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De volta ao batente

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Eh gente, passei uns dias sem dar o ar da graça por aqui, mas foi por uma boa causa, aliás, acho que posso até dizer que foram dias de férias. Pronto, achei a palavra certa: Férias. Recebemos um convite do comandante Flávio Alcides e da imediata Gerana, para embarcar e perambular pelo mar do Senhor do Bonfim, no catamarã Tranquilidade, e aceitamos de pronto. Porém, nem pense que contarei agora como foram esses dias maravilhosos navegando pela Baía de Todos os Santos, um lugar que amo de paixão, porque essa história contarei com muita calma e detalhes, pois agora tenho que preparar a postagem do anuncio dos ganhadores da segunda edição do concurso Meu Pôr do Sol no Diário do Avoante.   

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Agora vou falar na crise

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A Azimut, empresa italiana fabricante de iates de luxo, chegou ao Brasil em 1992, numa parceria com uma empresa nacional que durou até 2010, quando faleceu o sócio brasileiro. A partir de 2010, o estaleiro italiano apostou no franco crescimento do mercado local e seguiu sozinho no negócio e hoje colhe os louros de sua empreitada, mesmo com a economia brasileira metida num emaranhado de tramas, traumas e salamaleques jamais imaginado por essas terras tupiniquins. Bem, em meio a essa tal de crise abrasileirada, os italianos estão acelerando as máquinas de seus palácios flutuante e etiquetando a preços que ultrapassam a casa dos 45 milhões de reais. Quer saber mais? Os gringos apostam que em 2017 venderão em torno de 45 embarcações. Agora vem o xis da questão e que sempre bato nessa tecla quando ouço proprietários de estaleiros brasileiros, produtores de veleiros, reclamando: Segundo o diretor da Azimut, a decisão de permanecer no Brasil não teve relação apenas na clientela potencial, mas principalmente na boa avaliação que o mundo náutico estrangeiro tem nas águas brasileiras, que é uma joia de valor inestimável, apesar dos problemas que temos com burocracia, licenciamento ambiental e obras de infraestrutura. Por que será que uns vislumbram a realização do sonho e outros se apegam apenas com os pesadelos? Fonte: Veja.com 

Duzentos pés de ousadia

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Ousadia, futurismo, utopia, tudo cabe nos riscados das pranchetas dos designes nesses tempos de recordes sem limites. O que diriam os antigos navegadores se fossem apresentados a um barco construído parcialmente de vidro? No mínimo o projetista seria entregue aos inquisidores para serem queimados nas fogueiras. Mas não precisaríamos voltar tanto no tempo para ver projetos de veleiros envidraçados virando piada em rodadas de bate papo. – O que? – Veleiro de vidro? – Você está maluco! Pois é, vejo no site da Revista Náutica que o designer neozelandês Isaac Burrough, apresentou um projeto de um catamarã de 197 pés, com uma grande área envidraçada cobrindo todo o salão de popa. O veleiro terá espaço para 12 passageiros e 16 tripulantes, um mundão de gente, que se beneficiarão de um espaço de alto luxo com direito a academia de ginástica, cinema e piscina com borda infinita. Burrough afirma que o seu projeto não visa o desempenho, mas sim o luxo e o entretenimento dos passageiros. Se a ousadia vai sair do papel eu não sei, mas que é uma revolução nos conceitos, isso eu não tenho dúvidas. Fonte: site revista náutica.

Conversa alinhavada

03 - março (88)

Nas ondas de um vento que de tão sem pressa mal assanhava as penas das pequeninas gaivotas que voavam despretensiosas sobre um cardume de peixes, o Avoante navegava em câmera lenta e em sua esteira espumas brancas teimavam em não se afastar. Das sombras da velha ilha dos tupinambás ecoavam sons abafados de uma humanidade tão sem causas e extremamente inquieta. Por que será que temos tanta pressa?

Olhando do meu cantinho no cockpit aquele quadro estático e flagrantemente vivo, meu coração se enchia de boas e felizes recordações e sonhos futuros, mas uma pontada de estranheza me cutucava o juízo diante de lembranças de conversas alinhavadas entre felizes homens do mar. E lá ia o meu veleirinho sem nenhum rancor diante daquela brisa que era nadica de nada, que o fazia patinar de um lado para outro a procura do sopro que o levasse a seguir o rumo que eu, seu amigo quase fiel, havia indicado.

