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Morre o historiador Lenine Pinto

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O Rio Grande do Norte perdeu na madrugada deste domingo, 23, o historiador Lenine Pinto, 89 anos, vítima de complicações causadas por pneumonia. Lenine, membra da Academia Norte-rio-grandense de Letras, escritor de valiosas obras da historia da Segunda Guerra e das grandes navegações, foi o mais ferrenho defensor da tese de que o Brasil foi descoberto pelo Rio Grande do Norte, mais precisamente na Praia do Marco, localizada na divisa dos municípios de Pedra Grande e São Miguel do Gostoso, onde em 1501 os portugueses, André Gonçalves e Américo Vespúcio, chantaram um marco de posse, conhecido como Marco de Touros. Siga em paz, grande historiador, e torço para que o brilho dos seus estudos continue a iluminar novos horizontes.   

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Cartas de Enxu 40

8 Agosto (37)

Enxu Queimado/RN, 16 de maio de 2019

Mauricio, hoje ao escutar o zumbido do silêncio que faz eco por entre as palhas dos coqueirais que varrem as sobras da noite, enveredei por minhas filosofias de varanda e me enganchei pelas veredas que levam ao nada. Das janelas da cabaninha de praia olho para a floresta de geradores eólicos que cercam essa Enxu mais bela e fico matutando em que lugar do tempo e do espaço mora o futuro. Será que algum dia a humanidade encontrará com ele? Qual a cara do futuro? Será que é novo, será que tem meia idade ou será que ele é um velho rabugento, metido a novo e pinta os cabelos de acaju? Meu amigo, vejo o futuro como um ser tão arisco que quando pensamos que chegamos a ele, o danado se vai e só nos resta olhar para frente e mirar o passado. Pois é Maurição, pense nuns pensamentos amalucados que fui achar de pensar! Mas como você faz parte do grupo de pessoas que escavaca as novidades do mundo computacional, me avexei a escrever esta carta, pois sei que de futuro você entende.

Mauricio, cabra bom, antes de continuar com meu moído filosófico, futurista e amalucado, vou mandar um cheiro para Dona Regina e quando você tiver um tempinho para tomar aquela gela na varanda do Aratu Iate Clube, olhando para o maravilhoso pôr do sol, tome uma por mim e dê um abraço na baianada que por lá se deleita. Pois bem, vamos falar do futuro.

Rapaz, desde que o Brasil se danou a estocar vento, que se não estou enganado tudo começou nas terras da Iracema, pelo menos foi lá que vi os primeiros cata-ventos, escuto falar que enfim chegamos ao futuro. Os primeiros totens cearenses deram cria e hoje seus descendentes se espalham pelo país, produzindo feito coelhos. O Rio Grande do Norte tomou gosto pela coisa e, segundo dizem, fincou o pé e tomou a dianteira na produção de energia eólica. Dizem que pelas terras de Poti está implantado o que existe de mais moderno na seara eólica e foi daí que fiquei criando interrogação no juízo. Escarafunchando pelos atalhos da “grande rede” fiquei sabendo que os galegos da Holanda estão fabricando uma turbina de energia eólica que é uma monstra e tem pareia não. Os holandeses garantem que a bichiguenta, apenas umazinha, terá capacidade de produzir energia para alumiar umas dezesseis mil residências e mais uma danação de bico de luz. Danou-se! A monstra terá 260 metros de altura, o rotor 220 metros, cada hélice terá 107 metros de comprimento e produzirá 45% mais do que qualquer turbina que esteja hoje em funcionamento. Foi aí que ao terminar de ler sobre a holandesa comedora de vento, mirei o parque eólico de Enxu e não vi nem a sombra e nem o vento do futuro.

Eh, Mauricio, esse tal futuro é mesmo escalafobético e ai daquele que tentar passar-lhe a perna! Dia desses chegaram por aqui umas Naus tripuladas com uns marinheiros fantasiados de bacanas, que se diziam donos do mundo e da razão, só prumode tinham nas mãos uns trabucos que pipocavam fogo e amostravam um tal brazão de um tal reino de além-mar e num papo torto para entortar cabeça de índio, meteram os pés pelas mãos e nesse blá, blá, blá, entre uma cachimbada e outra, afirmaram que vinham do futuro, mas nas cartas que enviavam para lá diziam que o futuro era aqui e ele estava nu. Pois é, meu amigo, no espaço entre o passado, o presente e o futuro dessa história meio engembrada, cabe todo tipo de conto e até hoje – que não sei mais se é presente, futuro ou passado – quem conta o conto aumenta um ponto e o que era futuro virou passado e tudo indica que continuará passado e malpassado, pois do que foi passado ninguém conta e do futuro ninguém quer saber, porque todos vivem o presente e este não tem passado e nem futuro. Vixi, agora lascou em banda e nem eu estou entendendo mais nada!

