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Sinais

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A natureza tem mistérios que não se explicam, e não venha de lá com as teorias das ciências e nem com os ditames das sagradas escrituras, porque nem um, nem outro chegam nem próximo dos segredos guardados a sete chaves. Agora, se você disser que o homem do campo e o pescador, povo danado de sabedor, tem a palavra certa, eu confirmo e dou fé. – Não entendeu? – Pois lá vai o moído!

Digo o que disse aí em riba, depois de ver a chuva cair, nessa quinta-feira, 17/05, nos terreiros de Enxu Queimado e ver nos noticiários que tem chuva molhando as areias do litoral e parte do Agreste potiguar. Aí Lucia perguntou: – Amor, você que viu a previsão ontem, essa chuva estava programada? – Se estava eu não sei, mas se estava, as lentes dos satélites dormiram no ponto. Após a pergunta de Lucia me avexei a curiar no site do CPTE/INPE, coisa que faço diariamente, e lá estava um amontoado de nuvens carregadas avançando sobre os domínios de Poti. – E ontem? – Bem, ontem, à noite, tinha umas formações sobre o oceano que banha o RN, mas com indicativos que continuariam passando ao largo. – E o vento? – O vento era e continua sudeste, que “teoricamente” empurraria as nuvens para os quadrantes do Norte. – Mais “minino”, quem danado sou eu para dar pitaco em coisa que não entendo? Mas foi assim e a chuva nesta quinta-feira está boa que só vendo. Só não sei se choverá onde precisa, pois dizem que pras bandas das florestas de caatinga do Seridó, a secura está de meter medo em bicho brabo.

Todo esse bolodório foi porque vi nuvens carregadinhas de chuva farta e, sabendo que nada havia sido “combinado” com os homens que anunciam as previsões, lembrei dos bate papos que tinha com Dona Aurora, sob as sombras das mangueiras debruçadas nas margens da Ilha de Campinho, Baía de Camamu/BA. Foi lá que em um belo dia, Aurora, com fala mansa e andar mais manso ainda, apontou para o brilho prateado do Sol, refletido sobre as águas, e anunciou que choveria no dia seguinte ou mais tardar no segundo dia, a partir dali. Pedi que indicasse outros sinais e ela disse que só mostraria no fim da tarde. Voltamos para sua casa, comemos uma moqueca dos deuses, cozinhada em fogo de lenha, preparada em panela de barro e terrivelmente apimentada. Proseamos e demos boas risadas com os babados do lugar e quando o Sol esfriou, caminhamos pela picada aberta por entre as árvores até as margens do rio. Quando o astro rei tomou rumo para desmaiar sobre o poente, com cores incrivelmente alaranjadas, Aurora falou: – Tá vendo Nelson, vai chover e muito, pois o Sol está muito puxado para o vermelho e aquele brilho que estava na água pela manhã já anunciava a chuva. Sorri por dentro e fiquei ali viajando em reflexões e pensamentos: – Dessa vez tiro a prova?

O Sol se foi, despedimos de Aurora e voltamos ao Avoante que descansava nas águas de um cenário paradisíaco. A Baía de Camamu é um paraíso! A noitinha, mirei o céu e fiquei maravilhado com o brilho intenso das estrelas. Era um brilho diferente e limpo. Parecia que as estrelas haviam sido polidas e mais vez me voltei em lembranças, dessa vez das palavras do velejador Bernard Moitessier, autor de uma bíblia para o povo do mar, intitulado “O Longo Caminho”. Moitessier, disse que aprendeu com os navegadores orientais, que quando as estrelas estavam muito brilhantes era sinal de temporal nos dias seguintes. Pronto, o firo estava fechado! – Choveu e choveu bonito por dois dias seguidos no paraíso!

Aí você pergunta: – Sim, e daí? – Pois bem, já que ajuntei um monte de história soltas e nem de longe disse o que queria dizer, vou arrematar para dar fim a prosa. Ontem, quarta-feira, 16/05, fui registrar em retratos a pescaria de arrastão das mulheres pescadoras de Enxu Queimado. Entre um foco e outro, observei que aquele sol de rachar moleira, refletindo na água os ensinamentos de Aurora e aquele céu azul com poucas nuvens, estavam trazendo recado. A pescaria das meninas ocupou minhas atenções e deixei para lá o recado da natureza. Na noite bem adiantada, fui para minha tradicional volta pelo quintal e notei que as estrelas de Moitessier estavam lá, brilhantes que só elas. – Vai chover, mas porque os satélites que estão lá em cima não dizem que sim? Choveu e com direito a relâmpagos e trovões, para ficar mais bonito!

