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O parque e o mangue

P_20170914_112902Um mutirão coordenado pela administração do Parque das Dunas, um dos mais belos cartões postais de Natal/RN, que nas caminhadas da infância e adolescência, conheci boa parte, pretende retirar todas as plantas exóticas existentes na maravilhosa área de Mata Atlântica, e que, segundo os botânicos, estão ameaçando a fauna e flora. Plantas como Espada de São Jorge, Comigo Ninguém Pode, Dracena e outras, devem ser arrancadas e se possível, transferidas para outros locais. Olhando essa notícia nas páginas online do site Portal no Ar, lembrei de uma situação parecida e que virou tabu entre os defensores e instituições que cuidam do meio ambiente. Tempos atrás a Prefeitura do Natal esteve em contato com um grupo empresarial que pretendia construir uma marina, no Rio Potengi, próximo a fortaleza dos Reis Magos, na boca da Barra da capital potiguar, o que gerou gritaria, esperneio, afetação, discursões acaloradas e que culminou com a Câmara Municipal, erroneamente, botando uma par de cal sobre o assunto e a cidade perdeu uma excelente oportunidade de receber um grande portal turístico. Não defendo que o projeto daquela época fosse o mais correto e nem digo que aquele grupo fosse o que tinha melhores intenções, mas a discursão seguiu por uma rota totalmente adversa aos interesses da sociedade, a começar pela insistência dos militantes das coisas da ecologia em dizer que a marina iria destruir parte do mangue e coisa e tal. Ora, naquela época surgiram, e submergiram inexplicavelmente, estudos que afirmavam que o mangue em questão é composto de uma vegetação invasora e sendo assim, interfere na fauna e flora. – Será mesmo? Deve ser por isso que se diz, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mas é assim!      

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Ainda sobre a ponte

IMG_0386A postagem A ponte redeu um comentário bem recheado, enviado pelo velejador e professor paulista João Peralta, cabra bom indo e voltando, e acharia bom você dar uma lida para se inteirar das considerações do João. Ele alerta e me corrige, com razão, quanto ao nome oficial da ponte atirantada, que faz o pórtico de entrada de Natal, para que vem do mar. A obra está batizada e registrada como Ponte de Todos – Newton Navarro. O De Todos, João deduz, mas o Newton Navarro, que ele diz desconhecer, foi um dramaturgo, poeta, desenhista e pintor potiguar, que imortalizou paisagens de Natal e do Rio Grande do Norte em suas obras. A praia da Redinha, hoje embaixo da ponte, foi cenário de várias de suas telas. Para saber mais sobre o homenageado, o Newton, passe a vista no texto da professora Elizete  Vasconcelos Arantes Filha, publicado em 2007, no blog Overmundo.  

Coisas que não entendo

PONTA NEGRA (3)

Confesso que tem coisas que custo a entender, mas tem outras que por mais que eu tente, o entendimento dá a bexiga e não chega. Lendo uma matéria sobre poluição nas praias e rios do Rio Grande do Norte, um estado que se declara um dos paraísos turísticos do Brasil, fiquei matutando com meus botões: O que danado quer dizer a frase “um trecho de mar”? A frase em questão se refere a praia de Ponta Negra, um dos mais belos cartões postais da capital potiguar, que segundo levantamentos feito pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte, IFRN, através do programa Água Azul, o trecho que eu nunca ouvir falar, mas que dizem ser conhecido como Free Willy – e não me perguntem o porque desse nome estrambólico – está impróprio para o banho de mar. A foz do rio Pirangi, outro cartão postal potiguar, e as águas do rio Potengi em frente a praia da Redinha, embaixo da Ponte de Todos os retratos e egos politiqueiros, também sofrem do mesmo mal, ou melhor, estão mais para fossas do que para praias. O que está queimando meu juízo – se é que tenho algum – é a frase “um trecho de mar”. Como danado os estudos chegam a um nível de certeza de que apenas um trecho está infestado de esgoto e outro a poucos metros, mais para trás ou mais para frente, não está? A Praia de Ponta Negra é uma baía e por assim ser, as correntes marinhas sofrem alteração de fluxo e refluxo a depender dos ventos e marés. Pelo menos eu na minha santa ignorância acho que seja assim. Basta caminhar nas areias da praia para ver línguas negras despejando dejetos no mar, mas isso só quem vê e o pobre mortal banhista, porque se for perguntar a alguma “autoridade” a resposta é a mesma de sempre: Vamos averiguar, fazer um estudo técnico, elaborar um planejamento, tentar enquadrar quem está causando o problema, mas sabemos que é muito difícil, porque ninguém quer se expor para denunciar. Bem, quanto ao Rio Potengi há muito sofre com o esgoto da cidade e acho até que ele nem liga mais para uma merdinha a mais ou a menos e no Rio Pirangi a pisadinha é a mesma. Aliás, o Rio Pirangi só vai aparecer nos noticiários no período de verão e enquanto isso o esgoto fica em banho maria. Alguém haverá de dizer: – Homem deixe de leseira e tome ciência, pois se nos mares olímpicos do Cristo Redentor o esgoto está no meio da canela, imagine no Rio Grande do Norte que num vai ter nem disputa de cuspe a distância!

