Arquivo do mês: maio 2013

Entre mofos, livros e regatas

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Digo que não é fácil manter um veleiro arrumado e em condições de velejar a qualquer momento. Acho que por isso vemos tantos barcos parados nos clubes e marinas. No Avoante aprendemos umas macumbagens para mantê-lo afastado do mofo, da desarrumação não tem como, mas nem sempre as coisas acontecem como a gente quer, ainda mais nesses tempos chuvosos. Barco fechado é um problema!  Depois de dois dias de trabalho, acho que o Avoante ficou habitável. O tempo chuvoso deu um refresco para o povo do mar na Bahia, só tomara que ele tenha se debandado para os lados do Sertão que precisa muito mais. Mas, mesmo assim, nuvens escuras passeiam no céu. Porém, tem uma turma arretada em Salvador que não está nem aí para chuva e vai para o mar de qualquer jeito, saindo na Quinta-Feira e somente retornando no Domingo. Os cabras são teimosos! Nós ficamos no Aratu Iate Clube, que nesse final de semana acontece mais uma edição da multi Regata Aleixo Belov, que movimenta várias classes: Oceano em solitário, optmist, wind surf, snipe e outras. É uma festa!

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Tive ainda a alegria de ser presenteado com o último livro do velejador Aleixo Belov, contando a bela viagem no veleiro Fraternidade. Aleixo é uma pessoa fantástica, bom papo, super atencioso com todos a sua volta e dono de uma grande alma boa.

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Esses pastéis não é para fazer inveja e nem deixar ninguém com água na boca, é apenas para finalizar esse post com uma delícia que é a cara do restaurante do Aratu Iate Clube. Bem, agora vou dar uma olhada no movimento da regata e tomar uma cerveja já que não sou de ferro.

  

 

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História do iatismo carioca

O filme postado no YouTube, por Antônio Oliveira, é uma breve história do início do iatismo no estado do Rio de Janeiro. Ele nos foi enviado pelo amigo José Waldir, conhecido no mundo náutico por Filezinho. Vale muito dar uma espiada no passado.

Estamos de volta ao Avoante

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Andamos perambulando uns dias por Natal/RN e adjacências, mas já estamos de volta ao batente a bordo do nosso Avoante, que andava tristonho e cabisbaixo na ancoragem do Aratu Iate Clube. Barco tem alma! Hoje, 28/05, o dia foi de faxina e arrumação e nem parece que fizemos um montão de coisas, pois ainda tem muito a ser feito. Barco parado e sem ninguém a bordo, parece que junta um monte de gnomo para atanazar a nossa vida no retorno. Mas tem nada não, amanhã tem mais. Na nossa chegada a natureza ainda nos presenteou com esse belíssimo pôr do sol. Já ia esquecendo: Tenho muita coisa para contar sobre essa viagem a Natal e que voltamos de carro. Nossas estradas são grandes palcos em que acontece de tudo um pouco. Barbeiragem nem se fala! Depois eu conto o que vi e o que não vi.

Como é rico e saboroso o nosso nordeste

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Vento soprando na medida certa, tempo com céu claro e rumo traçado no sentido Leste/Oeste. Mas não se avexe, pensando que vou contar mais uma história das nossas velejadas por ai. Poderia até continuar narrando à navegada que fizemos com o veleiro Naumi, e que encerrei o texto passado encalhado lá em Vitória/ES. Mas não, hoje vamos pegar a estrada e seguir por uma região em que o Sol faz questão de mostrar quem manda no pedaço e que é porta de entrada para o Sertão do Rio Grande do Norte. Uma zona temperada pela caatinga e dona de uma riqueza natural tão a mostra, que o homem não consegue enxergar.

Foi por essa região que o cangaceiro Lampião andou chafurdando e dizem que saiu fugido com o rabo entre as pernas debaixo de uma chuva de balas. Mas por falar em Lampião, hoje em dia, andam contando umas coisas esquisitas e uns maus costumes do cangaceiro que é difícil de acreditar. Queria mesmo ver o cabra corajoso contando esses boatos quando o homem ainda era vivo!

