensa que acabou, ele já está com mais quatro assuntos engatilhados.     

Refeno 2011. Mais da metade da flotilha já está na Ilha

Até às 17:28 horas dessa Segunda-Feira, 26/09, mais da metade dos veleiros que disputam a Refeno 2011 já estavam ancorados na Ilha de Fernando de Noronha. O Índigo, que ilustra esse post, foi o responsável pela quebra do recorde da travessia para barcos monocascos, cravando um tempo de 25h 57min 59s. Vale dizer que esse pesado grandalhão correu com uma tripulação de 11 pessoas, entre eles o medalhista olímpico Torben Grael, e chegou 38 minutos atrás do Fita Azul, o veloz trimarã pernambucano Ave Rara. O recorde da prova ainda pertence ao multicasco baiano Adrenalina Pura, que em 2007 fez a travessia em 14h 34min 54s. Até às 17 horas dessa Segunda-Feira nenhum incidente foi registrado pela comissão organizadora da prova, que se permanecer assim, vai ser uma das mais tranquilas dos últimos anos.

Transat 6.5 – Largou e tem brasileiro na parada.

Largou ontem, 25/09, de Charente-Maritime, em La Rochelle, na França, mais uma edição da Mini-Transat 6.5. Mais um brasileiro participa dessa prova que é uma verdadeira prova de resistência para os 79 skippers que enfrentam em solitário a travessia até a cidade de Salvador/BA.  Nas últimas edições o Brasil estava representado pela velejadora Izabel Pimentel, uma carioca arretada e que vive a vida velejando em solitário ao redor do mundo. Esse ano o velejador Kan Chuh, meio baiano, meio chinês, outro arretado e curtido no azeite de dendê, está entre os competidores. Os Transat 6.5, são barcos extremamente rápidos, com apenas 6,5 metros de comprimento, tripulando por apenas um velejador e que exige muita resistência. Kan Chuh vai precisar usar de toda sua experiência para vencer mais esse desafio. No momento o Vmax, barco do brasileiro, está entre os últimos colocados. Se você quiser acompanhar a Mini-Transat basta acessar o site clicando Aqui. A foto acima foi copiado do site oficial.

Refeno. Deu Ave Rara mais uma vez!

O trimarã pernambucano Ave Rara que já pode ser considerado a cara da Refeno, chegou mais uma vez em primeiro lugar e vai levantar a taça e a fita pela terceira vez. Dessa vez a briga foi com os 82 pés do monocasco Índigo, que levava a bordo o super medalhista olímpico Torben Grael. A experiência da tripulação comandada pelo velejador Gustavo Pacheco, falou mais alto e mostrou a raça do time pernambucano, que esse ano contou com o reforço do velejador potiguar Joca. O Ave Rara fez o percurso de 300 milhas em 25h19min12seg. Já o Índigo cravou 25h57min59seg e chegou em segundo, mas bateu o recorde dos monocascos que pertencia ao veleiro  Kea Uno. Além do trimarã Ave Rara e do monocasco Índigo, apenas mais três barcos haviam chegado a Fernando de Noronha até às 21:19 horas desse Domingo, 25/09, os monocascos Congere e Tomgape 2 e o  catamarã Jahu. foto copiada do site da refeno

Velejando pela vida

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“Estou tão ocupado e chateado com a vida que velejar vai ser um saco”. Escutei essa frase de um amigo e não sei o que deu em mim que não respondi. Mas a verdade é que, não acho a vida tão chata ao ponto de não se querer velejar.

Hoje me peguei pensando em todos os lugares por onde já naveguei, durante essa minha breve vida marinha, a bordo desse Avoante cheio de manhas e manias. Acho que não tenho como fazer comparações, apesar de uma explícita paixão pela bela, mágica, cativante e cheia de encantos Baia de Camamú/BA. Mas nem mesmo essa ligeira queda de asas, poderia ser comparada. Cada praia tem sua beleza e para não perder o encanto eu nunca faço comparações.

