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Combate a pirataria

03 - março (47)

Elogiável e pertinente a atitude da diretoria do Aratu Iate Clube, timoneada pelo comodoro Wilder Gouveia, assumindo a bandeira para proteger os associados depois de alguns assaltos a embarcações ocorridos nas águas da Baía de Todos os Santos e que deixou em polvorosa a comunidade náutica baiana. Após algumas reuniões com os órgãos de segurança pública e Capitania dos Portos, uma lancha da Polícia Militar que estava parada por falta de manutenção, na marina de Itaparica, foi recuperada e realiza patrulhamento nos principais destinos de ancoragem. Claro que isso não é suficiente para barrar a bandidagem diante de uma baía tão grande, mas é um começo e a ideia deveria ser seguida por outros clubes. A regata Aratu/Maragojipe, que será realizada no fim de agosto, terá segurança durante o percurso e também na ancoragem em Maragojipe, tudo para manter o brilho de uma das maiores regatas do Brasil e a de maior tradição na Bahia. Um clube náutico tem como missão principal desenvolver os esportes aquáticos e dar apoio incondicional ao navegante. Aquele que se furta dessa missão perde o rumo. Parabéns Aratu Iate Clube!     

Cartas de Enxu 13

10 Outubro (188)

Enxu Queimado/RN, 17 de abril de 2017

Meu caro Pinauna, antes de me avexar em escrevinhar as linhas dessa carta, digo que por aqui está tudo nos conformes, mas ainda muito longe dos dias que passamos sobre as verdades verdadeiras do mar, mas tirando os nove fora e como diria um garotinho que certo dia nos serviu de guia pelas trilhas da serra de Martins, município localizado no alto oeste potiguar, lá na tromba do elefante: “Tá mais bom do que ruim! ”.

E já que falei em Martins e como você é um geólogo bom que só a mulesta e de vez em quando se arvora em fazer rastro pelas estradas do sertão brasileiro, vou dar a dica para na sua próxima viagem, incluir a Princesa Serrana e seus 700 metros de altura em relação ao mar, em seu caderninho. Lá tem frio que só vendo para crer e todos os anos a turma da alta gastronomia monta barracas, fogões e se dana a produzir gostosuras. Dizem que é o maior festival gastronômico de rua do Brasil. Dizem, viu! E tem também umas cavernas boas para o olhar de quem estudou pedras e buracos. Mas vou parar por aqui, pois já fiz propaganda demais da terra alheia e como diz o título, a carta e de Enxu, que fica no beiço da praia e um bocado de légua longe das serras do Oeste.

Pinauna, meu amigo, você pode até ficar matutando sobre o motivo dessa cartinha, mas digo que fique não, pois sempre lembro daquelas prosas boas nas varandas do Aratu Iate Clube, diante de um pôr do sol lindo sem igual, onde de vez quando você chegava com um livro debaixo do braço e perguntava: – Tem esse comandante? Se tiver passe para outro, se não tiver é seu. Rapaz, você me presenteou com cada raridade de fazer inveja a um monte de gente boa. Aquele sobre os Saveiros e aquele outro sobre as embarcações brasileira, foi demais da conta. Pense em dois livros que me renderam um punhado de conhecimento! Sempre que vou à praia, para uma caminhada ou comer um escaldaréu embaixo de uma cabaninha de palha, fico sentado e em silêncio em frente as jangadas e viajo em pensamento pelos oceanos do mundo. Tudo que vejo ao vivo está naqueles livros. As formas, o tabuado, as velas, as ferragens, a entrada do vento, a saída da água, as histórias e os causos contados em sussurros por interlocutores invisíveis. Eita coisa boa que muitos nem imaginam existir! Lembro de uma frase do Teatro Mágico que diz assim: “É simples ser feliz. Difícil é ser tão simples”.

