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1ª Travessia do Recôncavo

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O velejador Haroldo Quadros, manda fotos e notícias diretamente das águas históricas do Rio Paraguaçu, contando como foi a I Travessia do Recôncavo, uma velejada festiva organizada pela Trimar Eventos Náuticos, com apoio do Aratu Iate Clube e que aconteceu neste sábado, 18/03, véspera de São José.

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Mais de 50 barcos atravessaram a Baía de Todos os Santos e adentraram o velho e apaixonante Paraguaçu, até o povoado de São Francisco do Paraguaçu, famoso pela bela construção do Convento Santo Antônio, tão cruelmente esquecido por quem de direito prometeu cuidar bem. Na chegada, a flotilha foi recebida pela banda Estaka Zero que botou fogo na galera. A noite será servido jantar de confraternização, nas dependências do Convento, e em seguida a premiação com muita música, pois baiano não deixa essas coisas passar em branco. Valeu comandante Haroldo, por mais essa.

Registros e lembranças de uma velejada

Outubro (80)

VIAGEM NO VELEIRO COMPAGNA

DIÁRIO DE BORDO

No final de outubro de 2015 embarcamos no veleiro Compagna, um Delta 36, a convite do comandante Braz, para levá-lo de Salvador a Paraty. Foi uma viagem maravilhosa em que registrei dia a dia em um diário.

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1º dia – 24/10

Saída do Aratu Iate Clube às 8horas e 40 minutos no rumo de Camamu/BA. A bordo os proprietários Braz e Cris, eu e Lucia. Vento ESE e mar de almirante. Velejada tranquila, porém, Braz e Cris tiveram leve desconforto com o fatídico enjoo, mas nada que tirasse o sossego de nossa velejada. Afinal de contas era o primeiro contato deles com o mar aberto e era de se esperar que o enjoo desse o ar da graça. Um peixe se encantou com a isca artificial e teve que ser embarcado. Chegamos à barra de Camamu com maré de enchente e às 21h20minutos jogamos âncora em frente à casa da saudosa Dona Onília Ventura, na Ilha de Campinho.

Outubro (85)Outubro (14)Outubro (40)Outubro (72)

2º dia – 25/10

Acordamos cedo, tomamos café e desembarcamos para rever e abraçar Aurora, uma das pilastras da Ilha de Campinho e, para mim, a melhor referência da Baía de Camamu. Em seguida fomos de botinho até a Ilha de Goio, onde passamos bons momentos entre banhos de mar e bate papo com o proprietário do único restaurante da pequena ilha, mais conhecido como Sr. Goio, que é uma figura. Retornamos ao Compagna para almoçar uma moqueca, preparada por Lucia com o peixe que pescamos. No fim da tarde eu e Lucia desembarcamos para despedir de Aurora e retornamos ao Compagna para o sono dos justos. Continuar lendo

Notícias do mar – II

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Depois de passar por Camamu, Ilhéus e Abrolhos, atracamos hoje o veleiro Compagna no Iate Clube do Espírito Santo. Até aqui os ventos e o mar foram maravilhosos com a gente e nem uma pauleira que nos pegou de surpresa na segunda noite em que dormimos fundeados em Abrolhos, como também a proibição sem nenhum sentindo para o desembarque na ilha Santa Bárbara, conseguiu tirar o brilho de nossa navegada. Amanhã vamos ganhar novamente o mar no rumo do Rio de Janeiro e tomara que o tempo continue a nos acariciar.   

Uma vidinha assim…

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Depois de uma velejada maravilhosa entre Salvador/BA e Morro de São Paulo, com vento leste, mar de contra-almirante, peixe na linha –  depois na frigideira – e pôr do sol, ancoramos na noite de ontem, 24/09, em frente a Gamboa do Morro. Não foi uma ancoragem das melhores, porque com a Lua cheia, o vento leste entrou forte e o fundeio foi bem balançado, mas não impediu que festejássemos a velejada com alguns goles de vinho sob o brilho prateada da Lua.

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O dia amanheceu e fomos despertados pela sinfonia de um quarteto de Bem-te-vis, que se equilibrava entre os estais e biruta do Avoante. A vida a bordo de um veleiro é assim mesmo: Cheia de encantos!

O Pirajá

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E lá vem ele! Isso que aparece na imagem é o famoso Pirajá, aquele ventão instantâneo que sopra forte sob nuvens ameaçadoras apelidadas cientificamente de Cumulus Nimbus (CB). O Pirajá é arroz de festa nos mares dos trópicos e quando o bicho chega sempre trás junto raios, relâmpagos e trovões, mas quando a gente começa a sentir medo ele escapole para atormentar outras almas. Esse que aparece na imagem registrei em 2006 enquanto dava uns bordos entre Salvador/BA e Maceió/AL. Nesse dia o danado estava com a molesta no couro e soltando impropérios para todos os lados. Molhou, roncou, soprou, sacudiu o Avoante e se foi como se nada tivesse acontecido. Pois é, esse é o Pirajá!