Maurição, hoje a Lua está crescente e toda mimosa fazendo fita no céu. Ei, amigo, o luar por aqui é bonito de se ver, viu! Se eu fosse tu, pegava o beco e vinha dar uns bordos por aqui para comer umas postas de peixe fresquinho da silva. Se bem que os escamudos estão meio arredios e as produções andam poucas. Mas pelo menos dá para a gente arranjar uma dúzia de caíco para colocar na panela do escaldaréu, para comer na mesma moda que os pescadores comiam antigamente, sentados no chão da praia, com uma garrafa de cachaça enfeitando a areia e a Lua luminosa prateando o arredor. Eh, moonlight, curto o presente, adoro a vida que se vivia no passado, pois não conheço o futuro. Se for aquele que está chantado na Praia do Marco, não vale, porque futuro ele nunca teve. Homi, deixa pra lá!

Luis Mauricio Vila, cabra arretado de uma Bahia de mar e cantorias, estou com saudades da sua alegria e das boas risadas. Pegue sua Regina e venha ligeiro ver a vida como ela é e merecer ser. Venha, meu amigo, e venha logo, pois Enxu Queimado fica de cara e de peito aberto para o paraíso.

Vou botar a cerveja no gelo, viu!

Nelson Mattos Filho

Escritos de um dia de praia

1 Janeiro (7)

Caminhando sobre as areias da praia do Marco, litoral Norte do RN, que muitos jogam fichas e sou até tentado a apostar, que foi lá que os patrícios do Rei acharam as terras de além-mar, reflito o quanto somos indiferentes aos desmandos dos nossos governantes, de outrora, de hoje e pelo visto, de centenas de anos mais para frente. Gostamos mesmo é de um ruidoso “mimimi”, mas na hora “do pega para capar”, é um tal de deixe quieto, de coisa e tal, que sei não, viu!

O Marco, que existe no local, é uma réplica malcuidada, lambuzada na cor amarelo envergonhado e indicada por uma placa há muito precisando ser substituída. O local onde está chantado a réplica é dentro de um velho cemitério e em frente a capelinha, pintada com o mesmo amarelo envergonhado. Ora, em outros tempos os cemitérios eram locais sagrados e respeitados, onde imperava um silêncio sagrado, reflexivo e ensurdecedor. Hoje os cemitérios viraram espaços onde se praticam todo tipo de profanação e o velho espaço sagrado do Marco não foge à regra desdita. Sabe onde foram colocados os fogos para a virada do ano? Em cima de uma tumba! Acredita não? Vá conferir, porque as pistolas ainda estão lá.

A praia é linda e a natureza ainda tenta se manter paradisíaca e selvagem, mas está cansando da luta desigual entre ela e nós, os “sábios”. Toda ação do homem naquele local, denota desleixo e abandono. Nada ali é lógico e nem prestigia um passado que dizem histórico. Quem um dia tentou dar um rumo ao local, e sou testemunha da batalha por ela enfrentada, teve que sair devido a força da insegurança pública. E olhe que pagamos caro pela segurança, porém, ela praticamente inexiste. – Será que não seria o caso de acionar os direitos de defesa do consumidor? Dona Tânia, sei que a senhora anda meio angustiada em ver tanta luta ser desdenhada por aqueles que tinham o dever de juntar fileiras ao seu lado, mas sei que a senhora ainda respira e alimenta os sonhos de ver “o Marco” figurar no olimpo das maravilhas.

Tenho carinho e paixão pela praia do Marco, porque aquele cantinho de litoral me traz boas e felizes recordações, porém, ultimamente, sempre que tenho oportunidade de ir até lá, volto com o coração entristecido, em ver um lugar tão importante para a história brasileira, tão jogado ao léu.

Pulula nas mídias sociais uma mensagem do jornalista Alexandre Garcia, dando como certo que o descobrimento do Brasil ocorreu no Rio Grande do Norte, e completa dizendo que nenhum governante potiguar tem ou teve interesse em bisbilhotar e revirar a história contada nos registros oficiais. Ele diz até que o ex-governador Garibaldi Alves teve medo de trocar pernadas com o baiano apoquentado, Antônio Carlos Magalhães, cabra que gostava de briga. E assim vai a história do descobrimento, com pontos, linhas e traços que jamais se encontram.