Uma prosa e um dedinho de conversa

despedida de marcia (30)

Corriam os preparativos para uma regata nas águas do Rio Potengi quando, numa tarde de Sol de 2015, dois amigos bons de papo se programaram para participar da prova. A flotilha de Snipe voltou a se empolgar e cada treino é uma forma de conseguir mais adeptos. E assim o Snipe vai renascendo no Potengi.

No dia da regata, um dos participantes notou que um barco concorrente estava com as velas folgadas e por isso não conseguia avançar a contento. O observador fez o possível para chegar um pouco mais perto do veleiro quase parado no tempo e percebeu que a bordo estavam aqueles dois amigos, conhecidos proseadores, desses que falam mais do que o homem da cobra. Ele se aproximou, sem ser notado, colou o barco no outro, novamente sem ser notado, e esperou que algum dos tripulantes do outro barco desse uma pausa para respirar. Entre uma palavra e outra ele gritou: – As velas estão folgadas, por isso vocês não estão navegando bem.

Os tripulantes do barco abordado ouviram aquilo, olharam para as velas, se entreolharam e responderam: – Vixi, a gente nem tinha notado. Estávamos aqui numa prosa boa danada que esse detalhezinho passou despercebido. E a regata prosseguiu assim!

O Snipe é a base da fundação do Iate Clube do Natal, mas o tempo e algumas diretrizes alheias a razão fizeram com que a estrutura fosse se deteriorando, esquecida nas sombras empoeiradas de um galpão. Velhos snipistas recolheram as velas e em vez do grito forte de “áaagua” o que se ouve são lamentos e lampejos de saudosismo. De vez em quando, nos palanques festivos diante de autoridades, o Snipe é mencionado com ênfase de grandeza e voz impostada.

Infelizmente a vela não se renovou, mas isso não é culpa apenas dos que timoneiam o Iate Clube do Natal. Na grande maioria dos clubes náuticos brasileiros a vela passou a ser tratada como um esporte sem nenhum futuro pela frente. Os motores passaram a preencher os espaços nos pátios e a roubar a cena na água. Os adeptos dos motores assumiram o comando do timão dos clubes e levaram os velejadores a mendigarem por atenção.

Esporte a vela necessita de doutrina, trabalho, paciência, determinação e disciplina. Ele forma cidadãos com uma sólida base educacional e focados em bons valores comportamentais. Forma também jovens comprometidos com o meio ambiente e com ideais cooperativistas. Um barco a vela é um excelente laboratório para treinar equipes e desenvolver sistemas de liderança. Mas tudo isso está praticamente abandonado nas garagens náuticas ou se acabando ao relento.

Logo no nosso Brasil, onde tanto se reclama da falta de incentivos para a educação, do abandono das escolas, da falta de professores, da educação zero, das cadeiras quebradas, da falta de infraestrutura, do abandono da ética e etc… . Reclamamos, mas quando assumimos o comando de um clube náutico, que poderia contribuir com a educação e mudar o quadro social de gerações futuras, fazemos ouvidos de mercador e viramos as costas. E ainda abrimos a boca para dizer que não temos tradição náutica. Desse jeito não podemos ter nunca!

É preciso dizer que muitos barcos que pertenceram às escolinhas foram doados aos clubes por programas do Governo Federal. A grande maioria ainda está em poder dos clubes, que não sofrem nenhuma forma de fiscalização quanto ao uso e manutenção. Descaso, essa sim é a nossa tradição!

Não se faz educação da noite para o dia como bem quer um curso intensivo qualquer. Educação se faz com perseverança, boa vontade, insistência e determinação. Foi-se o tempo em que nosso país primava pela boa educação e ética nas escolas. Hoje, dizem os entendidos, o que importa é ensinar o aluno a ser competitivo na profissão e para isso qualquer malandragem é bem vinda.

A vela no Brasil teve seu auge de glória e excelentes velejadores. Os clubes brasileiros eram respeitados e equipados com os mais modernos barcos de competição. As escolinhas eram abarrotadas de alunos e os professores verdadeiros mestres. As regatas eram as festas mais importantes para os clubes e os campeões estaduais de cada classe gozavam de reconhecimento nacional.

Quem mudou esse quadro juro que não sei, mas sei que ele cometeu um atentado contra a educação brasileira e foi nacionalmente seguido por seus pares. Os clubes se transformaram em espaços voltados apenas para o interesse do sócio dito “social” e perderam o rumo. Hoje estamos diante de um incrível paradoxo: Em alguns clubes o proprietário de um barco não consegue ser admitido justamente por ser proprietário de um barco. A coisa está feia e vai piorar!

