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Olhando a chuva que cai lá fora

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Hoje, 22/02, o dia foi de chuva nas paragens dessa praia mais bela chamada Enxu Queimado, litoral norte do RN, aliás, tive notícias que choveu maravilhosamente bem em quase todo Rio Grande do Norte, o que é coisa boa de saber e ver. Na certa vai ter milho, feijão e mais uma rama de produtos saindo da terra benzida pelas chuvas de São Pedro. Eita que o São João vai ser festeiro e com muita fogueira acesa pelo interiorzão de Nosso Senhor Jesus Cristo! Vai ser é bom! E não foi somente nas “terras dos potiguares” que a chuva se fez presente, choveu e vai chover um bocado pelo Brasil e as notícias vindas das terras do Sul, é que a “terra da garoa” está debaixo de água. A imagem do satélite GOES-16, no site do CPTEC/INPE, demonstra o que estou dizendo e corrobora com o relatório  da II Reunião de Análise Climática para o Semiárido do Nordeste Brasileiro, encerrada hoje no auditório da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), em Natal, onde diz que o inverno de 2018 será normal ou acima da média dos últimos anos. Segundo o meteorologista da EMPARN, Gilmar Bristot, os efeitos do fenômeno climático La Ninã, que este ano nem está tão poderoso, dão todas as condições para um bom ano de chuvas na região Nordeste. Como faz o bom e valente sertanejo, vamos manter as esperanças! Na noite da quarta-feira, 21/02, olhei para as estrelas e lembrei dos escritos do lendário velejador francês Bernard Moitessier, no livro O Longo Caminho, livro de cabeceira de boa parte dos velejadores de cruzeiro. Moitessier, quando observava que as estrelas estavam muito brilhantes, era sinal de mudança de tempo e muita chuva. Ele dizia que aprendeu essa técnica quando de suas navegadas pelos rios e mares chineses. Li e nunca esqueci essa parte do livro  do francês que se transformou em um mito para a vela de cruzeiro, e sempre me utilizei dela em minhas navegadas. Pois bem, ontem a noite, as estrelas estavam incrivelmente brilhantes.

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Ei, o que está havendo com o clima?

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Hoje, 04/11, sentado embaixo da varandinha de minha cabaninha de praia, notei que o clima mudou e a temperatura subiu uns grauzinhos a mais em relação a dois dias atrás, porque o mormaço, trazido pelos fortes ventos que desde agosto castigam litoral acima de Natal/RN, estava de cozinhar juízo. Aliás, meu amigo Pedrinho de Neném Correia, cabra bom de pesca e mar, veio prosear comigo justamente sobre essa ventania doida que anda assolando tudo por essas bandas de litoral. Segundo ele, esse largaião já deveria ter tomado rumo, que era para limpar a água e o pescador poder aproveitar o final da pesca da lagosta. Quando Pedrinho se foi, fui pesquisar na internet um pouco mais sobre essa situação anormal e me apeguei com uma análise do Climatempo, publicado no site Terra, que fala o motivo desse clima amalucado de primavera no Brasil. No mar a coisa anda tão alarmante que a Marinha do Brasil não para de renovar avisos e mais avisos aos navegantes, onde são anunciadas ondas de até três metros de altura e ventos que chegam fácil os 25 nós. Os cientistas botam toda a culpa na La Niña, que mesmo fraca, faz com que as frentes frias avancem sem maiores dificuldades pela América do Sul. Click no link grifado e saiba mais.   

E o Sol já passou por aí?

03 - março (236)