Velejador, as jangadas de Enxu são bonitas, viu! Num tem muitas não, mas o suficiente para encher os olhos de um amante do mar. É gostoso observar suas idas para a lida e a hora da volta do mar. A velinha branca crescendo no horizonte, os cestos carregados, o olhar de cansaço do jangadeiro, a troca de palavras que somente eles entendem, a puxada do barco sobre troncos de coqueiro, a lavagem do convés e a caminhada do homem levando para casa o seu quinhão. Tudo meio mágico, tudo meio rude, tudo muito belo e dotado de muita sabença. Dizem que o povo do mar é encantado. Será verdade comandante? Um dia tentarei descobrir.

E as chuvas, meu amigo? Por aqui está assim meio sei lá e até já li nos jornais que a seca continua firme, forte e tá nem aí para o volume de chuva que São Pedro já mandou. Os homens do tempo dizem que falta pouco menos de 40 dias para as nuvens secarem de vez pelas bandas do Nordeste e se não houver uma reviravolta milagrosa, a chapa vai esquentar. Tomará que São João venha chuvoso e São Pedro assine em baixo, que é para o forró ser animado e tenha milho para a canjica e a pamonha. Por enquanto, chuva para valer é promessa santa e a seca, agouro da turma do quanto pior melhor. Agora me diga como está nas terras do Senhor da Colina Sagrada?

E por falar em chuva: Vi uma matéria num site daqui que uma pesquisadora da UFRN anda escavacando o semiárido potiguar em busca de respostas para a elevada incidência de câncer no pequeno município de Lages Pintada, que apresentou 415,2 casos para uma população de 4.614 habitantes. O estudo aponta para a péssima qualidade da água retirada do açude que abastece parte do lugar, mas também mira nos afloramentos rochosos que cercam a cidade, e na presença de ionizantes naturais que liberam gás radônio, que libera o chumbo para o meio ambiente. A cidade que fica a 135 quilômetros da capital, a mesma distância que separa Enxu Queimado de Natal, convive com a seca, mas é abastecida em parte por uma adutora. Aí você há de perguntar: – E para que beber água do açude? Meu amigo, as coisas das politicagens são como são e não como é para ser. Rapaz, eu nem te disse que em Enxu a água vem de poços artesianos meia boca. Pois é, um dia ia ter água encanada e teve até cano enterrado, mas aí é outra história e nessa prosa cada um que conte um conto.

Pois é eu amigo Sérgio Netto, Pinauna, desculpe lhe avexar com os percalços de minha terra, mas queria enviar notícias e falar um pouquinho do cotidiano da minha vida de praieiro. Mando um abraço para Dona Mila e Lucia manda um beijo para os dois.

Nelson Mattos Filho

1ª Travessia do Recôncavo

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O velejador Haroldo Quadros, manda fotos e notícias diretamente das águas históricas do Rio Paraguaçu, contando como foi a I Travessia do Recôncavo, uma velejada festiva organizada pela Trimar Eventos Náuticos, com apoio do Aratu Iate Clube e que aconteceu neste sábado, 18/03, véspera de São José.

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Mais de 50 barcos atravessaram a Baía de Todos os Santos e adentraram o velho e apaixonante Paraguaçu, até o povoado de São Francisco do Paraguaçu, famoso pela bela construção do Convento Santo Antônio, tão cruelmente esquecido por quem de direito prometeu cuidar bem. Na chegada, a flotilha foi recebida pela banda Estaka Zero que botou fogo na galera. A noite será servido jantar de confraternização, nas dependências do Convento, e em seguida a premiação com muita música, pois baiano não deixa essas coisas passar em branco. Valeu comandante Haroldo, por mais essa.

E o Sol já passou por aí?

