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Cartas de Enxu 26

10 Outubro (14)

Enxu Queimado/RN, 06 de Junho de 2018

Eh, meu amigo Venício, acho que chegamos finalmente ao tão sonhado século XXI. Você lembra, claro que lembra, das invencionices contadas pelos nossos pais de como seria o mundo quando chegássemos ao ano 2000? Falavam em carros voadores, passeios espaciais, moradias em Marte e outras milongas mais. Seríamos os Jetsons em carne e osso. Eita que era bom ouvir aqueles moídos e sonhar com a vida daquela família que era o futuro puro e simples. Pois é meu amigo, com dezoito anos de atraso, nada demais em se tratando de ciência, finalmente vemos os primeiros carros voadores tomarem os céus das cidades e, por incrível que pareça, sem chofer. Rapaz, é muita onda, viu!

Aí você irá pensar assim: – Onde danado Nelson tá vendo essas coisas? Será que em Enxu já tem carro voador? – Hahaha, tem não meu amigo, me assunto mesmo é pela tal da internet, que tomou conta desse planetinha azul, de cabo a rabo. Deito na rede, acessando a grande rede, que esqueço do mundo, enquanto os assuntos mundo afora chegam avexado que nem ontem. – Entendeu? – Nem eu, vôti!

Pois bem, abri a telinha e lá estava dizendo que o povo do Google tá nos finalmente para fazer um carro levantar voo e a geringonça se chamará Flyer. Só não vi se terá modelo L, LX, LG, XL ou 1000. Vou perguntar a Luciano de Tita ou a Rodrigo de Paula, os dois mecânicos mais afamados daqui, pois eles devem de saber alguma coisa. Mecânico sabe tudo e um pouco mais! Tomara que eles saibam, pois senão souberem vão é rir da minha cara. – Onde danado tu ouvisse essa mentira Nelson? – Onde já se viu carro voar? – Quem voa é avião! Parece que estou vendo a resenha!

Mas Venício, não é só o doutor Google que se meteu a fazer carro avoar, não, pois os meninos do Uber fizeram pareia com os galegos do 7 a 1, se adiantaram na trapizonga e até botaram os xeiques das arábias para voar num carro drone, cheinho de ventilador no teto. Meu amigo, ria não, pois se os homens das arábias se ariscam em tapetes voadores, imagine num carro que avoa! Isso é besteira pouca! Homi, agora eu vou contar: Dia desses, me chega um amigo, vindo lá das alagoas, e tira do bisaco um drone, dizendo ele que iria bater uns retratos. Ligou o bicho, as hélices começaram a giram fazendo um zumbido que nem uma ruma de muriçoca, as luzes começaram a piscar, meu amigo testou os controles remotos e lá se foi o estranhento pegando altura. Pois quando o bicho emparelhou com as cachadas de cocos do coqueiro, deu um pé de vento que se não fosse a ligeireza do controlador, em trazer o mosquito de volta ao terreiro, era bem capaz do danado ter ido parar nos quintos do judas. – Meu amigo, ninguém tira brincadeira com os alísios do Nordeste quando eles estão apoquentados, não! Vai brincar pra tu ver a cor da chita!

Ei, mudando de voo de carro para voador, você sabia que em Enxu tem caviar? Pois tem! E dizem que o caviar tem o mesmo sabor do que é produzido no estrangeiro, só que o de lá vem da ova do esturjão, peixe que nada nas águas da Rússia e do Irã, e são os mais famosos e mais caros do mundo. O nosso é o primo pobre e vem da ova do peixe voador, peixe que no mar entre Enxu Queimado e Caiçara do Norte, dá que só peste. A ova é pega, pelo menos aqui é assim, com uma armadilha feita com os galhos que sobram dos cachos de cocos, que são lançadas ao mar para os peixes depositarem as ovas. Tem barco que chega com mais de 500 quilos de ova em cada viagem, e entregam o produto aos atravessadores na faixa entre R$ 7,00 e R$ 10,00 o quilo. O que acho estranho é que nessa região ninguém sabe como beneficiar o produto para consumo, o que para mim é um pecado. A ova do voador é uma iguaria rica na cozinha japonesa, que eles chamam de Tobiko, e são comumente utilizados para rechear sushis e outros pratos. Mas fazer o que, num é? As coisas são como são e quem sabe um dia apareça um filho de Deus por essa região para ensinar os segredos dessa iguaria.

