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Combate a pirataria

03 - março (47)

Elogiável e pertinente a atitude da diretoria do Aratu Iate Clube, timoneada pelo comodoro Wilder Gouveia, assumindo a bandeira para proteger os associados depois de alguns assaltos a embarcações ocorridos nas águas da Baía de Todos os Santos e que deixou em polvorosa a comunidade náutica baiana. Após algumas reuniões com os órgãos de segurança pública e Capitania dos Portos, uma lancha da Polícia Militar que estava parada por falta de manutenção, na marina de Itaparica, foi recuperada e realiza patrulhamento nos principais destinos de ancoragem. Claro que isso não é suficiente para barrar a bandidagem diante de uma baía tão grande, mas é um começo e a ideia deveria ser seguida por outros clubes. A regata Aratu/Maragojipe, que será realizada no fim de agosto, terá segurança durante o percurso e também na ancoragem em Maragojipe, tudo para manter o brilho de uma das maiores regatas do Brasil e a de maior tradição na Bahia. Um clube náutico tem como missão principal desenvolver os esportes aquáticos e dar apoio incondicional ao navegante. Aquele que se furta dessa missão perde o rumo. Parabéns Aratu Iate Clube!     

Velejador alemão e esposa, assassinados por piratas islâmicos

alemaesassassinadosUm grupo de extremistas islâmicos cumpriram a ameaça e executaram, dia 27/02, o velejador alemão Jürgen Kantner, de 70 anos. A esposa de Kantner, Sabine Merz, havia sido morta durante a abordagem ao veleiro do casal, em novembro de 2016, e seu corpo foi deixado a bordo, sendo encontrado dias depois. O ataque aconteceu ao sul das Filipinas, na Região Autônoma Muçulmana de Mindanau. Os bandidos pediam ao governo alemão um resgate de 600 mil dólares que deveria ser pago até o dia 26/02. Fonte: site Almanáutica 

Rio 40 graus

Rio

Dizem que o Rio continua lindo e ainda entorpecido pelo clima das Olimpíadas 2016, porém, o que mais chama atenção são alguns detalhezinhos escusos de certos senhores decentes e umas trocas de balas entre uma gurizada travessa. Agora chegam notícias nas ondas do rádio que no mar da Baía da Guanabara, assim como na Baía de Todos os Santos, lá na Bahia de Amado, a pirataria tomou forma para fazer valer um salve geral e tem guri montado em bote inflável e armado até os dentes, com fuzil e tudo mais, parando lanchas para fazer uma limpezinha básica nos pobres cidadãos desavisado que querem apenas tirar um sossego no mar. Um dia a Fernanda Abreu cantou assim:  O Rio é uma cidade/De cidades misturadas/O Rio é uma cidade/De cidades camufladas/Com governos misturados/Camuflados, paralelos/Sorrateiros/Ocultando comandos…/ Rio 40 graus…. Está ficando difícil e dizem que nem piorou ainda.

A lei da caveira

05 maio (55)Quando o Estado não faz a sua parte o cotidiano das cidades é tolhido da sua dignidade. Os casos são inumeráveis e se espalham por cada recanto dos mais frágeis redutos habitacionais do país, sem um mínimo esforço prático para uma possível resolução, o que se escuta é só falácias e promessas politiqueiras, como se mais nada no mundo tivesse outra razão. Matam-se 60 ali, morrem outros 30 acolá, famílias são dizimadas pela covardia daqueles se acham impunes – e são – a lei, que aqui vai escrita em letra minúscula mesmo, pois é assim que ela se mostra, e nem olhar para o vizinho podemos mais, pois qualquer olhar é sinal de desagravo. A violência, o mal que domina o mundo, não tem mais rédeas e nem motivo para não se apresentar a cada dia mais desumana e cruel, e nós, cidadãos “livres” e sonhadores com uma simples vida em paz, ficamos reféns do caos. Temos o direito apenas de expressar uma leve cara de espanto e nada mais. Reclamar? A quem? Chorar? Depende do que! A imagem que abre essa postagem é linda sim, mas o terror foi decretado na terra do Pau Brasil e seus tentáculos já adentram os mares, rios, lagos e lagoas. Mais uma vez fomos invadidos por desbravadores bárbaros e sem lei. Como aconteceu com as velhas tribos indígenas, vamos ser maltratados até que passemos a rezar na cartilha da cruz construída com armas e sem direito nem a um pedaço de terra, no máximo, uma reserva num descampado qualquer. E os piratas estão de volta, aliás, há muito eles navegam serelepes nas águas amazônicas sem nenhum medo de algum dia serem rechaçados. Nas hostes do Porto de Santos, e adjacências, os barbas negras também hastearam a bandeira da caveira. Na belíssima baía de Angra os Reis já se escuta o tilintar de suas espadas e agora retornaram ferozmente as águas históricas da Bahia, pena que não existem mais os tupinambás para colocar ordem na casa. Ainda bem que em fevereiro tem Carnaval!         

