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1ª Travessia do Recôncavo

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O velejador Haroldo Quadros, manda fotos e notícias diretamente das águas históricas do Rio Paraguaçu, contando como foi a I Travessia do Recôncavo, uma velejada festiva organizada pela Trimar Eventos Náuticos, com apoio do Aratu Iate Clube e que aconteceu neste sábado, 18/03, véspera de São José.

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Mais de 50 barcos atravessaram a Baía de Todos os Santos e adentraram o velho e apaixonante Paraguaçu, até o povoado de São Francisco do Paraguaçu, famoso pela bela construção do Convento Santo Antônio, tão cruelmente esquecido por quem de direito prometeu cuidar bem. Na chegada, a flotilha foi recebida pela banda Estaka Zero que botou fogo na galera. A noite será servido jantar de confraternização, nas dependências do Convento, e em seguida a premiação com muita música, pois baiano não deixa essas coisas passar em branco. Valeu comandante Haroldo, por mais essa.

Um jornal arretado de bom

capinha-29A 29ª edição do Jornal Almanáutica já está nas ruas e sendo distribuídos nos principais polos náuticos do Brasil, como também via online. O Almanáutica é uma iniciativa do velejador e jornalista Ricardo Amatucci e tem como Missão: Informar, instruir e valorizar atividades relacionadas à vela, seus protagonistas e colaboradores. Se o seu clube náutico ainda não recebe o Jornal, entre em contato com a redação por email ou através do WhatsApp/Voz (011) 9-99578214.

Vídeo do encontro do veleiro que trazia velejador mumificado

Copiado do Almanáutica:

Eram 6:24h do dia 31 de janeiro, quando a equipe do LMax que participava da Clipper Race 2015-16 parou a embarcação durante a perna entre Austrália e Da Nang – Vietnã, para examinar um iate abandonado encontrado à deriva em sua caminho. Um dos tripulantes nadou para fora e embarcaram no iate Sayo, onde o único ocupante, infelizmente, foi encontrado morto, em estado de decomposição avançada (Veja o vídeo abaixo).

Após a descoberta e divulgação do caso pela imprensa mundial, organização da Clipper emitiu uma nota esclarecendo que as autoridades foram informadas e a embarcação Lmax só deixou o local com autorização, voltando para a competição. Na nota, a Clipper lamenta a morte do velejador e explica que não fazia sentido dar publicidade ao fato, já que não havia dados significativos a serem dados, como identidade e causa da morte, deixando às autoridades essa incumbência.

“Nós permanecemos no local, sob instruções até que fomos liberado pela Guarda Costeira que continuou com a recuperação. Como equipe, encontramos conforto que ele tenha sido encontrado e que a paz será dada aos seus amigos e familiares. Nossas palavras e pensamentos foram compartilhadas com o o velejador que agora descansa em paz”, diz a nota.

Sacrifício

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“Sacrifício é a prática de oferecer como alimento a vida de animais, humanos, colheitas e plantações, aos deuses, como ato de propiciação ou culto. O termo é usado também metaforicamente para descrever atos de altruísmo, abnegação e renúncia em favor de outrem.”

Fui buscar essa definição nas páginas dos dicionários digitais por casual curiosidade, pois no meio náutico sempre ouço alguém dizer que vai fazer um tremendo sacrifício para aceitar o convite de um amigo ou de um familiar para uma velejada. Sendo assim, o passeio não tem a menor possibilidade de ser divertido.

Alguns velejadores ainda se apegam na palavra para chantagear a esposa e fazer que ela o acompanhe nas suas aventuras pelo mar. – Poxa, eu faço tanto e você não pode fazer um tantinho assim por mim! E assim, lá vai a esposa se submeter ao sacrifício. Vai uma vez e escapa pela tangente tantas outras puder escapar.

Não é com sacrifício que se aprende a gostar de velejar, mas sim com muita boa vontade e querer. Sou da opinião de que nada que se faça com sacrifício seja prazeroso, principalmente no mar.

Até velejadores experientes se apropriam do nome para dar mais veracidade e drama as suas conquistas. Muitas vezes a navegada nem foi das mais difíceis, mas como o intuito é impressionar o público, eles fazem questão de levar o sacrifício ao pódio. E alguns chegam até a derramar lágrimas.

As religiões adoram falar no tema e existe até uma certa teologia do sacrifício que apresenta diversas razões para a realização do sacrifício. Quando não é um animal que esteja passando por perto, o sacrificado pode ate ser alguém que não reze na cartilha do reverendo, mas nunca ele e nem os seus.

Graças a Deus que no Novo Testamento está escrito que o sacrifício hoje em dia é coisa desnecessária, pois Jesus Cristo cumpriu todas as exigências da lei judaica e se ofereceu ao sacrifício expiatório, recebendo todo o castigo pela culpa dos homens. Mesmo assim outras correntes religiosas não querem nem saber dessa verdade e ainda sobra sacrifício para um bocado de animal e gente desavisada. Quando existe a fé cega e a faca amolada não tem lei no mundo que mude a sina do sacrificado. Mas vamos deixar as crenças de lado e vamos voltar para o nosso sacrifício no mar antes que eu seja sacrificado pela ira santa.