De Angra dos Reis até Ilhéus

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Essa é mais uma boa história de velejada enviada pelo amigo Danilo Fadul (Veleiro Farnangaio) para a nossa seção Conte Sua História. Faz tempo que Danilo mandou o texto, mas ele havia mergulhado na bacia das almas do meu computador e somente agora consegui resgatá-lo, espero que Danilo me perdoe. A história e bem educativa para quem pretende subir a Costa Leste do litoral brasileiro no verão e foi escrita em uma linguagem simples e prazerosa.

DE ANGRA DOS REIS ATÉ ILHÉUS

Danilo Fadul

Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014.

Durante o dia, fiquei com o eletricista (Mike – “máique”) e o mecânico da Yanmar, Lao, fazendo alguns ajustes no alternador e correias que Fernando havia solicitado. Aproveitei para mergulhar e verificar o fundo do barco. Uma tartaruga “bôba” insistiu em ficar me observando.

Fernando chegou no começo da tarde e aproveitamos para fazer compras e abastecer o barco com óleo e água.

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21/02/2014 13h00 Vista da baia de Angra com o “Waterproof” no centro.

Barco: Lagoon 380 com 2 motores Yanmar 30 Hp.

Todos os equipamentos da Raymarine: Chartplotter GPS C80 integrado a radar Tridata;

Ecosonda, Speedômetro e Termômetro de água ST60;

Piloto automático ST6001; Pode seguir rumo ou direção do vento.

Wind ST60 também integrado.

Cartas náuticas de toda a rota incluídas no CHARTPLOTTER.

Tripulantes: Fernando, proprietário do barco e eu, Danilo.

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Saímos de Angra por volta das 17h00, 23° 0.895´S – 44° 18.029´O, como eu nunca havia velejado naquela região, Fernando aproveitou para dar uma entrada no Saco do Céu. Realmente é uma região belíssima (23° 6.453´S – 44° 12.646´O).

Ao escurecer, já estávamos no caminho da ponta da Restinga da Marambaia. As 20h00 passamos pela ponta e Fernando foi descansar. Combinamos turnos de 3 horas. A noite estava fria para os padrões da Bahia. Talvez 19°. Tive que colocar um agasalho. Cruzamos com alguns navios pequenos e rebocadores, mas nenhum na rota direta. Entreguei o timão às 23h00 e retomei às 2h00 do sábado.

Sábado, 22 de fevereiro de 2014.

Nesse ponto já tínhamos as Cagarras no través de bombordo e todo o Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Zona Sul. Esse trecho, até o amanhecer, foi mais carregado. Muitos navios e, pelo menos, duas plataformas ancoradas fora da baia de Guanabara. Passei há umas 9 milhas da costa, mas mesmo assim tive que fazer alguns ajustes na rota. Quando o dia clareou, o último navio já estava a sota de nosso rumo.

No través, a praia de Itacoatiara e as ilhas Mãe e Filha de Maricá. Coloquei as linhas n´água às 5h30 e as 7h00 começamos a ver muitas aves e logo depois muitos golfinhos cercando alguns peixes médios, de aproximadamente 1 kg. Talvez cavalas pequenas ou atuns tipo bonitos. Como nosso equipamento de pesca era leve, não tinha iscas para mar azul. Todo o tempo, desde a saída da baía de Angra, o vento permaneceu de leste, 100% contra nosso rumo. Motoramos e sempre mantínhamos a mestra armada dando bordos longos e mantendo o barco bem confortável.

Ao meio-dia o vento começou a apertar e chegou aos 17 nós reais, sempre “de cara”. Tinha a esperança do leste se manter depois da passagem por Cabo Frio e então podermos trabalhar o rumo numa orça não muito apertada. Depois do almoço fui descansar e quando acordei estávamos a 3 milhas da Ilha de Cabo Frio com vento real de 35 nós e aparente de até 47 nós. Sempre de cara. Nosso destino era o porto de Cabo Frio para abastecermos de óleo e água. A entrada do canal da Ilha foi espetacular (22° 59.894´S – 42° 0.770´O). Muitas anchovas saltando, alguns barquinhos pescando, muitos pescadores nas encostas de pedras e o mar fervendo de espuma branca devido ao vento canalizado. Continuar lendo

Velejando de Salvador às Granadinas – II

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VELEJANDO DE SALVADOR ÀS GRANADINAS – II

