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Baía de Camamu, a realidade e o país da fantasia

Outubro (1)

Sou solidário na dor e na revolta, diante do sentimento de impotência, que deve estar sentindo a velejadora Guta, mas o que aconteceu com ela, na baía de Camamu/BA, é nada mais, nada menos, do que acontece diariamente no Brasil real, que é o Brasil infinitamente distante das páginas e retratos editados das mídias sociais. No país maravilha dos facebooks, instagrans, whatsapps e outras feitiçarias quaisquer, a realidade do que aconteceu a bordo do veleiro Guruçá representa apenas nada mais do que um dia, ou no máximo dois, de curtidas e comentários revoltosos e ponto. O áudio que hoje, 26/07, foi divulgado pela velejadora é o retrato mais fiel da realidade que vive o Brasil verdadeiro. Realidade em que figuram os personagens da justiça que emperra na hora que deveria andar, da delegacia que está fechada em horas inoportunas ou simplesmente não tem pessoal, nem material humano, nem carros, nem equipamentos para atender uma ocorrência. Do hospital que não atende por falta de medicamentos, equipamentos adequados, macas ou apenas porque o médico não quer atender naquela hora crucial para aliviar a dor e a alma daqueles que sofrem. O Brasil onde as autoridades impedem a divulgação das estatísticas e onde as estatísticas são manipuladas ao bel prazer das suas vontades. O Brasil do tudo pode e nada existe de fato, nem de direito, pois tudo é direito e nada é fato. O Brasil em que uma criança dos cafundós da floresta amazônica é barbaramente assassinada pela mãe e sua companheira e tudo continua como antes. O Brasil onde o assassino  confessa que matou apenas pelo prazer de matar, porque o que ele queria era ficar alegre, e ficou. O Brasil do tudo, do nada, do bárbaro, do sentimento de impotência, da desgraça, da graça, da esmola, do circo, dos aplausos, das vais, dos vivas, do futebol, do santo ofício, das necessidades. Brasil da falta de vergonha na cara. O Brasil que vota por um pedaço de pão e uma dose de cachaça, mas que não deve nada ao Brasil que vota por uma dose de uísque 12 anos e um jantar no mais caro restaurante do jet set. Amiga Guta, infelizmente sua dor é real, mas sua luta é inglória, e você irá perceber ao caminhar alguns passos até que resolva olhar para trás, pois ninguém, a começar pelas autoridades que deveriam lhe dar abrigo, marchará a seu lado por mais do que um ou dois quarteirões, pois no Brasil da fantasia não cabe a insensatez da realidade. Encerro esse texto inglório e revoltante com o comentário do velejador baiano Julival Fonsêca de Góis, na postagem, Triste sina de um país contaminado pela impunidade.          

Olá, caro Nelson, pena que após expressivo período de tempo sem nos falarmos, que agora voltemos a fazê-lo como dantes. De início, queremos dizer que sua ira é uma maneira injusta para com nosso poder superior: Guta, deveria, sim, ajoelhar-se sobre uma camada de sal grosso, sob sol escaldante de 45 graus, por horas seguidas parada como uma estátua sobre a cabine do veleiro, com o olhar voltado para os céus e de modo contrito orar, orar e orar agradecendo ao criador por ter saído viva. Não ela a primeira vítima “ingrata” e não será possivelmente a única. Situações idênticas acontecem em todos os quatro quadrantes brasileiros. E quando ouvimos nossos gestores responsáveis, todos são unanimes em dizer: “hoje como nunca, nosso governo tem diminuído a violência”. Falam assim cinicamente enganando-se a si próprios. Há poucos dias, um grupo de bandidos, em represália a uma determinação judicial, invadiu uma propriedade da VERACEL, produtora de eucalipto e sob os “holofotes” dos celulares, não se intimidavam em mostrar toda brutalidade de que são capazes, quando quebraram e queimaram veículos, por pouco não assassinando os seguranças empregados exatamente para protegerem o patrimônio alheio. E porque assim procederam? Exatamente pelo indiferentismo de nossas “aRtoridades” em casos semelhantes, a exemplo do bandidiso cometido ano passado contra investidores japoneses no município de Correntina, oeste baiano, quando tudo destruíram causando prejuízo superior a 60 milhões de reais, deixando centenas de famílias desempregadas e inibindo a que outros investidores pensem em novos projetos. Para não mais nos alongar, quando nos decidimos pela venda do SEDUTOR( já felizmente consagrada), a razão maior foi exatamente essa: ausência de liberdade par vivermos nossa velhice em paz ao sabor dos ventos. Esteja certo, que não fossem esses registros, nossas delegacias de policia, estariam criando dificuldades para a realização dos “BO”, imoral situação que segundo alguns, uma determinação de sua excelência, a excelentíssima autoridade maior do estado da Bahia, o Excelentíssimo Senhor Dr. Governador. Agora, uma pergunta que não “ofende”: É ele diferente dos anteriores? Não, não é! Porque todos tem sido farinha com “bolô” no mesmo saco! Calate-boca, Julival! É melhor parar por aqui. À senhora GUTA, nossa irrestrita solidariedade. Fraternalmente, Julival Fonsêca de Góes