Pirataria seguida de morte acende alerta no Caribe

CARIBE

Foi no paraíso da imagem acima que aconteceu o mais recente caso de pirataria nas águas caribenhas e que deixou velejadores que estão navegando aqueles mares em polvorosa. O caso aconteceu na Baía de Wallilabou, São Vicente e Granadinas, que serviu como cenário para o primeiro filme Piratas do Caribe, e teve um triste desfecho com a morte de um velejador alemão de 48 anos, que estava acompanhado da mulher e dois filhos. O casal passava férias quando o iate foi invadido, durante a madrugada do dia 04/03, por dois homens armados e encapuzados que levaram, além da vida do velejador, dinheiro, cartão de crédito e feriram o capitão do barco. “Esse ato criminoso perturba a paz das pessoas em seus iates e custa milhões. Porque, aqui, nós vendemos paz, segurança e a possibilidade de descanso”, disse o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves. O site do Ministério do Exterior alemão divulgou alerta aos viajantes para os riscos com a pirataria na região do Caribe. Fonte: DW made for minds.

A maré está braba

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A Ilha de Maré é um dos cartões postais da Baía de Todos os Santos e um dos principais destinos para navegantes em busca dos segredos da boa comida baiana, porque os bares e restaurantes da Maré servem moquecas e marisco como nenhum outro. Foi tendo como destino a Ilha de Maré, cantada em verso e prosa, que boa parte dos navegantes amadores da Bahia se aventuraram em suas primeiras travessias e festejavam o feito em fartos e gelados goles de cerveja. Navegante que nunca foi a Ilha de Maré não pode dizer que conhece a Baía de Todos os Santos. Esse santuário da boa mesa, rodeado de boas praias e onde somente se chega de barco, foi palco da mais recente investida de marginais nas águas da Bahia e para azar deles, foram mexer com familiares de um deputado que mais do que imediatamente enquadrou a polícia para que fosse realizada uma verdadeira operação de captura nos moldes que todo cidadão mortal deseja. O caso aconteceu na quarta-feira de cinzas e segundo relatos, se deu quando os tripulantes de uma lancha tomavam banho de mar na localidade de Neves e foram obrigados, por forças de armas, a acompanhar os marginais até a embarcação, onde estavam mulheres e crianças. Após tomarem todos os pertencer dos tripulantes, os marginais, sem nenhuma preocupação, retornaram tranquilamente para a Ilha. Em pouco tempo apareceu um helicóptero e lanchas da polícia que se reversaram levando policiais civis e militares até a Ilha e num piscar de olho os meliantes estavam presos. Como seria bom se a polícia mantivesse sempre essa mesma eficiência.   

Medo de que?

12 Dezembro (468)

Navegando sobre as águas do imenso oceano virtual me deparo com as palavras ditas no afã de ânimos exaltados e que refletem o caos que toma conta das nossas mentes bombardeadas pelo terrorismo calamitoso midiático.

Mas quem sou eu para falar da mídia, sendo hoje um agente desse mundinho de egos inflados e interesses diversos. Não sou contra a mídia, apenas arregalo os olhos diante de manchetes que não refletem a essência do texto e quando tentam refletir, escorregam em meio ao lamaçal onde se misturam ideologias, poder, finanças e palhaçadas. A queda é inevitavelmente cômica, mas o estrago depende do humor da plateia. E tem plateia para todo gosto. Voltemos ao mar!