Das lembranças das conversas surgiam resquícios de frases, fugidas da destemperança de velhos e novos navegantes, que no afã de adiantar a pressa, a sorte e razão, hasteavam a bandeira da ligeireza, sem ao menos pedirem perdão aos seus veleiros, e cravavam no peito o broche da velocidade mínima para o bom conforto a bordo. Com o eco de palavras tão atabalhoadas e me achando um infeliz abandonado pela sorte da boa velocidade, busquei no branco das velas a leitura para aquele vento tão sem graça que fazia o Avoante estacionar no espaço entre a proa e a popa.

Uma lancha cruzou a nossa proa rasgando água e de suas entranhas vieram gritos de festejos e brindes pela vida. Do meu cantinho observei a demonstração de velocidade e a fugaz alegria que ela proporciona. Na popa surgiu uma velinha branca, mais outra e mais outra, agora formávamos uma flotilha com quatro veleiros navegando na maciota daquele oceano sem vento.

Na segunda visada no rumo da popa as velas aumentaram de tamanho e antes que pudesse observa a terceira vez, elas já seguiam serelepes na proa do meu veleirinho quase parando. Seriam aqueles adeptos da velocidade mínima ou seria eu que insistia em ser agraciado pelas lufadas, que não vinha, do grandioso deus dos ventos e teimosamente ficava ali a ver navios, lanchas e veleiros estranhamente velozes?

Assim como quem não avisa, um ventinho foi chegando displicentemente e sem pestanejar o Avoante avançou com as velas ainda se espreguiçando e forçando um alongamento sem nenhuma intenção. A direção agora era outra e o que era perto o bastante para ser sonhado, ficou longe que nem uma saudade. E lá vai o veleirinho em busca de boas novas e tentando apressar o passo para o sei lá onde.

Olhei em volta e nem sinal das três velinhas que navegavam entristecidas pelos ventos quentes de um porão apertado. Não tinha o que reclamar e muito menos maldizer a minha sina de homem do mar e dos ventos. Era essa a minha escolha e nada no mundo iria tirar de mim aquele prazer amalucado de navegar para um lado na esperança de ir para outro. Pronto! Era disso que eu estava precisando para fazer meu veleirinho navegar em paz e com satisfação. De pensamentos de compreensão. De buscar na incógnita a força motriz que me moveria para frente. De sair do marasmo do ócio, encarar o vento e colher a essência de sua alma.

Precisava sim estar navegando em rumo oposto para ter a certeza que estava no rumo certo, porque é assim que fazem os vencedores, os idealistas, os reacionários, os amantes, os loucos, os vivos, os valentes e todos aqueles que trazem no sangue o antídoto para curar as adversidades. No mar não existe o mínimo e muito menos o máximo, porque o mar não respeita valores exacerbados. O mar só tem uma razão e essa é sem rosto, sem emoção e tão fria quanto o gelo dos polos. O mar não reconhece os valentes e sim os dotados de inteligência para reconhecer o medo. E o vento? O vento é aliado fiel do mar e grande maestro da orquestra de Netuno. É de sua batuta que saem os acordes, os sons, os rufos dos tambores e a maciez da sonoridade.

Precisava saber que estava longe para entender que estava tão perto de mim. Precisava ver meu destino se afastando para reconhecer que minha alma estava feliz e meu coração pulsava forte de alegria. Precisava sentir as velas enfunadas para espantar de minha mente aquelas conversas alinhavadas que falavam de velocidade mínima e máxima. Precisava ter chegado à hora de dar o bordo para lembrar a letra da música que diz: …De jangada leva uma eternidade/De saveiro leva uma encarnação…

Para que a pressa se a vida é tão sem lógica? Para que a pressa? Para que embarcar em um veleiro sabendo que ele é um fiel escudeiro dos ventos, um servo obediente das águas e tentar corromper sua alma?

