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Um amor de Mãe

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Maravilhosamente Mãe! Ceminha, simplesmente linda!!

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Cartas de Enxu 15

4 Abril (145)

Enxu Queimado/RN, 14 de maio de 2017

Sabe Ceminha, se Deus me concedeu uma graça, essa foi ser seu filho e de todas as alegrias que já tive na vida, a mais maravilhosa é poder continuar te abraçando, acariciando seus cabelos e beijando seu rosto. Sei que não sou aquele filho tão presente, como a senhora queria, porque minha sede de aventura sempre me leva a apostar em rumos que transbordam em dolorosos lamentos em seu coração, mas sei que mesmo assim sigo abençoado, porque sinto a força de sua presença em cada passo que dou.

Ceminha, sei que poderia passar horas e horas escrevendo palavras de ternura e carinho e mesmo assim não falaria tudo o que sinto pela Senhora, justamente porque são palavras vindas de um poço de amor sem fim, mas não vou, pois preciso lhe contar coisas dessa vidinha que escolhi, sob as sombras dos coqueirais de uma Enxu mais bela.

Sabe Mãe, não é difícil e nem complicado optar pelas coisas simples da vida e isso eu aprendi quando aproei pela primeira vez meu Avoante para as águas da Baía de Camamu. Aquela entrada de barra meio enigmática, meio mágica, meio assustadora e bastante interrogativa, foi como a abertura das cortinas de um teatro encantado em que luzes, cores e cenário nos leva a um fascinante delírio de emoções. Aquele momento me transformou e nunca mais consegui ver o mundo através de outras lentes, outras cores, outros cenários e outras certezas, pois aquilo era a vida em seu mais lindo e fiel esplendor. Mas Camamu ficou para trás e um dia voltarei a navegar sobre os segredos de suas águas e com o sonho sonhado de por lá permanecer para sempre. Mas não se avexe minha Ceminha, pois isso são planos de um sonho de vida.

Hoje estou aqui, sobre as sombras da varandinha de uma cabaninha de praia, olhando o mundo pelas lentes com que vi pela primeira vez a linda baía mágica da costa do dendê e sabendo que, apesar dos pesares e das vontades dos homens, a simplicidade, a humildade, o bem querer e o amor, fazem parte de uma só força. – Sabe onde aprendi isso, minha Mãe? – Com a Senhora, com os seus atos, com seus princípios, com a sua ética, com a sua força de Mãe, com a sua determinação, com a sua amizade explicita pelos amigos, com a sua fé em Jesus Cristo e na Virgem Santíssima, com as honras com que recebes os que a procuram, com o carinho de seu olhar para com todos que a cercam, com seus ensinamentos, com a paixão com que abraça suas causas e com todos os doces e saudáveis frutos que a Senhora espalha ao seu redor.

Está vendo Cema, como é fácil deixar que palavras e emoções fluam quando queremos falar de Mãe? Basta deixar os dedos sobre o teclado que eles sabem direitinho juntar as letrinhas, sem esforço algum. O que eu queria mesmo contar era sobre a homenagem que recebi da vereadora Lucia de Pedrinho, assinada em baixo por todos os vereadores que compõem a Câmara de Vereadores de Pedra Grande, na gestão 2017 – 2020, me indicando para receber o Título de Cidadão Pedragrandense. Foi emoção sim, foi uma festa inesquecível, desejo participar de outras com o mesmo fim e queria muito que a Senhora e Tia Cecília estivessem ao meu lado naquela noite. Mas tudo bem, nem tudo que a gente quer a gente pode, recebi o Título, fiz meu agradecimento e voltei para minha cadeira para presenciar a glória e o reconhecimento de uma dama do amor ao próximo.