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O catamarã de velocidade – V

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Sei que é difícil para muitas pessoas embarcar em um veleiro para uma viagem de mais de dez dias. Deixar a vida agitada das cidades, principalmente para quem está na lida diária do trabalho, enfrentar a inconstância do mar, o ritmo lento do navegar de um veleiro e o bucolismo de pequenos lugarejos ribeirinhos é quase uma prova de tortura, ainda mais nesses tempos de comunicações facilitadas pela bruxaria dos aparelhinhos de celular. Com o celular em mãos, e suas variantes comunicativas, ficamos a mercê das chantagens emocionais daqueles que ficaram em terra e basta um que de nada para bater a vontade de voltar ou simplesmente matar uma saudade.

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Quando fomos convidados para tripular o catamarã Tranquilidade em seu retorno as águas baianas sabíamos que seria uma viagem das mais gostosas, porque é sempre bom navegar na companhia de amigos, ainda mais sendo todos amigos do mar. Inicialmente planejamos uma navegada que favorecesse lugares distantes dos grandes centros e fizemos o possível para seguir a risca o planejamento. O roteiro foi sendo alterado à medida que demorávamos um pouco mais em uma parada e também de acordo com os ditames da natureza, mas procurando manter o foco em lugares paradisíacos.

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Quando da nossa ancoragem em Maceió/AL parte da tripulação decidiu que iríamos direto para Salvador/BA e chegando lá navegaríamos por dois dias na Baía de Todos os Santos. Quando eu e Lucia recebemos a notícia ficamos sem entender o motivo, mas ficamos com pena, pois havíamos feito um roteiro maravilhoso e sabíamos que o comandante Flávio gostaria de seguir o planejado.

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Entre Maceió e o Salvador, com o celular funcionado a todo vapor, praticamente a navegada de dois dias no mar da Baía de Todos os Santos estava fadada a ir por água a baixo, porque Geraldo e Myltson já haviam comprado por telefone a passagem de volta para o dia seguinte da nossa chegada. No través do Farol de Itapuã, Lucia serviu o almoço e disse que era uma afronta ao bom senso eles estarem encerrando uma navegada tão boa, ainda mais com dias de antecedência e sabendo eles que aquela viagem era um sonho do comandante. Continuar lendo

Barra do Paraguaçu, um lugarzinho gostoso

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Barra do Paraguaçu, um belo, gostoso e tranquilo recanto do litoral baiano. Mais um lugar para você anotar no livrinho dos lugares a serem visitados antes que a vontade de virar o mundo passe.  

Expedição Tranquilidade – II

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Morro de São Paulo, e seu belo Forte, foi ficando para trás na manhã do dia 12/12 e fomos dirigindo a proa do Tranquilidade no rumo da Baía de Camamu, onde chegamos no meio da tarde navegando em um mar de almirante e vento soprando na média de 10 nós. A Baía de Camamu é meu xodó desde a primeira vez em que aportamos o Avoante em suas água. Para mim nada no litoral brasileiro é tão fascinante.