03 - março (236)

Sérgio Netto, Pinauna, é um cabra arretado de sabido dos segredos da natureza e uma das minhas boas fontes de informações sobre navegação na Baía de Todos os Santos. O professor se tornou meu amigo, acho que por ter gostado de meus cabelos brancos, e de vez em quando me presenteia com raridades literárias do mundo náutico, que guardo com muito carinho. Pois bem, o velejador, geólogo e bom baiano, que já velejou os oceanos do mundo de trás para frente e de frente para trás e tem até um rico acervo de escritos das suas estripulias pelas águas desse planetinha metido a besta, recentemente me enviou um email, comentando a postagem A parada agora é com a La Niña, afirmando ele, que a Menina andina vem sim disposta a fazer estragos e quem quiser que aposte contra. Sabe o que mais ele disse? “Aqui na terrinha, Salvador/BA, a única novidade é que a declinação do sol coincide com a nossa latitude neste final de semana, 22 e 23/10, o que quer dizer que ao meio-dia, hora verdadeira local, que neste fim de outubro será às 11:18, o sol passa verticalmente pela nossa cabeça, isto é, neste horário a altura observada do sol será 90°. Isso dá uma insolação de tirar o couro de qualquer niña”. Sabendo ele que estou aboletado em um ranchinho de praia na minha Enxu Queimado, disse que se eu quisesse calcular o meio dia verdadeiro por aqui, que deve ser 11 minutos (11 horas e 07 minutos no final de outubro) antes da capital do Senhor do Bonfim, poderia fazer uma experiência bem interessante: “neste horário, exatamente, olha o sol no fundo de uma cacimba, que fica completamente iluminada: uma linha saindo do centro do sol para o centro da terra passa pela latitude que coincide com a declinação. Para a latitude de Enxu a latitude e a declinação se coincidiram em 6 de outubro”. Bem, como o sol já passou por aqui e eu nem percebi, agora vou esperar ele voltar para o norte, que, segundo Pinauna, é coisa para o mês de fevereiro de 2017, e vou ficar de olho no fundo da primeira cacimba que encontrar. “Privilégio de quem mora entre os trópicos”.  

O mar da Bahia é de festa

14650536_1758047811121517_3134667356984493729_nSe a turma da vela Brasil afora acha que no mar da Bahia festa boa somente a regata Aratu/Maragojipe, pode ir tirando o cavalinho da chuva, porque regata na Bahia tem uma atrás da outra e cada uma gostosa que só vendo. Pois bem, dia 22 de outubro, sábado próximo, tem uma das mais tradicionais e animadas que é a Regata da Primavera, que esse ano comemora a 41ª edição.

14494868_1752933068299658_3782309122621197546_nA regata larga da Ponta de Humaitá, um dos mais belos cartões postais de Salvador, e tem a linha de chegada na praia de Mutá, um pequeno paraíso no Canal Interno de Itaparica. A festa da premiação, em Mutá, será animada pela banda Diamba, pois na Bahia regata tem que ter festa, e festa para valer. As inscrições podem ser feitas no Saveiro Clube da Bahia – clube promotor do evento, Aratu Iate Clube e Marina Aratu. Rapaz, essa regata é das boas!

Regata Aratu Maragojipe

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Está chegando o dia da festa maior do Iatismo na Bahia! 47ª REGATA ARATU-MARAGOJIPE. Se você deseja participar, acho bom se adiantar. Informações adicionais veja no site: www.aratumaragojipe.com.br

Regata Aratu/Maragojipe – Relato de um tripulante

IMG_7971A Regata Aratu/Maragojipe, promovida pelo Aratu Iate Clube, em parceria com a Via Náutica Consultoria & Eventos, acontecerá dia 20 de agosto e com a proximidade dessa que é a 47ª edição, publico o texto de Antonio Lima, tripulante do veleiro baiano Desmantelo, do comandante Adriano Hora, relatando de forma bem humorada a participação dele na edição de 2011.

