Arquivo do mês: março 2010

CRUZEIRO COSTA LESTE 2010

Vejo no site do Cruzeiro Costa Leste 2010 que as inscrições já estão encerradas. Sessenta veleiros farão parte da flotilha que larga do Iate Clube do Rio de Janeiro dia 17/07/2010 para chegar a Ilha de Fernando de Noronha, quando da realização da XXII REFENO. O Cruzeiro Costa Leste acontece a cada dois anos e tem como objetivo navegar a costa do Brasil, do Rio de Janeiro até Recife, e proporcionar a comandantes iniciantes uma velejada em segurança com o apoio e conhecimento daqueles que já tem muitas milhas navegadas. Integrado ao Costa Leste, que é organizado pela ABVC – Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro, vem o Crucero da La Amistad que é organizado por um grupo de velejadores argentinos e uruguaios.   

Anúncios

O CAFÉ DA SEGUNDA-FEIRA

O café da Segunda-Feira no Iate Clube do Natal esta completando um ano de bons papos e boa gastronomia. Tudo começou quando D.Isolda sentido a falta de um cafezinho no meio da tarde, ligou para Lucia no Avoante e pediu para ela fazer o café que ela iria trazer o pão e um pratinho de canjica. Começou ai um dos bons programas de fim de tarde e começo da noite do nosso clube, num dia que tradicionalmente o clube e fechado e que a paz e a tranquilidade reinam absolutos nas varandas debruçadas sobre o Rio Potengí. A frequência aumentou tanto que o que era para ser a tarde passou para a noite, pois muitos queriam vir, mas o trabalho não permitia e assim para acolher todo mundo o café passou a ser a partir das 18:30 horas, quando os adeptos vão chegando, cada um com sua colaboração que pode ser pão, bolacha, canjica, pamonha, sopa, canja, cachorro-quente, água mineral, refrigerante, suco, café, leite e etc.., o que vale é participar, só não vale bebida alcoólica. Sempre que tem barco de fora ancorado no clube, a tripulação é convidada e assim o café da segunda passa a ser um grande congraçamento de velejadores, com os visitantes saindo encantados com a descontração do evento. Vida longa ao nosso café da segunda-feira! 

A CIDADE VISTA DO COCKPIT

                                                                           

                                      Adoro ficar horas sentado no cockpit do Avoante e observar a vida que corre em volta. As palavras soltas que são trazidas pelo vento. Os cheiros da cidade. As cores da luz do sol. As nuvens e suas formas que voam preguiçosamente no Céu. A lua que nasce e que desperta tantas paixões. As pessoas que param diante da magia do mar e ficam em estado de oração, tamanho é o encanto. As crianças que se encantam com os barquinhos e navios que entram e saem do porto. Esses momentos eu não troco por nada. Como é bom observar! Como é bom estar em paz com a vida!

                                   Muitas vezes me pego rindo por dentro, do rosto espantado de pessoas quando descobrem que nossa casa é um barquinho apertado e sem os confortos básicos de uma casa. Cadê a geladeira? Cadê o chuveiro elétrico? Cadê a televisão? Cadê o guarda roupas? E esse balançado? Como vocês se acostumam a isso? Eles moram num barco? Onde?

                                   Do meu espaço no cockpit consigo ver isso e muito mais. Talvez se eu estivesse na varanda de um apartamento ou de uma casa, essas coisas não me chamassem tanta atenção.

                                   O cockpit é meu trono de transe e observação, dali o mundo se move em outro ritmo. Dali a vida é determinada pela enchente e pela vazante da maré e os ciclos da natureza. Dali, posso ver o vento e sentir o afagar de seu acalanto. Dali, sinto a beleza de uma chuva forte e tento, em vão, me resguardar dos respingos de vida de suas águas. O barco balança muda um grau de posição, e um novo mundo resplandece na paisagem.

                                   O barco esta parado, mas a bussola indica uma nova posição. Os sons e os lamentos da cidade invadem meu espaço. De onde estou não posso ver, mas sei que a cidade pede socorro. Apenas observo, o ar que flui no redemoinho louco da vida urbana que pede clemência.

                                   A cidade não é mais a mesma. A cidade esta abandonada, ela parece não ter dono. E não tem mesmo! Ela se perdeu nos meandros de subterrâneos lamacentos e fedidos. Os esgotos dos seus salões se materializam em línguas negras que escorrem em suas ruas, vielas e nas areias de suas praias. Os esgotos têm cores, são verdes, vermelhos, amarelos, azuis, brancos e até coloridos, mas dificilmente chamam atenção. Eles não são invisíveis, mas a cidade parece não saber de sua presença.

                                   Mais uma vez a correnteza muda o barco de posição e o vento traz do alto de uma ponte o lamento e o vôo dos desesperados. Do alto de sua imponência, vem a promessa do progresso e qualidade de vida. Pelos seus estais à beleza se espalha, mas, uma aura de angustia sufoca entre toneladas de cimento e brita as promessas maquiadas de vergonha.

