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Hora de pular o Taiti?

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O site Sailing Totem vem com matéria interessante sobre um movimento que está ocorrendo em algumas ilhas da Polinésia Francesa, principalmente Taina e Taiti, que tem como objetivo principal chamar atenção para ancoragens irresponsáveis, que não respeitam os costumes locais, a fauna, a flora e os corais. Para quem passa uma vista rápida na matéria ou mesmo faz o julgamento apenas com base na manchete, como é comum na maioria dos usuários das mídias sociais, o movimento parece ser antipático e tenta afastar os velejadores de cruzeiros que por lá ancoram. Olhando da ótica que essa minha mesinha de “trabalho”, de frente para um maravilhoso coqueiral, sombreado pelo oceano, me proporciona, acho até que as duas afirmativas são verdadeiras, mas quando tiro a mente da inércia e me transporto em pensamentos para a bordo de um veleiro, vejo que os polinésios têm boa parcela de razão, porque durante minha vida náutica fui testemunha de verdadeiras aberrações cometidas por velejadores de finais de semana, como também por parte de cruzeiristas. Aliás, grupos de adoram denegrir os usuários de lanchas e motonáuticas, mas como bem diz o ditado: Macaco não olha para o rabo. – Hora de pular o taiti? – Você é quem sabe, mas antes de decidir, clique AQUI e leia a matéria completa. 

Velejador é resgatado na costa Norte do Brasil

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O navio Pedro Álvares Cabral, da Aliança Navegação e Logística, regatou na noite da quarta-feira, 23/05, o velejador francês Michael Luc, 60 anos, comandante do veleiro Roxane, que estava há dois dias a deriva em um bote inflável na costa entre o Ceará e Pará, após o naufrágio do veleiro. Segundo informações do comandante do navio, eles receberam um pedido de socorro, via VHF, e após uma busca visual conseguiram localizar o velejador. O Roxane havia saído de Cabedelo/PB dia 17 de maio no rumo do Caribe. O velejador Michael Luc, que foi resgatado sem ferimentos e sem necessitar de maiores cuidados,  tem larga experiência em navegação e já realizou diversas travessias do Atlântico. Desejamos vida longa ao comandante Luc e que muito em breve retorne ao mar. Fonte: revista capital econômico

O Farol de Enxu

20180819_092454Na semana passada postei no facebook o retrato de uma das artes arteiras de Lucia, que fincamos na entrada de nossa cabaninha de praia, O Farol. Aí, o casal Alípio e Gil, navegadores arretados de bons, que cruzaram os mares do mundo a bordo do veleiro Bar a Vento, e que o mar nos deu de presente em forma de grandes amigos, pediu para incluir na postagem as coordenadas geográficas do “Farol de Enxu” e quando um velejador pede um waypoint e com vontade de traçar rota ligeira até o mesmo, aí vai: S 05º 04.296’ / W 035º 50.956’. Pronto, agora é botar a cerveja para gelar e esperar que a vela do Bar a Vento surja no horizonte.  

Polícia do Pará prende assassino de Peter Blake

sir-peter-blake-no-rio-de-janeiroO caso Peter Blake, velejador neozelandês assassinado no Amapá, em 2001, ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira de cinzas, 14/02, e pelo que conhecemos do nosso benevolente, permissivo, ou sei lá o que sistema jurídico, por aí vem mais coisas vergonhosas. A polícia do Pará prendeu, durante uma revista de rotina, o assassino condenado a 35 anos, porém, foragido há 16 anos. O neozelandês, considerado o maior velejador do mundo, bicampeão da America’s Cup, na época do crime liderava uma expedição científica a bordo do veleiro Seamaster, que percorreria várias partes do planeta, inclusive os rios da Amazônia. Numa ancoragem em Macapá, o Seamaster foi invadido pelos bandidos e durante uma troca de tiros, o velejador, que tinha uma arma a bordo, foi morto. O crime repercutiu no mundo inteiro, criou embaraço para o governo e até hoje mancha a história da náutica brasileira. Fonte: G1         

Diário de um sonho real

3 Março (128)

Este pequeno diário é dedicado a todo aquele que tem um sonho e foi escrito como tarefa durante um curso de liderança no Sebrae/RN

Capítulo 1 – Experiência

Sempre fui um sonhador, daqueles que sentam em uma confortável poltrona e fazem das imaginações suas mais fantasiosas histórias, porém, no momento em que a realidade me fazia abrir os olhos, eu me via envolvido por um mundo minuciosamente complexo e objetivo, onde os resultados eram resultantes do meu estado de humor e da missão projetada para minha empresa. Era uma vida de trabalho, resultados, conquistas, derrotas e sempre em busca do mais: mais eficiência, mais lucros, mais crescimento, mais desenvolvimento empresarial e mais e mais. Um belo dia o sonho bateu na porta de minha alma e sentenciou: O seu sonho nunca passará de um sonho, como o sonho de muitos por aí. Você sonha acordado e aqueles que sonham acordado não realizam sonhos. Se quiser viver o sonho, feche os olhos e durma, ao acordar, levante da cama e tome a direção inversa daquela que você caminha todos os dias. Não olhe para trás, não escute a voz da razão e sorria para a vida e os horizontes que se descortinarem em sua frente. Não busque a linha do horizonte, porque nunca irá encontrá-lo. Dormi com o eco daquelas palavras e acordei em um mundo de sonhos, mas sabendo que aquele era o mundo mais real e nessa realidade, vivi onze anos a bordo de um lindo e aconchegante veleiro de oceano, batizado de Avoante.

O que faria diferente?

Não sei, porque a vida é feita de experiências, aprendizados e renascimentos.

Qual capítulo ainda irá escrever?