Dia desses soube que o Governo do RN e as prefeituras dos dois municípios, que dividem o pedaço em que foi chantado o Marco, resolveram pegar carona nas palavras do jornalista global e pretendem fazer uma grande festa no dia 22 de abril 2018, com direito a palanque, discursos inflamados, shows musicais e apresentação teatral. Uma verdadeira encenação politiqueira. Diz o ditado que o povo gosta de “pão e circo”. Então, assim será! Que tristeza para um Estado praticamente falido e para dois municípios que tentam se equilibrar numa corda bamba financeira. Precisa disso não, autoridades, o que precisa é ação concreta e objetiva. Oba-oba e falácia são totalmente descartáveis e feio, viu!

Como santo de casa não faz milagre, há anos Dona Tânia Maria da Fonseca Teixeira, uma das maiores entusiastas da volta do Marco de Posse, original, ao local onde foi chantado pelos portugueses, em 1501, gasta saliva, tempo e paciência batendo nessa tecla, mas infelizmente só recebeu promessas e apertos de mão. O historiador Lenine Pinto é outro que conta uma história bem diferente da que existe no terreiro da baiana Porto Seguro. Vários estudos coordenados pela UFRN seguiram rumo pelo tema. O historiador maior do RN, Luís da Câmara Cascudo excursionou pela praia. Meia dezena de jornalista potiguares editaram matérias e até este blog está recheado com postagens sobre essa história tão mal contada.

Não sou partidária para que se faça birra e se bata o pé, para que se mude o rumo do descobrimento, ou achamento, sei lá o que foi ocorreu, e nem apostos minhas fichas que tudo começou na praia potiguar, mas advogo que aprofundemos no tema para que erros sejam corrigidos.

Nesse assunto o que não cabe, e nunca caberá, é a desfaçatez do oba-oba.

Nelson Mattos Filho

Parte de satélite cai em São Miguel do Gostoso

WhatsApp Image 2017-07-02 at 08.09.26Parte de um satélite caiu ontem, 01/07, em um matagal próximo ao assentamento Antônio Conselheiro, no município de São Miguel do Gostoso/RN. Dizem que a tralha espacial é de um satélite da NASA, mas até o momento nenhuma autoridade  nos assuntos espaciais emitiu informação. Será coisa das profecias messiânicas do velho “peregrino”?       

Cartas de Enxu 08

1 Janeiro (15)

Enxu Queimado/RN, 13 de fevereiro de 2017

Tem coisas que custo a entender, ainda mais quando me deparo com manchetes de jornais e revistas que mais confundem do que tentam informar. E o que acho mais danado é que hoje em dia o leitor nem se dá ao trabalho de ler o primeiro parágrafo do corpo matéria, que geralmente traça o rumo da informação, e prefere espalhar aos quatro ventos whatsappianos uma desgraceira, que na grande maioria das vezes não passa de nadica de nada.

Pois é meu amigo Milito, essa semana vi uma manchete, em um jornal da capital dos Magos, que dizia que a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, a maior do Rio Grande do Norte, começaria a captar água do desafamado volume morto, porém, os técnicos afirmavam que o tal volume não era tão desabonado assim e que nem tudo é o que se fala. Na hora lembrei das inúmeras manchetes apocalípticas sobre o volume morto do paulistano Cantareira, onde nenhum repórter e nem ninguém queriam saber o que diziam os técnicos e pegue pau na moleira de quem estava autoridade para distribuir as gotinhas de água. Agora eu lhe pergunto meu amigo: – Será que o volume morto de lá é mais morto do que o de cá, ou será que nem uma coisa nem outra? Mas tudo bem, se não souber a resposta – como também não sei – fique quieto e se dê por respondido, porque nesse meio de mês, de um fevereiro carnavalesco, São Pedro resolver abrir um tiquinho as torneiras do Céu e deixou cair água nas cabeceiras dos rios que abastecem as barragens potiguares e o morto parece que abriu os olhos novamente. Só tomara que o santo da chuva dê um longo cochilo e esqueça as torneiras ligadas.

Agora mudando os punhos da rede para outro armador, para poder observar, pela posição dos geradores eólicos do parque da Serveng energia, a direção de onde está vindo o vento, lembrei que li algo sobre o potencial energético dos campos eólicos brasileiros e até gostei das informações. Na matéria estava escrito que subimos uma posição no ranking mundial e passamos do décimo para o nono degrau e agora estamos na frente dos italianos. Meu amigo, dizem que no quesito pizzaria há muito ultrapassamos os seus conterrâneos, pois aqui em cada recantinho de pé de serra tem pizza a torto e a direito e em sabores que vai de galinha caipira a x-tudo, basta o cliente querer. Se continuar nessa pisadinha de ganhar tudo dos italianos em breve nem o macarrão será deles, basta ver o tamanho da fábrica do Vitarella nas terras do maracatu.