Sérgio Netto, Pinauna, é um cabra arretado de sabido dos segredos da natureza e uma das minhas boas fontes de informações sobre navegação na Baía de Todos os Santos. O professor se tornou meu amigo, acho que por ter gostado de meus cabelos brancos, e de vez em quando me presenteia com raridades literárias do mundo náutico, que guardo com muito carinho. Pois bem, o velejador, geólogo e bom baiano, que já velejou os oceanos do mundo de trás para frente e de frente para trás e tem até um rico acervo de escritos das suas estripulias pelas águas desse planetinha metido a besta, recentemente me enviou um email, comentando a postagem A parada agora é com a La Niña, afirmando ele, que a Menina andina vem sim disposta a fazer estragos e quem quiser que aposte contra. Sabe o que mais ele disse? “Aqui na terrinha, Salvador/BA, a única novidade é que a declinação do sol coincide com a nossa latitude neste final de semana, 22 e 23/10, o que quer dizer que ao meio-dia, hora verdadeira local, que neste fim de outubro será às 11:18, o sol passa verticalmente pela nossa cabeça, isto é, neste horário a altura observada do sol será 90°. Isso dá uma insolação de tirar o couro de qualquer niña”. Sabendo ele que estou aboletado em um ranchinho de praia na minha Enxu Queimado, disse que se eu quisesse calcular o meio dia verdadeiro por aqui, que deve ser 11 minutos (11 horas e 07 minutos no final de outubro) antes da capital do Senhor do Bonfim, poderia fazer uma experiência bem interessante: “neste horário, exatamente, olha o sol no fundo de uma cacimba, que fica completamente iluminada: uma linha saindo do centro do sol para o centro da terra passa pela latitude que coincide com a declinação. Para a latitude de Enxu a latitude e a declinação se coincidiram em 6 de outubro”. Bem, como o sol já passou por aqui e eu nem percebi, agora vou esperar ele voltar para o norte, que, segundo Pinauna, é coisa para o mês de fevereiro de 2017, e vou ficar de olho no fundo da primeira cacimba que encontrar. “Privilégio de quem mora entre os trópicos”.  

A parada agora é com La Niña

mapservFazer previsões meteorológicas nos dias de hoje é talvez um dos maiores embates que vivem os estudiosos do clima, porque a natureza está num acelerado processo de reciclagem que nem as lentes dos mais poderosos satélites estão conseguindo decifrar o que acontecerá vinte e quatro horas mais a frente. Basta ver a destruição que causou a passagem do furação Matthew, pelo Caribe, deixando atônitos os homens do tempo. Olhando os fortes ventos que castigam o litoral norte do Rio Grande do Norte, e que já deveriam ter amansado o sopro, escutei um velho pescador dizer assim: “…Se me dissesse que estava soprando esse vento todo por essa época do ano, eu diria que era conversa de pescador”. Apenas balancei a cabeça e sorri. Ontem, 19/10, em Brasília, a chuva e o vento castigaram a cidade e nas águas do lago Paranoá a bagaceira deixou prejuízos incalculáveis para a turma da náutica. Em Santa Catarina um tal de tsunami meteorológico, que eu nunca havia escutado falar, deu o que falar e arrastou carros e pessoas para o mar e as previsões para o restante da semana não são muito diferentes do que estamos vendo. Os meteorologistas afirmam que já é efeito da La Niña, a irmão feiticeira e oposicionista do bruxo El Niño, mas, timidamente, acrescentam que a Niña não vem com essa bola toda e que seu efeito será moderado. Tá certo!

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As mídias sociais já azeitaram a engrenagem da boataria e tem notícias para todo gosto, de seca dos infernos a cheia monumental e tem até quem afirme que o sertão vai virar mar. Porém, o chefe do setor de meteorologia da Emparn – Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN, Gilmar Bristot, já se apressou a desmentir a boataria e disse que o inverno será normal, podendo ser até acima da média para o semiárido, o que interromperia os cinco anos de seca que vive a região nordeste. Segundo ele, La Niña já está agindo sim no clima do planeta e com forte atuação. Deus te ouça professor! Agora vamos ver o que diz a turma do Cptec/Inpe para essa quinta-feira e para a sexta-feira, 21: 

PREVISÃO

Nesta quinta-feira (20/10), o escoamento difluente em altos níveis combinado com a presença do Jato de Baixos Níveis (JBN), calor e umidade, além da frente fria que avançará até o sul de SC, deixará o tempo com condições de instabilidades sobre a Região Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Além da chuva, ocorrerão muitas descargas elétricas, ventos localmente fortes e, de forma mais isolada, queda de granizo. Também choverá de forma ampla e com elevado risco para temporais em SC e no PR. O aquecimento em superfície combinado com a umidade favorecerão convecção em pontos do Sudeste, especialmente em GO, Triangulo Mineiro no sul de MG, Centro-Oeste, Sudeste e faixa oeste e sul do Norte do Brasil. No litoral sul da BA, choverá de forma muito fraca e isolada. Na sexta-feira (21/10) o sistema frontal avançará até entre o PR e o sul de SP, causando condição para chuva entre SC e SP. No próximos dias, os modelos estão colocando chuva generalizada entre o Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, devido ao calor, difluência em altos níveis e aos cavados vindos de oeste. Também a presença de um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) auxiliará para chuvas no interior do Nordeste do Brasil.

