Arquivo da tag: seca no nordeste

Quer saber do tempo? Pois lá vai!

mapservAs notícias que chegam dos mais longínquos recantos  do interior nordestino, chegam alumiadas pelos relâmpagos, acompanhadas pelo ronco surdo dos trovões e temperadas com o perfume suave da terra molhada. Tem chovido a cântaros por esse Brasil continental e o Nordeste festeja com largos sorrisos e vivas de alegria as águas abençoadas que caem do céu. Na prainha gostosa de Enxu Queimado, portal de entrada para os terreiros do sertão, a safra de milho e feijão já se faz bonita e os tratores não têm descanso de tanta terra a ser cortada. Os açudes do Rio Grande do Norte, que até dia desses pediam arrego diante de uma seca braba, agora respiram aliviados pelas águas, porém, receosos que a chuvarada saia do controle dos santos e a alegria escorra água abaixo.  As imagens dos satélites, que dão preciosos subsídios aos meninos do CPTEC/INPE, anunciam para o final de semana, sol entre nuvens pelo Brasil, com pancadas de chuvas fortes e isoladas um pouco aqui, outro acolá, o que tá de bom tamanho, pois os guarda-roupas já começam a exalar o cheirinho do mofo. – E o mar? – Pois é, e o mar?  Ele está para peixe e com umas ondinhas básicas entre 1 e 2,5 metros de altura, porém, nada que assuste um bom homem do mar.

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E a seca medonha arrumou o bisaco

mapservÉ chuva seu menino, é chuva! O tempo fechou na grande maioria do território brasileiro e depois das lapadas de chuva sobre o Rio de Janeiro, após o Carnaval, São Pedro abriu as torneiras sobre o Rio Grande do Norte, que andava bem sofrido. O que é de açude e barreiro já deve está botando água pelo ladrão, e o que tem de trator cortando terra para plantar milho e feijão é coisa arretada de ver. Se for nessa pisadinha, o São João vai ser animado que só vendo! E que venha mais chuvas, coriscos e trovões, e parece que vem, pois as imagens dos satélites estão animadoras.

Cadê a chuva?

800px-usina_hidreletrica_de_sobradinho-ba“O nordestino é antes de tudo um forte”. Já dizia o escritor Euclides da Cunha, em 1902, no livro Os Sertões. Não é fácil a vida no Nordeste, mais incompreendido impossível, mas é uma vida onde a alegria, a fé, a perseverança e a certeza de povoar um mundo de magias, faz do nordestino um povo de inestimável valor. Não existe Nordeste sem as agruras da seca e é daí que brota a força que move essa terra de valentes. É um olho no Céu de Nosso Senhor e outro na terra de todos os santos, sob o comando do Padim Cíço Romão Batista. É assim a vida no sertão. Os relâmpagos já alumiam as barras do poente e os meteorologistas se esforçam para retirar a melhor leitura das lentes dos satélites, mas não é fácil convencer um povo acostumado a ler os sinais da natureza. Estamos vivendo talvez uma das mais severas secas sobre as paragens nordestinas e os açudes e barragens estão aí para provar a verdade. A população cresceu, as cidades ficaram enormes e cadê a água? A velha promessa das águas do Velho Chico tropeça na interminável briga de egos e o que era para ser, não passa da mais barata demagogia, arrotada sobre um palanque enfeitado de bandeirolas, cordão de luz, meia dúzia de babões e aplausos orquestrados. Que venha logo as águas das torneiras de São Pedro, porque a coisa está periclitante e, segundo dados oficiais, os reservatórios do Nordeste estão com os níveis mais baixos de toda a história e juntando tudo chega a míseros 4,7% de capacidade e a Usina Hidrelétrica de Sobradinho, que gera mais de 60% da energia da região, está com apenas 1,98% de reserva. Valei-me Menino Jesus! 

Cartas de Enxu 13

10 Outubro (188)

Enxu Queimado/RN, 17 de abril de 2017

Meu caro Pinauna, antes de me avexar em escrevinhar as linhas dessa carta, digo que por aqui está tudo nos conformes, mas ainda muito longe dos dias que passamos sobre as verdades verdadeiras do mar, mas tirando os nove fora e como diria um garotinho que certo dia nos serviu de guia pelas trilhas da serra de Martins, município localizado no alto oeste potiguar, lá na tromba do elefante: “Tá mais bom do que ruim! ”.