Sim “Melito” – como chama o comandante Flávio Alcides – me dê notícias do português Luiz. Será que tem pescado muita sardinha? Rapaz, ainda não esqueci daquele churrasco de peixe que você tanta comenta. Qualquer dia, quando Pedrinho chegar por aqui com uns cestos sortidos e carregados de escamudos, farei uma churrascada como a que você falou. Claro que você e Dona Zoraide serão convidados. Me aguarde!

Eita que já ia esquecendo do assunto do vento. Pois é, nosso país, mesmo caminhando em chão de brasa de fogo, está com mais de 10 mil Megawatt de energia eólica instalada e em breve outros tantos se somarão, pois o governo promete lançar novos leilões em 2017 e já tem empresa com consultas de projetos pré-aprovadas para os municípios de Pedra Grande e São Miguel do Gostoso, região que tem vento para dar, vender e emprestar. Só aí serão gerados, além da energia de Éolo, mais de 680 empregos diretos. E assim a banda vai tocando!

E por falar em banda: Me diga como está sua preparação para o Carnaval? Tenho escudo que em Natal vai ter folia, não aquela folia que teve lá por cima das dunas de Pium, mas folia de Mono de verdade, com direito ao frevo de Morais Moreira, Elba Ramalho e uma trupe de gente boa. Uns reclamam da gastança, outros dizem vivas, mas o que seria da alegria se não existisse o circo, né não? Eu adoro Carnaval, pois assim vou seguindo na linha que meu pai traçou. Rapaz, Nelson Mattos era um trombonista arretado da molesta! E Ceminha, a essas alturas do campeonato já estava com as fantasias da família e dos amigos prontas. Pense num povo festeiro!

Nas ruas entre a Redinha e Ponta Negra, soube que vai ter bandinha para todo gosto e mania, tem até uma tal de Cadê Xoxó, Xoxó taí? Essa deve ser das boas e se me der na telha vou dar uns pulos no meio de Xoxó. Aqui por Enxu vai ter folia, mas os baticuns ainda estão meio que inibidos e os trompetes tocando baixo, mas que vai ter, vai. Só tomara que em todo lugar os festejos de Momo sejam nos braços da paz que tanto necessitamos.

Meu caro amigo Hélio Milito, por enquanto é o que lembro para escrever essa prosa, mas digo ainda que não esqueci do seu convite para dar uns bordos no Blue Jeans. Um dia darei o ar da graça e quando for levo umas cervas geladas para aplacar o calor e ajustar as velas com mais precisão.

Até mais!

Nelson Mattos Filho

Um marco esquecido

2 Fevereiro (17)2 Fevereiro (28)2 Fevereiro (29)2 Fevereiro (31)10 Outubro (69)10 Outubro (72)

Essa é a Praia do Marco, litoral norte do Rio Grande do Norte, localizada na divisa do municípios de São Miguel do Gostoso e Pedra Grande, e para alguns historiadores, entre eles Lenine Pinto, foi aí que o Brasil foi descoberto. Quem acompanha o Diário do Avoante desde o princípio deve está familiarizado com a praia, porque vez por outra o Marco serve de tema para nossas postagens, pois conheço de perto suas potencialidades, seu abandono, suas deficiências e a eterna leniência e descaso com que os homens públicos, dos dois municípios e do governo estadual, dispensam a um dos principais marcos da história das terras das Pindoramas, que está praticamente jogado a própria sorte. A Praia do Marco é linda por natureza e não merecia o desprezo em que se encontra. Quisesse deus, o Tupã, que o tempo retrocedesse uns quinhentos anos, pois só assim talvez a história desse outra sorte a essa praia entristecida.    

Tourinho, uma praia linda e maltratada

Janeiro (28)

A Praia de Tourinho é uma das belas praias de um Brasil mais lindo e esta localizada no município praia de São Miguel do Gostoso, hoje um dos mais procurados destinos turísticos do Rio Grande do Norte. Conheço Tourinho há muito anos quando lá só existia a casa principal de uma fazenda diante de uma praia virgem, bela, preservada e bem arborizada. A falta de tato de sucessivos governos municipal, aliado a uma Lei ambiental atrapalhada e com fiscalização ineficiente relegou o outrora desejoso recantinho de litoral a um avançado processo de desfiguração, ainda que a natureza demonstre traços que enchem a vista dos visitantes. Bares e restaurantes montados em barracas e funcionando em condições precaríssima de higiene, inexistência total de sanitários, sujeira e a paulatina destruição das antigas algarobas cuidadosamente plantadas a beira mar, espalham no ar uma enorme tristeza e desesperança. –  Por que será que temos que ser assim?