Pois é, meu amigo Venício Gama Pacheco, por aqui as coisas vão indo assim e vou contando aqui, acolá como elas são. Fico imaginando no dia em que chegar por aqui os carros voadores e dentro de um deles, buzinando aos quatro ventos, meu amigo Pedrinho de Lucinha aboletado em um deles. Vai ser onda, viu! Quanto ao caviar do voador, até já comi uns sushis com aquelas bolinhas coloridas, só não sabia de onde saía aquela delícia, mas agora já sei e juro que gostei pra valer. Do caviar do esturjão já provei e digo que nem achei lá esse babado todo, mas parodiando Zeca Pagodinho, “…já tirei essa chinfra…”.

Caro amigo, vou ficando por aqui viu, porque a noite já vai alta e Lucia já está com os olhinhos miúdo de sono. Beijo em Sandroca e outro para tu.

Nelson Mattos Filho

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Cartas de Enxu 21

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Enxu Queimado/RN, 23 de Fevereiro de 2018

Sabe Nanã, no mar aprendi que os ventos contrários não nos impedem de seguir em frente. Na verdade, eles nos fazem mais confiantes para navegar em mares cada vez mais tempestuosos, desde que estejamos focados e determinados a alcançar um objetivo, porém, para isso não interessa o tempo que se passe, porque a felicidade não está em chegar no menor espaço de tempo, a felicidade, a plenitude, a vitória, está no chegar. Quantas vezes me desesperei, quantas vezes xinguei o vento, as ondas, as correntes marinhas, a chuva, a vida maluca que havia escolhido, e no final da navegada, ao olhar para trás, sentia vergonha das palavras jogadas sobre o mar, pois sabia que todo aquele aperto havia sido criado dentro de minha cabecinha de vento, que não queria enxergar o óbvio: Os elementos estavam se esforçando para dar uma aula e eu não queria ver. Nanã, o mar, a vida, a alma, a natureza, necessitam apenas da nossa paz de espírito para que nos mostrem os caminhos dos coloridos vales onde se fabricam e se realizam os mais belos sonhos e projetos de vida.

Aí você irá perguntar: – E você tem toda essa paz de espírito? – Tenho não minha irmã, pois se tivesse não teria tantas vezes me desesperado com coisas tão simples, tão lógicas e tão mágicas, mas tento e procuro me manter tranquilo e impassível, não como Bruce Lee, mas como Lucia, que nunca a vi se abater e nem olhar para os problemas pelo lado ruim. Para ela, o lado bom está sempre diante de sua vista e nada, nem ninguém, consegue mudar essa visão. Para que querer o ruim se podemos nos agarrar com o bom, não é mesmo?

Minha irmã, essa carta não é para falar das coisas que nos desassossegam, e sim para contar um pouquinho dessa vidinha mais ou menos que escolhi para passar um bom período de minha trajetória. Dessa varandinha de frente para o coqueiral, montei um maravilhoso posto de observação, de onde avisto a pequenina vila de pescadores tomar rumos para lá e para cá, em um vai e vem freneticamente preguiçoso. A cidade caminha lento e a vida passa ligeiro. Ainda não aprendi a medir o tempo por aqui, mas já sei precisar quando se aproxima o final da tarde, porque é o momento que passam tropas de carneiros e ovelhas de volta ao curral. Dizem que uma ovelha negra põe um rebanho a perder, e põe mesmo, pois de vez em quando vejo algum proprietário, na calada da noite, em busca do seu rebanho. Adoro apreciar esse movimento, mas quando a bichinhas entram em meu quintal para comer as plantas, gosto não. Pois é, Nanã, aqui se cria bicho solto nas baixas e na rua, e quem quiser que se acostume, porque reclamar não adianta. Também, reclamar para que, não é mesmo? Cada povo com sua cultura e mania.

Já que falei do horário das ovelhas, vou falar dos galos, que tem o relógio mais certeiro. A regra diz que os cocorocós dos penosos anunciam o nascer do Sol, mas os daqui são adiantados e às 23:30hs, em ponto, soltam a garganta. Eu acho arretado essa passagem, pois sei que é chegado a hora de estirar o esqueleto na cama, se bem que, nem sempre os olhos querem dormir e vou ficando, ficando, até que a madrugada se anuncia alta e vou me aninhar.