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Depois de desfilar com o Tranquilidade pela larga barra que dá acesso a Baía, deixando a enigmática Ilha de Quiepe por boreste e o Ponta de Mutá, com seu farolzinho branco, por bombordo, matando as saudades, ancoramos em frente a casinha amarela da saudosa Dona Onília, na Ilha de Campinho. Poderia ancorar um pouco antes, em frente a antiga pousada Lotus que tem o waypoint mais conhecido, mas meu coração não deixa margem para tamanha desfeita. É difícil olhar para a casinha amarela sem lembrar da amiga Onília e suas histórias tão cheias encantos. Foi difícil pisar naquele chão, para mim sagrado, sem sentir a energia boa da nossa velha amiga. Sem perder tempo, assim que ancorei o Tranquilidade joguei para o alto meus medos e saudades, coloquei o bote de apoio na água e num segundo já estava correndo para abraçar a outra pilastra do Campinho, a amiga Aurora e receber de coração todo o carinho com que ela sempre nos afagou. Mais uma vez tirei a prova dos nove para comprovar que sou apaixonado pela Baía de Camamu.

Vila de Santo André e a história

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É vivendo, navegando e aprendendo, assim vamos tocando essa vidinha mais ou menos. Falei aqui recentemente da nossa ida até Santo André, Sul da Bahia, um lugar maravilhoso e que valeu matar a vontade de ancorar uns dias por lá. Queríamos passar uns dias a mais para saber coisas, fatos e segredos que sabia existir entocado entre os mangues, mares, rios, matas e pedras que cercam o canal de acesso da Vila, mas nem sempre a vontade combina com a razão. Um dia eu volto! Todo esse moído é para contar de um email que veio lá daquelas belezuras paradisíacas, assinado pelo leitor Fernando Oliveira, que também mandou as fotos que ilustram esse post, e falando, entre outras coisas, das pisadas dos alemães naquelas areias no tempo da Segunda Guerra Mundial. Juro que não sou capaz de discutir 15 minutos sobre a Segunda Guerra, a não ser alguns segundos de fama da minha cidade Natal, mais potiguar impossível. Juro também que tentei me embrenhar pelo pai dos burros internéticos, Dr Google, para saber sobre Santo André no tempo da Guerra mas não consegui nada. Mas com certeza deve estar lá. O que me chamou atenção no email do Fernando foi a informação que a Vila de Santo André serviu de base para os ferozes alemães. Fiquei imaginando, sentado no cockpit do Avoante, o que danado os caras estavam fazendo em Santo André. Os galegos tinham bom gosto para paisagens paradisíacas e admiravam um gostoso banho de mar antes de sair para afundar algum navio pela costa. Por tudo isso é que tenho que demorar mais nos lugares, pois sou um apaixonado pela história, apesar de nunca ter sido um aluno daqueles que os professores adoravam. Os de história então! Até hoje lembro de minha professora de história, Ierecê, no colégio Marista de Natal, olhando para mim e perguntando, ao me ver olhando alheio para o mundo: Nelson, em que você está pensando que não presta atenção na aula? Nada não professora! Mas podem acreditar que gosto muito de história.

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Mas Santo André/BA, cercado de tanta maravilha natural, tinha mesmo que ter seus segredos entocados. Tomara que ainda demore muitos anos para nós homens chegarmos a eles. Saindo da Guerra e entrando na luta dos humanos contra os seres da natureza, a praia baiana tem se destacado na pesca de oceano e até um bem organizado campeonato faz parte de suas atrações, chamando a atenção de pescadores de todos os cantos do Brasil. Em Dezembro de 2013, vai haver mais uma edição do Campeonato de Pesca do Marlim e se você é adepto dessa modalidade, é bom se programar para não ficar sem assunto.