Torço para que os abnegados da flotilha de Snipe de Natal consiga ressurgir das cinzas e que nossos amigos, mesmo proseado, sigam navegando.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Serenata do Pescador – Ode a uma linda praiera

Serenata do Pescador, ou simplesmente Praeira, e uma poesia de Othoniel Menezes com letra de Eduardo Medeiros, e que aqui está imortalizada na voz melodiosa do cantor potiguar Fernando Tovar. Cresci ouvindo essa maravilha poética sendo entoada nas varandas da casa de praia do Dr. Bianor Medeiros, grande amigo do meu Pai, e sempre fui envolvido pela emoção. A velha Praia da Redinha já se foi de mãos dadas com os bons tempos de outrora, para não sofrer nas garras de uma modernidade enraivecida. Restaram as lembranças de uma época e a poesia desnuda e apaixonada para uma linda Praeira.

De quem ama o mar

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Olhando essa imagem que copiei de um grupo do facebook, me veio a lembrança de um casal espanhol, que esteve em Natal/RN em 2009. Carlos e Magdalena, chegaram vindo de Fernando de Noronha/PE a bordo catamarã Prati, com pretensões de permanecer na capital potiguar por uma semana. Nesse ínterim, tomaram conhecimento que o navio-veleiro Cisne Branco, da Marinha do Brasil, estava para chegar e resolveram estender por mais uns dias a permanência sobre as águas do Rio Potengi. Fizemos amizade e um certo dia Carlos nos convidou para jantar a bordo do Prati, um estiloso e belo catamarã Catana de 50 pés. No jantar ele comentou sobre o Cisne Branco e disse que se houvesse visitação eles seriam os primeiros da fila. No dia seguinte liguei para o capitão dos portos, na época o CMG Francisco Vasconcelos, um grande amigo, e falei das pretensões do casal espanhol. O comandante Vasconcelos confirmou a chegada do navio-veleiro, porém, não haveria visitação aberta ao público, mas ficou de ver o que poderia fazer. Dois dias depois o Cisne Branco entra imponente no Porto de Natal e ao passar na popa do Prati foi saudado com buzina, bandeiras e acenos pelo casal que estava em grande emoção. A noite o Carlos me perguntou: Nelson, o que aconteceu para não haver nenhum barco e nenhum velejador a esperar o Cisne Branco? Na verdade não soube o que responder e apenas disse que o brasileiro não dava muita importância a essas coisas. Ai ele disse ser uma pena, pois na Espanha, a chegada de um navio belo como aquele era motivo de festa e centenas de embarcações se fariam ao mar para navegar em flotilha. Sem mais o que responder: Apenas balancei a cabeça afirmativamente. O comandante Vasconcelos conseguiu liberar a visitação para o casal e eu e Lucia fomos junto. Juro que nunca vi um homem tão feliz e quando subiu a bordo, os olhos dele se encheram de lágrimas. Por que temos que ser assim tão indiferentes?  

Horas de escuridão

3 Março (289)

Deixe ser, deixe ser
deixe ser, deixe ser
Haverá uma resposta
Deixe ser

(John Lennon / Paul McCartney)

Ontem, 02/04, perdi um amigo. Como é duro falar dessas coisas. Mas ontem perdi um amigo que me foi apresentado pelo mar, justamente o mesmo mar que o levou. Ainda guardo eco das suas palavras para comigo: Foi há pouco mais de quatro meses quando ele me ligou querendo saber sobre balsa, SSB, Epirb, telefone via satélite e também para dizer que estava programando nos fazer uma visita para navegarmos pela Baía de Todos os Santos. Dizia ele que viria acompanhado do seu Pai, seu maior parceiro e amigão do peito. Falou ainda que um dia iria comprar um veleiro para conhecer o mundo. Ele sempre me dizia que invejava minha escolha de vida. Eu apenas ria e acatava todas as suas palavras com muito carinho. Ele foi uma das pessoas mais atenciosas que conheci. Alcimar Pezolito, 45 anos, conhecido por todos como Alemão, um homem apaixonado pelo mar e pelas pescarias. Quantas vezes fomos vizinhos? Não sei precisar, mas sei que adorávamos quando dividíamos o píer do Iate Clube do Natal, ele a bordo da lancha Miss Mares 38, eu e Lucia a bordo do Avoante. Éramos os únicos “moradores” do Clube, ficávamos sozinhos a noite na companhia dos vigilantes e quando Alemão, que residia em São Paulo, ia a Natal para reafirmar sua paixão pela pesca de oceano, era uma alegria. Calado, extremamente educado, responsável, fala mansa, sempre pronto a ouvir, atencioso, carismático. Apaixonado pela vida, pela família e pelo mar. Alemão. Meu amigo Alemão! Hoje, 03/04, fui despertado pelo toque do telefone e num lampejo de não sei o que, disse a Lucia: Eu não vou atender! Ela, que estava arrumando a cabine de proa, respondeu: Mas amor, o telefone está ao seu lado!

IMG-20150403-WA0016Às 18 horas do dia 02 de Abril de 2015, uma lancha bateu nas pedras do molhe da Boca da Barra de Natal com seis tripulantes. Quatro pessoas foram resgatadas e duas perderam a vida. Era uma pescaria em família, porque na embarcação Miss Mares 38 estavam um Pai, uma Mãe, um Filho, um Neto, um Marinheiro e um Amigo. As causas da tragédia não me interessam e nem me permito julgar. Alemão era o Filho, a outra vítima era a Mãe. Dona Iracema, 75 anos. Terá mesmo respostas?