Toda vez que me olho, percebo que meus joelhos já não são mais os mesmos. Correr só com tênis especiais. Aventuras na chapada só com muito planejamento, mas meu espírito de aventura continua o mesmo da minha juventude. Talvez, seja esta minha melhor forma de me atualizar e me reciclar. Apreender nos erros, pois pior é não ter tentado. Vou contar.
Meu amigo e compadre Adriano comprou um veleiro. O Desmantelo. Este é o seu nome. Nada mais apropriado, pois segundo ele, desmantelo: “É vida, alegria e quebra de regras”. Pois é. Quando ele me fez o convite para participar de sua tripulação na regata aceitei o convite de cara, pois aventura é comigo!
Agendamos dia e hora. Encontramo-nos numa espécie de congresso técnico no Aratu Iate Clube, regado a coquetel muito alegre e divertido. Adriano (a partir daqui, pela ordem, capitão!) formava comigo a equipe que na manhã seguinte estaria velejando pela Baia de Todos os Santos rumo a Maragojipe.
Após o show saímos para dormir no barco. Pegamos uma espécie de taxi náutico que nos levou ao barco ancorado num boia com o nome esquisito que não consegui gravar o nome. Aos meus roncos, sob protesto do capitão na manhã seguinte, rumamos à boia de largada. No meio do caminho tivemos um pequeno problema de falha do motor, logo resolvido, mas claro com a tradicional ansiedade do capitão, quase ficávamos a deriva, mas tudo se resolveu. Rumamos à boia.
Ao chegarmos ficamos rodando em círculos aguardando o sinal da largada, pois barco não tem freio de mão, ou seja, não fica parado.
Dado a largada da nossa bateria, começamos a velejar, mas e o vento? Sumiu. Uma calmaria tomou o início da prova. Sem vento, velejar passa a ser caçada. Só que de vento, jargão que aprendi nesta regata junto, proa, popa, calado, vela de popa e muitos outros que enriqueceram meu vocabulário.
Após caçarmos bastante, conseguimos pegar o rumo de Maragojipe. Claro que o capitão indo à loucura em busca de uma melhor posição. Ele estava para “pirão”, ou seja, ele queria ficar pelo menos na primeira divisão. Para mim era mais uma aventura. Mas, comando é comando, ouvi atentamente todas as ordens que vinham em minha direção. Içar velas! Mudar de lado! Manter o leme! Verificar posição de boias de localização! Enfim, me senti assinando um contrato novo de venda de imóvel, pura pressão!
Diante de todas as dificuldades pela nossa inexperiência, inclusive do capitão, conseguimos chegar à entrada do Rio Paraguaçu, mas ainda estávamos na metade do caminho. Nova calmaria, mas chegamos. O Desmantelo sofreu muitas avarias. O capitão ficou decepcionado, pois quase foi para segunda divisão, mas com muita garra o importante foi completar a prova na vela. Valeu capitão!
Tirei desta aventura, algumas lições:
1. Como impressiona o silêncio. Quando todos os barcos desligaram o motor, o silêncio é total. Como somos barulhentos. Fiquei refletindo sobre isto durante o retorno.
2. Planejamento é fundamental. Pecamos por não termos montado uma estratégia de trabalho. Delegação de tarefas. O tradicional plano “B” no caso de ocorrências.
3. Velejar é paciência, logo o controle da ansiedade é fundamental para o sucesso de uma regata.
4. Trabalhar em equipe é fundamental. Bordão fatídico, mas verdadeiro! Fomos pegos pela fadiga mental associada à ansiedade costumeira do meu querido capitão! Fomos penados neste quesito.
5. Às vezes é melhor participar do que competir, principalmente quando ainda não desenvolvemos habilidades especificas necessárias em uma regata, ou seja, tínhamos habilidades para velejar, mas para competir não!
Assim, diante de tamanha aventura, mas uma vez obtive aprendizado. Fortaleci meu elo com Adriano, grande amigo e parceiro, talvez a maior lição. Revi muitos amigos na regata, Cicinho, Almir, Dondon, Aline e muitos outros, por exemplo. Convivi no mundo da vela, onde o senso de amizade e cooperação é muito forte. Espero participar de novas experiências. Viver é me manter jovem na alma, pois para os joelhos existe anti-inflamatório. Minha alma continua leve. Valeu capitão!