E já que falei em Martins e como você é um geólogo bom que só a mulesta e de vez em quando se arvora em fazer rastro pelas estradas do sertão brasileiro, vou dar a dica para na sua próxima viagem, incluir a Princesa Serrana e seus 700 metros de altura em relação ao mar, em seu caderninho. Lá tem frio que só vendo para crer e todos os anos a turma da alta gastronomia monta barracas, fogões e se dana a produzir gostosuras. Dizem que é o maior festival gastronômico de rua do Brasil. Dizem, viu! E tem também umas cavernas boas para o olhar de quem estudou pedras e buracos. Mas vou parar por aqui, pois já fiz propaganda demais da terra alheia e como diz o título, a carta e de Enxu, que fica no beiço da praia e um bocado de légua longe das serras do Oeste.

Pinauna, meu amigo, você pode até ficar matutando sobre o motivo dessa cartinha, mas digo que fique não, pois sempre lembro daquelas prosas boas nas varandas do Aratu Iate Clube, diante de um pôr do sol lindo sem igual, onde de vez quando você chegava com um livro debaixo do braço e perguntava: – Tem esse comandante? Se tiver passe para outro, se não tiver é seu. Rapaz, você me presenteou com cada raridade de fazer inveja a um monte de gente boa. Aquele sobre os Saveiros e aquele outro sobre as embarcações brasileira, foi demais da conta. Pense em dois livros que me renderam um punhado de conhecimento! Sempre que vou à praia, para uma caminhada ou comer um escaldaréu embaixo de uma cabaninha de palha, fico sentado e em silêncio em frente as jangadas e viajo em pensamento pelos oceanos do mundo. Tudo que vejo ao vivo está naqueles livros. As formas, o tabuado, as velas, as ferragens, a entrada do vento, a saída da água, as histórias e os causos contados em sussurros por interlocutores invisíveis. Eita coisa boa que muitos nem imaginam existir! Lembro de uma frase do Teatro Mágico que diz assim: “É simples ser feliz. Difícil é ser tão simples”.

Velejador, as jangadas de Enxu são bonitas, viu! Num tem muitas não, mas o suficiente para encher os olhos de um amante do mar. É gostoso observar suas idas para a lida e a hora da volta do mar. A velinha branca crescendo no horizonte, os cestos carregados, o olhar de cansaço do jangadeiro, a troca de palavras que somente eles entendem, a puxada do barco sobre troncos de coqueiro, a lavagem do convés e a caminhada do homem levando para casa o seu quinhão. Tudo meio mágico, tudo meio rude, tudo muito belo e dotado de muita sabença. Dizem que o povo do mar é encantado. Será verdade comandante? Um dia tentarei descobrir.

E as chuvas, meu amigo? Por aqui está assim meio sei lá e até já li nos jornais que a seca continua firme, forte e tá nem aí para o volume de chuva que São Pedro já mandou. Os homens do tempo dizem que falta pouco menos de 40 dias para as nuvens secarem de vez pelas bandas do Nordeste e se não houver uma reviravolta milagrosa, a chapa vai esquentar. Tomará que São João venha chuvoso e São Pedro assine em baixo, que é para o forró ser animado e tenha milho para a canjica e a pamonha. Por enquanto, chuva para valer é promessa santa e a seca, agouro da turma do quanto pior melhor. Agora me diga como está nas terras do Senhor da Colina Sagrada?