Esse assunto me encucou enquanto conversava com alguns amigos sobre a sombra de um palhoção de clube náutico. Nesses ambientes refrescantes e regados a bons goles de cerveja estupidamente gelada sai tudo quanto é conversa, só não sai mesmo é a coragem de enfrentar o mar.

Um velejador que fazia parte da mesa etílico gastronômica disparou: “Eu nunca chamei minha mulher para velejar comigo, porque sei que ela não faria esse sacrifício por mim”. Outro mais ousado falou assim: “A minha já veio uma vez, mas quando o barco adernou ela deu um grito, ficou tesa de medo e pediu chorando para retornar ao clube e nunca mais entrou no barco”.

Fiquei ali um bom tempo ouvindo as opiniões e imaginando até onde aqueles meus colegas desejavam realmente que as esposas embarcassem. Todos se achavam donos da situação e da verdade e nem de longe passava pela cabeça deles que o problema estava neles e não nas esposas.

Lucia gosta de dizer que velejar é um sonho do homem e a mulher apenas acompanha por querer estar junto daquele que ama. Se ela tem razão, o que eu acho uma verdade, então porque não se trabalhar com a vontade de fazer com que elas embarquem nesse sonho? Não ofereça o sacrifício como solução e sim a compreensão e a paciência da conquista.

Se o meu colega que acha que a mulher nunca ira navegar com ele fosse um pouco menos egoísta conseguiria convencer a tripulante a embarcar. Se o outro que adernou o barco a ponto de traumatizar a esposa fosse mais delicado na regulagem das velas, com certeza a esposa ainda hoje estaria a bordo. Afinal a velejada era apenas um passeio de fim de tarde e não uma regata.

Não existe teoria e nem papel passado em cartório sob a benção de um juiz para se conseguir a esposa como tripulante. Existe sim, afinação, compreensão, companheirismos, amor e querer estar junto. Sacrifício jamais.

Já falei aqui que o mar não é laboratório para se testar a paciência dos outros e muito menos altar para oferecer alguém em sacrifício. Deixe isso para os bárbaros da fé, que deles se encarregaram os deuses do juízo final.

Nelson Mattos Filho/Velejador

No mundo das estrelas

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O velejador, poeta e violeiro Elson Fernandes, editor do blog Velas do Mucuripe, é um apaixonado pelos segredos existentes nas estrelas. Mucuripe, como ele é mais conhecido, faz uso da navegação astronômica até em suas velejadas cruzando o Lago Paranoá, na Capital Federal, e segundo ele, não erra uma. Recentemente o comandante Mucuripe postou sobre as Estrelas do Céu de Verão, um texto interessante e explicativo para aqueles que desejam um bom passatempo nas noites quentes de verão e que copio na integra:

No mês de setembro eu havia escrito o texto CÉU DE PRIMAVERA  fazendo uma breve descrição do nosso céu noturno por volta das 19 horas, visualizando inicialmente estrelas que estavam posicionadas a oeste. Agora, entramos há poucos dias no Verão, e o céu que se descortina a leste por volta das 22 horas é de uma beleza rara. Podemos contemplar a constelação de Órion com as famosas “três marias” no centro da constelação. As três marias representam o cinturão do guerreiro Órion. Um pouco abaixo da constelação de Órion está a de Cão Maior, onde temos a bela Sirius, a estrela mais brilhante do Céu, ela é duas vezes maior que o Sol. Próximo a Cão Maior está a Cão Menor, com sua estrela mais brilhante que é Procyon. E, temos um visitante ilustre, que não aparecia no céu noturno há um bom tempo, que é o planeta Júpiter, está na mesma altura de Procyon, à esquerda. Ele vai roubar o brilho de Sirius, pois ele só perde em brilho no céu noturno para o planeta Vênus, que a essa hora já se pôs.
Não pretendo aqui fazer uma descrição de todas as estrelas mais brilhantes desse Céu de Verão. Queria mesmo apenas registrar e compartilhar meu fascínio por essa beleza. Ainda poderia citar outras estrelas que se destacam como Aldebaran, Capella, Pollux, Castor, Canopus, Achernar. Por sorte, mesmo diante desse tempo chuvoso, pude avistá-las e admirá-las.
Bom Verão a todos!

A Tempestade – Parte 14

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Novela boa é aquela que a gente assiste um capítulo e fica torcendo que chegue o dia seguinte para assistir o outro. Pelo menos é assim na telinha e acho que é isso que aposta o velejador Michael Gruchalski. A Tempestade chega ao 14º capítulo, cada vez mais carregada de emoção, e parece que os deuses da natureza decidiram dar um refresco aos nossos personagens. Parece!

O vento e a chuva diminuem

Naquele momento, a superfície do mar, com a mudança sofrida em duas horas de vento ascendente, era inacreditável. O mar estava raivoso, espumando e frenético. Impressionava muito mais quando as cristas das ondas eram iluminadas pela luz prata dos clarões dos relâmpagos. Adicionando-se o efeito do reflexo de bilhões de prismas que a precipitação dos pingos de chuva provocava, a visão causava sentimentos desencontrados que iam de encanto e beleza ao terror paralisante.