Eh, Aurora, seus ensinamentos nunca esqueci e dificilmente esquecerei, como jamais esquecerei os dias maravilhosos que passei na Baía de Camamu, especialmente na sua Ilha de Campinho. Foi aí que escutei pela primeira vez a voz e vi o rosto da natureza. – Sabe de uma coisa, querida amiga? – Acho melhor não dizer o que ouvi, nem descrever os traços daquele rosto, pois vai que acreditam!

São 4 horas da tarde e o tempo anuncia mais chuva.

Os sinais, pare e observe os sinais!

Nelson Mattos Filho

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Nelson e Lucia – amigos

nelson luciaA palavra hoje está com o amigo José Mauro, cabra arretado e dono de uma verve que só vendo, basta ver as letras que ele destrincha no blog Eu e o maldade, e foi lá que ele postou o texto e enfeitou com um retrato, dos bonitinhos aqui, tirado lá na fascinante Ilha do Sapinho, uma das joias encravadas na Baía de Camamu. Fala aí, , e obrigado pelas palavras abonitadas.

Isso deve ter uns 4 anos. Tudo em mim pedia por uma parada geral, por um desligamento do mundo. Alguém então me falou de Nelson, Lúcia e o Avoante. Um casal que vivia em um veleiro e que poderia nos acolher por uns dias à bordo.

Em um píer no bairro da Ribeira, em Salvador, embarquei no Avoante, uma embarcação pequena, mas valente, aconchegante como casa de mãe, para 4 dias de velejadas pela Baía de Todos os Santos.

Paixão à primeira vista. Pela vela, pelo veleiro, por Nelson e Lúcia e por aquela vida tão simples e diferente da minha e que eu nem sabia que existia. Dormir ao balanço do mar, olhando apenas o clarão das estrelas, foi algo que me tocou profundamente. E a partir dali o mar da Bahia virou meu destino sempre que a correria da vida em terra permitia. A ponto de eu mesmo comprar um veleiro e acalentar sonhos de libertação por quase um ano.

Certo dia, recebo a notícia de que haviam vendido o Avoante. Tinham vivido nele por mais de 10 anos, mas era necessário. Aquele não era apenas um barco, era um pedaço de suas almas, era o ente tangível que lhes ancorava um modo de vida.

A tristeza me bateu. Não conseguia ver Nelson e Lúcia em terra firme. Temi por sua felicidade, desconfiei que não conseguiriam mais se adaptar.

Hoje, vez por outra, entra uma mensagem de WhatsApp do “Comandante”, direto de sua casa na praia de Enxu Queimado, no litoral do Rio Grande do Norte. Às vezes é uma foto das delícias preparadas por Lúcia, às vezes um post do preservado e ativo Diário do Avoante (diariodoavoante.wordpress.com), ou às vezes apenas uma bela foto da natureza deslumbrante do lugar com um sincero “Bom dia, meu amigo”.

Nunca senti uma ponta de ressentimento. Nunca um tom de melancolia, nunca um maldizer a vida, sempre a mesma alegria, generosidade e simplicidade que conheci e aprendi a admirar a bordo do Avoante.

Obrigado por mais uma lição, além da vela, Comandante!

Zé Mauro Nogueira

Cartas de Enxu 15

4 Abril (145)

Enxu Queimado/RN, 14 de maio de 2017

Sabe Ceminha, se Deus me concedeu uma graça, essa foi ser seu filho e de todas as alegrias que já tive na vida, a mais maravilhosa é poder continuar te abraçando, acariciando seus cabelos e beijando seu rosto. Sei que não sou aquele filho tão presente, como a senhora queria, porque minha sede de aventura sempre me leva a apostar em rumos que transbordam em dolorosos lamentos em seu coração, mas sei que mesmo assim sigo abençoado, porque sinto a força de sua presença em cada passo que dou.

Ceminha, sei que poderia passar horas e horas escrevendo palavras de ternura e carinho e mesmo assim não falaria tudo o que sinto pela Senhora, justamente porque são palavras vindas de um poço de amor sem fim, mas não vou, pois preciso lhe contar coisas dessa vidinha que escolhi, sob as sombras dos coqueirais de uma Enxu mais bela.