Cema, foi com lágrimas nos olhos que vi Dona Nerize, com seu andar vacilante, caminhar para receber seu título de cidadã. Ela é um anjo que foi indicada para servir e morar em Enxu Queimado e durante décadas faz a vida florescer sobre a comunidade. Mulher simples, de fala mansa, de mãos abençoadas e que estava, e está, sempre pronta para trazer ao mundo os bebes que ali nascem, unicamente com o propósito de fazer valer sua missão na terra. Basta vê-la caminhando pelas ruas e recebendo os pedidos de bênçãos de adultos e crianças e ela com a voz mais carinhosa abençoado a todos. Seu agradecimento na tribuna da Câmara deixou no ar a leveza e a grandeza de um coração de luz e paz. Foi difícil segurar as lágrimas, e não consegui.

Ceminha, como é gostoso viver em um mundo onde a realidade está ali nua e crua em nossa frente. Como é gostoso abrir os olhos e ver que o a vida continua linda, a paz continua a reinar, os pássaros voam soltos e as pessoas caminham despreocupadas nas ruas e a velha e linda parteira é a personalidade mais importante do lugar. Mas não era assim que deveria ser sempre?

Iracema Lopes Mattos, minha Mãe, minha Rainha, hoje, Dia das Mães, peço sua benção e lhe desejo muito amor, mas peço que me deixe também render homenagens a essa senhora que é Mãe de quase uma cidade inteira, Dona Nerize.

Nelson Mattos Filho

Hoje não tem mar

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Quando queremos brincar com sentimentos que insistem em aflorar do fundo de nossa alma, desdenhamos deles na vã tentativa de apagá-los de nossa mente, porém, nos arquivos do coração, marcas vão sendo adicionadas para o sempre. Quantas vezes tergiversamos em cima da dor de uma saudade, com frases forjadas em mesas ornamentadas com copos em que se mergulham filosofias de botequins. Saudade é bom porque dá e passa… . Como seria bom se assim fosse!

Hoje é mais um dia das Mães e mais uma vez estou distantes daquela que é para mim a fonte de um amor sem precedentes e sem a menor exigência de reciprocidade. Amor de Mãe não requer troca e muito menos reconhecimento, amor de Mãe é simplesmente amor e nada mais. Amo minha Ceminha e mantenho, e manterei, acesa a chama da saudade por toda minha vida. É um amor incondicional e rogo a Deus a todo segundo em poder escutar a sua voz, sentir seu cheiro e receber o abraço de seu corpo frágil, mas incrivelmente dotado de uma força fenomenal.

Minha Mãe é a maior expressão de paz, amor, amizade e compreensão que carrego comigo. A dor da saudade que sinto hoje não passa apenas com um simples telefonema ou mensagens trocadas via redes sociais, pois é uma dor diferente. É a dor da necessidade do abraço, do beijo, do afago, do alisar do cabelo, do olhar, do sorriso, do pegar em suas mãos e sentir a pele vibrante e os nevos vacilantes. E a dor por não sentir a respiração e nem me emocionar em ver seus olhinhos cheios de lágrimas quando marco o dia de ir embora.

Quanta felicidade tê-la ainda ao meu lado. Quanta felicidade em poder dizer que a amo e receber seu sorriso angelical. Quanta felicidade em ouvir seus carões para mostrar os erros que cometo. Quanta felicidade quando sento em sua infinita mesa de almoço e degusto o prazer de tanta alegria irradiada. Minha Mãe é o máximo!

Ceminha, hoje mais uma vez desejei feliz dia das Mães por telefone, mas saiba que meu coração está sofrido pela saudade. Suas palavras me soaram firmes, mas senti pingos de tristeza em sua voz, talvez a mesma tristeza que senti. Meu desejo era o abraço, o beijo e a presença, porém, a vida edita roteiros impensáveis e improváveis. Em breve estarei ao seu lado para festejar muitos dias mais, porque entre Mãe e filho não existe um dia marcado, todos devem ser comemorados intensamente. Triste do filho que assim não proceder!

Ceminha, a saudade que sinto da Senhora é enorme, mas nunca igual à de minha amada Lucia. A dela é a saudade que doe e machuca sem cessar. É a saudade da perda sem fim e que faz o coração chorar para o sempre. É a dor sem cura, mas que ensina o caminho para se buscar o placebo que conforta a alma. É a dor que daríamos a vida para não ter. A dor de uma saudade sem precedentes e que por mais que tentem nos explicar, não conseguimos compreender o porquê.