Depois de oito horas dei por encerrada as quinze milhas navegadas e estava feliz e em paz ao lado do meu Avoante. “…Antes longe era distante/Perto, só quando dava…”

Nelson Mattos Filho/Velejador

Praia de Caboto

03 - março (139)

Dia desses um amigo perguntou o que eu achava da navegada até a praia de Caboto, localizado logo após a Ilha de Maré, dizendo ele que desejava ir até lá em seu veleiro. Como foi uma pergunta feita em cima da bucha e já estávamos envolvidos pela segunda garrafa de cerveja gelada, meus neurônios bateram cabeça por míseros segundos, na tentativa de me abastecer de argumentos, e antes de pousar o copo americano sobre a mesa – pois cerveja boa é em copo americano –, eu já estava com a resposta na ponta da língua, mas me ative antes que ela saísse e ele interpretasse como besteira besta.

03 - março (144)

Caboto está entre os poucos destinos que ainda não fiz a bordo do Avoante e talvez fique sendo assim, porque não tenho nenhuma vontade de fazê-lo. No comecinho de março de 2016 fui até lá de carro, para ver o que eu estava perdendo, e sinceramente não achei que estava perdendo muita coisa. E olhe que é difícil eu fazer críticas aos destinos navegáveis da Baía de Todos os Santos e principalmente das cidades e povoados do Recôncavo. Para mim não existe nada melhor no mundo a ser navegado do que as águas da Bahia! Mas como eu não conheço o mundo, dou o dito como verdade.

03 - março (163)

Fui conhecer Caboto quando de minha pretensa excursão rodoviária até o Museu Araújo Pinho, que foi publicada aqui dia 10 de maio com todos os pormenores. – Museu? – Que museu? Caboto tinha tudo para ser uma gracinha de lugar, mas por ser distrito de um município rico emergente, devido a arrecadação delirante vinda no rastro da lama petrolífera, mais parece uma cidade jogada as traças. Conheço várias cidades e povoados brasileiros com essa triste sina, inclusive no meu Rio Grande do Norte. O dinheiro entra nos cofres municipais pelas tubulações, saem pelo esgoto e quem quiser que reclame ao bispo, pois o juiz já está abarrotado de quebra cabeças para resolver e a coisa é igual a cantiga da perua, de pior a pior.

03 - março (153)

Os guias náuticos que mapeiam a Baía de Todos os Santos dizem que a navegação até lá é feita em águas rasas, tranquilas e que merecem atenção redobrada, devido a existência de bancos de areia. Na ancoragem deve ser observada a variação da maré e o mais indicado é que seja permanência apenas diurna. Na maré baixa fica quase impossível o desembarque, porque a faixa de lama é extensa e é preciso pular diversos obstáculos de línguas negras.

03 - março (155)

Dizem que alguns barzinhos servem moquecas e mariscos deliciosos, porém, não pude comprovar, pois encontrei todos fechados. Uma igrejinha no centro da praça, que também serve de Centro Comunitário, reverenciado São Roque, é talvez a melhor referência turística. Porém, o que mais me chamou atenção foi a ruína de uma casa tomada pelo mato e que ninguém soube informar do que se tratava. Tentei entabular uma conversa com dois idosos moradores que encontrei na praça, mas eles de nada sabiam, a não ser que quando se entenderam por gente a ruína já existia. Pesquisando por aí soube que era uma região açucareira e que existiam vários engenhos. Será essa uma de suas ruínas?

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Não esperei para ver, até porque desejava conhecer o museu, mas o pôr do sol deve ser bonito em Caboto e a maré cheia deve dar outro animo ao pequeno povoado. Talvez a proximidade com os monstruosos conglomerados industriais e os vários portos que cercam a região, contribua para o mal trato existente por lá.

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E pode até ser que eu esteja sendo rígido demais em minhas críticas ao povoado que me recebeu durante uma hora de visita, mas o que eu vi foi isso e como diz o ditado: A primeira impressão é a que fica. Sabe o que tenho a dizer ao amigo que perguntou o que achava da navegada até lá: Que ele vá e depois me diga o que achou.