Fonte: Tribuna do norte e Cptec/Inpe

La Niña e seus amuos

mapservQue ventania louca é essa Senhor?” Essa é a pergunta diariamente feita por minha Mãe nos últimos dias, mas ela mesmo trata de responder, pois sendo moradora de Natal/RN desde criancinha, sabe que agosto é mês de ventos fortes e acelerados. Porém, nos tratados dos estudiosos das ciências do tempo, esses ventos que sacodem a poeira de agosto são mais do que natural, contudo, a potência da força depende das estripulias da Menina e nesse 2016 ela acordou cheia de pirraça e, segundo o climatologista Luiz Carlos Molion, no site Notícias Agrícolas,  dessa vez ela só sossegará o facho em 2019. Molion diz ainda que “La Niña deve seguir o padrão próximo ao ocorrido entre os anos 1999 a 2001 quando o fenômeno se estabeleceu após um forte El Niño de 1997 a 1998”. Vamos nessa! – Mas quem é a Menina? – É a irmã do El Niño, que os pescadores que vivem nos pés das cordilheiras andinas chamam de La Niña. – Então se é irmã apronta as mesmas artes? – Não, pois os sexos são opostos e como diz o livro: “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus”. – Entendeu? – Não? – Então vou me socorrer com o Cptec/Inpe para tentar desfazer suas rugas de interrogação.

O termo La Niña (“a menina”, em espanhol) surgiu pois o fenômeno se caracteriza por ser oposto ao El Niño. Pode ser chamado também de episódio frio, ou ainda El Viejo (“o velho”, em espanhol). Algumas pessoas chamam o La Niña de anti-El Niño, porém como El Niño se refere ao menino Jesus, anti-El Niño seria então o Diabo e portanto, esse termo é pouco utilizado. O termo mais utilizado hoje é: La Niña

Anomalia de temperatura da superfície do mar em dezembro de 1988. Plotados somente as anomalias negativas menores que -1ºC. Dados cedidos gentilmente pelo Dr. John Janowiak – CPC/NCEP/NWS/NOAA-EUA.
Para entender sobre La Niña, vamos retornar ao nosso “modelinho” descrito no item sobre El Niño. Imagine a situação normal que ocorre no Pacífico Equatorial, que seria o exemplo da piscina com o ventilador ligado, o que faria com que as águas da piscina fossem empurradas para o lado oposto ao ventilador, onde há então acúmulo de águas. Voltando para o Oceano Pacífico, sabemos que o ventilador faz o papel dos ventos alísios e que o acúmulo de águas se dá no Pacífico Equatorial Ocidental, onde as águas estão mais quentes. Há também aquele mecanismo que citei anteriormente, o qual é chamado de ressurgência, que faz com que as águas das camadas inferiores do Oceano, junto à costa oeste da América do Sul aflorem, trazendo nutrientes e que por isso, é uma das regiões mais piscosas do mundo. Até aqui tudo bem, esse é o mecanismo de circulação que observamos no Pacífico Equatorial em anos normais, ou seja, sem a presença do El Niño ou La Niña.
Pois bem. Agora, ao invés de desligar o ventilador, vamos ligá-lo com potência maior, ou seja, fazer com que ele produza ventos mais intensos. O que vai acontecer?
Vamos tentar imaginar ? Com os ventos mais intensos, maior quantidade de água vai se acumular no lado oposto ao ventilador na piscina. Com isso, o desnível entre um lado e outro da piscina também vai aumentar. Vamos retornar ao Oceano Pacífico. Com os ventos alísios (que seriam os ventos do ventilador) mais intensos, mais águas irão ficar “represadas” no Pacífico Equatorial Oeste e o desnível entre o Pacífico Ocidental e Oriental irá aumentar. Com os ventos mais intensos a ressurgência também irá aumentar no Pacífico Equatorial Oriental, e portanto virão mais nutrientes das profundezas para a superfície do Oceano, ou seja, aumenta a chamada ressurgência no lado Leste do Pacífico Equatorial. Por outro lado, devido a maior intensidade dos ventos alísios as águas mais quentes irão ficar represadas mais a oeste do que o normal e portanto novamente teríamos aquela velha história: águas mais quentes geram evaporação e consequentemente movimentos ascendentes, que por sua vez geram nuvens de chuva e que geram a célula de Walker, que em anos de La Niña fica mais alongada que o normal. A região com grande quantidade de chuvas é do nordeste do Oceano Índico à oeste do Oceano Pacífico passando pela Indonésia, e a região com movimentos descendentes da célula de Walker é no Pacífico Equatorial Central e Oriental. É importante ressaltar que tais movimentos descendentes da célula de Walker no Pacífico Equatorial Oriental ficam mais intensos que o normal o que inibe, e muito, a formação de nuvens de chuva.
Em geral, episódios La Niñas também têm freqüência de 2 a 7 anos, todavia tem ocorrido em menor quantidade que o El Niño durante as últimas décadas. Além do mais, os episódios La Niña têm períodos de aproximadamente 9 a 12 meses, e somente alguns episódios persistem por mais que 2 anos. Outro ponto interessante é que os valores das anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) em anos de La Niña têm desvios menores que em anos de El Niño, ou seja, enquanto observam-se anomalias de até 4, 5ºC acima da média em alguns anos de El Niño, em anos de La Niña as maiores anomalias observadas não chegam a 4ºC abaixo da média.
Episódios recentes do La Niña ocorreram nos anos de 1988/89 (que foi um dos mais intensos), em 1995/96 e em 1998/99. “