Dona Lindalva é hoje um anjo que ilumina os caminhos de nossas navegadas e que um dia traçou a rota que cruzaria nosso destino. Era a outra pilastra de sentimentos que sustentava nossa vida, mas que um dia Papai do Céu levou para fortalecer o Conselho Celestial. Restou-nos a dor da saudade eterna e as lágrimas involuntárias transbordadas pelo coração.

Dizem que saudade passa e contam até que ela não existe em outras línguas e em outras culturas. Será verdade? Se assim for, como deve ser triste viver sem saudade.

Minha Ceminha, estou morrendo de saudades e parabéns por esse dia tão carregado de emoções. Dona Lindalva, o calor que emana de sua alma nos conforta o coração e são demonstrados pelas gotas de lágrimas que escorrem em nossa face e obrigado por ter me dado uma companheira tão maravilhosa, e como bem disse um dia um tripulante de nosso veleirinho: – Valiosa!

Desejo a todos as Mães do mundo um dia de paz e alegria.

Ah! Mãe se escreve com letra maiúscula!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Minha Mãe não é uma figura

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“Defina a figura de uma mãe e concorra a brindes.” Li essa frase em um desses folhetos publicitários que emporcalham as calçadas das nossas cidades e sinceramente não entendi o que a “genialidade” daquele anuncio queria dizer. Estava sentado num banco de uma praça central, observando a cidade desfilar em minha frente, enquanto Lucia fazia compras em um armarinho próximo. Adoro viver esses momentos e sentir a pulsação que emana das ruas. Mas aquele folheto me encucou.

Definir a figura de uma Mãe? Definir a figura? Os dicionários dizem assim: Figura e a forma exterior de um corpo, de um ser. Aspecto, aparência, estatura, configuração de pessoa humana: uma bela figura. Personalidade marcante, vulto. Imagem, símbolo, emblema. Mãe não é figura. Mãe é Mãe! Assim mesmo com “M” maiúsculo. Não me queiram mal, mas é assim que vejo.

Não posso definir minha Mãe apenas como uma pessoa amada, corajosa, atenciosa, humilde, amiga, valente, forte, sincera, solidária, acolhedora, festeira, temente a Cristo e a todo seu séquito de santos, porque ela é muito mais do que isso para mim. Minha Mãe é tudo e me desespero somente em imaginar sua falta. Não consigo definir minha Mãe, porque amor de Mãe não se define.

Mamãe, como é gostoso festejar mais um dia sabendo que a Senhora está ai, pronta a me receber de braços abertos e a qualquer hora do dia. Como é gostoso sentir o seu cheiro mesmo estando à milhas de distância de sua presença. Como é bom sentir o contato de sua pele e alisar seus cabelos através da fantástica magia telepática que se faz presente na mente de um filho.

Festejo sim o dia das Mães, mas saiba que o festejo todos os dias de minha vida e em nenhum milésimo de segundo a Senhora é esquecida. Sua imagem me sorri a cada passo que dou e por isso vacilo em alguns quando não a vejo sorrindo. Seu exemplo de vida é uma fortaleza de energia e a cada rasteira que a vida tenta lhe impor, mais a Senhora se agiganta.

Há pouco menos de um ano a visitei em uma UTI de hospital e aquilo para mim foi um choque. Minha alma pedia para que não entrasse, mas a mente bateu pé e entrei. Quanta tristeza! Quanta emoção! Quantas lágrimas tive que segurar em ver a Senhora me olhando e sem falar nada me pedir para retirá-la dali. Saí daquela UTI com o coração dilacerado e ouvindo a alma me sussurrar: Eu pedi para que não entrasse, agora seja forte! A enfermidade passou e a Senhora voltou a usar seus trajes de Rainha. Minha Rainha! Por favor Ceminha, nunca mais me assuste assim.