Mas e o Avoante? Bem, o nosso veleirinho ficou descansando lá nas águas da Bahia e nós viemos a Natal/RN para umas férias. Isso mesmo: Férias. Porém, lá na Bahia, ouvi falar de uma fruta apresentada na televisão e que na cidade de Angicos/RN uma idealista estava utilizando como matéria prima para deliciosos sorvetes. A fruta era o Pelo da Palma, conhecida no mundo como Figo da Índia ou Fruta de Palma. Aquilo me deu água na boca e Lucia falou assim: – Quando formos a Natal vamos lá provar essa delícia. E fomos mesmo! Continuar lendo

Aguardem! Vem aí o Livro Diário do Avoante

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Diz o ditado que uma das grandes realizações do homem é quando escreve um livro, não que me ache menos realizado pelas coisas que já fiz, inclusive viver a vida a bordo de um veleiro de oceano, coisa que muitos sonham e infelizmente não conseguem. Tenho dito que todas as pessoas tinham que viver pelos menos uma fração mínima da vida a bordo de um veleiro, pois, com certeza, teríamos um mundo mais humano, ético e leal. Mas vamos lá, assinei o contrato com a Editora Caravelas, de José Correia, para a primeira edição do livro Diário do Avoante, uma coletânea entre os 100 primeiros artigos que escrevo semanalmente, aos Domingo, para o Jornal Tribuna do Norte. Em breve postarei aqui a data, hora e local do lançamento, mas para isso, damos inicio, desde já, a contagem regressiva. Aguardem!!!!

Esperança de bons ventos sobre a Ilha Maravilha

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Depois da denúncia do construtor naval Sérgio Marques, divulgada aqui no Blog, que a Prefeitura de São Luís do Maranhão havia mando fechar os estaleiro de construção amadora no munícipio, alegando falta das licenças ambientais, o que criou uma onda de solidariedade e perplexidade por todo o Brasil, parece que as coisas entraram no rumo na Ilha Maravilha.

Caro Nelson e todos que se solidarizaram com a causa,
Depois de intensa mobilização há uma luz de esperança e uma perspectiva de avanço. A prefeitura municipal de São Luís se comprometeu a apoiar a construção artesanal daqui. Reuniu-se com vários construtores e designou imediatamente um grupo de trabalho para elaborar o projeto para regularização legal e permanente da atividade, assim como promover e orientar os devidos ajustes que se fazem necessários aos construtores navais cumprirem no médio e longo prazo. Admitiu que os construtores não deveriam sofrer retaliações, sim incentivados e ser vistos como um motivo de orgulho para cidade.
Ficamos esperançosos não só por causa do tratamento pro ativo dado a causa, princialmente porque vislumbramos atitudes concretas e imediatas que começaram a ser tomadas pelo grupo de governo.As de caráter imediato e as necessários para o prolongamento da atividade. Uma atitude que apareceu atabalhoada pode se reverter a favor da construção e manutenção de barcos nas áreas tradicionais .Gostaria que passassem adiante este nosso otimismo! Vamos torcer para que essa brisa de bom tempo se transforme num vento favorável tranquilo duradouro.
Sérgio Marques _Estaleiro Bate Vento

Prefeitura de São Luís do Maranhão manda fechar estaleiros de construção artesanal no município

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Atolados pela lama dos homens! Esse bem que poderia ser o título do texto do construtor naval maranhense Sérgio Marques, em defesa dos estaleiros artesanais do Maranhão. Estamos vivendo a época das autoridades alopradas e sem nenhuma boa intenção com a realidade das nossa cidades,  por isso a revolta e o desabafo do construtor maranhense, proprietários de um dos poucos estaleiros brasileiros que lutam para se manter em pé diante da pesada carga tributária que afunda quase todos. O Maranhão é referência nacional em barcos modelos catamarã, como o é em outras embarcações. Agora vem a Prefeitura de São Luís, travestida de leis ambientais amalucadas, tentando por uma pá de cal em tudo que foi conseguido com tanta luta e garra. Caro Sérgio Marques, estamos com você para que sua revolta tenha eco por esse Brasil tão indiferente aos desmandos.