Sergio Netto

Dia 24, o terceiro de velejada, o organismo já adaptado, muita leitura. Cada vez que se sai do porto recomeça o processo de adaptação, enjoo, etc., que dura tres dias. Hoje é o 20º dia desde a saida de Salvador, 15 dos quais navegando. Às 11:10 ψ=0°15’S, ʎ=43°00’W. Vento NE 17 nós aparente. Progresso de 190 milhas em 24 horas. Média desde Fortaleza 7,1kn.  Cruzamos o equador na longitude ʎ=43°27’W, profundidade ~3000m. Bruno e eu pulamos na água, um de cada vez. Passamos por fora dos recifes Manuel Luis, no Maranhão, todo o pano em cima.image

Dia 25 o vento diminuiu para força3, força 2, e rondou para NE. Tivemos um progresso de 162 milhas em 24 horas. Passou um navio de container, por fora, para SE. Dia 26, outro navio, também por fora, bem longe, no rumo NW. Às 04:30 o vento cresceu para 10 nós, NE, e estabilizou. O trecho de vento fraco foi de 0,5° de latitude e 1° de longitude, 1,5 a 2,0°N e 45°40’ W a 46°40’W. Às 10h vimos um veleiro na proa quando subiamos o talude continental, cruzando as isóbatas de 2000 e 1000m. Antes do almoço houve um show de golfinhos que Bruno fotografou. A água continua azul, mas mais escura. Durante a noite cruzamos o canal principal que alimenta o talude no cone do Amazonas. Na plataforma, entre as isóbatas de 30 e 200m, há na carta 10 da DHN um ponto circular marcando 471m. Passei nele; vinha com profundidade mensurável na sonda que tem registro analógico, e perdi o fundo por 36 minutos. Interpretei não como uma anomalia pontual, circular, mas como o talveg de um canal distributário com largura de 4 milhas, vindo do cabo Norte e de Macapá que não foi convenientemente mapeado. Este canal deve alimentar a cabeceira do grande leque no talude, o qual forma o ‘cone do Amazonas’.

A isóbata de 10m está a 50 milhas da costa! Tudo aqui na foz do Amazonas é grandioso. Às 22:50 havia um pesqueiro grande na frente. Acendi a luz de navegação e fui de proa. O pesqueiro chamou no rádio, com voz de velho amazonense. Estava à deriva a 3,6 nós, largando equipamento de pesca. Foi uma comunicação cordial com o barco.

No dia 27 tivemos um progresso de 173 milhas, e a água mudou de cor para esverdeada. Passaram 3 navios, por dentro possivelmente para pegarem menos correnteza. Motoramos 7 horas, toda a tarde,um motor de cada vez, no intuito de chegar em Salut ao entardecer do dia 28, mas às 17:50 o motor de BE superaqueceu e tocou o alarme: partiu a correia da bomba d’água salgada, e o de BB entupiu o filtro de combustivel. Como não tinha balão, decidi ir ‘drifting’ com vela suficiente para manter o rumo e passar mais uma noite no mar, chegando pela manhã do dia 29. Foi uma decisão interessante andar mais devagar. Acabou o barulho do motor, ficou tudo relaxado e mantivemos o mínimo de vela só para sustentar o rumo, porque a correnteza é de 2 nós a favor. O problema agora é administrar o ‘excesso’ de velocidade para não chegar muito cedo, ainda escuro. Igor fez mil recomendações para não investir as ilhas à noite.

image imageimageimageIdentificamos o veleiro que vimos ontem, está agora por sota e no través. É um ketch americano, Carduff, que não respondeu minha chamada! Mas hoje falei com um navio, o P&O Nedloyd, de Houston, e ele também. Deve ser um desses gringos fdp amedrontados que segue as regras de segurança lá deles. Dia 28 consertamos os motores e administramos o ‘excesso de velocidade’ enrolando toda a genoa. Desliguei o piloto para economizar energia e travei o leme com um ângulo de 15°… e fomos derivando a 2 nós, abrindo 20 a 30° do objetivo. Durante 16 horas! Foi assim que passamos a fronteira internacional Brasil-Guiana. Dia 29 atrasamos o relógio 1 hora, para o fuso de Caracas, GMT-4. Às 02:45 ψ=5°21’N  ʎ=51°51’W, destravei o leme, apontei M270 para corrigir a correnteza, abri a genoa toda com vento SE força 3 e andamos SOG 3-4 nós na direção de Iles du Salut. menos de 50 milhas à frente. A água estava verde escuro, azeitonada. Às 11h ancoramos em Ile Royale, ψ=5°17’N  ʎ=52°35’W, 1037 milhas desde Fortaleza em 7 dias. Consumimos 100 litros d’água, mais de 7 l/pessoa/dia, uma esnobação. Lá estavam ancorados 9 veleiros, incluindo os Endurance 35, Sidoba III e Marie Celeste. Chegaram ontem à tarde, cumprindo o que nós iriamos fazer se não tivessem pifado os motores. Como se ve na Blue Chart, as ilhas ficam a 5 milhas do continente e a 8 milhas de Caiena, e é tudo muito raso. Mas tem uma maré de 3m. Fomos Stanislau, Luis, Xari, Bruno e eu de caique, visitar as ilhas de St.Joseph e do Diabo, todas vulcanicas. Bruno subiu num coqueiro e derrubou sete cocos. Visitamos as celas comunitárias e as solitárias, de 1,5x3m, escuras,fechadas com um circulo no teto. Hoje os franceses se envergonham do tratamento que davam aos presidiários.