E por falar em chuva: Vi uma matéria num site daqui que uma pesquisadora da UFRN anda escavacando o semiárido potiguar em busca de respostas para a elevada incidência de câncer no pequeno município de Lages Pintada, que apresentou 415,2 casos para uma população de 4.614 habitantes. O estudo aponta para a péssima qualidade da água retirada do açude que abastece parte do lugar, mas também mira nos afloramentos rochosos que cercam a cidade, e na presença de ionizantes naturais que liberam gás radônio, que libera o chumbo para o meio ambiente. A cidade que fica a 135 quilômetros da capital, a mesma distância que separa Enxu Queimado de Natal, convive com a seca, mas é abastecida em parte por uma adutora. Aí você há de perguntar: – E para que beber água do açude? Meu amigo, as coisas das politicagens são como são e não como é para ser. Rapaz, eu nem te disse que em Enxu a água vem de poços artesianos meia boca. Pois é, um dia ia ter água encanada e teve até cano enterrado, mas aí é outra história e nessa prosa cada um que conte um conto.

Pois é eu amigo Sérgio Netto, Pinauna, desculpe lhe avexar com os percalços de minha terra, mas queria enviar notícias e falar um pouquinho do cotidiano da minha vida de praieiro. Mando um abraço para Dona Mila e Lucia manda um beijo para os dois.

Nelson Mattos Filho

De olho no tempo

mapservHoje, 13/04, véspera de Sexta-Feira Santa, em que o catolicismo celebra a morte e ressurreição de Cristo, boa parte do Nordeste brasileiro festeja as chuvas que caem na terra castigada por longos e dolorosos cinco anos de estiagem. A imagem do satélite do INPE/CPTEC anuncia em manchas azul e amarelo os locais chovidos e por chover durante o final de semana santificado, todos eles no Norte, Nordeste e uns pingos pelas fronteiras do Centro-Oeste. O bom seria que as chuvas de São Pedro lavassem para sempre a lama mal cheirosa que invade os palácios, levando todos os sujões pelas corredeiras dos esgotos, mas nem tudo é como a gente quer, e precisamos sim pagar por nossos pecados, pois penitência é penitência. Em conversa com Seu Neném, homem do campo e do mar, mais do mar do que do campo, ele afirma que ainda vem muito inverno por aí e o milho de São José ainda nem foi colhido. Pois é, o homem do campo é forjado na fé e temperado de esperança. Quer saber o que dizem os homens do CPTEC/INPE? Pois bem:

Pancadas de chuva em parte do país
Nesta sexta-feira (14/04), será com muitas nuvens e pancadas de chuva isoladas, podendo ser localmente fortes, em grande parte da Região Norte, centro-sul do MA e do CE, grande parte do PI, oeste da PB, Sertão de PE, extremo nordeste do CE, norte e leste do RN ao leste de SE. À tarde, as pancadas de chuva isoladas ocorrerão entre áreas do norte da Região Nordeste, demais áreas do RN, PB, PE, AL, SE, norte da BA, sul de TO, norte e leste de GO, DF. Entre o leste do AP, norte da Região Nordeste e leste do RN ao leste do SE o dia será com condições para acumulados de chuva significativos pontuais. Do Litoral Norte de SP, litoral do RJ e litoral sul do ES o dia será com chuvas isoladas.

É chuva, seu menino

mapservPara uma região que há mais de cinco anos sofre com a diabrura da seca, o que já  choveu nos últimos dias e principalmente de ontem, 01/03, quarta-feira de cinzas, até a noite desta quinta-feira, 02, já deu para encher de esperança a alma do povo. Pelos rincões do Rio Grande do Norte já tem muito açude com a lâmina d’água triscando na beirada do sangrador e se a chuva persistir, e São Pedro concordar, daqui para o final da semana vai ter Carnaval novamente. O nordeste com chuva é uma felicidade só! Eu até já espalhei pelo quintal umas covinhas de feijão, uns leirões de inhame e daqui uns dias digo o resultado da safra, mas como o mar é mesmo ali, espero traçar tudo com umas boas postas de cioba fresca.      

Festejando a chuva

2 Fevereiro (118)

Após longo período de estiagem, que castiga a alma e enche de desesperança o coração do sertanejo, boa parte da região nordestina teve um domingo de chuvarada boa e molhadeira e as previsões anunciam mais chuva ao longo desta semana, 13 a  19/02. As imagens dos satélites mostram nuvens carregadas em boa parte do Brasil e risco de temporais nos estados do Sul, Centro-Oeste e Norte. Minhas pitangueiras adoraram o banho, agora é esperar a safra.