A continuação da caminhada em busca dos horizontes imaginários, onde vivem os loucos, iluminados de alegria e vida vadia.

Nelson Mattos Filho

Cartas de Enxu 13

10 Outubro (188)

Enxu Queimado/RN, 17 de abril de 2017

Meu caro Pinauna, antes de me avexar em escrevinhar as linhas dessa carta, digo que por aqui está tudo nos conformes, mas ainda muito longe dos dias que passamos sobre as verdades verdadeiras do mar, mas tirando os nove fora e como diria um garotinho que certo dia nos serviu de guia pelas trilhas da serra de Martins, município localizado no alto oeste potiguar, lá na tromba do elefante: “Tá mais bom do que ruim! ”.

E já que falei em Martins e como você é um geólogo bom que só a mulesta e de vez em quando se arvora em fazer rastro pelas estradas do sertão brasileiro, vou dar a dica para na sua próxima viagem, incluir a Princesa Serrana e seus 700 metros de altura em relação ao mar, em seu caderninho. Lá tem frio que só vendo para crer e todos os anos a turma da alta gastronomia monta barracas, fogões e se dana a produzir gostosuras. Dizem que é o maior festival gastronômico de rua do Brasil. Dizem, viu! E tem também umas cavernas boas para o olhar de quem estudou pedras e buracos. Mas vou parar por aqui, pois já fiz propaganda demais da terra alheia e como diz o título, a carta e de Enxu, que fica no beiço da praia e um bocado de légua longe das serras do Oeste.

Pinauna, meu amigo, você pode até ficar matutando sobre o motivo dessa cartinha, mas digo que fique não, pois sempre lembro daquelas prosas boas nas varandas do Aratu Iate Clube, diante de um pôr do sol lindo sem igual, onde de vez quando você chegava com um livro debaixo do braço e perguntava: – Tem esse comandante? Se tiver passe para outro, se não tiver é seu. Rapaz, você me presenteou com cada raridade de fazer inveja a um monte de gente boa. Aquele sobre os Saveiros e aquele outro sobre as embarcações brasileira, foi demais da conta. Pense em dois livros que me renderam um punhado de conhecimento! Sempre que vou à praia, para uma caminhada ou comer um escaldaréu embaixo de uma cabaninha de palha, fico sentado e em silêncio em frente as jangadas e viajo em pensamento pelos oceanos do mundo. Tudo que vejo ao vivo está naqueles livros. As formas, o tabuado, as velas, as ferragens, a entrada do vento, a saída da água, as histórias e os causos contados em sussurros por interlocutores invisíveis. Eita coisa boa que muitos nem imaginam existir! Lembro de uma frase do Teatro Mágico que diz assim: “É simples ser feliz. Difícil é ser tão simples”.

Velejador, as jangadas de Enxu são bonitas, viu! Num tem muitas não, mas o suficiente para encher os olhos de um amante do mar. É gostoso observar suas idas para a lida e a hora da volta do mar. A velinha branca crescendo no horizonte, os cestos carregados, o olhar de cansaço do jangadeiro, a troca de palavras que somente eles entendem, a puxada do barco sobre troncos de coqueiro, a lavagem do convés e a caminhada do homem levando para casa o seu quinhão. Tudo meio mágico, tudo meio rude, tudo muito belo e dotado de muita sabença. Dizem que o povo do mar é encantado. Será verdade comandante? Um dia tentarei descobrir.

E as chuvas, meu amigo? Por aqui está assim meio sei lá e até já li nos jornais que a seca continua firme, forte e tá nem aí para o volume de chuva que São Pedro já mandou. Os homens do tempo dizem que falta pouco menos de 40 dias para as nuvens secarem de vez pelas bandas do Nordeste e se não houver uma reviravolta milagrosa, a chapa vai esquentar. Tomará que São João venha chuvoso e São Pedro assine em baixo, que é para o forró ser animado e tenha milho para a canjica e a pamonha. Por enquanto, chuva para valer é promessa santa e a seca, agouro da turma do quanto pior melhor. Agora me diga como está nas terras do Senhor da Colina Sagrada?

E por falar em chuva: Vi uma matéria num site daqui que uma pesquisadora da UFRN anda escavacando o semiárido potiguar em busca de respostas para a elevada incidência de câncer no pequeno município de Lages Pintada, que apresentou 415,2 casos para uma população de 4.614 habitantes. O estudo aponta para a péssima qualidade da água retirada do açude que abastece parte do lugar, mas também mira nos afloramentos rochosos que cercam a cidade, e na presença de ionizantes naturais que liberam gás radônio, que libera o chumbo para o meio ambiente. A cidade que fica a 135 quilômetros da capital, a mesma distância que separa Enxu Queimado de Natal, convive com a seca, mas é abastecida em parte por uma adutora. Aí você há de perguntar: – E para que beber água do açude? Meu amigo, as coisas das politicagens são como são e não como é para ser. Rapaz, eu nem te disse que em Enxu a água vem de poços artesianos meia boca. Pois é, um dia ia ter água encanada e teve até cano enterrado, mas aí é outra história e nessa prosa cada um que conte um conto.

Pois é eu amigo Sérgio Netto, Pinauna, desculpe lhe avexar com os percalços de minha terra, mas queria enviar notícias e falar um pouquinho do cotidiano da minha vida de praieiro. Mando um abraço para Dona Mila e Lucia manda um beijo para os dois.

Nelson Mattos Filho

É assim!

03 - março (441)

“Navegar é uma atividade que não convém aos impostores. Em muitas profissões, podemos iludir os outros e blefar com toda a impunidade. Em um barco, sabe-se ou não. Azar daqueles que querem se enganar. O oceano não tem piedade.” Eric Tabarly, em Memórias do Mar

Copiado do Facebook do velejador Ricardo Amatucci