Claro, essa é minha Mãe, minha Ceminha, a pilastra mestra de minha estrutura. Não tenho como sentir diferente, pois é isso que sinto. Não estou a definindo, mas mesmo que assim fosse, estaria definindo a minha Mãe e ela é diferente da Mãe dos meus irmãos. Cada um sente do seu jeito. Cada um ama de uma forma. Cada um tem seus sentimentos. E sei que todos a idolatram, mas a minha Mãe é a minha Mãe.

Outras pilastras compõe o corpo de um homem, mas nenhuma tão forte e estruturalmente tão bem concretada como a que uma Mãe representa. Olhando para elas parecem frágeis, mas são dotadas do material que compõem as mais duras rochas produzidas na natureza. Não as subestimem

Mas e o panfleto? Pois é, ele ainda continua a me incomodar e acho até que poderia participar daquele concurso. Poderia muito bem escrever apenas a palavra amor e esperar pelo resultado. Mas tenho quase certeza que nem ficaria entre os últimos colocados. Talvez sim, porém, amor nos dias de hoje é um sentimento muito comum e até banal. Os marqueteiros querem coisas novas, palavras novas, sentimentos novos. Não, amor não ganha nada!

Poderia até escrever tudo que escrevi ai em cima, mas acho que ficaria muito longo. Será que os jurados teriam paciência para ler? Hoje as pessoas não gostam de ler mais do que cem caracteres. Não, não vou participar daquela promoção que transforma Mãe em figura. Estou decidido e nem sei onde coloquei o panfleto e nem lembro o nome da loja.

Minha Ceminha, desejo que nesse dia a Senhora tenha todas as alegrias do mundo e vou apenas lhe fazer alguns pedidos, porque sei que serei atendido: Em suas orações peça por todas as Mães do mundo e também por aquelas que já não estão entre nós. Peça também conforto para o coração das Mães daqueles velejadores, que como seu filho, navegam loucos pelos oceanos do mundo.

Um grande beijo minha Ceminha e fique em paz.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Dia de carinho e amor

1 janeiro (7)

Hoje é mais um dia feliz. Hoje é mais um dia das Mães e por isso, mais uma vez recolho as velas do Avoante, ancoro na segurança de um Porto Seguro e baixo a cabeça para render homenagens a Elas. Hoje não tem mar!

Hoje estou longe de minha Ceminha, que tem o coração maior do que o mundo. Alias, já faz um bom tempo que passo esse dia longe dela. É sempre assim quando estamos realizando o sonho de uma vida. Nem sempre as datas importantes casam com nossa vontade, mas nem por isso deixamos de sentir a presença daqueles que amamos. Minha Mãe é minha rainha e a ela devo respeito, atenção e amor.

No Avoante vivemos emoções difusas nesse dia. Primeiramente que nossas Mães nunca aceitaram, nunca compreenderam, sempre tiveram esperanças de nos ter de volta a terra firme e tudo isso gera conflitos e angústias.

Num segundo momento ficamos sem a presença física de Dona Lindalva, Mãe de Lucia, mas que até hoje sentimos sua presença sempre atenta a nos proteger. Será que pegamos realmente o caminho certo ou enveredamos nas variantes que faz da vida um infinito de escolhas? Será que poderíamos fazer mais? Difícil saber e mais difícil ainda é a decisão da escolha.

Explicar tudo isso a uma Mãe não é fácil, como não é fácil fazê-las entender que estamos bem. Mas hoje não é dia de explicações e muito menos de confundir a cabeça de uma Mãe. Hoje é o dia maior de homenageá-las e nada mais.

Sei da tristeza que invade Lucia todos os dias e me calo diante de silenciosos e disfarçados soluços diários e noturnos. Sei da sua dor em não poder mais abraçar aquela que tinha o rosto coberto de carinho quando a observava de longe. Sei também da sua força em se manter com a cabeça erguida, olhando o mundo de frente e encarando as divergências com um belo sorriso, mesmo que o coração esteja em pedaços.