Sabe Mãe, não é difícil e nem complicado optar pelas coisas simples da vida e isso eu aprendi quando aproei pela primeira vez meu Avoante para as águas da Baía de Camamu. Aquela entrada de barra meio enigmática, meio mágica, meio assustadora e bastante interrogativa, foi como a abertura das cortinas de um teatro encantado em que luzes, cores e cenário nos leva a um fascinante delírio de emoções. Aquele momento me transformou e nunca mais consegui ver o mundo através de outras lentes, outras cores, outros cenários e outras certezas, pois aquilo era a vida em seu mais lindo e fiel esplendor. Mas Camamu ficou para trás e um dia voltarei a navegar sobre os segredos de suas águas e com o sonho sonhado de por lá permanecer para sempre. Mas não se avexe minha Ceminha, pois isso são planos de um sonho de vida.

Hoje estou aqui, sobre as sombras da varandinha de uma cabaninha de praia, olhando o mundo pelas lentes com que vi pela primeira vez a linda baía mágica da costa do dendê e sabendo que, apesar dos pesares e das vontades dos homens, a simplicidade, a humildade, o bem querer e o amor, fazem parte de uma só força. – Sabe onde aprendi isso, minha Mãe? – Com a Senhora, com os seus atos, com seus princípios, com a sua ética, com a sua força de Mãe, com a sua determinação, com a sua amizade explicita pelos amigos, com a sua fé em Jesus Cristo e na Virgem Santíssima, com as honras com que recebes os que a procuram, com o carinho de seu olhar para com todos que a cercam, com seus ensinamentos, com a paixão com que abraça suas causas e com todos os doces e saudáveis frutos que a Senhora espalha ao seu redor.

Está vendo Cema, como é fácil deixar que palavras e emoções fluam quando queremos falar de Mãe? Basta deixar os dedos sobre o teclado que eles sabem direitinho juntar as letrinhas, sem esforço algum. O que eu queria mesmo contar era sobre a homenagem que recebi da vereadora Lucia de Pedrinho, assinada em baixo por todos os vereadores que compõem a Câmara de Vereadores de Pedra Grande, na gestão 2017 – 2020, me indicando para receber o Título de Cidadão Pedragrandense. Foi emoção sim, foi uma festa inesquecível, desejo participar de outras com o mesmo fim e queria muito que a Senhora e Tia Cecília estivessem ao meu lado naquela noite. Mas tudo bem, nem tudo que a gente quer a gente pode, recebi o Título, fiz meu agradecimento e voltei para minha cadeira para presenciar a glória e o reconhecimento de uma dama do amor ao próximo.

Cema, foi com lágrimas nos olhos que vi Dona Nerize, com seu andar vacilante, caminhar para receber seu título de cidadã. Ela é um anjo que foi indicada para servir e morar em Enxu Queimado e durante décadas faz a vida florescer sobre a comunidade. Mulher simples, de fala mansa, de mãos abençoadas e que estava, e está, sempre pronta para trazer ao mundo os bebes que ali nascem, unicamente com o propósito de fazer valer sua missão na terra. Basta vê-la caminhando pelas ruas e recebendo os pedidos de bênçãos de adultos e crianças e ela com a voz mais carinhosa abençoado a todos. Seu agradecimento na tribuna da Câmara deixou no ar a leveza e a grandeza de um coração de luz e paz. Foi difícil segurar as lágrimas, e não consegui.

Ceminha, como é gostoso viver em um mundo onde a realidade está ali nua e crua em nossa frente. Como é gostoso abrir os olhos e ver que o a vida continua linda, a paz continua a reinar, os pássaros voam soltos e as pessoas caminham despreocupadas nas ruas e a velha e linda parteira é a personalidade mais importante do lugar. Mas não era assim que deveria ser sempre?

Iracema Lopes Mattos, minha Mãe, minha Rainha, hoje, Dia das Mães, peço sua benção e lhe desejo muito amor, mas peço que me deixe também render homenagens a essa senhora que é Mãe de quase uma cidade inteira, Dona Nerize.

Nelson Mattos Filho

Agora vou pegar pesado

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Agora vou falar e quem quiser que diga que a Bahia é terra de moqueca, o que não duvido e não nego, porém, o que duvido mesmo é que exista uma baiana arretada para fazer moquecas melhores do que as de Lucia. A danada aprendeu os segredos que foram repassados por Dona Aurora, nêga velha da nação independente da Ilha do Campinho, na enigmática e fascinante Baía de Camamu, e entre toques e retoques, aprumou a mão para produzir as melhores moquecas do mundo. A imagem aí em cima é de uma moqueca de peixe, que estava boa que só a mulesta. Há quem diga que sou suspeito para falar e pode até ser verdade, mas que é assim é. Tenho dito!