Nanã, você gosta de seriguela? Se gostar, tenho uma mini floresta no terreiro e as bichas são doces que só vendo. Quem gosta mesmo são os galos de campina, que chegam com a barra do nascente, fazendo a maior algazarra para acordar quem ainda dorme. A sabedoria dos campinas é de fazer valer ensinamento a raça dos “homens sábios”. Da ruma de seriguela do pé, cada galo de campina só degusta um por dia e deixa quieto o restante para quem vier depois. Nós é que somos gulosos e colhemos até os que não queremos mais, pois quem vier depois que se lixe. Como diz o ditado do mal-educado: Se eu não pegar, o outro vem e pega.

E por falar em deseducação: Nanã, você tem ouvido as letras das músicas dos carnavais de hoje? Aliás, músicas de carnaval não, pois elas tocam o ano inteiro e se brincar tocam até em velório, e não tem que me convença que aquilo é música. A mulherada grita por aí que está sendo maltratada, abusada, assediada e mais uma interminável lista de “adas”, mas basta botar para tocar um paredão, mandando ralar a checa, mostrar o bunda, sentar na maromba ou levar porrada na cara, que as “novinhas” se acabam de dançar e ainda pedem mais. – Reclamar de que e a quem? – De nada e não tem a quem, vamos indo assim mesmo, até o bagaço se desintegrar.

Nanã, Margareth Lopes Mattos, minha irmã e minha madrinha de apresentação, esses são pequenos fragmentos de minhas observações enquanto balanço na rede armada na varanda. Lá no alto brilha uma estrela e pelo reflexo do seu brilho, vejo novos sonhos e felizes horizontes iluminando sua vida.

Um beijo, Margareth, e estou lhe esperando aqui para comer uma moqueca!

Nelson Mattos Filho

Cartas de Enxu 20

9 Setembro (9)

Enxu Queimado/RN, 16 de outubro de 2017

Sergipano, hoje dei por fé que há muito parei de escrever as cartas contando das coisas daqui e fazendo moído das coisas desse mundão de Nosso Senhor. Mas não foi por querer, pois querer eu queria, mas digo que esse negócio de WhatsApp e Facebook ainda vai destruir esse planetinha mal amado. Rapaz, a gente fica tão vidrado nos fuxicos da telinha que esquece da vida. E por falar em Nosso Senhor, você viu que o Rio Grande do Norte superlotou os altares e andores com 30 novos santos mártires de Cunhaú e Uruaçu? É santo seu menino, é santo! É tanto que o governador papa jerimum, com o sorriso de orelha a orelha, temperou o gogó e sob as bênçãos do Papa Francisco afirmou que o RN agora era exportador de santos. Meu amigo, o homem estava tão eufórico que vi a hora ele anunciar que era obra do seu programa de governo. Mas se não foi, um dia vai ser, porque político não deixa uma oportunidade assim passar em branco.

Os mártires de Cunhaú foram assassinados, em 16 de junho de 1645 por soldados holandeses e índios tapuias, enquanto assistiam a missa dominical na Capela do Engenho Cunhaú. Os mártires de Uruaçu foram perseguidos e presos pelo mesmo grupo e mortos em 3 de outubro do mesmo ano, nas margens do rio Uruaçu. Cronistas da época contam que o massacre se deu por motivo religioso, porque os invasores holandeses eram de religião Calvinista e traziam em sua tropa um pastor protestante para converter os invadidos. Porém, há quem diga que tudo se deu por briga pela posse da terra, pois holandeses e portugueses, naqueles tempos, sempre trocaram farpas e sopapos pelo bem bom dessa terrinha chamada Brasil.

Sergipano, saindo dos redutos da fé, as coisas por aqui vão indo do jeito que dá. Este ano a pesca da lagosta está sendo mais fraca do que caldo de batata e o peixe também tem nadado meio desconfiado com as redes. Deve ser a tal da crise que estendeu seus tentáculos pelo mar. Será? Os ventos também não estão ajudando e tem soprado com intensidades bem acima da média de anos anteriores. Quem acha bom é a turma dos geradores eólicos, que aqui tem que nem peste. Olhando de longe é um paliteiro só! O mar, com essa ventania desenfreada, se arrepia todo e assim fica difícil para o pescador correr atrás do sustento. Não é que não tenha peixe e nem lagosta, tem, mas tem pouco. Tudo isso, alinhado com a seca que se apresenta a cada dia com uma cara mais feia do que a outra, tem trazido um ar de incerteza com o futuro próximo.