Lucia é Mãe com “M” maiúsculo como são todas as Mães do mundo. Não esquece um segundo sequer dos filhos, dos enteados, meus filhos, e netos. Conhece todos com uma precisão clínica e facilmente decifra suas alegrias, seus medos, segredos e o mais remoto sinal de perigo que os ronde.

Ela diz que conhece pela voz, pelo cheiro, pelo olhar, pelo contato, pela falta de palavras e até pelo trejeito do caminhar. Sexto sentido? Acho que mais do que isso, pois percepção de Mãe não existe explicação. É assim e pronto!

Mas não deve ser fácil o papel de Mãe nesse mundo tão desumano que estamos vivenciando. Como seria bom se o dia das Mães fosse um dia de paz, harmonia e comemorações, mas nem sempre é assim, pois os noticiários estampam todos os dias casos de Mães agredidas, violentadas e maltratadas por monstros incapazes de viver em sociedade e encobertos pela lama fétida da crueldade, da imbecilidade e por um direito, sem nexo, com o pomposo nome de humanos.

Mãe é sinônimo de vida, amor, carinho, afetividade, paciência, humildade, sinceridade, honestidade, atenção, bondade, reconhecimento, dignidade, ingenuidade e de uma infinidade de bons sentimentos que norteiam a vida de um filho. Um filho ou um pai que agride uma Mãe, mesmo que com palavras, não merece o perdão dos seus pares.

Não confio, não acredito e repudio aqueles que abrem a boca para destratar a própria Mãe. Já cruzei rumos com alguns deles e em todas às vezes confirmei meus piores temores, pois me vi diante de pessoas amargas, perigosas, mentirosas e carregando no costado as armas da trairagem.

Mãe é o nosso bem mais precioso e nada e nem ninguém no mundo pode substituir.

Dizem que o mar modela os homens na rudeza do sol e do sal. Dizem até que os homens do mar são durões e alheios às emoções. Dizem um monte de coisas, mas para mim tudo são firulas e jogo de palavras para impressionar os incautos ou aqueles que veem o mar como um mundo misterioso e aventureiro. O homem do mar é dotado sim de muito sentimento e digo mais: O verdadeiro homem do mar tem na imagem da Mãe sua mais forte estrela guia e o farol que ilumina suas mais seguras navegadas.

Minha Mãe é minha luz, minha proteção e para ela tenho somente palavras de carinho e amor. Dona Lindalva, que hoje guia lá do alto nossos caminhos pelos mares, para o sempre terá o nosso amor. Através delas homenageio todas as Mães do mundo e me atrevo a pedir a todos os filhos que não transformem tudo de maravilhoso que uma Mãe representa em apenas um simples e casual presente.

Não existe presente mais gostoso para uma Mãe do que um abraço carregado de carinho e amor.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Mãe

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Hoje eu sonhei mais. Sonhos “de boa”, como se diz na Bahia. Sonho de vida. Sonho de amor. Sonho de carinho. Sonho verdadeiro. Sonho do coração. Sonho bom de crianças acalentadas. Sonho de aconchego. Sonho de filho. Sonho de compreensão. Hoje eu sonhei aquele velho e gostoso sonho que sonham todos os filhos do mundo: Sonho de estar bem juntinho do calor afetuoso, dos braços, dos abraços, dos cheiros e dos beijos de uma Mãe. E por ter sonhado essa delícia de sonho, ao acordar, vi que hoje, mais uma vez, não é dia de mar.

Mãe é Mãe, assim mesmo com letra maiúscula, porque não consigo escrever de outra maneira, e nada no mundo é mais perfeito do que ela. Nada me leva a crer que tenho apenas o dia de hoje para homenageá-la, como querem insinuar os reclames midiáticos, pois todo dia é dia de festejá-la, abraçá-la, acariciá-la, beijá-la e baixar a cabeça, em sinal de respeito, diante da imponência e alegria de sua presença.