Há tempos escuto gritos alarmantes sobre pirataria nas águas brasileiras tendo como alvo a classe de velejadores e sinceramente olho para o horizonte e não consigo enxergar as bandeiras negras com a marca da caveira estampada. Claro que não sou irresponsável para dizer que o nosso mar é um paraíso onde não existam serpentes e nem maçãs, porém, depois de dez anos morando a bordo desse meu veleirinho cheinho de aconchego e navegando pelos mares do nordeste de Lampião, Gonzagão, Cascudo, Amado e mais uma penca de cabras bons, sinceramente não sei dizer de onde surgem tantos relatos de desassossego para o povo do mar.

Acho sim que o velejador brasileiro precisa se fazer ao mar e soltar as amarras que o prende aos aparelhos de TV e as páginas ensanguentadas dos jornais e revistas semanais. O Brasil do mar é outro e é incrivelmente desabitado dos percalços que afligem o mundo urbano. Os casos de violência e infortúnio são tão raros que nem nas estatísticas oficiais conseguem aparecer e se formos muito precisos, não conseguiremos preencher os dedos das mãos. É um caso de roubo de bote ou motor aqui, outro acolá, um assalto mais adiante e se não me falha a memoria, três mortes de velejadores em um espaço de quinze anos. O que será que tanto amedronta o povo do mar? As nossas ruas matam mais do que qualquer guerra mundo afora, tem índices de violência estratosféricos e nem por isso deixamos de caminhar e nem andar de carro.

Dia desses li alguns comentários que instigavam armamentos a bordo e outros querendo dotar o veleiro como se fosse um navio de guerra. Aquilo me deixou incrédulo e quase sem palavras para debater o inacreditável. Sou a favor do desarmamento e jamais queria ver tripulações de veleiros armadas até os dentes navegando por aí. O mar do velejador não precisa dessa demonstração de brabeza e nem da fúria declarada. O mar precisa apenas de mentes livres, corações abertos para a paz e corpos prontos para uma nova vida. Essa frase não é minha e nem sei de quem seja, mas dela faço uso: No dia em que precisar trancar meu veleiro para poder dormir em alguma ancoragem qualquer, prefiro desembarcar.

Não estamos livres da violência e nem o mar é uma fronteira intransponível para a bandidagem, porém, prefiro pensar positivo a me deixar intimidar pelo lado negativo da mente. Vim para o mar em busca de novos desafios e visando horizontes infinitos e ao embarcar deixei em terra as razões que não me traziam felicidade e cortavam as asas dos meus sonhos.

Sempre que escuto relatos de veleiros perseguidos por supostos piratas em águas brasileiras bate uma incredulidade que me arvoram os sentidos e me remete aos tempos de criança, quando éramos verdadeiros super heróis. Nunca soube de nenhum que fosse abordado em navageção e saqueado pelos ditos piratas e por isso que muitas vezes acho que os relatos sofrem o incremento dos medos que a sociedade nos impõe. O que mais se escuta e se lê são casos de fugas e escapatórias de situações de risco, mas nunca escutei relatos de perseguições bem sucedidas por parte dos “piratas”.

Certa vez tripulávamos um catamarã para Trinidad e aguçamos os sentidos ao passar ao largo da costa norte do Brasil e mantivemos alerta por vários dias. Estávamos sob o efeito de uma impressionante força alarmista que em nenhum momento se concretizou e víamos risco em qualquer barco que navegava em nossa direção ou nas proximidades.

Em uma noite, na costa do Suriname, avistamos as luzes de duas embarcações vindas por nossa popa. Apagamos as luzes e mantivemos a guarda para o provável. Escutamos pelo VHF a comunicação entre eles e nos espantamos quando falaram a posição onde estávamos. Pronto, é hoje! Ligamos os dois motores, aceleramos ao máximo e a nossa velocidade chegou a nove nós o que representa muito pouco diante da velocidade e força dos pesqueiros oceânicos. Os barcos vieram por bombordo, a uma distância de uma milha, viraram o bordo para aproar nosso veleiro e passaram a pouco mais de 100 metros de nossa popa e tomaram o rumo do mar. Eram dois atuneiros puxando rede! Só nos restou rir da situação vexatória.

Nelson Mattos Filho/Velejador