O catamarã de velocidade – VI

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Depois da noite bem dormida na ancoragem em frente à cidade de Cairu/BA, acordamos cedinho para aproveitar a maré de enchente e seguir até o distrito de Canavieirinhas. Navegar até o povoado das famosas ostras criadas em cativeiro era uma vontade que alimentávamos há anos, mas o alinhamento dos astros não permitia que acontecesse. Quando o comandante Flávio me delegou a tarefa de montar o roteiro do catamarã Tranquilidade entre Natal/RN e o litoral baiano, inclui o destino sem pestanejar. Até porque, o comandante queria conhecer lugarejos pitorescos e que fugisse dos roteiros tradicionais.

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No começo da viagem, quando ainda estávamos na Barrinha dos Marcos/PE, meu computador queimou a placa e fiquei sem poder acessar o planejamento e consequentemente conferir a rota e os waypoints marcados. Algumas rotas já estavam inseridas no chart plotter do barco e também em meu GPS portátil. Mas como sabia que muita coisa seria alterada, como foi, em várias oportunidades, preferi incluir a cada parada a rota seguinte. Por precaução, costumo anotar em uma agenda os roteiros, mas infelizmente o percurso entre Cairu e Canavieirinhas não anotei.

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Quando da nossa ancoragem em Itaparica, remexendo papeis do barco, encontrei o guia náutico produzido pelo antigo Centro Náutico da Bahia e que teve a mão do navegador Davi Perroni. Entrei em contato com ele sobre a rota, pois confio cegamente em suas informações, e ele alertou que eu prestasse atenção no datum do GPS, porque as rotas do Guia estavam em Córrego Alegre. Datum é o modelo matemático utilizado para produzir mapas e cartas náuticas. Datums diferentes podem provocar erros de até mil metros de distância. No momento em que eu estava fazendo as correções o Davi telefonou dizendo que havia enviado um email já com tudo pronto. Amigo faz assim!

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O canal entre as duas cidadezinhas é estreito, raso em algumas partes e merece atenção redobrada até para quem tem um pouquinho de experiência. Como diz um amigo: “Não aceita desaforos e muito menos egos inflados”. Seguindo a rota que me foi enviada, observei que a profundidade média gira em torno de 5 metros, porém, na parte mais larga do rio, além de sinuoso, o traçado passa por profundidades de 3,5 metros na maré cheia. Deve ser navegado com o GPS em zoom elevado e com confiança no que foi traçado. Ao menor sinal de indecisão o barco pode ser jogado sobre um banco de areia.

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A ancoragem em Canavieirinhas é outro ponto crítico e já fez muita gente boa ficar em maus lençóis. Em frente à cidadezinha existe um enorme banco de areia, que descobre na maré baixa, e a ancoragem é feita em pouco mais de 2 metros de profundidade. Apesar de toda essa dificuldade, navegar cercado pelo vasto e vibrante manguezal é de uma beleza sem tamanho. E foi envolvido nesse clima de êxtase que cruzamos aquelas águas com segurança e alegria. O nosso comandante, que desejava um passeio assim, ria de orelha a orelha e não parava de lembrar a frase dita por nosso amigo de que “praia é tudo igual”. Lembramos também de Geraldo e Myltson que desembarcaram em Itaparica e perderam o melhor da viagem. São navegadas assim que fazem o diferencial da vela de cruzeiro e precisamos estar com o espírito em paz para vivenciá-las em toda plenitude.

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Navegar em pequenos canais e ancorar em pequenos povoados ribeirinhos, interagindo com os habitantes do lugar é um prêmio para a alma do cruzeirista. Eu mesmo não troco por nada. Falei sobre isso no texto que dá início a essa série que termina aqui e que dei o título de “Um sonho a mais”, mas acrescento que sonhos, vontades e interesses são diversos. Por isso, quando me perguntam qual o número de tripulantes ideal para uma viagem de cruzeiro, respondo que não existe número e sim afinamento. Um cavaquinho tem quatro cordas e nem por isso é mais fácil de ser tocado, ainda mais se alguma estiver desafinada.

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Canavieirinha foi o prêmio maior dessa nossa velejada a bordo do Tranquilidade e que aqui está relatado com o título O catamarã de velocidade. O título pode não corresponder com tudo o que aqui foi dito e não corresponde mesmo, porém, é uma pequena alusão aqueles que entram a bordo de um veleiro e em vez de curtirem a velejada, se preocupam apenas em correr regatas contra eles mesmos e não apreciam o sabor de uma gostosa e despreocupada navegada.