O que dizer do comportamento do nosso barco, um veleiro de trinta pés, menos de dez metros, no meio daquela confusão? Daquela pancadaria sem igual, promovida pela musculatura de mil gênios do mal? Se veleiros falassem, o que estaria dizendo ele ali, naquela hora? Que tipo de xingamento, quantos “ais” e “uis” teria soltado? Quantas dores pelo casco, ampliadas pela torção das cavernas, pelo esforço do verdugo, pela pressão na enora, pelo estiramento dos membros superiores, os fuzis, esticadores, terminais e timbós. Tudo se contorcendo, trabalhando no limite.

O nosso veleiro tinha quase vinte anos de idade e, com certeza, nunca tinha passado por um aperto tão grande. Lembrei-me do estalo que tinha vindo debaixo do cockpit quando o barco mergulhou de cabeça naquela onda gigantesca havia menos de trinta minutos. Procurei não pensar em nada. Afinal, um estalo é um estalo, nada mais.

O capitão sabia que o vento, soprando do noroeste, estava atingindo nosso barco pela alheta de popa e que estávamos sendo levados para o oceano aberto, para o leste/sudeste, portanto. O motor trabalhava bem, mas perdia metade da sua função por causa da descentralização do leme de fortuna. Quanto mais tempo nós demorássemos em endireitar o leme para que ele atuasse centralizado, pior seria para recuperar a distância perdida em relação à linha da costa. Em uma hora tínhamos percorrido quatro milhas ou mais para fora. Isso era bom sim, por causa da tempestade, mas seria ruim no dia seguinte se, posicionados muito ao sul, tivéssemos que enfrentar uma orça fechada com os previsíveis ventos de leste/nordeste, que dificultariam a aproximação de Aracaju.

É certo que com um leme de fortuna, só mesmo um louco se aproximaria das plataformas com vento e chuva de trinta nós. Por isso, com um leme de fortuna, o correto seria meter a proa, o nariz do barco, rumo para a África. Para fugir de praias, pedras e o desastre certo. Era um dilema. Num primeiro momento, ser levado para onde não se quer ser levado e, sem seguida, ter que ir para onde não se quer ir por uma deficiência técnica incontornável.

Ao primeiro sinal de diminuição da força dos ventos, teríamos que tomar o rumo sudoeste, mais para perto das plataformas cuja distancia era, no início da tempestade, de dezessete milhas. Isso, além de nos aproximar de terra e melhorar o sinal de rádio VHF do tráfego marítimo entre plataformas, facilitaria também encontrar barcos pesqueiros e eventual socorro como reboque.

Fácil de imaginar, difícil de realizar. Continuar lendo

Indiaroba, a Terra do Divino

6 Junho  (204)

Indiaroba em tupi-guarani significa “óleo amargo” (nhandi roba). A cidade de Indiaroba/SE é quem faz a divisa , para quem vagueia pelas estradas do litoral, entre os estados de Sergipe e Bahia. A cidade sergipana já passou um bocado de amargô ao longo de sua história meio mal contada, já que os historiadores não conseguem chegar a um acordo quanto a sua origem. Sobre seus campos e as águas do Rio Real que banham suas margens, ocorreram lutas monstruosas e uma montanha quase interminável de intrigas ao longo dos anos pós-descobrimento, mas ela sobreviveu ao óleo amargo das guerras patrocinadas por interesseiros capitães-mores e hoje podemos apreciar a bela estátua bronzeada de uma jovem índia encravada na praça central. Porém, a disputada Indiaroba não teve tanto sucesso quanto seus outrora enriquecidos “donos”, mas merece uma visita de quem viaja pela famosa Via Linha Verde.

6 Junho  (207)6 Junho  (209)6 Junho  (212)6 Junho  (215)A feira livre que acontece aos Domingos é um bom momento para o visitante saber um pouco mais sobre os costumes do município e saborear uma gastronomia que tem no camarão uma das suas delícias.

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A pequena orla banhada pelo Rio Real, famoso por banhar também a tietana Mangue Seco, é dona de muita beleza, iluminada por um festivo colorido exuberante de velas e canoas.

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A Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, de frente para a orla, demonstra imponência, irradia beleza e deixa fluir no ar uma gostosa sensação de paz.

indiaroba sergipe (18)E como cheguei até lá? Bem, já havia passado muitas vezes na porta de Indiaroba em minhas andanças rodoviárias, mas confesso que nunca me senti atraído para conhecê-la. Somente depois de ter adentrada a Barra de Estância com o Avoante em 2009, para ancorar em frente ao distrito de Terra Caída, fomos apresentados e gostei. Hoje, sempre que volto a Terra Caída, de carro ou de ônibus, dou uma entradinha nesse simpático município sergipano. E prometo que assim que a difícil Barra de Estância resolver sua pendenga com os bancos de areia, tentarei chegar e amarrar o Avoante no que restar do mal conservado e perigoso píer da cidade.