E por falar em eólico, juro que não me conformo com as coisas desse país sem controle, onde uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Os fiscais do meio ambiente rangem os dentes e partem para pegar no mocotó do desafortunado que se arvorar em pegar um bichinho qualquer do mato para servir de mistura no almoço dos bruguelos, mas se abrem em sorrisos permissivos quando da liberação para destruição das matas da caatinga, onde moram os tatus, os camaleões, os veados, as avoantes, em prol de construir parques eólicos. – E as dunas? – Se o caboclo se abestalhar e for tirar uma pá de areia do beiço de uma duna e for pego pelos homens, é papo para uns tantos dias de cadeia e uma multinha a ser paga até a quarta geração da família. Porém, as torres geradoras de energia eólica estão lá como se nada fosse com elas. E não é mesmo!

Sabe meu amigo, deitado em minha rede na varanda e vendo a danação de cata vento espalhado, fico pensando se essa seria mesmo a forma mais limpa para gerar energia. Olhando para as vastas extensões de terras ocupadas pelos parques, não acredito que essa conta seja tão limpa assim. Como diz o ditado: Só o tempo dirá!

Ei, sergipano, diga aí como vão as coisas na sua Terra Caída? Como vai o velho e bom Toma Burro? Rapaz, estou com saudades de comer aquelas sapecas deliciosas, acompanhado de uma branquinha. E as canoas? Estou saudoso de sentar na beira do píer e jogar conversa fora olhando as estrelas e escutando o marulhar das águas do rio. Do pôr do sol esplendoroso. Do incrível tapete de caranguejos chama-marés e dos massunins da ilha da Sogra. Estou saudoso sim, meu amigo, mas qualquer dia darei sossego aos punhas da minha rede e botarei o pé na estrada no rumo da Bahia, onde tenho aquele maravilhoso casal de filhos mais lindos do mundo.

Pois é meu bom amigo Gileno Borges, navegador dos sete mares e o sergipano mais baiano que conheço, a vida nessa minha cabaninha de praia está assim, com um olho no coqueiral e outro nas coisas do mundo. Largue sua preguiça de lado e venha aqui, homem de Deus. Você vai gostar e Cassinha gostará mais ainda.

Um cheiro nos dois e que os santos mártires nos abençoe.

Nelson Mattos Filho

Cartas de Enxu 17

1 Janeiro (59)

Enxu Queimado/RN, 05 de junho de 2017

Sabe meu amigo Hugo, como seria bom se o cotidiano da vida fosse regido pelos alísios que fazem bailar as palhas dos coqueirais de uma beira de praia. Talvez todo esse desajustamento que rege atualmente a humanidade, não tivesse vez para criar raízes tão desumanas e cruéis. Aonde chegaremos eu não sei, e duvido muito que algum sociólogo de plantão tenha as respostas, mas que estamos navegando em meio a um terrível maremoto, isso eu sei. No silêncio da varanda de minha palhocinha fico imaginando o porquê de tanta maldade e de tantos discursos abonativos com os possuídos de ideias e ideais desencaminhadores. Mas calma aí, quem danado sou eu para julgar ideias e ideais de alguém, né não? Aprendi navegando sobre as ondas do mar que não se julga sonhos de ninguém a não ser que se queira tolher a esperança, a liberdade e a felicidade do outro. Como é gostoso sonhar, ainda mais quando o sonho nos leva a boas novas. Eu sonho com um mundo onde a paz, a união, o amor e o entendimento entre os povos não seja apenas palavras de conforto para a alma, mas sim o alicerce que norteará futuras gerações.