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Essa foi sim uma velejada maravilhosa e mais uma vez agradeço ao comandante Flávio Alcides pelo convite, aos companheiros de tripulação Geraldo Dantas, Myltson Assunção e Paulo Guedes, pela amizade e a minha esposa Lucia, pelo astral sempre elevado e que me enche de coragem para enfrentar os mares navegados.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Mais um velejador para singrar os mares do mundo

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Um amigo sempre diz que eu não tenho nada que pedir desculpas por passar alguns dias sem aparecer pelo blog, mas acho que tenho sim, porque compromisso é compromisso e quando me propus a por o Diário do Avoante no ar, foi com a ideia que ele teria atualização diária, mas como nem sempre é possível, vou navegando e dando bordos entre uma desculpa e outra. A desculpa dessa vez foi que estávamos mostrando a um novo aluno do nosso curso de vela de cruzeiro, como é a vida a bordo de um veleiro de oceano e quanto ela é prazerosa.

20160402_083426Pois bem, o Ricardo de Brasília, chegou e de cara já sentiu que a vida de velejador de cruzeiro é cheia de alegrias, boas amizades, extremamente irreverente e que nem sempre a turma está afim de dar uns bordos por aí, porém, é uma vida maravilhosa e que passa bem distante dos estresses produzidos pelas cidades.

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Como primeira aula, participou do churrasco de inauguração da churrasqueira do veleiro Intuição, do comandante Chaguinhas, que começou pela manhã, se estendeu pela tarde e culminou com o início da segunda aula, numa velejada noturna do Aratu Iate Clube até o Suarez, ou portinho da ilha de Bom Jesus – como queiram – , um dos mais gostosos e tranquilos fundeadouros da Baía de Todos os Santos. Foi uma velejada em flotilha, porque tivemos a companhia do veleiro Luar de Prata, do comandante Paulo, num percurso de pouco mais de 14 milhas.

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No segundo dia de aula, navegamos do Suarez até a ilha de Itaparica, num través gostoso, onde dividimos a ancoragem com os veleiros Ati Ati, do comandante Fernando e da grumete Erica, e do veleiro Remelexo, comandante Claudio e imediata Giordana. A noite foi de festa a bordo do Remelexo e mais uma vez o Ricardo sentiu a força da amizade que tempera a alma dos velejadores de cruzeiro.

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O terceiro de dia de curso para Ricardo foi uma navegada pelo Canal Interno de Itaparica, diante de uma paisagem de encantar, até a Fonte do Tororó, uma pequena cachoeira quase sem água, mas que oferece um banho de mar sensacional. Depois do almoço a bordo, emoldurado pela mata exuberante do Tororó, levantamos as velas e tomamos o rumo do fundeadouro da ilha da Cal, outro paraíso da Baía de Todos os Santos, onde passamos a noite. Aliás, na ancoragem da ilha da Cal não precisamos nem olhar para o Céu para ver as estrelas, basta olhar o mar para vê-las refletidas.

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No quarto dia voltamos a Ilha de Itaparica, onde o Ricardo desembarcou, para seguir para Morro de São Paulo, e nos fizemos o rumo do Aratu Iate Clube, navegando sob as cores de um belíssimo pôr do sol. Ricardo foi mais um aluno aplicado que desembarcou do Avoante focado no sonho de singrar os mares do mundo a bordo de um veleiro. Tudo que viu e viveu durante os quatro dias de curso temos certeza que ficará marcado em sua memória como dias maravilhosos e que jamais ele imaginou que teria. Fizemos questão de montar uma grade de curso em que a vivencia sobressaísse sobre os ensinamentos técnicos, porque assim ele veria que a vida a bordo de um veleiro não tem segredos e tudo não passa de um novo olhar sobre a vida, onde se busca a verdadeira interação entre homem e natureza. Desejamos sempre bons ventos e mares tranquilos ao novo velejador e desejamos um dia ancorar nosso veleirinho ao lado do seu em algum recantinho gostoso desse mundão de oceano.