Dizem que o mundo mudou e que os sentimentos de hoje estão tão desvirtuados que nem as Mães escapam. Pode até ser que isso seja uma verdade na cabeça daqueles que nada tem na cabeça, a não ser uma massa cinzenta e corroída de desfaçatez. Mas o mundo não mudou em nada, continuamos vivendo no mesmo mundinho de sempre e dominados pelos excessos. E na verdade mudamos nós, pois estamos cada dia mais vacilantes e excessivamente tolerantes. Mas também, hoje não é dia de discutir o mundo, pois hoje é o Dia das Mães.

No meu sonho Ela me acolhia em seus braços para falar das coisas da vida. Falar dos desmandos dos homens. Dos segredos da razão. Dos mistérios da vida. Da alegria de sermos livres. Da bondade entre os povos. Da tolerância. Das perdas. Dos conhecimentos. Dos amores. Dos percalços. Da insensatez dos egoístas. Do desmoronamento ético das cidades. Da paz que se foi. Do olhar observador. Da mão estendida. Da natureza. De Deus. De compreensão e o melhor: Do caminho que precisa ser seguindo.

Não preciso ouvir nada disso da voz suave de minha Mãe, basta olhar para seus olhinhos cheios de vida e absorver tudo o que está estampado em suas retinas carregadas de conhecimentos. Minha Mãe é meu tudo e meu eu. Mas no sonho ela fazia questão que eu a ouvisse. E eu a ouvi mais uma vez, como sempre o fiz. Nelson, e o Avoante? Pois é, os filhos às vezes são meio rebeldes. Sua voz ecoa e viaja sobre os ventos, como um acalanto a me proteger a cada milha navegada, pois assim faz uma Mãe.

Sempre disse que é muito fácil falar sobre Mãe e sobre o que ela representa para o mundo. Esse mundo que caminha cada vez mais sem direção e coberto a cada dia pelo manto imolante da discórdia. Falar de Mãe é uma alegria e a melhor maneira de não nos afastarmos das nossas origens e reviver os bons tempos de criança. Quem nunca voltou a ser criança ao chegar junto de uma Mãe? Quem nunca sentiu medo ao visualizar o mundo sem a presença suave e compreensível de uma Mãe? Quem?

Não consigo entender, e acho que ninguém em sã consciência entende, as agressões sofridas por tantas Mães. Muitas delas são agredidas até mesmo nesse dia que seria o dela. Agressão não precisa ser física, pois palavras e gestos muitas vezes machucam muito mais. E não me venham com teorias baratas sobre exclusão social, educação e desassistência pública, pois ignorância e ignorante existe em todas as classes sociais. É triste ver esse mundo cada dia tão irracional!

Quantos filhos dariam um pedaço da vida ou do corpo para ter novamente a presença da Mãe? Sonham com o sorriso, com o abraço, com o cheiro e com os conselhos sempre tão antigos, porém reais. Acordam chorosos, mas felizes, em tê-la por alguns momentos somente para eles em sonhos tão reais.

Infelizmente a vida é cheia de rumos alterados e minhas palavras nada representam diante da modernidade do mundo. Podem até parecer demagógicas e enfadonhas, mas é assim que vejo a beleza de uma Mãe.

Minha Mãe, nada me faz mais feliz do que a alegria de beijar seu rosto. Nada me deixa mais reconfortado do que ouvir sua voz. Nada me acalenta como os seus afagos. Nada me faz mais criança do que a gostosura de poder lhe abraçar e sentir sua incrível força interior. Nada me faz mais vivo do que sentir o seu cheiro de mulher mais cheirosa do mundo.

Ceminha, parabéns e muito obrigado por seu carinho e através da Senhora, parabenizo todas as Mães do mundo.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Que dia é hoje?

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Viver a vida a bordo de veleiro de oceano deixa a gente sem muita vontade de acompanhar a sequência dos dias do ano. Todo dia é um novo dia, sem importar se é segunda, quarta, domingo ou um feriado qualquer. Ficamos tão fascinados em observar os ventos, as marés, o tempo e todo o conjunto de perfeição construído pela natureza que os dias urbanos passam sem criar grandes expectativas e apenas com algumas atenções.