Meu amigo, desculpe por abrir essa carta com tão carregada de aflição, mas tudo são frutos desse mar de lama e incerteza que nos chega através de um jornalismo que a cada dia está mais focado nos assuntos do terrorismo fácil. Certa vez, em conversa com um blogueiro, perguntei o motivo de tantas postagens com gosto de sangue em seu blog e ele respondeu, o que para ele é obvio: “- Nelson, é o que dá ibope! ”. Rapaz, até parece que o jornalismo esqueceu o jornalismo, e o pior, muitos jornalistas ficam tiririca com os blogueiros, acusando-os de não serem profissionais do ramo. Ora, se eles que são não agem como fossem, imagina quem não é e a age como sendo!

Sabe Hugo, juro que essa carta não se destina a reclamar da vida, mas sim para mandar notícias desse lugarzinho em que vivo, porém, é difícil não enveredar pelas bandas das reclamações, pois parece que os homens das coisas públicas não fazem outra coisa senão chafurdar com o bom andamento do cotidiano da gente. Pois num é que estamos – momento em escrevo estas linhas – há mais de 22 horas sem energia! Rapaz, dizem por aí, mas eu ainda não vi os escritos para falar com certeza, que a falta de energia não pode durar mais de 2 horas sob pena da concessionária de energia pagar umas multinhas pelo desserviço. O problema aqui foi a irresponsabilidade de um motorista que meteu o pé mais fundo do que devia, numa estrada piçarrada, e se danou em cima de um poste, partindo a estrutura em três pedaços. Ei, a turma por aqui conta isso dando risadas, como se o feito fosse uma glória para a irresponsabilidade. Pois seu menino, dizem que o motorista saiu ileso, mas deixou para trás, ou seria para frente?, uma noite, uma madrugada e já vamos caminhando para mais da metade do dia sem nem sinal de energia, sem funcionar as escolas, posto de saúde e comércio. Sabe o que mais me invoca? A moça do telemarketing da companhia energética não cansa, e não se manca, de afirmar que está sendo providenciado. Rapaz, para trocar um poste e remendar um fiozinho de nada! Eita nós, viu! O que não entra em minha cabeça é que estamos no meio de um dos maiores parques eólico do país, com uma infraestrutura fantástica de equipamentos de manutenção e montagem de torres e postes, apoiado por um enorme séquito de engenheiros e técnicos, e nada. Ponto para a incompetência! Pois é meu amigo, a vida por aqui é mansa, mas tem suas verdades.

Sim rapaz, dia primeiro de junho acabou o período do defeso da lagosta, foi aberta a temporada de pesca e já tem lagosta a bambam por aqui, pois o mar daqui é uma das boas fontes do crustáceo. Os pescadores apostam que a pesca vai ser boa, mas os donos dos ranchos – barracões que recebem o produto – não estão botando muita fé, mas não me pergunte o motivo, pois tenho visto barcos chegando bem carregados. Nesse fim de semana comi algumas lagostas e aprovei o sabor e o tamanho. Sou favorável ao período de defeso e isso está sendo provado pelo tamanho da lagosta pescada. Em anos recentes pegavam muita lagosta miúda, que inclusive é proibido, e o Ibama tinha um bocado de trabalho para botar ordem no terreiro. Hoje a coisa tem andado em brancas nuvens e por enquanto os dois lados, pescador e fiscalização, estão em paz.

Ei, Lucia está a cada dia mais esmerada nas saltenhas, aqueles salgadinhos deliciosos de origens boliviana e argentina. Ela aprendeu aprendido e agora bota banca de excelência no feitio do produto. Eu sou suspeito em afirmar, mas quem prova, aprova e pede mais. Tem de carne, frango, calabresa, bacalhau, ricota com espinafre e agora anunciou que vai fazer de lagosta. Vixi! Essa semana um amigo trouxe, para ela fazer um teste, uns quilos de ubarana que dizem ter a carne muito boa para fabricação de hamburguês e recheio de salgados. Acho que vem novidade por aí!

Pois meu amigo Hugo Vidal, velejador arretado de valente e conhecedor como ninguém das tardes baianas de Itapuã, por enquanto é isso, mas tem muita novidade por essa Enxu mais bela. Você precisa vir aqui para ver como é a vida de um praieiro e traga minha amiga Catarina, que prometo armar a melhor e mais bonita rede na varanda. Hoje o vento amanheceu soprador e vindo do quadrante Sul. A Lua está linda e crescente e o mar com uma cor esmeralda e convidativo.

Até mais!

Nelson Mattos Filho