                                   Agora são barulhos de fogos de artifícios que ecoa em meu pequeno espaço. O que será que a cidade comemora? Será um novo circo que chegou? Será a comemoração de uma nova vida que chega? Será a alegria extravasada de alguém? Será um gol de placa ou a vitória de um time? Nada disso! São avisos de que a cidade perdeu a guerra e se esfacela entre pedras de brilhos luminosos e a vida fácil e ultra-rápida de pequenos zumbis esquecidos e jogados a todo azar.

                                   Não escuto mais os fogos, o barulho agora é surdo e estalado, a guerra agora é real, a cidade realmente esta perdida. A avoante se encolhe e parece não querer seguir o rumo da correnteza. Será que essa vida que se foi vai passar pelo rio, ou o será que o rio vai ser preservado. É a guerra! A cidade se cala, fecha os olhos e vira as costas. A cidade esta sem dono!

                                   No cockpit, fecho os olhos e tento dormir, mas a cidade geme e consigo escutar seus gemidos. Esta não pode ser minha cidade! Esta nunca foi minha cidade! Minha cidade era outra! Minha cidade era alegre e tinha toda a paz do mundo. Será que a vida a bordo desse pequeno e feliz Avoante, esta confundindo minha mente?

                                   No cockpit o sol bate em meu rosto. Abro os olhos e vejo que o dia amanheceu. Será que eu dormi? Será que era um sonho? Mas, cadê a minha cidade?

                                   Tenho que velejar! Preciso velejar! 

Nelson Mattos Filho

Velejador

PRIMEIRO IATE CLUBE DO BRASIL

O iatismo no Brasil teve inicio em 10/09/1906 com a fundação do Iate Clube Brasileiro no bairro de Botafogo no Rio de Janeiro. Seu fundador e primeiro comodoro foi o Almirante Alexandrino de Alencar, que na época era o Ministro da Marinha. Em 1910 o clube mudou-se para a praia da Gragoatá em Niterói. O esporte a vela era praticado apenas pelos sócios estrangeiros que vinham ao clube para velejadas de fins de semana, os sócios brasileiros eram adeptos apenas da vida social, davam preferências a festas e tardes dançantes no clube. Os sócios velejadores não satisfeitos com o rumo que o clube estava tomando, resolveram fundar um novo clube, o Rio Sailing Club, no Saco de São Francisco. O novo clube cresceu em importância com as regatas e novos velejadores e o Iate Clube Brasileiro afundou no ostracismo com sua turma de sócios sociais e sem a presença dos velejadores ativos. Em 1916 um grupo de sócios antigos assumiram a administração do clube, sanearam as dívidas e praticamente fundaram o clube novamente, fazendo com que a vela voltasse a crescer, estimulada pelos sócios alemães que formavam a maioria no quadro de sócios. Durante a II Guerra Mundial uma nova reviravolta aconteceu, quando os sócios alemães foram expulsos e com isso muitos sócios brasileiros pediram afastamento. Passada a Guerra o clube voltou a crescer. Hoje a administração tem como prioridade o setor náutico, especialmente a Escola de Vela que é a garantia de manutenção das tradições do clube. fonte:site do Iate Clube Brasileiro.

XXII REFENO – INSCRIÇÕES ABERTAS

Já estão abertas as inscrições para quem deseja participar da REFENO 2010. Somente serão aceito os primeiros 100 veleiros inscritos e as taxas de inscrições são por tripulante e não por barco. Os valores e as datas são:

25/03 a 05/05 – R$ 350,00

06/05 a 16/06 – R$ 450,00

17/06 a 27/07 – R$ 550,00

28/07 a 31/08 – R$ 650,00

01/09 a 20/09 – R$ 800,00

 

 

 

 

VOLVO OCEAN RACE É ITAJAÍ

A cidade de Itajaí/SC ganhou a disputa pela parada Sul Americana da Regata Volvo Ocean Race 2011/2012. Itajaí desbancou as brasileiras Angra dos Reis e São Sebastião e toda a tradição de vela que existe nesses dois destinos. Ficou na saudade também cidades do Chile, Argentina e Uruguai. A cidade catarinense ainda não dispõe de toda infra-estrutura para receber os velozes veleiros da volta ao mundo, mas o diretor-geral da regata Knut Forstad, disse que não esta preocupado com isso, pois recebeu toda garantia dos governos municipal e estadual. Kunt tem razão em se manter tranquilo, pois Itajaí tem uma forte tradição na construção naval e uma excelente infra-estrutura portuaria. Agora vamos torcer para que o barco brasileiros seja viabilizado e que possamos contar com o campeão Torben Grael no comando.  

VELEIRO NAUFRAGADO

O veleiro que afundou hoje no litoral norte do RN, entre a praia de Enxú-Queimado e a Ponta dos Três Irmãos, é de bandeira americana. O barco esta a meia milha da praia. A Capitania dos Portos do RN foi acionada e já se encontra no local, mas os tripulantes, que foram resgatados por pescadores e aparentemente sem ferimentos, segundo informações dos pescadores, ficaram algumas horas no local e disseram que viriam para Natal a procura da CPRN.