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Nelson e Lucia – amigos

nelson luciaA palavra hoje está com o amigo José Mauro, cabra arretado e dono de uma verve que só vendo, basta ver as letras que ele destrincha no blog Eu e o maldade, e foi lá que ele postou o texto e enfeitou com um retrato, dos bonitinhos aqui, tirado lá na fascinante Ilha do Sapinho, uma das joias encravadas na Baía de Camamu. Fala aí, , e obrigado pelas palavras abonitadas.

Isso deve ter uns 4 anos. Tudo em mim pedia por uma parada geral, por um desligamento do mundo. Alguém então me falou de Nelson, Lúcia e o Avoante. Um casal que vivia em um veleiro e que poderia nos acolher por uns dias à bordo.

Em um píer no bairro da Ribeira, em Salvador, embarquei no Avoante, uma embarcação pequena, mas valente, aconchegante como casa de mãe, para 4 dias de velejadas pela Baía de Todos os Santos.

Paixão à primeira vista. Pela vela, pelo veleiro, por Nelson e Lúcia e por aquela vida tão simples e diferente da minha e que eu nem sabia que existia. Dormir ao balanço do mar, olhando apenas o clarão das estrelas, foi algo que me tocou profundamente. E a partir dali o mar da Bahia virou meu destino sempre que a correria da vida em terra permitia. A ponto de eu mesmo comprar um veleiro e acalentar sonhos de libertação por quase um ano.

Certo dia, recebo a notícia de que haviam vendido o Avoante. Tinham vivido nele por mais de 10 anos, mas era necessário. Aquele não era apenas um barco, era um pedaço de suas almas, era o ente tangível que lhes ancorava um modo de vida.

A tristeza me bateu. Não conseguia ver Nelson e Lúcia em terra firme. Temi por sua felicidade, desconfiei que não conseguiriam mais se adaptar.

Hoje, vez por outra, entra uma mensagem de WhatsApp do “Comandante”, direto de sua casa na praia de Enxu Queimado, no litoral do Rio Grande do Norte. Às vezes é uma foto das delícias preparadas por Lúcia, às vezes um post do preservado e ativo Diário do Avoante (diariodoavoante.wordpress.com), ou às vezes apenas uma bela foto da natureza deslumbrante do lugar com um sincero “Bom dia, meu amigo”.

Nunca senti uma ponta de ressentimento. Nunca um tom de melancolia, nunca um maldizer a vida, sempre a mesma alegria, generosidade e simplicidade que conheci e aprendi a admirar a bordo do Avoante.

Obrigado por mais uma lição, além da vela, Comandante!

Zé Mauro Nogueira

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Expedição Tranquilidade – IV

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A navegada do Tranquilidade pela Baía de Camamu foi repleta de bons momentos, belas ancoragens e muita alegria. A passagem pelas ilhas de Goió e Sapinho, em que o pequeno canal entre duas se configura numa das mais perfeitas ancoragens daquelas paragens, se deu em duas oportunidades. O local é realmente indescritível, mas está necessitando de mais atenção do poder público.

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O velho píer público onde outrora havia um pequeno pórtico dando boas vindas aos visitantes, com a frase: Sejam Bem Vindos a Ilha do Sapinho, não serve a mais ninguém, pois está em completo estado de penúria e abandono.

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Da bela e velha passarela, onde podíamos sentar em seus bancos de madeira para apreciar a paisagem e o pôr do sol, e que fazia a ligação entre o Sapinho 1 e Sapinho 2, restou apenas um monumento em homenagem a vergonhosa indiferença dos governantes municipais com a coisa pública e seus eleitores. Não queria ter que mostrar imagens como essas capturadas de um lugar tão fascinante como a Baía de Camamu, mas não poderia deixar passar em branco esses crimes de gestão pública. 

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Mas vamos seguir em frente e navegando por entre os mangues que margeiam o monumental Rio Maraú, pois a natureza não costuma desmanchar os prazeres dos homens, a não ser quando é agredida. Nosso destino no próximo post será um dos lugares mais exóticos e encantados e que fazem do litoral brasileiro uma das grandes maravilhas do mundo.

Uma velejada inesquecível – Final

Quando o casal, Fernando e Marta, se propôs a vir velejar com a gente no Avoante, e passar 9 dias vivendo a bordo, sabíamos que tínhamos que se desdobrar para tornar aquele período o mais confortável e alegre possível. O casal, apesar da grande amizade que nos une, é velejador e até já passou vários dias num veleiro, mas não tinha a experiência de um cruzeiro longo e num local sem os muitos recursos da vida civilizada como é a Baía de Camamu/BA.

Fazer cruzeiro em um veleiro oceânico é se propor a abdicar de tudo o que vida urbana, e moderna, trás de melhor que são os confortos diários. Num veleiro, vive-se uma vida de eterna ligação com a natureza e os elementos que a regem. Num veleiro o conforto não deixa de existir, mas para se chegar ao seu apogeu precisamos estar em paz com a gente mesmo e se soltar das amarras do mundo urbano. Continuar lendo