De conspiradores e malucos

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Uma notícia que acaba de chegar por entre as marolas do grande mar virtual me remeteu a um episódio que se passou numa tarde ensolarada na Baía de Camamu em 2005, enquanto batíamos papo, regado a umas cervejinhas estupidamente geladas. Mas antes de contar o bafafá, vou comentar o que me fez lembrar o caso.

Os jornais online dessa quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016, dão conta que um casal de velejadores dos EUA pediu ajuda a Guarda Costeira na terça-feira, 16, enquanto navegava nas proximidades da costa cubana e foi resgatado por um navio da Disney que seguia para Miami, mas ao atracar no porto, o velejador foi preso pelo FBI sob a acusação de conspiração. As autoridades dizem que ele participou de um ataque aos computadores de um hospital em Boston, em 2014, e quando surgiu seu nome como um dos resgatados, não tiveram duvidas em colocar o homem atrás das grades.

No mar tem todo tipo de gente e os barcos a vela ultimamente tem servido para um bocado de maruagem. Não duvido nada se algum dia aparecer alguma autoridade querendo impor regras de fiscalização para todo veleiro que deixar ou chegar ao porto, nos mesmos moldes que acontecem com os navios.

Certa vez fui recriminado em um certo clube náutico por dar ouvidos e acolher de bom grado todo velejador de passagem pela cidade. Defendi-me com a alegação de ser também um velejador de cruzeiro e por isso saber das dificuldades que um viajante do mar tem por aí afora, onde nem sempre a recepção é amistosa. Claro que minhas alegações foram motivos de muxoxos, mas eram as mais verdadeiras e dificilmente aqueles que recriminam estão a fim de ouvir justificativas. Se o cara é gente boa ou não, até que ele mostre sua face sinistra eu estou pronto a ajudar.

A história do velejador conspirador puxou minhas lembranças para baixo daquela palhoça em Camamu, porque naquele dia ficamos cara a cara com uma valente e raivosa militante de um dos grupos terroristas que atuam na Espanha. Estávamos já na sei lá quantas cervejas, quando ancorou um veleiro de bandeira espanhola e de lá desembarcou um casal que se dirigiu para onde estávamos e sentou em uma mesa vizinha a nossa. Lucia, como boa anfitriã, convidou o casal a sentar com a gente, pois estávamos junto com o casal Breno (que Deus o tenha) e Lau e os dois sabiam falar fluentemente vários idiomas. O convite foi aceito de pronto.

Naquele tempo havia acontecido um grande atentado na Espanha e o Breno comentou sobre o ocorrido, condenando o grupo que havia assumido o ato terrorista. A mulher, que havia acabado de chegar, fechou a cara e o homem acendeu um cigarro e deu um sorriso pelo canto da boca. O Breno insistiu no tema e a Lau atiçou o fogo soltando impropérios contra os terroristas. Sem conseguir segurar à ira, a mulher levantou, deu um soco na mesa e gritou palavras em um dialeto espanhol que fez o Breno corar. A Lau, que não é de ficar calada, soltou os cachorros para cima da mulher e assim o bafafá foi aumentando e eu já começando a achar que teria que centrar fileiras na turma do deixa disso.

Breno levantou e apontou o dedo para o rosto da mulher e respondeu gritando no mesmo dialeto que ela falava. A mulher puxou o marido pela camisa, saiu gritando alguma coisa, fazendo gestos como se estivesse apontando uma arma em nossa direção e voltaram para o barco.

Perguntei ao Breno o que havia acontecido e ele disse que a mulher era militante ao grupo terrorista do atentado na Espanha e não admitia que ele e Lau incriminassem o ocorrido e que se tivesse uma metralhadora ali acabaria com a gente sem piedade. Breno ameaçou denunciá-los a Polícia Federal e assim o casal se retirou soltando palavras de ordem e fazendo ameaças.

Para aliviar a tensão, peguei outra cerveja e ficamos ali observando o veleiro dos estranhos, mas a Lau não sossegava o facho e de vez em quando soltava palavrões em direção ao barco. A noite chegou, o sono bateu, os ânimos acalmaram e fomos dormir o sono dos justos. No dia seguinte, procurei o veleiro do casal na ancoragem e nem sinal. Como não vimos o nome do barco e não perguntamos os nomes da dupla, pois o moído aconteceu rápido e não tivemos tempo para as apresentações de praxe, até hoje a história navega em minhas recordações e tremo só em pensar que podia ter sido metralhado por uma terrorista braba que só um raio.

Aí você pergunta: – O que danado isso tem a ver com o conspirador preso nos EUA? Eu respondo: – Sei lá, mas no maravilhoso cruzamento de informações que ocorre em nosso cérebro, muitas vezes alguns arquivos se relacionam sem que nem mais.