Fontes: Cptec/Inpe e Notícias Agrícolas

Pense num calor!

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Nesse dia de calor escaldante nas terras do Senhor do Bonfim fico a me perguntar até quanto o corpo humano suporta de calor e frio. Eu, na minha santa ignorância, aposto que não existem parâmetros para essa pergunta indecorosa, mas como não sou bom de aposta, vou pular uma casa. O que vejo é que os homens que se propõem a estudar o tempo estão com ar de doido diante das maluquices dos Niños, El e La, que a cada dia nos deixa de cabelo em pé. O casalzinho endiabrado, usando as prerrogativas das leis que protegem as crianças, estão mandando ver e não estão nem aí para a cor da chita. O calor que corrói a paciência de um desavisado velejador, que um dia resolveu morar a bordo, é de deixar este com ar de incredulidade. Os sites de notícias dão conta que muita milacria ainda vem por aí e os cientistas se arvoram nas trincheiras do sim e do não. O site Terra se saiu com uma pergunta que muitos já fizeram: Quando o El Niño vai terminar? Eu li, reli e me animei a fazer essa postagem. Clique no link grifado e procure suas respostas.  

El Niño preguiçoso?

EL NINOOlhando para o tempo esquisito e chuvoso da última semana em Salvador/BA, e que ainda persiste nesse Domingo, 23/11, lembrei de uma postagem no blog Popa.com.br, em que fala da possibilidade tardia do fenômeno El Niño. O artigo é do Blog MetSul e é assinada pelo Professor Eugenio Hackbart e lá está escrito assim:

Esta será a sexta semana consecutiva em que o Pacífico Central Equatorial apresenta anomalia de temperatura da superfície do mar (TSM) igual ou superior a +0,5ºC, ou seja em patamar de El Niño. Para que se caracterize um episódio de El Niño, entretanto, as anomalias de TSM devem seguir em +0,5ºC ou mais por várias semanas seguidas até atingir, ao menos, três meses, logo a condição oficialmente ainda é de neutralidade (ausência dos fenômenos La Niña e El Niño) neste momento.

A persistência agora do Pacífico Equatorial quente já por um mês e meio e ainda a tendência de manutenção do quadro sugerem a possibilidade de que nas próximas semanas possa ser oficializado um episódio de El Niño. O boletim de ontem do NOAA, o órgão de previsão climática do governo dos Estados Unidos, indicou probabilidade perto de 60% de que o verão nosso se dê com a presença do El Niño. O fenômeno, em regra, traz mais chuva para o Rio Grande do Sul, mas não é garantia por si só de verão chuvoso. O verão de 2005, por exemplo, ocorreu com El Niño e teve estiagem forte. Os clientes da MetSul recebem uma análise completa e detalhada sobre a situação do Pacífico, a sua evolução e quais as prováveis consequências.