Às vezes, olho para o lado e vejo a correria transloucada das pessoas em busca do tudo ou nada e fico espantado. Parece que o mundo vai acabar naquele minuto ou no segundo seguinte, tamanha é a pressa que escorre pelo suor dos rostos afogueados. Somente em lembrar que um dia já fui assim, me dá arrepios na espinha e não sinto nenhuma saudade das idas e vindas em busca das emergências dos hospitais, para verificar pressão, falta de ar, tonteira, taquicardia, dor de cabeça, dor no peito, estresse e no fim, sair com o diagnóstico de falta de amor a vida. Ou seria de amor próprio?

Poderia até roubar a música de Lula Santos, Assim Caminha a Humanidade, e dizer apenas que não quero mais aquela vida. Nunca mais! Agora descobri uma vida apaixonante, não tão cheia de aventuras como muitos pensam, mas lotada de momentos mágicos apresentados no grande palco da natureza.

Observo hoje, sem o mínimo de inveja, que a humanidade caminha a passos longos sem ao menos saber onde vai pisar. Observo também que na pressa de chegar a lugar nenhum, as pessoas deixam expostas suas entranhas sem esboçar a mínima reação de pudor. Quanto à vergonha, essa há muito tempo foi jogada na lama, envolvida e acobertada nas cifras dos milhões da camaradagem.

Mas todas essas observações não são apenas minhas, são também de todos aqueles velejadores que um dia resolveram abrir mão dos confortos abstratos que a vida urbana oferece e partiram para descobrir os segredos dos mares. Onde o tudo, pode ser apenas um singelo momento de alegria, ou um abraço de um amigo. Mas pode ser também a felicidade de ter completado uma difícil velejada e poder simplesmente ancorar num lugar lindo. São mudanças de valores que as cidades não nos permitem.

Diante de toda essa minha justificativa pela opção de vida num veleiro, quero dizer a toda Mãe, que um dia se desesperou quando ouviu o filho dizer que iria viver no mar, que continuamos levando elas dentro do coração e que em nenhum momento esquecemos de amá-las. Muito pelo contrário!

São elas que nos confortam quando os mares mostram uma face mais bruta. Como as crianças, procuramos na lembrança de seus rostos a segurança de que precisamos. São elas que dão o norte a nossa bússola da razão. É pensando nelas que buscamos forças para aceitar o açoite dos ventos nas noites tempestuosas nos mares. É com elas no coração que abrimos o peito para mostrar ao grande Netuno que estamos protegidos e prontos para singrar os mares.

Os sofrimentos delas são os nossos. As angustias delas são as nossas. As alegrias delas são as nossas. As tristezas delas são as nossas. As inseguranças delas são as nossas. O amor delas somos nós e por isso sabemos retribuir com tanto respeito e carinho. É um amor que cruza os mares, atravessa fronteiras, enfrenta tempestades, segue com os ventos e nunca se esvai. Um amor que segue com a gente por todo o sempre e mesmo quando a vida se vai, permanece firme, poderoso e eterno.

Por isso Mamãe, que mesmo sem acompanhar a sequencia dos dias do ano nunca esqueço seu dia, pois ele é festejado por mim diariamente em qualquer lugar que eu esteja. Saiba que a sua presença é sentida em cada milímetro de espaço do Avoante, mesmo sabendo que a Senhora nunca esteve lá, e em cada lufada mais suave de vento. Saiba que adoro dizer que sou seu filho e que me emociono cada vez que pronuncio seu nome. Saiba, e isso eu sei que a Senhora sabe, que seus ensinamentos de compreensão para com o próximo me enriquecem a alma e dirigem meus sonhos.

Por isso Ceminha, que hoje, mais uma vez, homenageio a Senhora homenageando todas as Mães do mundo. E quero ainda dizer a todas elas que aquele filho sem juízo, que mora em um barco, apenas navega pelos mares em busca de um mundo mais justo e humano. Um grande beijo e feliz dia das Mães!

Nelson Mattos Filho/Velejador