O mundo visto de um veleiro é muito diferente de tudo que se possa comparar. Existe uma leveza que vem junto com o sopro dos ventos nas velas que ainda não consegui identificar de onde ela parte. Tudo fica tão diferente que a vida é vivida sem a mínima preocupação com o segundo seguinte. As pessoas no mar se transformam. É uma transformação absoluta, onde cada pedacinho do corpo procura se doar melhor. Não tem idade, não tem raça, não tem cor, não tem nível social, não tem credo, não tem laços e, o melhor de tudo é que, não tem rumo. No mar não temos rumo, fazemos nosso caminho e seguimos os nossos instintos.

Hoje me olhei no espelho e em vez de meu rosto, vi o mundo que se abriu em mim depois que me tornei íntimo com o mar. Um mundo de coisas boas, um mundo de aventura, um mundo de sonhos, um mundo de conceitos jogados ao mar, um mundo de padrões abandonados, um mundo de amigos, um mundo de cores naturais e um mundo vivo de natureza e seus poderes indestrutíveis.

Não tenho nada, nem motivos para comparar todos os portos dessa velejada em busca de um mundo real sem a cegueira da hipocrisia e a desfaçatez dos deslumbramentos da sociedade.

Descobri que existe um Brasil escondido das lentes e pranchetas oficiais. Descobri um Brasil que chora, ri, canta, dança e se alegra com o mais simples afago de carinho e atenção. Um Brasil feito de mar e tão próximo do sertão. Um Brasil oculto sob frondosas árvores e exposto ao bom. Que mundo será esse que me meti? Um mundo onde posso ver a pureza e ao mesmo tempo a impureza das coisas. Um mundo onde posso ser realmente livre para decidir meu destino, sem fugir da obediência das leis, da cultura e da razão.

Que mundo será esse em que navego, sob o vento e sobre ondas, sem perder a razão do desatino? Mundo que coloca todos no mesmo patamar. O rico e o pobre sobre as mesmas ordens. O branco e o preto sem o signo impiedoso de contos e cotas. O belo e o feio lado a lado sem a pecha dos padrões. Mundo onde os reis nem sempre estão no comando. Onde o poder se apaga e não existe poderoso.

Velejo com a alma livre, leve e solta para poder observar as crianças da Ilha de Tatuoca, que não sei se ainda estão por lá. Velejo com a mente aberta para apreciar a simplicidade de uma cidade ribeirinha, com nome esquisito, mas cercado de exuberante beleza: A sergipana Terra Caída e seus muitos rios navegáveis. Velejo com o sabor de deliciosas sapecas assadas no fogo de chão, ouvindo as estripulias do boêmio pescador Zé de Teca e sua canoa Toma Burro. Velejo sem preconceitos para poder sentar na lama de mangues e bancos de areia em busca de chumbinhos, mariscos e taiobas. Velejo em busca de uma vida que sempre sonhei, mas que não sabia que realmente existisse. Velejo por um mundo solidário e livre de preconceitos, mas não aquele que vemos apenas nas propagandas oficiais e seus enormes banquetes.

Velejando dessa maneira, como eu poderia achar a vida chata? Talvez meu amigo ocupado e chateado com o mundo não goste mesmo de velejar. Talvez ele não se olhe no espelho, para ver um homem amarrado a valores que ele não sabe a serventia. Talvez ele não saiba que tem um novo mundo logo após horizonte. Talvez ele nem mesmo veleje, apenas fique olhando para seu barco e se imaginando um grande comandante. Mas a vida é assim! Uns velejam e outros se perdem entre as amarras do porto.

Dedico esse texto a todos aqueles que um dia sonharam com uma vida melhor e sem amarras. Dedico esse texto a todos aqueles que nadam contra a correnteza da razão. Dedico esse texto a todos aqueles que fecham as janelas da vida quando sopram as primeiras lufadas de um vento mais forte.

E por fim, dedico esse texto a Lucia, minha fonte de inspiração, minha comandante e meu amor. Que um dia me presenteou com um pequeno barquinho que foi a lâmina que cortou todas nossas amarras.

Nelson Mattos Filho/Velejador

09/12/2009