“A Prefeitura de São Luís do Maranhão através da secretaria de Meio Ambiente está percorrendo todos os pequenos estaleiros, multando sumariamente e mandando suspender as atividades, a ordem é pagar a multa e fechar as portas. Os estaleiros de construção naval estão sendo considerados como praticantes de crime ambiental, sob o ponto de vista da prefeitura.
Esta ação já percorreu toda área e imediações da foz do ria Anil, Camboa, foz do Bacanga como Porto da Gabi, Vovó e Sitio do Tamancão. Nosso estaleiro Bate Vento Embarcações Artesanais Ltda., já foi notificado, multado e ordenado a suspender atividade a partir de 17/05/13. Temos alguns contratos em andamento, 26 funcionários regulamentados e 25 anos de atividade no ramo. Também nosso vizinho de porta, estaleiro do Sr. Gaudêncio se encontra submetido a mesma ordem da prefeitura. Não são só  apenas estes dois, na nossa redondeza seis estabelecimentos tiveram que parar com a produção.
A exigência é a licença ambiental concedida pela prefeitura, por outro lado a prefeitura não fornecerá a tal licença ambiental porque não tem uma politica para o setor de uso do solo nas áreas ribeirinhas e de costa. Vejam que acabou de ser aprovada no congresso nacional a lei de modernização dos portos do Brasil!
A prefeitura demonstra desconhecer toda a tradição da construção naval maranhense. Pode ser ela ser de antigas canoas como dos atuais catamarãs. Provavelmente por desconhecimento,  a Prefeitura não oferece nenhuma politica de regularização ou desenvolvimento para o setor, que é intensivo empregador de mão de obra. A regulamentação da atividade, ou melhor, a questão do uso do solo, durante décadas fora regulamentada pelas Capitanias dos Portos que concedia licença a título precário para funcionamento da atividade de reparo e construção naval, que pela própria natureza tem que ficar na beira do mar ou rio! Daí ficou passou a ficar por conta da união, que por sua vez alega não ser de sua responsabilidade, recaindo sobre o estado ou municípios a responsabilidade de legislar e regularizar a atividade.
A atividade da construção naval no Maranhão, que é secular e intuitivamente bem desenvolvida por aqui, vê-se ainda ao longo do litoral maranhense disseminados estabelecimentos a beira d’água, nas encostas, igarapés, etc. em inúmeros povoados do nosso litoral, das nossas retrancais espalhados em incontáveis municípios maranhenses os pequenos estaleiros! Mas a atual realidade é o abandono e menosprezo por parte das autoridades municipais e estaduais. Ela só serve ou  tem reconhecimento se é  para sair em fotos, cartão postal, livros , matérias de TV e até em alguns cursos “de capacitação” que algumas prefeituras ou ONGS fazem! No meu ponto de vista,  fazem mais para se auto promoverem do que auxiliar os construtores navais propriamente ditos. Inclusive eu mesmo já fui convidado pela prefeitura municipal de São Luís a dar palestras sobre a construção naval, que fiz gratuitamente com a melhor das intenções, fui aplaudido e prefeitura tinha perfeito conhecimento da nossa atividade e localização. Também inúmeros jornais, programas de TV já demonstram com certo orgulho desta atividade produtiva desenvolvida no litoral maranhense. Nossa empresa já recebeu até medalha do Governo do Estado em reconhecimento da contribuição prestada ao setor.
O próximo passo para não falirmos, tanto o nosso estaleiro e quanto toda atividade que é maior que isso, que por hora passamos a ser tratados como  criminosos,  é buscar o espaço num fórum politico e jurídico para discutirmos a questão com civilidade, que anda muito em falta no município de São Luís.”
Este é o relato de um construtor naval, ou um trabalhador criminoso, como considera a prefeitura do Município de São Luís MA, ou outros. Sérgio Marques