No dia 30 os espanhóis foram embora cedo. Fui com Bruno visitar Île Royale, onde ficava a administração do presídio e hoje é a sede do receptivo turístico. A única coisa que conseguimos comprar foi um cartão de telefone por €12,4, que usamos para falar para o Brasil até o ultimo centavo. Aqui euro e dólar têm o mesmo valor. Almoçamos no restaurante da pousada, visitamos o farol antigo junto do telescópio moderno que rastreia os foguetes lançados do Centro Espacial em Kourou no continente defronte. A base é conveniente para os franceses porque fica próxima à linha do equador.

 Largamos às 15 h, contornando a Île Royale pelo sul e rumando 316V, direto para Granada, passando pelo norte de Tobago. O plano é, se quebrar o barco, entramos para Trinidad; se estiver tudo bem vamos direto para Granada. Vento NE 15 kn. Me sinto melhor velejando num mar arrumado e vento folgado do que em terra!

imageNa madrugada do dia 31, defronte à fronteira com o Suriname, a 30 milhas de terra fomos abordados pela guarda costeira (?). Chegaram completamente apagados e chamaram no rádio, creio que em holandês.  Não respondi e meteram um holofote possante sobre o Blooper. Respondi em Inglês, e eles pediram identificação. Satisfeitos com as respostas desejaram boa viagem e apagaram tudo de novo. Quando nos afastamos mais da costa o vento caiu à noite para 8 nós e a corrente cresceu para 2. Hoje passamos a usar o tanque grande. O de 100 litros que enchemos em Fortaleza durou 10 dias: 5l/pessoa/dia. Estamos melhorando. Às 15h progresso de 137 milhas. Ψ=6°45N ʎ=54°17’W, prof 45m, correnteza 0,5 a 1 nó. Vento real E<10kn nas ultimas 16 horas.

Dia 1 de novembro descemos da plataforma continental para o talude a 7°30’N; a plataforma aqui tem 100 milhas de largura. Dai os alísios de NE começaram a se firmar, crescendo lentamente de 10 para 15 nós a 8°N, e passando de 20 nós a 9°N, com ondas de 2m. A temperatura da água subiu para 27,4°C, e a cor voltou a ser azul. Como a costa da Guiana é orientada NW na direção da Venezuela, estamos agora andando em asa de pombo no talude, paralelo à costa. A correnteza aumentou de 0,5 para 1 nó, de ESE. Às 15 h, em Ψ=8°12N ʎ=55°50’W, marcamos um progresso diário de 130 milhas. Perdemos a ultima colher de arrasto disponível. No dia 2 de novembro o vento começou a crescer devagarzinho, para não assustar. Continua leste. Refresca à noite e cai de dia. Nesta madrugada de 1 para 2 tivemos algumas nuvens pretas mas mantivemos tudo em cima. Fomos de novo abordados por navio de guerra, igual a ontem, só que hoje já chegaram falando inglês com sotaque americano. De novo, não vimos o barco. Hoje às 15h completam 11 dias desde Fortaleza. Lavei shorts e cuecas.

2 de novembro 2003, domingo. Acordei com a queda de um peixe voador nas minhas costas. Entrou pela fresta aberta da gaiuta de popa a barlavento! Acendi a luz e joguei de volta para o mar. Nesta madrugada pegamos corrente contra, de W, entre 8,5 e 10°N, e tráfego de navios na rota Miami-Recife.

Defronte à Guiana Inglesa, até a foz do Rio Orinoco, a 140 milhas da costa, pegamos uma zona de depressão da tarde do dia 2 até a manhã de 3 de novembro. Igor havia avisado que por aqui tem uma depressão semanal. Era uma sequência de cumulus altos, espaçados no horizonte a leste, parecendo barcos de pesca alinhados na borda da plataforma, cada um em forma de charuto. Quando chegou o primeiro, o Blooper parecia um carroção, vibrando todo a 10 nós. Ai descemos a mestra para o terceiro rizo, e melhorou. Se minha neta de um ano estivesse a bordo, uma possibilidade aventada de Lia e ela embarcarem em Fortaleza, ou ela ia ficar vacinada para o resto da vida, ou ia se assustar com a eventual expressão de tensão dos mais velhos; um risco que eu não estava disposto a jogar. Além do mais, com ela a bordo eu ia acabar quebrando uma regra de segurança fundamental: o barco tem prioridade.