Nelson Mattos Filho/Velejador

O Noroeste

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Quem navega pelas bandas da Bahia, entre um bordo e outro, já deve ter escutado falar do vento noroeste que deixa o mar dos Orixás com forte sabor de pimenta ardida e que atinge facilmente velocidades de mais 40 nós. Os navegadores baianos falam do noroeste a boca pequena para não acordar a fera adormecida, mas sempre que se escuta trovoada pelos lados do quadrante norte, o que mais se vê é gente se apegando com todos os Santos em busca da proteção divina. Deus é mais!

Eu navego pelas águas do Senhor do Bonfim há um bom tempo e já presenciei a força desse vento na Baía de Camamu e em Salvador, mas nunca havia me enganchado com ele enquanto navegando e até achava que a fama de durão do bicho fosse mais assombro do que verdade, porque sempre apostei que quem navega entre o Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba – mar de gente grande -, estava vacinado contra um bocado de trapizomba. Pois num é que eu estava bem enganadinho da silva!

Uma coisa é você está com o veleiro ancorado – bem ancorado – e ver com olhos arregalados a chegada da fera e escutar incrédulo o bicho zoar nos estais. Nessas horas a gente não sabe se fica dentro da cabine, se fica fora, se pula na água, se vai ao banheiro ou se faz tudo ao mesmo tempo. São cerca de meia hora de reza braba e promessas que nem de longe lembramos depois quais foram mesmo, porque a cabeça e coração vão a mil. E quando a âncora da o primeiro sinal que vai garrar? Aí lascou tudo e ai daquele tripulante que se atrever a perguntar o que está havendo. Primeiro que a resposta não sai e segundo que é arriscado ele servir de depósito de impropérios saídos da boca de um comandante amalucado e sem controle da situação. É bronca, mas depois que a festança acaba e certificamos que continuamos ancorados, a primeira coisa que se faz é soltar um longo suspiro e correr para pegar uma cerveja bem gelada, que é para espalhar o sangue. O passo seguinte é colocar as ideias em ordem e escolher a melhor forma de contar para os amigos o que se assucedeu. Continuar lendo

Da mesa dos deuses

12 Dezembro (221)

A Moqueca de Banana com Camarão é uma das especialidades de Lucia na cozinha e sinceramente eu sou suspeito para falar, pois como diz minha Mãe: “– Tudo que Lucia faz eu digo que é bom”. E apois! Ela aprendeu a receita da moqueca de banana em nossa primeira ida a Baía de Camamu e num passeio que fizemos para conhecer a Barra do Sirinhaém. Quem ensinou foi a saudosa Dona Lourdes, proprietária de um restaurante no local e que servia esse prato como carro chefe de sua cozinha. Lucia – comunicativa e indagadora como boa cearense – provou o prato, detalhando os ingredientes, e depois do almoço foi até a cozinha do restaurante pedir para Dona Lourdes ensinar os segredos. Não deu outra! Lucia incrementou o camarão a receita e o resultado foi saborosíssimo. Certo dia ela soube que o programa de Ana Maria Braga estava fazendo chamadas para o quadro Mande sua Receita e as melhores seriam produzidas ao vivo. A receita foi enviada e constou no site do programa. No final de 2015 Lucia fez a moqueca em três oportunidades e em cada uma delas saiu com uma configuração diferentes: Um dia foi só banana; no outro, banana com robalo e no terceiro, Banana com Camarão. Foi difícil saber qual ficou mais delicioso, porém, se você quiser provar um deles aí vai a receita:

MOQUECA DE BANANA COM CAMARÃO

– INGREDIENTES:

6 Bananas da Terra, maduras cortadas em rodelas;

400g de camarão fresco sem casca;

1 cx de leite de coco;

suco de três limões;

1 cebola grande, 2 tomates, 1 pimentão – todos cortados a gosto;

1 xícara de coentro e cebolinha;

uma pimenta de cheiro, duas pimentas malaguetas, um dente de alho socado;

1 colher de chá de pimenta do reino moída;

2 colheres de sopa de azeite de oliva;

2 colheres de sopa de azeite de dendê.

– MODO DE FAZER:

. Reserve o leite de coco e os camarões.

. Em uma panela coloque os outros ingredientes, misture bem, deixe descansar no mínimo por 30 minutos.

. Coloque o leite de coco e ponha no fogo. Deixe cozinhar até as bananas ficarem macias. Acrescente os camarões e azeite de dendê. Quando os camarões ficarem rosa, retire do fogo.

. Sirva acompanhado com arroz e farofa.

Bom Apetite!!!!